domingo, 20 de dezembro de 2015

ARTE DO PRESENTE

Assisti ao filme "O camareiro fiel",que narra o cotidiano de uma companhia de repertório do mais importante dramaturgo de todos os tempos e um dos mais brilhantes artistas da história, poeta, escritor e ator William Shakespeare,durante a segunda guerra mundial. O ator, líder da companhia, chamado de Sir, doente e com a alma ammargurada, luta desesperadamente com seus próprios conflitos, a dedicação do seu camareiro, diante da companhia de atores idosos, isentos do serviço militar. Fiquei pensando no papel da arte, diante do desespero da guerra, conflitos, crises econômicas e toda a sombra que envolve ser humano. Um diálogo com o camareiro me tocou profundamente,acredito que quem faz arte, em qualquer parte do mundo, sentiu um desejo de continuar fazendo teatro, dança,ou simplesmente continuar vivendo,apesar da idade, da rotina, da crise, da alienação e ausência muitas vezes de profundidade e sensibilidade para a poesia diante de um mundo caótico. O personagem nos fala que a sorte escuta nossos esforços. E deseja que cada palavra seja um escudo contra selvageria,uma proteção contra o terror.Segundo ele, a vida é feita de luta e sobrevivência. Eu acrescento o sonho. .

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

PROPORÇÃO ÁUREA E ARTE

A proporção se refere a uma determinada relação entre as partes que mantêm uma ordem entre si capaz de serem especificadas. O termo pode ser aplicado de diversas formas e em várias áreas, mas é utilizado especialmente em algumas disciplinas. Esta circunstância se explica pelo fato de que guardar uma proporção entre diferentes elementos é crucial e deve ser refletido da melhor maneira possível. Na Grécia Antiga, por exemplo, graças à alta valorização da beleza, a ideia de proporção era muito valorizada e também foi estendida ao plano moral, onde os atos deveriam estar relacionados em uma medida ou restrição; assim, uma falha neste sentido era sem dúvida castigada pelos deuses. Diante do exposto, fica claro que as primeiras disciplinas que fazem uso da proporção são as artísticas. Entre elas, a que mais necessita desta circunstância é a pintura. De fato, para que um desenho ou pintura funcione como um reflexo da realidade é necessário guardar certa proporção entre as partes. Um famoso exemplo é a obra “Homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci, que reflete a proporção que deve existir entre os membros de um homem desenhado. O gráfico é acompanhado com notas de pesquisa anatômicas que servem como uma explicação para esta técnica. No caso da escultura, vale o mesmo critério da pintura. A proporção deve ser respeitada nos casos em que se representam os seres vivos, em particular os seres humanos. Os gregos foram os principais cultivadores deste tipo de critério, circunstância que pode ser evidenciada facilmente ao observar as amostras do passado. Com o tempo esta característica se perdeu e somente voltou com o Renascimento, momento em que foram revalorizados os conhecimentos próprios da Grécia Antiga e de Roma. Na arquitetura, a proporção tem a ver com o fato de que os pesos de uma estrutura sejam distribuídos adequadamente e não deem lugar a situações de perigo. Assim, a estrutura que sustenta um edifício deve manter uma proporção entre as partes a fim de evitar os desequilíbrios que podem causar desmoronamentos. Quando se observa a natureza, podemos perceber claras situações de simetria e, portanto de proporção. Esta circunstância foi estudada em algumas ocasiões e deu lugar a algumas teorias e relações matemáticas que podem destacar ainda mais a noção de proporção na arte. ... Via conceitos.com: http://conceitos.com/proporcao/

A ARTE DO PRESENTE

A natureza é observada e é fonte de inspiração. Platão dizia que tudo na criação era imitação. Sócrates dizia que a natureza era imitação. Mímises é a imitação (imitatio, em latim), designa a ação ou faculdade de imitar; cópia, reprodução ou representação da natureza, o que constitui, na filosofia aristotélica, o fundamento de toda a arte. "As pessoas são mimésis umas das outras, principalmente quando trata-se de suas idéias" O I ching, sabedoria milenar, tem a sua sabedoria contida através da observação da natureza. Por exemplo, o trovão vem da terra para despertar as sementes para a primavera.O vento quentinho vem nos descongelar, o fogo nos convida a ter aderência, florescer o que tem no nosso coração. Acredito que esta segunda pele que criamos, através da reelaboração da energia em cena, é o resultado do treinamento físico e da constante relação com a natureza e os recursos internos.Como estar em cena totalmente inteiro? Quando um artista consegue um grau de energia e humanidade que é impossível não se entregar, criar empatia e humanismo? A estrada é longa e passa pela humildade, virar humus, terra, lama. Dissolver o ego. Abaixo um texto sobre proporção áurea e a sua aplicação na arte. A possibilidade de criar e elaborar uma dramaturgia fundamenta o alto grau de observação da natureza e da vida real, para criar novos signos e símbolos. A humanidade precisa de histórias, embarcar em outros reinos e olhar o mundo de forma diferente.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

VI FESTIVAL DE DANÇA SOLIDÁRIA DE BRASÍLIA

VI Festival de dança solidária de Brasília, reúne espetáculos de dança de companhias profissionais, companhias de dança especial e grupos de dança da melhor idade dia 06 de dezembro, acontece o VI Festival de Dança Solidária de Brasília, às 17h. O evento acontece no teatro Plínio Marcos - Funarte e, além de trazer arte e inclusão através da dança, incentiva o encontro de gerações,a superação dos limites através da dança e a doação. Os ingressos são adquiridos mediante a entrega de uma lata de leite em pó.Este ano teremos a partipação do Coral da casa espírita Amélia de Sousa,Maria Vilarinho, Las Ninfas, Namastê, João Gabriel, Tuareg ( Amanda Rosa, Raisa Latorraca), Dançart´Especial,Capricho Cigano, Verde Alles, Sônia Bichara, Lucas Bichara, Grupo Magia Cigana ,Atmos Companhia de dança, Capricho Cigano,Espaços de movimentos, Elton e Miryan,, Companhia de dança Ruth Santana, Nindiê Elendil, Deusas da lua,Cia de asas, Divas Dance, Convidados especiais o músico Arun e a banda Joelho de frango. O festival, criado em 2009, reúne diferentes gerações, espetáculos de dança de companhias profissionais, companhias de dança especial e grupos de dança da melhor idade.O projeto também lança todo ano um programa contendo o mapeamento e um guia de todos os projetos que atuam na inclusão da dança na vida das pessoas.O festival faz parte da programação da 1ª MARCA– MOSTRA ARTES CÊNICAS CERRADO AMAZÔNICO - que realiza recorte peculiar sobre a produção artística das regiões Norte e Centro-Oeste, reunindo obras que refletem a cultura popular e contemporânea de Goiás, DF e do Pará. Os alimentos arrecadados serão doados para a Instituição Mutirão Chico Xavier que, através dos voluntários, realizam obras assistenciais em Brasília desde 2002. A instituição atua através de assistência psicológica, cursos profissionalizantes e assistência material. VI FESTIVAL DE DANÇA SOLIDÁRIA DE BRASÍLIA Local-Teatro Plínio Marcos - Funarte Data- 06 de dezembro Ingresso - 1 lata de leite em pó 17/;00 horas

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

VI FESTIVAL DE DANÇA SOLIDÁRIA BRASÍLIA

O que descrevo como corpo orgânico, é a relação construída de viver e está associado a sentir o corpo. Uma mente integrada com o corpo, consegue sair dos automáticos movimentos de mecanização e congelamento das emoções. Ter um corpo vivo e integrado ao todo exige trabalho interno e externo. Não estou me referindo a malhar, que é importante, mas a toda uma postura de buscar a leitura do mundo interior. Está comprovado que nosso corpo adoece quando somatiza emoções, tem memória. No entanto tudo isso ainda é um tabu. O que é um corpo orgânico? É quando o corpo está integrado ao mundo e às suas sensações, cria experiência ou vivência, entra em outro espaço do tempo. Chega a desfrutar o Numinoso, aquilo que transcende a nossa racionalização, o inefável, aquilo que pertence ao reino do sagrado, transcendental, sentir sua própria presença no mundo. O corpo orgânico é o todo integrado, formando uma unidade. Esta organização interna só acontece quando começamos a vivenciar no corpo, quando a atividade corporal é traduzida em sabedoria sobre nós e a vida . Para Espinosa (1632-1677) filósofo moderno, o mundo, ou a natureza, é constituído de um todo infinitamente complexo onde, em cada criatura, ou coisa, se expressa um certo grau de força, uma força que está em constante interação com todas as outras forças circundantes. É um todo onde tudo é um, mas ao mesmo tempo infinitamente diferenciado, em perpétuo movimento, nas relações constantes de composição e decomposição. É também um mundo onde não há modelos morais ou tons acima, mas a questão é um pouco sobre como e de que forma, as diferentes forças interagem umas com as outras, como se fortalecem ou enfraquecem uma a outra, como elas parecem criativas ou destrutivas. A interação entre as forças é o que está no centro: em outras palavras, tudo se resume à questão de como as forças, nós todos, os seres humanos e tudo o mais combinado, como nós afetamos uns aos outros, constantemente, de forma consciente, inconsciente, intencionalmente ou sem querer e, nesse afeto, conjuntamente e constantemente a existência assume ou vem a tomar novas formas, cria identidades, eleva-se a novas constelações. Não se preocupe em “colar” uma técnica no corpo para poder dançar, você só faz a diferença quando encontra a sua linguagem secreta. E assim, você começa a se comunicar, se conectar. Tudo pode ser dança.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

ORIENTE-OCIDENTE ESPAÇOS E SENTIDOS NO MOVIMENTO

Proponho um modelo de aula, onde o foco é a experiência com o corpo.Afirmar potência e expandir-se. A técnica como veículo e não o fim. Exercícios pertencentes ao oriente e ocidente. Importante como artista, ter o processo como o caminho para a minha jornada interior. Da mesma forma que penso nas minhas aulas de dança, o contato profundo comigo. Não se trata de terapia, nem de religião. O foco é o aspecto sublime da dança, que muitas vezes não emerge em quem quer aprender a dançar. A dança vai além de coreografias complexas e muito menos, nos deixar com sentimento de inferioridade. Criei um ambiente sem competição, não importa onde sua perna pode chegar, nem quantas piruetas consegue dar.O aspecto não heroico da dança me interessa. Tomei emprestado da dança clássica Indiana,a atenção nos detalhes para se dançar o corpo todo, pés, mãos, olhos, a relação do corpo simbólico e sagrado, e a complexidade da assimetria dos movimentos aliados a combinação matemática. Importante também, o legado ancestral, com enfoque nas possibilidades construídas ao longo do estudo do processo de pesquisa de vários encenadores e coreógrafos como Stanislawiski, Pina Baush, Jerzy Grotowiski, Antonin Artaud, Eugenio Barba e várias experiências experimentadas no meu próprio processo, somadas ao constante interccâmbio com artistas de várias partes do mundo.Cheguei ao meu formato, meu jeito de ensinar dança, com tudo o que sinto, sendo eu mesma. Vivenciar o silêncio e a pausa. Construir no corpo seguindo sua voz. O corpo fala, mas não ouvimos.Sugiro que construam um jardim secreto, para manisfestar ternura e encantamento. Muitas vezes bater os pés numa aula e dançar combinações de ritmos, batidas do coração da terra, podem fazer alguém pulsar junto com a vida. Uma aula sobre nossos sentidos, no toque dos poros na pele,não se trata de neurônios, e sim de intuição, delicadeza, força, introspecção. Dar razão ao corpo. Encontrar sentido no corpo é cuidar de si e sintonizar a potência oculta,para poder manisfestar uma dança singular. Se a referência para pensar o mundo não é mais o corpo, o mundo passa a ser idealizado. A dobra do tempo é feita para estar no passado ou no futuro.Perdemos a beleza de fruir o instante, desfrutar o aqui e agora. No mundo moderno é muito fácil ver sua alma sendo esmagada, é uma invasão promíscua, atravessando o sujeito por todos os lados, portanto é urgente alimentar o espirito com poesia corpórea. " Só posso acreditar num Deus que possa dançar" fotos: Além de minha fotos, publico fotos de artistas que me inspiram: Kasuo Ono, Isadora Duncan, Marina Abramovic

"UM INSTANTE DE BELEZA É UMA ALEGRIA PARA SEMPRE"

Depoimento do professor/doutor Reinaldo Guedes Machado,
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) sobre MIRABAI.
 
“Não faz muito tempo. Maria (MIRABAI) foi minha aluna na disciplina de Teoria das Artes no curso de pós-gradução da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. A turma era hetereogênea: alguns alunos arquitetos, um licenciado em educação artística, um bacharel em História e ela. 
Visando aproveitar os diferentes saberes ali reunidos solicitei como trabalho escolar que cada qual elaborasse uma apresentação baseada em suas vivências anteriores no campo artístico. Maria (MIRABAI) dançou, na pequena praça em frente ao centro acadêmico, lugar de trânsito dos que se dirigem para a próxima aula, onde permanecem os que descansam, namoram ou discutem a política estudantil em toscos e velhos sofás. 
Pouco a pouco, a faculdade agitada e ruidosa naqueles momentos de intervalo entre aulas, silenciou. 
Paradoxalmente, como se fora som, o silêncio, foi-se propagando pelas salas vizinhas e atraindo alunos, professores e servidores que se acomodavam como podiam para apreciar a beleza que acontecia inesperada num lugar inadequado! Que sabíamos nós, meus alunos, colegas e eu, da dança indiana para apreciar a arte que se realizava naquele momento? No entanto, ainda que incapazes de uma apreciação judiciosa, todos fomos envolvidos pela verdade profunda que emanava das mãos, dos olhos, do movimento do corpo da dançarina. A opacidade pesada da matéria dava passagem ao espírito que a conduzia e nos reunia num espaço e num tempo além da contingência concreta do cotidiano. Isso aconteceu e eu me lembro, para confimar John Keats: Um instante de beleza é uma alegria para sempre. (Endymion, em tradução livre)”.




Baraka

DANÇA & TRANSCENDÊNCIA

" Onde encontrei vida, encontrei vontade e potência" Estudo a configuração da relação corpo e espaço . A relação e as nuances, como dialogar as categorias do viver como ato de dançar, onde cada gesto é recriado e me ajuda a estar presente, para ampliar a minha capacidade de interpretar o mundo, tendo arte como mediadora das minhas relações. Busco a minha estética, minha expressividade, romper com meus padrões, investigar a minha natureza. Tento profundamente me fazer sentido, só posso entregar para o outro a mim mesma, utilizar signos que possam demonstrar a a realidade da vida, mistérios. Minha dança precisa ter aura, precisa de uma atmosfera barroca, humana, a soma da imperfeição com a urgência de acertar. Olhar para as minhas raízes e honrar a minha ancestralidade, dando passos para emergir do meu processo de pesquisa, o meu transbordamento. Dançar minha presença sobre as minhas raízes, isso é transcendência. superar a mim mesma, todos os dias e dançar todas as minhas sombras e iluminá-las. A sabedoria é um grande exercício de si pensar e ao mesmo tempo saborear cada conquista, cada aspecto do si mesmo. Eu danço o que não sei explicar, muitas vezes, a dança me explica. No meu caso, a dança não vem antes do pensamento. O meu processo de criação é caótico porque o meu ponto de partida é o abstrato, para depois elaborar um conceito, a sistematização do movimento, até chegar numa sequência coreográfica. Preciso vivenciar profundamente o que sinto e expresso com o meu corpo, para exalar verdade, inspirar humanidade e tocar o outro com a minha humanidade. Somente desta forma, plateia dança comigo na mesma atmosfera e sente o sabor da dança.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A DANÇA DO LIRISMO

Histórias para acalentar a alma. Sonhei que estava terminando uma apresentação e convido o público para subir ao palco para comer doces. Convidei a criança de cada um para se deixar envolver pela magia da presença. Os espaços para o lirismo, precisam ser preservados. A sombra gigante que estamos envolvidos necessita de sonhos e de muita luz. Estamos construindo cercas, muros, repressão, retrocesso. Vivemos tempos frenéticos.O que me assusta não é o frenesi e sim o excesso de informações negativas da indústria do medo, em detrimento da difusão de projetos ou novas idéias.O mundo está cheio de possibilidades, só é necessário difundir. Eu tenho a alma vinculada aos anos 60, período da potência das idéias e da utopia de mudar o mundo. Não consigo conceber a vida sem sonho,criação, poesia e liberdade. Atualmente falamos mais de pessoas e fatos do que de ideias. E reflexão sobre como melhorar o mundo é fundamental. /a> Adoro ter projetos.Eu preciso da síndrome do papel branco, para expressar minhas idéias e materializar meu universo, criar novos mundos.Lançar minha garrafa ao mar. Vou me costurando através de vários caminhos, e muitas vezes, com antagonismo da ideia inicial.construindo parcerias,trocas, e grandes intercâmbios e encontros. A literatura, a pesquisa para dissecar minha técnica, a natureza como minha aliada, para serem transformadas em gestos, movimentos. Necessito do cinema e não é qualquer filme, psicologia, investigo meus sonhos e anoto. A arquitetura tem papel fundamental na criação coreográfica, a geometria sagrada e a relação do espaço com o corpo e o tempo. A fotografia é muito importante na construção da minha gestualidade, o silêncio, a pausa, o autoconhecimento, o diálogo que vou criando dentro de mim diante do mundo. Todos os atalhos para me perder no caminho, virar de cabeça pra baixo e me distanciar do óbvio, do caminho fácil, da minha sombra, a minha essência, que é minha matéria de alquimia transformada em cena. Encontrar uma linguagem lírica, permanecer no mistério, não significa alienação, significa expressar a poética do meu ser e transformá-la em sentido para a alma de alguém, posso falar da morte, do terror, de perdas, de encontros e desencontros com o público, declarar meu amor à humanidade.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

SOU AMIGA DAS ÁRVORES

Dançar a natureza surgiu em 2008, através da minha experiência com uma árvore que ficava em frente à minha casa. Um dia aconteceu uma tempestade durante a noite e de manhã quando abri as janelas, vi a imagem surpreendente de uma árvore, metade em pé, metade no chão, um raio a cortou ao meio! Era a única árvore da paisagem,trava-se de uma árvore que reinava soberana, enorme e frondosa.Eu sempre a cumprimentava ao acordar. Incrível foi a maneira digna, como suportou aquele golpe, sua postura de rainha, altiva e digna expondo a sua divisão. Na época pensei em aprender com ela a me manter de pé, íntegra apesar de estar cortada ao meio. O fato é como tirar forças para sair inteira das situações difíceis, depois de ser cortada ao meio por um raio. Acompanhei o seu processo de recuperação e nossa relação foi aprofundando. Até que um dia virou uma dança. Me mudei para outro lugar, e nunca a esqueci. Depois dancei os quatro elementos, fiz coreografias baseadas nos movimentos das árvores, virei muita coisa. O inefável , a chuva, uma árvore,uma escada,um mistério,uma sombra, um jardim, o torto, o erro, o acerto, uma flecha, o contínuo,a que flutua, um barco, a selvagem, uma brisa, o limite, a falta de limite, o caos, eu. É claro que a vida me ensinou a perder um pouco da malícia.Eu acho que encarnei. Sobrevivi a algumas perversidades. Mas isso me deu um grande poder sobre o que estou fazendo agora e consciência da profundidade da minha dança e o que ela provoca, o efeito do meu estado em cena. E assim vou afinando a minha percepção do mundo, ás vezes o som é dissonante. Importante é deixar o caminho aberto, caminhar no vazio, esvaziar, olhar para mim mesma com profundidade e me reencontrar, descansar em mim. Esse processo contínuo de olhar a minha essência e dançá-la, me permitiu encontrar uma relação com a natureza e virar dança.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

LIÇÕES DA DANÇA

Tenho uma aluna que se chama Sandra Regina. Olhos vivos e o coração cheio de vontade. Segundo a filosofia, uma atitude filosófica é encontrar o deslumbramento em tudo.É perceber o milagre da existência.Esta minha aluna consegue apesar de tudo, se encantar com cada gesto,cada movimento novo aprendido nas aulas.Um dia, no meio da aula, ela sentiu uma emoção profunda consigo mesma que transbordou num choro feliz. Um choro de contentamento por sua presença, por estarmos ali naquela sala, sendo nós mesmas, nossa essência sedenta por poesia. Se dançar é um exercício de superação esta minha aluna é um exemplo vivo. Eu vejo o seu desejo, a sua vontade. Nesses momentos eu agradeço pelo dom de dançar, de ter abraçado o caráter não heroico da dança,por saber que não precisamos dar infinitas piruetas e qualquer movimento complexo para dançar.A técnica pode ser um veículo para vivenciar a dança dentro de si. Aprender e ensinar fazem parte do processo."Quando o discípulo está pronto o mestre aparece"

domingo, 18 de outubro de 2015

SOMBRAS

Participei este fim de semana de uma oficina de teatro de sombra,com a Companhia de teatro Lumbra/ clube da sombra(RS), ocupação Funarte-Brasília. Primeiro o contato com o escuro, a sombra se esgueirando e chegando sorrateiramente.Eu entrei na caverna, fui fundo e caminhei na escuridão, até receber o convite de fazer amizade com ela: a sombra. O sombrista (é assim que se chama o profissional que atua com esta linguagem) foi muito pragmático, para a oficina não se enveredar na terapia, ou na filosofia, que o tema suscita. Na medida que o trabalho avançava, eu entrava em contato com o meu abismo até me perder completamente. O fato é que mesmo se tratando de uma oficina com fins práticos, para trabalhar com a sombra dentro do contexto da arte, além do contato com as etapas de produção desta arte extremamente complexa, eu entrei em contato comigo e vou levar para a minha técnica pessoal esse aprendizado. Por uma arte que se recusa a se engessar.Com vida e compromisso com a verdade. Percebi que com a sombra não se brinca, até você seguir e aprender os protocolos. Não é fácil olhar para a sombra, e uma regra do jogo é não perdê-la de vista.A complexidade reside na percepção da superação do ego,nossas técnicas e presunções não se encaixam no desejo da sombra.Para permitir que o seu tempo seja revelado é necessário caminhar na verdade e na essência de cada um, no estudo e na pesquisa. No universo da sombra existem muitas camadas para serem desveladas.O ritmo é outro,o tempo acontece no mergulho na atemporalidade. E quando aparece a luz diante da tela branca, aí sim vem o abismo. Fiquei amiga da sombra, mas quando me encantei por ela fiquei deslumbrada, caí em outro ponto cego.É preciso ser exata, precisa nas idéias, consciente da luz,e de tudo o que envolve ter algo a dizer, construir uma narrativa com início, meio e fim. O tempo é senhor de tudo, e o nosso tempo de aprendizado era muito curto, para compreender um universo tão grande, mas foi suficiente para perceber a beleza do inusitado, do improvável, do inexpugnável.A nossa sombra, que negamos, é justamente o que nos define como seres humanos.Nós somos feitos de luz e sombra. "A sombra está em oposição à luz, representando tudo que seja irreal, fugidio e sujeito à mudanças. Para muitos povos da África está associada à morte ou ao reino dos mortos e é considerada uma segunda natureza do ser. Entre vários povos indígenas da América do Sul, uma mesma palavra significa sombra, alma, imagem. No Islã, toda manifestação da realidade é considerada como a sombra de Deus. Na psicanálise, sombra representaria: as tendências incompatíveis ou traços inferiores do caráter, tudo aquilo que a pessoa recusa admitir ou reconhecer, porém sempre se impõe a ela"

terça-feira, 6 de outubro de 2015

DANÇA E PERCEPÇÃO

Dançar é um exercício de superação. Vivemos uma crise de percepção. Temos cinco sentidos, que estão abafados,discurso do olhar, cotidiano focado em imagens. Olhar sem ver, sem tempo para aprofundar as nuances. A presença é construída através da presentificação do sutil.Quando a percepção está refinada estamos presentes e atentos aos detalhes, " Tudo que é sólido se desmancha no ar" Na dança posso viver os estados da matéria, posso ser sólida, líquida e gasosa, desafiar a gravidade,criar uma sonoridade encantatória, pulsar o belo.Ser eu mesma é o meu processo de cura. Afirmo a minha identidade na vida e me alimento do aprendizado, que a experiência de viver me oferece. Para desta forma me desconstruir em cena e morrer, para ser absolutamente meu ser inteiro. Dançar é exumar memórias, trazer os ancestrais, viver a atemporalidade, traçar sentido por linhas imaginárias.

domingo, 4 de outubro de 2015

A ARTE DA PRESENÇA

Os problemas nos constroem. Acredito na possibilidade de errar novos erros. Clarice Lispector(1920-1977) dizia que, precisamos ter consciência do defeito que queremos cortar, por que pode ser esse defeito que sustente a nossa estrutura. O medo de sair do comum mora aí, na falta de permissão para errar, perder o rumo, encontrar o caos.E é justamente na incerteza, no abismo, no encontro com a nossa sombra que o amor por nós emerge. Experimentei muitos processos na minha vida e na arte. Na arte como na vida, percebo que estou em constante processo de pesquisa e reelaboração das formas de construir o diálogo comigo. Hoje minha arte e minha vida estão cruzados. Não vejo separação entre arte e vida.Dançar é o meu alimento cotidiano. Voltei a dar aulas de dança, desta vez, utilizando uma metodologia criada por mim.Assumo este novo projeto com o foco na experiência, no treinamento corporal Meu processo de pesquisa, proponho para quem quiser mergulhar num universo novo, a oportunidade de traçar novas formas de criar com o corpo, buscar o inusitado, abrir novas janelas. Meu foco reside também na aventura de deixar o corpo ser o centro do processo. Voltar a ter experiências no corpo. . Abrir espaços para a meditação,o multisensorialismo,dançar mantras, encontrar uma gestualidade nova, um corpo não linear,tridimensional.Outro aspecto de meu método é a criação do corpo que constrói presença, um corpo vivo e numinoso.Quem sabe um corpo livre para dançar sua gestualidade própria? Um corpo pronto para se dançar no espaço sem medo? Li uma vez em algum lugar, que quando encontramos a resposta,a vida muda todas as perguntas. O movimento é de deixar o corpo falar, ouvir suas lições e ser um ser humano mais integrado,existem muitos caminhos, eu encontrei a dança.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

DANÇA E ARTES VISUAIS

A relação que estabeleço entre dança e artes visuais está relacionada a minha relação com as danças orientais, principalmente a dança clássica indiana. Minha primeira observação foi a relação simbiótica entre dança, teatro, religião, arquitetura e artes visuais. O teatro-dança clássica indiana desconhece esta fragmentação.Todas as manifestações podem acontecer simultaneamente. A dança é o principal elemento em cena e, não a bailarina. Essa fusão de imagem e movimento conduz a espetáculos de beleza muito profunda e impactante para quem assiste, independente de se entender os simbolos e signos narrados. A atmosfera onírica e surreal leva a platéia a uma energia extra-cotidiana e atemporal. Eu, mergulhei em vários aspectos dessa profundidade porque quero, em cena, ser presente, ser "mágica". Quero penetrar no universo do outro, do espectador, como se tivesse um espelho dentro de mim. No entanto, no momento em que estou em busca de novos paradigmas e novas técnicas corporais, me pergunto: onde estão os nossos símbolos mais divinos? Não quero uma arte que vise apenas o "entretenimento". Entendo que precisamos da tradição, de voltar ao passado e aprender com ele. Voltar no tempo e entender porque nossa espécie necessita de ritos, do divino, mesmo quando os negamos. Quando afirmo que minha dança não é religião e, ao mesmo tempo é um canal de expressão da minha espiritualidade, estabeleço a ponte entre tradição e inovação com mestres do passado e do presente. E, estudando o corpo, sei que não é um fim – é um meio. Para não me perder, investigo, na tentativa de me organizar internamente. A idéia desse blog é me comunicar da maneira mais honesta comigo mesma e com quem me lê neste momento. Ao escrever sobre o poder da imagem, Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra e psico terapeuta suíço, afirma que "a força do arquétipo reside na relação entre imagem e emoção" e que "a imagem sozinha equivale a uma descrição de pouca importância". Mas, "quando a imagem é carregada de emoção, esta ganha luminosidade" (energia psíquica). A arte funciona como um caminho de encontro do humano e nos revela o "espírito do tempo".

CORPO CERIMONIAL

Aprender a entrar em contato consigo mesmo num mundo conectado a tudo e a todos é um grande desafio.Complicado é encontrar a conexão profunda por dentro. O movimento interno é fruto de uma vontade de sentir a vida e adquirir presença. Respirar o outro dentro de nós. A proposta de pelo menos fazer uma pausa, para marcar um encontro com nossa alma, nossa essência, nosso mistério, nosso sagrado. Meditar, respirar,dançar,caminhar, ou apenas parar para observar.Ser silêncio no meio do barulho. Sentir o movimento para se construir qualidade no movimento. Criar presença é caminhar com o olhar para dentro, sem perder o diálogo com o mundo que nos cerca e penetrar no reino das sensações. Sentir a nossa presença no mundo. E a vida passa a ser fruto da criação e da impermanência. Não temos o controle de nada. Hoje comecei a perceber que o que parece simples para alguns é remédio sublime para muitos.Todos nós precisamos de beleza e encantamento. E a melhor maneira de encontrar beleza é começar a entrar contato com os nossos potenciais, nossa beleza escondida atrás da sombra. E o corpo é um grande mestre, escutar suas lições é um grande passo para mergulhar no grande mistério que somos nós. Se jogamos fora o medo, viver começa a ter sabor, cheiro, cor, textura,nuances. E quando menos esperamos, viver passa a ter sentido.A história do pensamento humano é a história do contra-criação. É exatamente a história de um mundo em que você não tem o poder de criar, o poder de inventar. Tudo é um processo de representação. Segundo Nietzsche(1844-1900), a vida consegue definitivamente se curar, consegue definitivamente encontrar a sua liberdade, a partir do instante em que ela puder criar e inventar. A vida como criadora, a vida como inventora

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O TEMPO ESCULPIDO NO CORPO

O que descrevo como corpo orgânico, é a relação construída de viver e está associado a sentir o corpo. Uma mente integrada com o corpo e a mente, consegue sair dos automotivos movimentos de mecanização e congelamento das emoções.Ter um corpo vivo e integrado ao todo, exige trabalho interno e externo. Não estou me referindo a malhar, que é importante,mas toda uma postura de buscar a leitura do mundo interno. Está comprovado que nosso corpo adoece quando somatiza emoções, tem memória. No entanto tudo isso ainda é um tabu. O que um corpo orgânico? É quando o corpo está integrado ao mundo e às suas sensações,cria experiência ou vivência, entra em outro espaço do tempo.Chega a desfrutar o Numinoso. O corpo orgânico é o todo integrado, que é unidade. Esta organização interna só acontece quando começamos a vivenciar no corpo. Quando a atividade corporal seja traduzida em auto-conhecimento e sabedoria sobre nós.“Para Espinosa, o mundo, ou a natureza, é constituído de um todo infinitamente complexo onde, em cada criatura, ou coisa, se expressa um certo grau de força, uma força que está em constante interação com todas as outras forças circundantes. É um todo onde tudo é um, mas ao mesmo tempo infinitamente diferenciados, em perpétuo movimento, nas relações constantes de composição e decomposição. É também um mundo onde não há modelos morais ou tons acima, mas a questão é um pouco sobre como e de que forma, as diferentes forças interagem uma com as outras, como se fortalecem ou enfraquecem uma a outra, como elas parecem criativas ou destrutivas. A interação entre as forças é o que está no centro: em outras palavras, tudo se resume à questão de como as forças – Nós todos, os seres humanos e tudo o mais combinado: como nós afetamos uns aos outros, constantemente, de forma consciente, inconsciente, intencionalmente, ou sem querer e, nesse afeto, conjuntamente e constantemente a existência assume ou vem a tomar novas formas, cria identidades, eleva-se a novas constelações.” Não se preocupe em colar uma técnica no corpo para poder dançar, você só faz a diferença quando encontra a sua linguagem secreta. E assim, você começa a se comunicar, se conectar.Tudo pode ser dança.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

REFUGIADOS OU A ARTE DE ABOLIR FRONTEIRAS

A Globalização dirimiu as fronteiras do dinheiro, mas aprofundou a distância entre ricos e pobres. Na contemporaneidade é impossível pensar o mundo sem olhar a diversidade e identidade. No século XVI os barcos e as grandes navegações carregavam o preço do desconhecido, novas terras para serem desbravadas, e enfim exploradas saqueadas.Havia a escravidão, a exploração. Atualmente com toda a tecnologia existente, as embarcações hoje estão carregadas de gente, imigrantes fugindo da guerra, de governos insanos e economias devastadas. O fato é que estamos no mesmo barco. A Europa nunca vai dormir tranquila, o preço da indiferença já está sendo cobrado.Um mundo sem fronteiras deveria ser uma realidade. Enquanto a Hungria cria cercas e criminaliza a imigração, a Finlândia pensa em aumentar os impostos dos ricos para acolher refugiados. A primeira vez que entrei em contato com essa realidade foi através da exposição Êxodos do fotógrafo Sebastião Salgado, vi muito sofrimento e olhares perdidos. Recentemente, fiquei chocada, com a foto de uma criança Síria, morta na praia, com a polícia maltratando os refugiados, crianças, inocentes, velhos, famílias que só pedem para sobreviver e criar seus filhos com dignidade. lembro também daquela menina refugiada do Afeganistão, de olhar fulminante, verdes, foto célebre do fotógrafo Steve Mccurri, que precisou costurar os rolos na sua roupa disfarçado de habitante local. Trinta anos depois ele a fotografou novamente, mesmo com o impacto da fotografia, ela continuou anônima. Eu poderia citar inúmeros artistas de diferentes épocas, para ilustrar o quanto a arte tem esse papel de refletir o que de belo e perverso há no ser humano. Acredito que a arte se reinventou bastante quando rompeu fronteiras e estabeleceu o diálogo da tradição com a inovação. As vanguardas do inicio do século XIX, Por exemplo, Antonin Artaud( 1848-1948 diretor, dramaturgo, ator Frânces que ao entrar em contato com a dança Balinesa, inovou no teatro,Gerzy Grotowiski( 1933-1999) e o teatro pobre, incorporando mantras e o conceito do ator santo, influência do teatro oriental, a coreógrafa e dançarina Pina Bausch ( 1940- 2009) criadora da "dança-teatro contemporânea, propondo a integração destas linguagens, o termo já era usado em 1910, por membros da dança expressionista distanciando a linguagem do balé Clássico,ela herdou influências de Rudolf Van Laban ( 1879-1958), que fez pesquisas quando viajou para a ásia,posterior a ele estão Mary Wigmam( 1886-1973) e Kurt Jooss(1901-1979), em essência é buscar o elemento humano,uma arte que aprofunde a relação com o público, se somos todos " analfabetos emocionais", cruzar fronteiras e importar símbolos, signos e técnicas de uma cultura estranha à nossa, pode ser o caminho trilhado pela arte para romper as fronteiras que nos afastam. A arte pode integrar e reinventar o humano.Quem sabe a economia mundial, um dia, não vai olhar o ser humano em sua grandiosidade em detrimento dos lucros? Foto -Steve Mccurri A seguir um texto sobre A MESA VERDE do coreografo Kurt Jooss, que até hoje é muito atual, uma metáfora da hipocrisia das conferências de paz e dos horrores da guerra. o texto abaixo foi escrito por Vasco Tomás - do blog- Verbiário Volátil A dança como denúncia da inoperância política: o exemplo de A Mesa verde de Kurt Jooss "O coreógrafo alemão Kurt Jooss ( 1901-) impôs na cena internacional a dança livre de tendência expressionista, produzindo várias versões dos Ballets Russos. A sua obra prima continua a ser, ainda hoje, o espetáculo de dança A Mesa Verde, apresentada em Paris em 1932, o qual é uma parábola de denúncia da hipocrisia das conferências de paz e dos horrores da guerra. No início do bailado, em volta de uma mesa verde, senhores ajaezados de modo grotesco (com perucas na cabeça e com fatos de cerimónia) discutem o destino da humanidade. Não havendo acordo, puxam das pistolas e recomeça a guerra. Numa sequência de quadros em que os horrores da guerra se fazem sentir sobre os soldados e as populações, uma figura gigantesca, com o esqueleto desenhado nas suas vestes, executa a dança da Morte. Após o que, mais uma vez, se retomavam as negociações de paz, nos mesmos moldes e com o mesmo desfecho. Nova tragédia estava à vista. O bailado de Jooss assume, para nós hoje, um significado particular que interessa meditar. Ele foi premonitório, no momento em que surgiu (1932), do desastre que estava em marcha: o nazismo estava em ascensão galopante, que o levaria ao poder no ano seguinte, e a Alemanha estava assolada por uma crise econômica e social crescente, na sequência da crise financeira de 1929-32. A guerra era uma possibilidade que se tornou uma realidade irreparável. Continua a lembrar-nos de que as soluções políticas, só por si, não imunizam contra as guerras. Temos que buscar os meios - e têmo-los - que previnam esse mal maior, sempre à espreita".

"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...