Brasília tem um rito lindo no cinema, quando amamos um filme, nós aplaudimos. É uma sensação coletiva. E aconteceu hoje depois da exibição do Frantz Fanon, o pensador que ousou enfrentar o sistema colonial da França. Fanon é uma biografia dirigida pelo cineasta Jean-Claude Barny. O protagonista é interpretado por Alexandre Bouyer. Uma verdadeira aula de humanidade. O filme começa com ele, assumindo o Departamento de Psiquiatria do hospital de Blida-Joinville, na Argélia. Ele se recusa a tratar doentes mentais sem dignidade e aos poucos vai humanizando o lugar, é muito profundo como ele vai devolvendo a humanidade dos pacientes que viviam em condições desumanas e o seu envolvimento na na guerra da Argélia. O pensamento de Fanon é dissecado junto com as suas ações. Principalmente quando ele fala da necessidade do colonizador de manter o colonizado se sentindo inferior, e mesmo tempo tem a sua condição moldada para sentir inveja do colonizador, sem a sua identidade. "Os oprimidos sempre acreditarão no pior sobre si mesmos” .
Fanon escreveu Os Condenados da Terra (1961), Peles Negras, Máscaras Brancas (1952) e Sociologia de Uma Revolução (1959) em uma análise sobre racismo, colonialismo e psiquiatria. Tem uma frase de Fanon que é uma prece: " Oh , meu corpo,faça de mim um homem que sempre questiona."
Eu assisti no BIFF, Festival Internacional de Cinema de Brasília.

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