No meu aniversário que celebrei com os meus amigos, um detalhe me deixou muito encantada. No bolo que eu ganhei de presente, a vela do bolo era um ponto de interrogação. Cheguei em casa, num estado de potência harmonizando as minhas incertezas. O que me encantou foi perceber novamente o poder de uma pergunta, num mundo que parece que todas as respostas estão prontas. Gonzaguinha disse que fica com a pureza da resposta das crianças" eu fico com as perguntas das crianças. O mundo está muito cheio de certezas e opiniões e
" Eu eu sou uma pergunta." Essa citação da Clarice Lispector me definiu. Estou num momento de morte, um luto que não esclarece minhas perguntas, mas me fez cavar mais fundo na minha terra. Senti que eu caminhei na minha terra firme, firmando meus pés no chão e gritando como se estivesse estabelecendo um pacto comigo de que de agora em diante, vou seguir em frente com um sim estampado no rosto e com garras para segurar o que mereço para dizer não a tudo aquilo que não me serve mais. E voltar a plantar sementes novas para me deliciar com meu mistério. Perguntar também é um ato de resistência é uma pausa no movimento, é a possibilidade de ressignificar o que doeu sem deixar explicações. É sintonizar com a multidão que habita em mim. Eu percebi que quando deitei no chão para não fazer nada, o carinho que eu recebi nos meus cabelos, abriu a minha subjetividade e me levou para a imagem da Deusa Kali com os seus cabelos desalinhados, com a língua para fora, e eu olhei para a minha fúria e para a falta de sentido do mundo e fui surpreendida com uma imensa sensação de conforto e encantamento, com as minhas perguntas suspensas como se estivessem num varal em plena luz do sol.
A minha essência me abraçou e eu descansei no colo da poesia.

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