Hamnet: A Vida Antes De Hamlet.

Eu assisti ao filme Hamnet: A Vida Antes De Hamlet. Direção de Chloé Zhao. Baseado no aclamado romance histórico homônimo de
Maggie O'Farrell, publicado em 2020, ela contribuiu no roteiro do filme também. Esse filme é uma potência de sensibilidade, emoções pulsando na imersão da dor da perda. É a história de mulher bruxa totalmente na imersão do seu ser na natureza, no aprendizado das ervas com a sua mãe. É a beleza do encontro com Shakespeare e a chegada dos três filhos. A vida feita de amor e sobrevivência com a ameaça da peste, da morte e da ausência de Shakespeare que precisava ir para Londres, para atuar com a sua companhia e escrever. Mas o filho deles morre. E a tragédia fragmenta em estilhaços de dor aquela família. Como explicar tamanha dor? Agnes segue lutando entre a imensa dor e a fúria. Shakespeare um artista dilacerado pela dor movido pela arte.Tem uma cena dele ensaiando os seus atores obstinadamente, com sangue suor e lágrimas. Ele transforma a sua dor imensa em arte e escreve Hamlet. No dia da estréia Agnes em pleno luto, vai assistir a Hamlet no teatro e talvez a sua indignação seja sobre como um artista dilacerado pela dor consegue seguir com o seu oficio. E durante o espetáculo na platéia, ela aos poucos vai percebendo a grandeza da alma de Shakespeare e como a dor dele por meio do teatro se comunica com a dor da platéia. E esta mãe num certo momento toca as mãos de Hamlet em cena e percebe a sua dor compartilhada com o público e a grandeza do humano, e a sua catarse de colar no seu interior todo seu universo fragmentado de uma mãe enlutada. Da Coxia do teatro a gente observa Shakespeare um pai que eternizou a sua dor oferecendo ao mundo um momento de beleza e loucura no meio do inexplicável, uma aula de humanidade. Eu estava chorando e por um momento o público no cinema, observei que outras pessoas também choravam. Era o teatro nos devolvendo a capacidade de experiência do sublime de seguir em frente mesmo com perdas e ausências. Quando Agnes sorri a gente entende a sua transcendência. Isso é o cinema nos ensinando a trágica grandeza da arte e a exuberância da vida.

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