MARIA

Assusta muito me definir, é muito fácil me sentir, mas não se trata de diminuir uma existência complexa com definições, mas eu sou indefinível, uma corrente elétrica que passa pelas minhas veias e sai pelos poros. Nada pode me apertar, nem sapato, até meus peitos se apertarem no meu sutiã, pulam para fora, chinelo é para andar na rua, prefiro meus pés livres. Posso dizer que sou uma busca, eu resisto , me desisto e volto, mas não volto igual, nem diferente, volto inefável, nenhuma palavra cabe dentro de mim. Então caminho soltando labaredas internas, como um vulcão em erupção que explode na minha dança, o lugar onde plenamente me revelo. Não sei o que sou, mas sei que preciso absurdamente me expressar, olhar a vida com assombro, eu não sei ser mais ou menos, transparente assumida vou na alegria para a tristeza, nenhum sentimento é varrido para debaixo do tapete, aliás tapete só para voar, sem celular, sem chip, desorganizada, e pensei: Tempo de me polir. Falar da minha aldeia", para me explicar no – e para – o mundo. Explicar-me para mim. Minha dança é fruto da tentativa de auto explicação, por meio da procura de uma linguagem pessoal, a dramaturgia do corpo. O oriente sempre estará presente, mas agora, diluído entre as novas fronteiras que estou abrindo. Sou uma viajante do tempo, onde presente, passado e futuro fazem parte da mesma substância. Procuro e busco o que não está restrito no tempo e no espaço. Aquela qualidade de presença que transforma qualquer instante, superação e ternura. "Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera. A pele velha tem que cair para que uma nova possa nascer". Tem uma frase de Albert Camus que gosto muito: " Quando encontro o que há de fundamental em mim,é o gosto da felicidade que encontro" Gosto de escrever, entender meu mundo, minha natureza pulsante, talvez eu seja uma impostora disfarçada de buscadora e alquimista. Mas eu sou insistencialista e continuo sendo camadas, um labirinto, e ao mesmo tempo sou "administradora do meu caos", eu já sou capaz de chegar ao fim do dia e me dar parabéns, e um abracinho, tomo banho e passo perfume. É que a aventura de ser humana dói e ao mesmo tempo é uma delícia.

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