quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A POLÍTICA DO CORPO

Além de dançarina e pesquisadora sou professora de Artes Cênicas e estou neste processo há muito tempo de ensinar tendo como perspectiva o corpo e a sua relação com o espaço e criação de memória e identidade. Defendo o ensino da metafísica e da conexão existencial com a vida como matéria além das disciplinas tradicionais. Complexo ver o desdém da formação do ser humano holístico em detrimento de uma educação que visa apenas a linha de produção e a mão de obra barata. Eu sei que parece um discurso velho, papo de comunista velha.Mas não sou destas e nem sou de fazer discurso. Acredito no meu trabalho e na força que ele exerce quando vejo um aluno descobrindo seus limites através do contato com o corpo. Defendo uma educação focada no pensar a si mesmo, considero fundamental. Defendo "o penso logo existo', mas sentir é fundamental para se ter uma existência com uma relação de pertencimento e protagonismo da própria história.Se o ensino continuar fragmentado como se pensar e se sentir fazendo parte? A experiência com o corpo produz a sensação e o "gerenciamento dos pensamentos e emoções". A escola pode ensinar este protagonismo, pode inclusive dar instrumentos para que a educação seja algo feito por todos e não por burocratas que querem manter as coisas como estão e no nosso caso até piores, por ganância principalmente.Não investir durante 20 anos em educação e saúde, a ausência de investimentos públicos vai amputar uma geração. Para mim é um genocídio cultural. Crianças e jovens serão privados, com exceção de algumas iniciativas isoladas,da experiência de sentir que o pensamento pode ser construído e não apenas imposto, sem o exercício da reflexão. Precisamos encontrar o o caminho sem perder a conexão com o corpo e não falo de ginástica e automação e sim técnicas corpóreas que tragam consciência e superação de limites. Interessante é a política do corpo arquivo e sua poética que estão dialogando com vários saberes e interfaces onde o corpo afeta e é afetado e a relação com a filosofia, literatura, artes visuais, a performance, meios midiáticos, estruturando novos paradigmas para se pensar o corpo e ter experiências com o corpo,na sala de aula e nas relações e conexões na cidade,no bairro, na rua e no mundo. No ensino fundamental esta discussão sequer teve a chance de chegar, pode até ser que tenha chegado em algum lugar, mas são projetos isolados sem conexão com o todo. Quando se ensina integrando corpo, mente e espírito as possibilidades ampliam as fronteiras do Ser para dar sentido e significado a quem aprende e a quem ensina.

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