sexta-feira, 22 de agosto de 2014

BUTOH

Conhecidos mundialmente como os criadores da dança Butoh, Tatsumi Hijikata (09 de março de 1928 - 21 de janeiro de 1986), Kazuo Ohno ( 27 de outubro de 1906 - 1 de junho de 2010) nasceu em Hakodate, Hokkaido-Japão, partiu para o caminho da dança quando em 1929 viu pela primeira vez, em Tóquio, a bailarina espanhola, nascida na Argentina, Antônia Mercé ( La Argentina ) que o envolveu por completo, dando-lhe as primeiras impressões do renascimento da dança espanhola, e impulsionou Ohno a estudar a moderna técnica de dança de Mary Wigman, coreógrafa expressionista alemã. Tatsumi Hijikata, criou e desenvolveu ações teatrais, performáticas, na década de 40, quando o Japão do pós-guerra sofria uma invasão cultural por parte do ocidente. Foi em bares, boates, cabarés e pelas ruas do submundo de Tóquio que Hijikata dava início ao que nos anos 60, essa forma marginal de expressão, como era considerada, passara a ser chamada de Ankoku Butoh, dança das trevas. Hoje simplesmente Butoh. Essa forma de expressão nascida literalmente na sarjeta, retomou tradições antigas do Japão, técnicas de dança ocidental e, antes de tudo, a idéia quase esquecida de que o dançarino não dança para si, mas para reviver algo muito maior. De acordo com palavras do próprio Ohno, “Butoh é uma das mais arrojadas formas de dança contemporânea, única do Japão. Expressa ao mesmo tempo tantas idéias diferentes que é impossível defini-la. Ela somente choca e surpreende”. Ohno busca no inconsciente comum a todo homem, oriental ou não, a beleza e a decrepitude, a simplicidade e a complexidade, o cômico e o trágico. Da mobilidade e/ou imobilidade das extremidades corporais, que os braços, as pernas, o tronco, o pescoço, a cabeça levam o performático a mergulhar na viagem corporal que conduz à poesia. Os dançarinos do Butoh quase não usam vestimentas, para eles a roupa veste o corpo e o corpo a alma. E é através da alma, das emoções, da vivência de cada um é que são criadas as seqüências gestualísticas que formam o Butoh. A maquiagem melancólica, o branco sobre todo o corpo, faz com que os músculos sejam realçados, e suas formas expressivas delineadas em movimentos essenciais, se valorizem pela ausência de pêlos. O Butoh recupera a vitalidade e a força do corpo, de um corpo domesticado pelas atividades cotidianas e esmagado pelas regras estabelecidas. O desenho de cada gesto é simbólico. Ele estimula idéias, associações e emoções tramando uma visibilidade: As intensidades, os afetos que atravessam os corpos, a música, os movimentos, são expressos através dos gestos. O corpo é o veículo de expressão dos elementos vitais: terra, água, fogo e ar. Além de Kazuo Ohno que já veio ao Brasil por três vezes( 1986, 1992 e 1997 ), o grupo Sankai Juku, Natsu Nakajima, Anzu Furukawa, Ko Murobushi, Min Tanaka, Carlotta Ikeda e sua Cia. a Ariadone, também já se apresentaram por aqui. Como a arte também está em evolução, Saburo Teshigawara, difundiu para o ocidente o pós-Butoh, assim como ele se define na sua coreografia “Dah-dah-sko-dah-dah”. O Alemão Peter Sempel realizou “Just visiting this Planet”, um filme rodado em dez países (inclusive no Brasil) onde acompanhou Kazuo Ohno, combina o valor documental a uma sensível interpretação do universo deste senhor que, completava 95 anos no ano 2001, e ainda arrebatava platéias com suas coreografias que pretendem revelar “as formas da alma”. “A minha dança é a reza para a vida. O que me faz dançar é o sofrimento que eu carrego dentro do meu coração. A vida e a morte são inseparáveis, estão juntas dentro de mim enquanto eu danço, a vida é a reza, a fé e a dança é também a mesma coisa”, define Kazuo Ohno. Quando alguém vai a ele pedir pra ensinar a dançar, a resposta é sempre a mesma: “A dança não se ensina. Ela está dentro de cada um de nós. Primeiro tem que analisar sua vida, quando entender sua própria vivência, surgirá sua própria dança”. (Publicado no Jornal Dança Brasil - Por Joao Butoh)

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