domingo, 30 de junho de 2013

ORIENTE E OCIDENTE - DIÁLOGOS TRANSCULTURAIS

As davadasis eram dançarinas agregadas aos templos hindus, muito cedo eram oferecidas pelos seus pais e educadas por grandes mestres, quando iniciadas, um dia numa linda cerimônia simbolicamente casavam com deus,numa cerimônia igual ao casamento tradicional indiano, e se tornavam esposas de deus, e tinham como função oferecer sua dança em reverência a shiva, " o supremo ator".Devemos ao sábio barata o natya shastra o tratado das artes,incluindo a dança. Esta dança é uma arte completa , poesia corpórea nos movimentos das mãos , do rosto, e da percussão dos pés, sua gestualidade simbólica que inclue o traje, instrumentos e conduta, a escultura, arquitetura templária ,música, poesia e a metafísica.A india desconhece a separaçao entre dança e teatro, são linguagens simultâneas em uma única manifestação baseado nesses princípios vemos o contato com as tradiçoes artísticas do oriente provocar uma renovação na arte européia , desde a segunda metade do século xix, particularmente no terreno das artes cênicas e teve repercussões diretas nas vanguardas artisticas do inicio do seculo xx.Para citar alguns exemplos o teatro épico de Bertold Brecht buscou inspiração nas tradições orientais, um dos seus conceitos é basedo a partir de reflexões sobre a ópera de pequim, o teatro da crueldade de Antonin Artaud começou a ser gestado sob o impacto do teatro balinês na busca do sentido poético essencial que aproxima o teatro à dimensão metafísica da vida.Outro grande encenador Jerzy Grotowski ,partindo das idéias artaudianas formulou o " teatro pobre" , que coloca o ator no centro do proscesso criativo, onde a arte é um veículo,incluindo mantras e técnicas corpóreas baseadas no treinamento dos atores orientais.E finalmente Eugenio Barba que dá continuidade ás investigações e ás idéas de grotowski, ele parte em viagens para o oriente ,em busca de conhecer suas tradições vivas,para formular a antropologia teatral , baseado na investição de princípios contidos no kathakali, odissi,( danças e teatro clássico da india) e da tradição do butoh,( dança japonesa ) para investigar a organicidade do ator e sua prática em cena.Vale destacar tasumi igikata e kazuo ohno , que em diferentes periodos aliam elementos do expressionismo alemão e de outras vanguardas européias á uma apropriação das tradições orientais.A encenadora francesa Ariane Mnouchkine afirmou que o teatro é oriental ,.Não podemos ser tão absolutos ,mas o diálogo oriente-ocidente contribuiu para rever as noções de tempo e espaço, os gestos codificados e meio que dançados, a presença do ator-dançarino,a multisensorialidade ,o relativismo em oposição ao cartersianismo ,onde experiencia e expressão se reunem para dar sentido a condição humana,ignorando fronteiras entre as formas artisticas.O oriente oferece suas fontes ,seus alicerces ,sua ética ,sua disciplina ,sua estruturação para que o contato entre as culturas seja feito sem a transferência de estereótipos e que facilite a preocupaçao do conhecimento e da compreenção do outro,aliado ao ocidente e o seu pragmatismo em, oposição a todo hegemonismo cultural bem como a todo enfoque simplificador , para mostrar a extrema vitalidade e a complexidade da invenção humana.


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