segunda-feira, 11 de junho de 2018

RODANDO A SAIA

E no processo de buscar encantaria na minha vida, participei de uma oficina intitulada rodando a Saia.Eu adoro saia, uso bastante inclusive, e como sou uma pessoa de pensamento subjetivo e simbólico fui descobrir o sentido encantatório do universo da saia, através da nossa professora Natália.Cheguei atrasada e no exato momento de contar uma história pessoal onde a saia era o personagem principal.Olhei a saia cheia de saias no chão formando uma mandala e no centro mil encantamentos.Imediatamente coloquei uma saia, apesar de já estar usando uma, e tratei logo de me enfeitar com uma flor no cabelo. E o bastão estava na minha mão, para me entregar na hora sem medo, e foi assim que contei uma história e amarrei um sentimento profundo de gratidão por estar naquele espaço. Um exercício foi muito bonito de se ver e fazer, era para cada uma de nós, segurarmos uma saia pela ponta com um buraco no meio bem grandão, que nos permitia mergulhar no buraco como Alice fez no país das maravilhas. Cada uma ao entrar tinha que liberar uma experiência ruim, ou algo que gostaria de deixar para trás e mergulhar naquele centro cósmico e se deixar envolver pela sai caindo pelo corpo todo, até chegar aos pés, e do nosso canto nos embalando.Tinha neste jogo feminino uma brincadeira com nossas indecisões e podíamos trocar de saias e acessórios o tempo todo, eu coloquei um chapéu. Natália é atriz e propôs um trabalho corporal baseado na estética do teatro-dança e das partituras para criarmos nossa gestualidade tendo como foco nossas historias pessoais, era para criar uma dança através da escrita no papel, passando para a escrita no corpo e cada uma de nós apresentaríamos nossa essência através da narrativa do nosso corpo, junto com a nossa saia. Na hora de escolher a saia, a minha preparação foi evocada na preparação de minha performance.Eu vi a minha confusão nesta escolha, minhas perguntas, minha vontade de construir sentido a partir do que sentia e do que não entendia quando não me cabia ou me encaixava nas saias que buscava para me representar.Na hora de minha apresentação incorporei o processo de busca ao resultado da apresentação, e quando falei o texto escrito, no final era um roteiro de minha alma.E cada retalho, cada linha traçada na criação de uma saia,pode ser a trama da alma de uma mulher, eu percebi que meu traçado se costura na pergunta. Busco minha força na necessidade de buscar encantaria em tudo o que eu faço, uma curiosidade de entender o porquê do mundo, e por que sou assim, esta anatomia da minha pergunta me leva para outras perguntas que se explicam para outras questões que me ajudam a me construir a partir de mim mesma.-E desta forma complexa vou criando e co-criando meus processos internos, mesmo quando as respostas ficam presas em algum lugar esperando por mim.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

A QUESTÃO DO SENTIDO

Um frase de Albert Camus, escritor, filósofo romancista (1913-1960) me conduziu esta noite quando sentei para organizar minha cabeça:"Até aqui tratava-se de saber se a vida devia ter um sentido para ser vivida. A partir daqui, pelo contrário, impõe-se-nos que ela será vivida até melhor por não ter sentido (…) viver é fazer viver o absurdo", diz-nos Camus em O Mito de Sísifo. Camus descreve de uma maneiram muito profunda a necessidade de se construir sentido na vida, acolhendo o absurdo. O seu livro o Mito de SÍsifo me salvou muitas vezes da queda. Porque sempre chega a mim o absurdo da vida e as suas contradições, e tarefas sem sentido, me fazer sentido é através da dança e da investigação de mim mesma no mundo. Escrevo sobre dança por que é a minha matéria-prima é o lugar onde estabeleço o diálogo com as minha porção secreta e misteriosa. Como paradoxo de uma vela que se consome a si mesma no próprio ato de criar a luz. Diante da vida que é cheia de ilusão e desilusão para a nossa sobrevivência emocional a arte é um canal que nos convida a entrar em contato com o efêmero, o inefável e nos preenche por alguns instantes do vazio de uma existência que nos permite pouco tempo para observar o nosso mundo interior e a contemplação. Muita informação e o excesso de automatismo nos rouba a alma e a qualidade de presença e o viver aqui e agora. Viver a experiência do rito de observar um corpo contar uma história , de revisitar memórias envelhecidas e esquecidas pelo tempo, porque o tempo da arte é a eternidade ela é feita da tentativa do ser humano de ser eterno.Toda civilização encontrou a sua maneira de fazer sentido de permanecer acreditando na força do humano. Sísifo tentou enganar a morte e Zeus como castigo o condenou a rolar uma pedra morro acima até o topo, porém chegando no topo todo o esforço era desperdiçado por que a pedra rolaria morro abaixo e ele teria que começar tudo de novo e no dia seguinte tudo continuaria igual e sem sentido, o castigo era eterno. Esse mito nos fala da nossa necessidade de se fazer sentido,mesmo num mundo que não faz sentido,se não se vê o resultado dos seus esforços, ou quando se vive uma vida de martírio e esta corrida desenfreada para sermos eternos. Albert Camus me ensinou neste livro a acolher a contradição entre o paradoxo da insensatez do mundo, viver o absurdo e acolher a contradição, só no ato de tecer o próprio destino saindo de uma vida sem sentido para a consciência. É possível ser feliz, quando Sísifo está no topo da montanha, ele percebe e reconhece o seu destino e que mesmo trabalhando duramente ele sabe que errar faz parte e que somos efêmeros, este é o ponto de fuga para transcender os deuses. Para Camus este é o momento da consciência adquirida,a existência pode ser sem tanto sofrimento e no fundo podemos ser felizes. Ser humano é construir a capacidade de sonhar.

terça-feira, 5 de junho de 2018

ESCUTAR O CHEIRO

Minha facilitadora de Biodança Neusa Ribacionka nos deu de presente em sua aula um conselho do seu pai "Escutar o cheiro", pensei sobre o verdadeiro deleite estético que seria se as nossas a ações fossem orgânicas. Se cada gesto fosse recriado a cada instante diante de uma presença. Na minha opinião cada ato em si contem a força e o lirismo necessários para nos lembrar do humano.Sentir a pulsação da vida, despertar. Precisamos escutar com o corpo. Considero dançar um privilégio porque nos liberta por instantes da prisão do si mesmo, dançar nos convida a sair do controle por alguns instantes e amplia a qualidade dos nossos gestos,. , Para viver novas experiências e modificar a nossa ação no cotidiano é fundamental recuperar o Gesto . É ver tudo como experiência que te provoca alguma sensação ou prazer de perceber as possibilidades e informações sobre o ser , o mundo e a relação com o todo.Precisamos cavar mais, Espírito vem do latim e significa sopro, o que move a vida, vida é sinônimo de ação, tempo que gera ação, que é o que nos religa a uma atitude de reve rência diante da vida. Anriane moushine diretora do teatro que afirma que a imaginação é um musculo.O corpo pode evocar mundos inteiros.

ZEITGEIST

Muitas pesquisas foram realizadas sobre os efeitos da dança no corpo e a relação com a expansão da consciência. O paradoxo é que sabemos que faz bem, no entanto, poucos querem sair da "zona de conforto". A Idade Média já passou e ainda precisamos comprovar a importância do profundo contato interior. A todo instante, seja através de um gesto sincero, ouvindo uma música ou percebendo integralmente nossa própria presença. Dançar é para todos, não para uma minoria de privilegiados. Precisamos sentir nossos pés se deslocando para encontrar o nosso chão, nossa terra, o território do coração. Precisamos tocar outras mãos, perceber nosso corpo girando e cortando o espaço, girando sem parar até perdermos a noção do tempo. É muito simples, até necessário vez ou outra parar de racionalizar tudo. Sair do "controle" – do "comando" – para então ouvir o ritmo da vida nos levando para espaços desconhecidos e novos. É urgente sentir emoção, chorar, sorrir, rir e gargalhar quando o prazer nos deixar extasiados de amor e vontade de gritar. É fácil: é simplesmente "Ser". Sentir a própria energia. Conectar com o mais íntimo da alma. Olhar nosso próprio labirinto para iluminar nossa caminhada. Quando danço me sinto assim, integrada ao "todo". Percebo que sou um "Ser" simples, integral, que faz parte da "multidão". Minha impressão é que, atualmente, esse culto exagerado à "celebridade" e a necexagerada de tornar pública a intimidade para o mundo através de redes sociais, é o vazio provocado pela ausência de si mesmo. O indivíduo que está integrado "aparece" naturalmente, porque age no mundo e é protagonista de sua própria vida. Escrevo no meu blog sobre minha relação com a dança e como ela pode melhorar a vida de qualquer pessoa, inclusive daqueles (daquelas) que também são dançarinos/dançarinas profissionais. Fazemos parte de uma teia – e assim vamos tecendo nossas vidas e sonhos. Poesia deveria compor o cardápio da mesa ao amanhecer. Todos os dias.

TRADIÇÃO E INOVAÇÃO

A relação que estabeleço entre a dança e as artes visuais está relacionada a minha relação com as danças orientais, principalmente a dança clássica Indiana. A minha primeira observação foi a relação simbiótica entre dança, teatro, religião, arquitetura e artes visuias. O teatro- dança clássico indiano desconhece esta fragmentação.Todas as manifestações podem acontecer simultaneamente. A dança é o principal elemento em cena e não a bailarina.Essa fusão de imagem e movimento conduz a espetáculos de beleza muito profunda e impactante para quem vê, independente de se entender os simbolos e signos narrados .A atmosfera onírica e surreal eleva a platéia a uma energia extra-cotidiana e atemporal. Eu mergulhei em vários aspectos dessa profundidade porque quero em cena ser presente, ser mágica, penetrar no universo do outro que me vê, como se tivesse um espelho dentro de mim. . No entanto no momento em que estou em busca de novos paradgmas e novas técnicas corporaes me pergunto onde estão os nossos símbolos mais divinos? Não quero uma arte que visa apenas o entretenimento.Eu entendo que precisamos da tradição, de voltar ao passado e aprender com ele.Voltar no tempo e entender porque a nossa espécie necessita de ritos e do divino, mesmo quando negamos.Quando afirmo que a minha dança não é religião e ao mesmo tempo é um canal de expressão do minha espiritualidade, estabeleço a ponte entre tradição e inovação com mestres do passado e do presente e estudando o corpo. eu sei que não é um fim é um meio. Continuando a escrever sobre o poder da imagem carl G, Jung ( 1875-1961), psiquiatra e psicoterapeuta Suiço afirmava que a força do arquétipo reside na relação entre imagem e emoção, e que a imagem sozinha equivale a uma descrição de pouca importância., mas quando a imagem é carregada de emoção esta ganha numinosidade( energia psíquica). A arte funciona como um caminho de encontro do humano e nos revela o "espírito do tempo".

segunda-feira, 4 de junho de 2018

MIRABAI - DANÇAR A POÉTICA DA ALMA

Existe dentro de mim, uma vontade de beleza, mas dentro da verdade da vida, durante muito tempo na minha vida busco através de minha jornada pessoal, encontrar meu caminho, e foi dentro da minha inquietação espiritual no oriente, mais precisamente na meditação, na dança e no estudo para Deus, que conheci uma filosofia organizacional espiritual Indiana, onde me dediquei e recebi meu nome espiritual Mirabai. Com o tempo descobri a Dança Clássica Indiana através dela, ou seja a dança me escolheu e com o tempo me desliguei desta organização, mas permaneci me dedicando à dança até hoje. Fiquei muito feliz por saber que Mirabai foi a mais importante poetisa hindu da Índia medieval, do norte da India do século XVI devota de Krishna e uma das grandes responsáveis pelo desenvolvimento do idioma hindi moderno. Seus poemas e canções são tema de estudos acadêmicos e de debates entre eruditos hindus da atualidade, dada a importância histórica e literária de sua obra. Durante todos estes anos ouvi muitas histórias sobre Mirabai e do sua imensa devoção a Khrinsna. Uma das mais belas que ouvi é que quando ela era criança, ela assistiu uma casamento e na India casamento é uma festa auspiciosa, uma cerimônia sagrada que dura muito tempo,ela disse que se casaria com Krishna. Quando ela se casou, seu marido tinha ciúmes do amor dela,e a renegou, ouvi também que ela continuou sua devoção e busca com os Sadus e seguiu escrevendo suas poesias, uma trovadora.Quando o marido percebeu a diferença do amor devocional,para o amor erótico, construiu um templo em sua homenagem. Isso nunca li em livros, são histórias narradas de geração para geração, conta-se também que uma vez tentaram lhe oferecer veneno e quando ela bebeu a bebida se transformou e néctar.Amo estas histórias e fiquei encantada por Mirabai, por ela ter existido e por ter revolucionado o mundo através do seu amor, tendo sido importante até na criação de um idioma. Seus poemas devocionais (Bhaktas) e canções (Bhajans) fazem parte da tradição religiosa denominada Bhakti Yoga, ou do amor devocional, dirigido principalmente a Krishna. Mirabai é considerada uma das expoentes da tradição hindu de Bhakti. Inclusive Mirabai foi muito revolucionária, pois naquela época na India Medieval quando o Marido morria a mulher tinha que morrer junto, ou seja, era queimada viva! Ela não aceitou este destino e se rebelou contra os costumes da época, e foi muito perseguida pela família do marido, inclusive com várias tentativas de envenenamento. Mirabai tem um templo em sua homenagem. Atualmente meu marido também partiu para o outro plano e me sinto num estado amoroso, com vontade de espalhar mais amor através de minha dança. Dançar me faz ter esperança na humanidade. Sinto amor.

terça-feira, 29 de maio de 2018

A POTÊNCIA DO RISO

Quando comecei a estudar teatro tinha um exercício que eu adorava fazer e segui fazendo em cada oficina de teatro, na faculdade e cursos. Até quando ensino teatro, em algum momento ele aparece para ser feito no contexto da aula. Esta semana fui surpreendida por este exercício numa aula de Biodança. Eu já tinha feito inúmeras vezes na biodança, por que neste sistema é possível experimentar em seu contexto elementos corporais pertencentes a outras linguagens, sendo o movimento adaptado à abordagem da aula.O que me chamou a atenção foi a maneira inusitada que foi abordado este movimento, tão significativo de nascer como uma planta, ou árvore. Mas neste gestual simbólico, a proposta era para renascer a partir de um movimento de oposição. Sempre que eu fiz eram duas pessoas, ou uma te incentivando e te ajudando a nascer, desta vez era diferente, a mesma posição fetal, e as duas pessoas faziam oposição, teria que ter vontade e força interior e vontade de nascer. Esse momento de oposição, foi criando uma vontade,um desejo, uma fúria em mim, que quando me desvencilhei dos obstáculos e nasci, saiu um grito primal das minhas entranhas, o grito não vinha da garganta, saia do ventre e foi forte e selvagem.Depois fiquei parada como um bebê imaturo e sem saber andar, foi necessário reaprender a dar os primeiros passos, e as minhas duas amigas no exercício foram de uma sensibilidade incrível e até ganhei as estrelas ofertadas por elas, por que me levaram para fora da sala, na varanda e me mostraram o céu estrelado. Cheguei em casa, muito introspectiva e ao mesmo tempo dando risada, por que no final da aula nossa facilitadora nos fez dar muita risada. No entanto, de madrugada senti uma dor profunda no meu útero, senti uma liberação de alguma coisa misteriosamente secreta para mim mesma. E foi assim que pensei na Deusa Baubo, antiga deusa Grega do ventre, da sexualidade e do riso. Inclusive ela é representada através de um ventre. Segundo a mitologia, quando Deméter era a deusa mãe da terra, protegia o planeta e sempre fazia florescer e ter abundância, passeando pelos prados junto de sua filha a Perséfone. Quando sua filha foi sequestrada pelo Deus Hades dos infernos, Deméter caiu em profunda depressão e a terra ficou estéril. E um dia Deméter em sua busca desesperada para encontrar sua filha, foi parar num lugar chamado Eleusis e encontrou a deusa Baubo. E Baubo vendo-a desesperada começou a dançar em volta dela e levantou a saia e mostrou o seu ventre para ela, a sua vulva. As duas caíram na gargalhada e Deméter entre risos a abraçou e disse que percebeu que como deusa da terra não poderia ser destruidora e sim transformadora. E Baubo continuou contando histórias picantes e os risos foram tão curadores que Deméter adquiriu forças para continuar lutando para encontrar sua filha. A terra riu com as Deusas e a terra floresceu.Através da alegria e do riso, ampliamos a unidade na certeza do riso e da alegria, como um grande caminho para suavizar nossos obstáculos e passamos a celebrar a vida, com alegria, apesar de sempre haver a possibilidade da dor nos visitar. Baubo vive em cada uma de nós, é a capacidade que todas nós temos de nos levantar e seguir em frente depois de um momento triste. De apostar no riso, como auxiliar na cura de nossas depressões. Baubo nos faz ainda entender como é poderoso, belo e mágico o corpo feminino.

RODANDO A SAIA

E no processo de buscar encantaria na minha vida, participei de uma oficina intitulada rodando a Saia.Eu adoro saia, uso bastante inclu...