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domingo, 21 de maio de 2017

DANÇAR O EFÊMERO

A dança que transmite a intensificação da vida, e a presença das sensações. A dança orgânica necessita da escrita do corpo, de ouvir o corpo, como se todos os poros fossem ouvidos, trazendo intensidade e vivência. A pausa no repouso. A energia não corresponde necessariamente a movimentos no espaço. Quanto mais a dançarina busca intensidade e consciência, maior é a sua capacidade de ser a mensagem. Seus movimentos atingem diretamente o coração do público sem hermetismos. A linguagem da dança é universal quando a técnica é um veículo e não um fim. A dança quer existir no presente. A poética do efêmero, o que importa é a experiência coletiva de sonhar publicamente. Bertolt Brecht ( 1898-1956) um dos maiores homens de teatro do século XX, dramaturgo, encenador e teórico, afirmou que o teatro que quer representar movimentos inconscientes da alma, ultrapassa o diálogo interpessoal.O diálogo se desautoriza, se desqualifica, por ser racional; é um tanto marginal para exprimir o inconsciente.Faço uma relação com a dança, porque vejo estas linguagens como manifestações simbióticasque se expressam numa única manifestação.Existe uma linguagem secreta transmitida, que vai além das palavras e dos rótulos, que não pertence a catálogos, impossível de caber na prateleira do supermercado, intraduzível, que pertence ao reino das pessoas que ainda não estão presas ao que é dito de "fora pra dentro". Gente que ainda investiga o mundo buscando suas próprias respostas.

domingo, 7 de maio de 2017

SUTILEZA ESCULPIDA NO CORPO

Estou promovendo aqui em Brasília um curso sobre gestualidade, mito, arquétipos tendo como matéria-prima os princípios contidos na dança clássica Indiana. O que quero enfatizar aqui é que durante esse processo de desconstrução de um corpo linear estou fazendo novas descobertas.Nas aulas o meu foco é retomar o equilíbrio no desequilíbrio, e abrir os portais que acessam espaços no corpo que permitem deixar todos estes símbolos e imagens nos visitar. Dançar deixando o corpo fluir através das ações. Se a contemporaneidade nos apavora porque estamos sempre nesta eterna dissociação entre o pensar, agir e sentir, sigamos na plenitude do movimento convidando nosso corpo a integrar estes três centros, se nossas raízes não estão firmes, batemos nossos pés no chão, e nosso gesto está contido, vamos liberar novas conexões no cérebro usando cada parte que não usamos no nosso cotidiano impedidos pela nossa cultura que anulou o corpo em detrimento do pensamento e dos bons costumes.O contato com diferentes técnicas corporais na minha opinião tem esta função ampliar o gesto, deixá-lo mais orgânico. A imaginação é um músculo e precisamos nos aprofundar nas diferentes nuances escondidas no nosso corpo. Prestar atenção nos nossos olhos, nossas mãos, pés e este diálogo nos transforma trazendo nossa presença.
Me sinto privilegiada por sentir. Sentir e perceber as mensagens do meu corpo. Ouvir quando é possível o incessante diálogo do corpo com a alma. Não importa quando não compreendo a linguagem subterrânea das diferentes camadas e nuances que formam a síntese de mim mesma. Gostaria de ter olhos no meu interior, para dançar partes de mim que ainda não visitei. Quando escrevo sobre dançar a minha alma, criar um vocabulário próprio em cena, escrevo sobre esta necessidade de estar com a minha lanterna acesa, para quando entrar na caverna dos meus labirintos secretos, encontrar a luz e entendimento. " A dança afasta a prisão do Eu" Dançar é necessidade da alma, para revelar a experiência do prazer de perceber coisas sobre o meu mundo, olhar o olhar de mim mesma e me permitir olhar outras coisas. " A maior alegria é nos perdermos de nós mesmos por alguns instantes.O si mesmo não pode ser dito , porque ele é tão singular para cada si mesmo, que deveria existir uma palavra.Se você quer falar do si mesmo, você tem que inventar uma palavra e é incomunicável. Dançar é um exercício de superação. "

sexta-feira, 5 de maio de 2017

ESTUDO SOBRE UMA ÁRVORE

Eu morava num apartamento que da minha janela dava para ver uma única árvore majestosa com um caule gigantesco. Ela reinava soberana e sozinha. Um dia caiu um raio e ela amanheceu cortada ao meio. Quando acordei e fui para a janela vê-la me deparei com aquela imagem dantesca: Ela estava partida ao meio, metade no chão e metade altiva em pé.Cortaram a metade que estava no chão.E no dia seguinte quando vi o resultado me surpreendi com a força daquela árvore que resistiu a tudo e permaneceu linda e de pé. Nesta fase estava atravessando uma crise aguda de depressão e permaneci ao lado dela com uma pergunta que permaneceu comigo durante muito tempo. Como seguir em frente quando algo nos atinge no meio do peito? Como caminhar partido? Esta resposta só chegou agora. Estava dando uma aula de dança e ao colocar para as alunas as minhas dificuldades para entender certos movimentos na dança, quando estava no início do aprendizado e me questionava como um corpo pode levar os braços para frente, quando o quadril vai para trás, e como meu corpo pode responder a tantos deslocamentos, sendo usado separadamente cada parte do corpo em direções opostas e seguidas posições esculpidas para gerar desequilíbrio no equilíbrio e seguir inteira comigo me fazendo sentido. E eu percebi assim do nada que já me quebrei muito desde que entrei em contato com aquela árvore partida e que estou me especializando em caminhar apesar de todos os golpes da vida, porque eu sei que posso encontrar o caminho de volta para casa, meu ser. Eu aprendi a caminhar partida, fragmentada e desequilibrada e ao mesmo tempo me pertencendo. Me sinto inteira para entender porque o dramaturgo Willliam Shakeaspere (1564-1616)já dizia no século XVI que o mundo não pára para que a gente se consertar. Mas é possível sim permanecer inteiro apesar de tudo.

sexta-feira, 28 de abril de 2017

" A IMAGINAÇÃO É UM MÚSCULO"

Dançar é um ato político. Amar o próprio corpo é um ato político.Entendê-lo e descobrir a sua ação no mundo é revolucionário. Penetrar nos mistérios do corpo e os seus símbolos é divino. Isso acontece quando uma mulher decide descobrir de que substância é feita, saindo da ditadura da estética e dos modelos de comportamentos fabricados. É o momento de ser visceral, para celebrarmos nossa "natureza pulsante", nosso espírito selvagem adormecido. Existem inúmeras maneiras de se entrar em contato com esse universo mágico e onírico que é o corpo. Maneiras de explorar sentir, agir e pensar integrados. Formas de acordar com o corpo vivo. Não é esquisito, muita gente acorda morta, presa no corpo, aprisionada. Vivendo a dissociação onde o pensar, o sentir e o agir não têm conexão, falamos línguas diferentes dentro de nós e se leva um tempo para descobrir o que nos foi dado como busca e estudo profundo do nosso corpo. Muitas vezes fazer uma simples caminhada já muda o roteiro do filme daquele dia, o coração começa a bater diferente, as pernas começam a ter força, os pés criam asas,as nuvens começam a passar, as árvores começam a mostrar força, a respiração passa a soprar vida para dentro de nós. E esta é a mágica que o corpo proporciona em qualquer pessoa que começa a prestar atenção nele(o corpo). Fica muito clara a filosofia dos orientais, a meditação, a alteração dos estados de consciência para se adquirir consciência do aqui e agora. A importância dos pequenos gestos no cotidiano. O texto é sobre política do ser. Não adianta ter forma e não ter conteúdo. Na busca por autenticidade, força para receber o que está sendo traçado pelo destino. Desta forma o corpo nos ensina a afirmar a própria existência, restaura a potência da força singular de cada um para que os sentidos sejam acessados. Que a alma seja nosso reservatório de prazeres e delícias. Estar no processo constante de expansão. Muito importante esta educação do corpo como referência para se pensar o mundo e agir na estrutura social que se faz parte. Menos doenças e neuroses, menos farmácia e mais movimento. Menos novela e mais canto e danças populares nas ruas, nos parques, nas ruas. Menos demagogia dos políticos e muita cultura e celebração aos nossos ancestrais e mestres.Acredito na força que reside no despertar do potencial de cada pessoa. Infelizmente, a maneira escolhida para se fazer política aqui no Brasil, transcendeu o "pão e circo", hoje o que vemos é uma população controlada pelas forças que lutaram para libertá-los da miséria econômica. Quando algum grupo desperta em qualquer comunidade,o desejo de mudança,é muito claro o papel de setores que levam teatro, terapias comunitárias, e muito trabalho corporal para todas as pessoas que são privadas, ou negadas do direito de desfrutar, ter o privilégio de ser o melhor para si mesmas. Estas ações têm o poder de nos mostrar que, estamos voltando a encontrar verdade nos olhos das pessoas, amor nos encontros, abraços sinceros, união. Mulheres mais independentes e livres, seres que sabem que a força reside na luta e no prazer de ser inteira diante de cada batalha, cada superação. Um dia, todas as mulheres do mundo, que são obrigadas a sufocar a sua voz e que continuam gritando em silêncio com a alma escondida, poderão ser donas dos seus corpos e de suas vidas.

domingo, 16 de abril de 2017

LEELA A BRINCADEIRA DIVINA

Hoje estou celebrando minhas raízes.Aproveitei este domingo de páscoa para me visitar. Coloquei uma música na sala, olhei o horizonte e soltei o meu corpo deixando a melodia da música me guiar. Meu corpo foi criando formas harmonizadas e meus pés começaram a deslizar pelo chão.Eu senti uma profunda emoção e desejo de morar nesse corpo, que foi tão negado e castigado por mim. Foi um trabalho muito árduo de investigação de mim mesma e que está em plena construção. Num certo momento senti vontade de ir até o meu quarto e observar o meu corpo, me olhar nos olhos. Sim eu já tenho dignidade para me encarar no espelho e me admirar. Mesmo dançando e tendo o corpo como princípio de aprendizado, tudo o que percebi hoje diante do espelho foi construído e ao mesmo tempo não tenho garantia nenhuma que este estado é permanente, afinal somos impermanência. Só que decidi desfrutar de minha companhia tendo a dança como parceira. Olhar meu corpo sendo minha única platéia, sendo absolutamente de mim mesma,com todas as minhas cicatrizes e dores a serem curadas. Minha honestidade latente e visceral de desejo ardente de fome de mim. Uma inconsequência e uma vontade de ampliar cada parte do meu corpo e sair por aí passeando como o vento. Eu descobri que ando voando com o corpo, antes só voava na mente. A mente era avoada e o corpo ainda era pesado. Na dança a leveza é natural em mim, mas no cotidiano não era leve, sempre absorta em pensamentos e mergulhada no labirinto de minhas sombras. Mas chega um dia que a sabedoria nos visita e que o corpo começa a conversar com você, ou melhor comigo. Esta caminhada de sentir o meu corpo com intensidade eu devo à dança, porque sou incapaz de fazer alguma coisa sem alma. A primeira coisa que faço ao dançar é convidar a minha alma para dançar comigo, antes da técnica ou de qualquer protocolo. E ao poucos este espírito dançante transbordou na minha vida e sinto que estou no cotidiano mais presente. A presença é a verdadeira meditação, quando sou toda e inteira sinto que amplio a conexão com esferas cósmicas e sinto Deus dentro de mim. É nesse estado de bem aventurança que estou dançando, refletindo e ensinando dança. Provocar no outro o desejo de deixar a dança fazer morada, a vida ficando divertida e fazendo sentido e você se sentindo, fazendo parte do todo.É por isso que em cada aula minha eu sempre faço esta ponte com o oriente mágico, onírico das histórias mágicas e do simbolismo imerso.Nossa criança precisa ser alimentada,nutrida e aceita e a dança nos convida a jogar esta brincadeira transcendental. Sentar em roda igual criança e movimentar os olhos, experimentar fazer um giro no espaço e ficar tonta, cruzar os braços e pernas numa posição tridimensional e perder o juízo, não entender nada e visitar o caos da brincadeira de não saber as regras da brincadeira. Isso é leveza é fluidez. Ninguém vai me julgar se eu não dei uma pirueta para cair em quinta. Eu só deixei o meu corpo sentir nuances, cores diferentes, tons diferentes.Como na vida que é feita de instantes, pausas, intensidade, caos, ordem, emoção em profundidade. Eu estou comigo, dançando comigo e sentindo o olhar do horizonte. Que o nosso corpo, mente e espírito estejam juntos em nosso processo de crescimento e evolução, afinal somos todos um. E tudo o que existe no universo tem dentro de mim e dentro de você. No oriente se chama Leela a brincadeira de Deus. Finalizo com este sábio o Osho: "Você tem que viver no mundo, mas você precisa ter o mundo apenas como um grande teatro. Sou contra renunciar ao mundo. Você não tem que fugir do mundo, você precisa viver nele, mas de uma maneira totalmente diferente. Não o leve muito a sério, leve-o muito despreocupadamente, como uma piada cósmica. Ele é uma piada cósmica. No Oriente o chamamos de brincadeira de Deus. (Leela) Você pode ser um rei no drama, mas você não leva isso a sério. Se é uma brincadeira de Deus então somos apenas atores nela e ninguém leva a representação a sério. Quando a cortina cai, você esquece tudo sobre ser um rei; isso não vai para sua cabeça. Se você for rico, não deixe isso ir para sua cabeça, ou se você for pobre, não leve isso a sério. Estamos todos representando papéis; represente-os tão belamente quanto possível, porém lembre-se continuadamente que tudo isso é um jogo. E quando a morte chegar, a última cortina cai. Depois todos os atores desaparecem. Todos eles desaparecem numa energia universal. Se pudéssemos viver no mundo lembrando disso, estaríamos totalmente livres de toda miséria. Sofrimento é uma conseqüência de se levar as coisas a sério e alegria é uma conseqüência de se levar as coisas de maneira leve. Leve a vida de modo divertido Desfrute-a." Osho em Meditações para a noite

sábado, 15 de abril de 2017

O SIMBOLISMO DAS MÃOS

As mãos curam, abençoam, evocam,louvam, defendem, e comunicam. Assim as várias crenças as vêem. É, sem dúvida, nos estudos sobre “Mudras, nas yogas de origem indiana e nas práticas do Budismo, principalmente o Mahayana (grande veículo), que encontramos, a maior diversidade simbólica dos gestos. Tal palavra, em sânscrito, significa “sinal”. Segundo tais linhas, as mãos manifestam o estado de consciência em que estão os seus praticantes, e o objetivo a que se propõem no momento.Acreditam que as posições de suas mãos retêm energias dentro do ser humano, produzindo nele transformações não só em seu físico mas também em seu emocional e mental. Os Mudras -assim creem- podem captar energias da natureza. Então, caso um praticante faça um gesto representando um nascer do sol, estará atraindo para si a energia solar, podendo depois transmiti-la com outro Mudra.Os mudras podem também representar a movimentação dos peixes, dos insetos, e trazerem assim a energia desta movimentação. As Hatha Yogas usam também os Mudras aliando-se com as Asanas (posturas corporais) e a respiração, despertando, assim os seus adeptos para as forças cósmicas. Os Mudras aparecem com freqüência nas danças indianas, em sua arte, e nas esculturas e imagens de seus deuses. È bastante comum então se ver as estátuas de Buda ou de seus Bodisatwas emitindo diversificados sinais sobre a humanidade. O Cristianismo, ao representar Jesus, e algumas vezes apóstolos como Paulo e Lucas, os põe emitindo energias divinas, os Mudras de bênçãos. As interpretações esotéricas dos gestos que aparecem em imagens cristãs, onde geralmente os dedos mínimo e anular estão abaixados para a palma da mão, nos dizem que são pelos outros dedos, o polegar, o indicador e o médio, que fluem as potências mais superiores do homem, sendo então, estes os escolhidos para o uso das bênçãos. Os sacerdotes cristãos estão investidos pela Igreja do poder de as transmitirem embora algumas linhas espiritualistas ampliem estas transmissões. Baseadas num princípio possível da troca energética entre todos os seres acham que uma pessoa que evoca forças divinas, poderá igualmente abençoar outrem e até curá-lo, difundindo tais forças pelo simples poder de suas próprias mãos. A importância dos dedos, não só nos Mudras indianos, mas também em quaisquer crenças de outras procedências, é imensa. No Islã, um de seus símbolos mais sagrados é a “Mão de Fátima” (filha do Profeta). É um talismã onde a sua palma aberta propõe um gesto de defesa contra perigos. Os cinco dedos representam os cinco pilares da devoção islâmica; Peregrinação, profissão de fé, esmola, prece e jejum. Vindo da idéia de que a figueira é uma árvore de poderes mágicos, o simbolismo do “gesto da figa” onde com a mão fechada o dedo polegar é colocado entre o índex e o médio aparece como o amuleto contra mal olhado nas regiões que receberam influência africana, como o nordeste brasileiro. Tendo sua procedência nos negros escravos aqui vindos da Guiné, é também conhecido entre nós como a “Figa de Guiné”. Os objetos que a representam, principalmente em nosso estado da Bahia, são inúmeros e valem, segundo a crença, por um esconjuro. A linha mística do Budismo Mahayana trabalha com as cores do prisma solar. Faz de cinco raios dele uma correspondência com os cinco dedos da mão. Chamam a isto a “Mão do Maha Chohan” porque crêem que exista um grande ser que administra espiritualmente o mundo, os setores ativos de amor, arte, ciência , união e liberdade, a que correspondem as características daqueles cinco raios estudados, dando assim, à mão e seus dedos , um simbolismo de atividade espiritual. Do séc, XIV ao sec. XVIII alguns países da Europa, particularmente a França e a Inglaterra, foram tomados pela crença de que o rei tinha o poder de curar pelas mãos. Isto advinha da idéia, estranha a nossa modernidade, do caráter sagrado atribuído às monarquias de outrora, ao poder régio, o qual –segundo acreditavam- era investido por virtudes divinas. O contato com mãos reais curavam, em especial as Escrófulas (uma doença de pele, causada pela inflamação dos gânglios linfáticos) que em certas regiões francesas e inglesas em razão da pouca higiene eram endêmicas. No livro do professor Marc Bloc, é narrada com detalhes a crença nestes poderes miraculosos das mãos reais. No simbolismo das mãos, os significados da direita e da esquerda são divergentes. A Cabala judaica em sua diferença bíblica de um deus da justiça, e um da misericórdia os faz representar respectivamente pela mão direita e esquerda. Dando um caráter benéfico à mão direita, e maléfico á esquerda, as feiticeiras africanas usam sua mão direita para manipular ervas amuletos e apetrechos usados em rituais sagrados, mas usam a esquerda para prepararem venenos e fetiches maléficos. Já no Corão Islâmico é citado: “Aquele que recebe o Livro (O livro da vida do pós morte , onde estão as ações humanas ) com sua mão esquerda dirá : serão reveladas desgraças para mim! Aquela que receber seu livro com a mão direita será julgado com mansuetude.” Vamos também encontrar no latim a palavra sinistra referindo-se á mão esquerda. Os espiritualistas afirmam: A mão esquerda recebe (as bênçãos do céu) e a direita dá. A primeira é passiva e a segunda ativa, e é assim que as usam em seus ritos de bênçãos. Há quem creia que as linhas da mão formam um gráfico que revela nosso destino. São os quiromantes. A Quiromancia, tal como a Astrologia, acredita que as forças planetárias atuam no indivíduo. Porem, a Quiromancia afirma ainda que tais forças estão marcadas nas palmas das mãos e por elas podemos estudar talentos , tendências e futuro.O povo cigano sempre se dedicou a esta crença. Seguindo o mesmo raciocínio da influência planetária vibrando nas mãos, o Afro Brasileira, em sua linha umbandista, usa como recurso de intercâmbio entre médiuns e seus orixás e caboclos, um estalar de dedos que produz um som semelhante ao bater de um castanhola. Cada um dos orixás trazem a força de um dos planetas do nosso sistema, e os caboclos se inserem também nas sete linhas dos orixás. Entre os planetas, crêem que é Venus aquele cuja influência é mais forte. Ao concordarem então com a Quiromancia , quando esta diz que na elevação que temos junto ao pulso, é onde se encontrará a influência de Venus , chamando-a até de” Monte de Venus “. O médium recebedor do orixá ou do caboclo estala o dedo tocando fortemente este monte excitando-o provocando reações vibratórias que fortificam a sua relação com o orixá ou o caboclo que está recebendo. Em sua conotação de comunicadoras , as mãos encontram o seu intercâmbio simbólico mais importante na linguagem usada pelos surdos –mudos. Numa linguagem gestual, estes encontram a oportunidade de prescindirem da comunicação verbal por meio de sinais que substituem com perfeição os sinais fonéticos. Sejas tu um Yogue a levantar as mãos numa saudação ao sol, sejas tu um sacerdote a abençoar, estejas unindo-as em formato de lótus para orar, ou movimentando-as graciosamente numa dança ritual , se perante teu hino pátrio ,as tiver sobre o peito em fervor nacional, se as estenderes a alguém em sinal de amizade, sempre tuas mãos estarão usando um simbolismo revelador do teu estado psicológico ou espiritual. Do sec. XIV ao sec. XVIII alguns países europeus, particularmente a França e a Inglaterra, foram tomadas pela crença de que os reis tinham o poder de curar pelas mãos. Isto advinha da idéia estranha à nossa modernidade Do caráter sagrado atribuído às monarquias de outrora, ao poder régio, o qual –segundo acreditavam- era investido por virtudes divinas. O contato de mãos reais curava em especial as Escrófulas (uma doença de pele causada pela inflamação dos gânglios linfáticos), que em certas regiões francesas e inglesas medievais, em razão da pouca higiene, eram endêmicas. No livro “Os reis Taumaturgos” do professor francês Marc Bloch são narrados em detalhes, a crença nestes poderes miraculosos das mãos reais. No simbolismo das mãos, os significados da direita e da esquerda são divergentes. A Cabala judaica em sua diferença bíblica de um deus da justiça e um deus misericordioso os faz representar respectivamente pela mão direita e esquerda. Dando, um caráter benéfico á mão direita e maléfica à esquerda as feiticeiras africanas usam a sua mão direta para manipular ervas, amuletos e apetrechos usados nos rituais sagrados, mas usam a esquerda para preparar venenos e fetiches maléficos. Já mo Corão islâmico é citado: “Aquele que recebe o Livro (o Livro da Vida do pós morte , onde estão as ações humanas feitas no mundo) com sua mão esquerda dirá: serão reveladas desgraças para mim Aquele que recebe seu livro com a mão direita ,será julgado com mansuetude. Vamos também encontrar no latim a palavra sinistra, referindo-se á mão esquerda. Os espiritualista afirmam: “A mão esquerda recebe (as bençãos do céu) e a direita dá”.A primeira é passiva e a segunda é ativa, e é assim que as usam em seus rituais de bençãos. A quem creia que as linhas da mão forma um gráfico que revela nosso destino. São eles os quiromantes. A Quiromancia, tal como a astrologia, acredita que as forças planetárias atuam no indivíduo, mas vão além, afirmando que tais forças estão marcadas nas palmas de suas mãos, e por elas podemos estudar seus talentos ,tendências e futuro. Seguindo o mesmo raciocínio da influência planetária vibrando nas mãos, a afro-brasileira, em sua linha umbandista, usa como curso de intercâmbio entre seus médiuns e seus orixás e caboclos, um estalar de dedos que produz um som semelhante ao bater de castanholas. Cada um de seus orixás trazem a força de um dos sete planetas do nosso sistema, e os caboclos se inserem também na sete linhas dos orixás. Entre os planetas, é Vênus aquela cuja influência é mais forte assim creem. Ao concordarem então com a Quiromancia, quando esta diz que na elevação que temos junto ao pulso é onde se encontrará a influência de Vênus,chamando-a até de “monte de Vênus”, o médium recebedor do orixá estala o dedo, tocando fortemente este monte, excitando provocando reações vibratórias que fortificam a sua relação como orixá ou caboclo que está recebendo. Em sua conotação de comunicadoras as mãos encontram seu intercâmbio simbólico mais importante na linguagem usada pelos surdos-mudos. Numa linguagem gestual, esses encontram a oportunidade de prescindirem da comunicação verbal, por meio de sinais que substituem com perfeição os sinais fonéticos. Sejas tu um yogue a levantar as mãos numa ‘saudação ao sol”, sejas um sacerdote a abençoar, estejas unido-as em formato de lótus para orar, ou movimentando-as graciosamente numa dança ritual, se perante teu hino pátrio as tiver sobre o peito os espiritualista afirmam: “A mão esquerda recebe (as bençãos do céu) e a direita dá”.A primeira é passiva e a segunda é ativa, e é assim que as usam em seus rituais de bençãos. Seguindo o mesmo raciocínio da influência planetária vibrando nas mãos, a afro-brasileira, em sua linha umbandista, usa como curso de intercâmbio entre seus médiuns e seus orixás e caboclos, um estalar de dedos que produz um som semelhante ao bater de castanholas. Cada um de seus orixás trazem a força de um dos sete planetas do nosso sistema, e os caboclos se inserem também na sete linhas dos orixás. Entre os planetas, é Vênus aquela cuja influência é mais forte assim creem. Ao concordarem então com a Quiromancia, quando esta diz que na elevação que temos junto ao pulso é onde se encontrará a influência de Vênus,chamando-a até de “monte de Vênus”, o médium recebedor do orixá estala o dedo, tocando fortemente este monte, excitando provocando reações vibratórias que fortificam a sua relação como orixá ou caboclo que está recebendo. Em sua conotação de comunicadoras as mãos encontram seu intercâmbio simbólico mais importante na linguagem usada pelos surdos-mudos. Numa linguagem gestual, esses encontram a oportunidade de prescindirem da comunicação verbal, por meio de sinais que substituem com perfeição os sinais fonéticos. Sejas tu um yogue a levantar as mãos numa ‘saudação ao sol”, sejas um sacerdote a abençoar, esteja unido-as em formato de lótus para orar, ou movimentando-as graciosamente numa dança ritual, ou perante teu hino pátrio as tiver sobre o peito em fervor nacional, se as estender a alguém em sinal de amizade, sempre tuas mãos estarão um simbolismo revelador do teu estado psicológico ou espiritual. Fonte: "A Influência de Crenças e Símbolos"

ARQUITETURA DO SER

hoje conversei com uma pessoa totalmente sem energia, fiquei muito impaciente,ao observá-la e ao mesmo tempo, fiquei com uma imensa vontade de falar para este ser humano, diminuído pela vida, que temos o direito de sentir leveza,força, delicadeza e sentimento de pertencer ao universo.Todas as possibilidades do mundo, sem sair de dentro de casa, para depois tomar impulso e sair para a rua. Esta pessoa era uma ausência na presença, até o abraço dela era amorfo, sem tônus.Usei este exemplo, com todo o meu respeito por esta pessoa, para refletir sobre a complexidade do simples.Sobre pessoas que passam a vida construindo projetos futuros para malhar, fazer yoga, virar vegetariana, ganhar dinheiro, viajar, ser musa do fitness, e outra infinidade de promessas para sentir a vida, simplesmente ser gente. Quando muitas vezes estamos estagnados, construindo modelos mentais, cheios de barreiras para começar a ser feliz com o que se tem.Não Muitas vezes precisamos ser iniciados na depressão, para buscar o sentido da vida.Ninguém escolhe ser deprimido.Todo mundo quer ser feliz.Não é à toa que nas redes sociais todos querem demonstrar felicidade, que nem sempre corresponde à realidade. Eu gostaria de falar de algo bem simples.Hoje estava com os pensamentos turvos, porque estou me preparando para uma série de apresentações de dança, e a minha mente começa a pensar abstrato, vejo dança nas árvores, no caminhar das pessoas nas ruas, nas nuvens, sou a própria subjetividade, num mundo concreto, que me exige disciplina e foco constante. Caminhei dentro do bosque, sem destino, flanando. Incrível que apenas esta ação me deixou harmonizada. A vida é feita destes pequenos momentos que podemos escolher para dar um mergulho na desordem interna e sair inteira. Importante quando a ousadia chega a ampliar o gesto em direção à dança, ou qualquer treinamento corporal consciente.O movimento é a porta de acesso a nossa energia vital. O corpo morto em vida é muito amorfo, A grande questão é: Como falar de energia, para pessoas que ainda estão numa camada muito grossa em relação às emoções e a conexão com a vida? Tudo é energia, somos feitos de pequenos detalhes que somam ao todo. Estar presente na vida, é o caminho para transformar através de ferramentas, o corpo num aliado. Não existe nem mesmo a necessidade de aprender a dançar,ela já está dentro de cada um. Podemos fazer do cotidiano um balé. O simples fato de pisar os pés no chão com força, quando nos sentimos invisíveis faz muita diferença. Treinar no espelho as expressões faciais, abrir a boca, movimentar os olhos.Todo o corpo pode ser treinado para ser expressivo e vivo. A beleza física é muito valorizada, no entanto uma pessoa que se descobre, e percebe os sinais do corpo, exala uma beleza natural, uma energia que envolve a todos, a harmonia construída através do diálogo constante consigo mesma. A sensação de leveza de respirar e soltar os braços simulando alçar vôo, vale mais do que cremes caros para não deixar a testa franzida. E temos muitas conexões neuronais que são elaboradas quando o movimento de qualidade é acrescentado ao cotidiano. Nem vejo necessidade de ser massacrado numa sala de dança,para aprender passos de dança.No entanto a sensação de confusão mental ao aprender algo novo, a experimentação da deserdem e do caos, provoca mudanças. Tira a pessoa do chão, o espaço interno e externo, começa a ser visto de forma diferente. O caminhar passa a ter menos peso, o mundo fica mais leve. Portanto, encontrar um caminho pessoal, para sentir o corpo, conversar com ele, e ressuscitar para a vida. Ontem, sonhei com uma criança me vendendo algo que não lembro bem o que era, eu perguntei se podia pagar com dinheiro imaginário, e ela respondeu: sim!