UMA NOITE INDIANA

Sonhei que pintava o cabelo de castanho e só percebia quando alguém me avisava, no sonho até pensei em retomar a cor preta, mas algo em mim aceitara a mudança. Acordei pensando nas mudanças sutis que ando percebendo em mim, mas que permanecem invisíveis para o mundo e principalmente para o meu campo de atuação e o laboratório de relações que faço parte.Me sinto de volta. Andei levando muitos nãos e fui me encolhendo. Não a ponto de desistir, mas a ponto de perder a confiança.Andei num processo de investigação muito intenso sobre minha identidade na vida e na minha dança. Fiquei na escuta e na acetação de minha vida e mudança nos detalhes que fazem muita diferença, apesar de sutis. Percebi que consigo sair de casa decepcionada ou triste, que faço minhas coisas,apesar do medo e que posso mudar de plano se assim eu desejar, estou mais pronta para propor o que sinto que minha alma precisa na dança.Andei fazendo experimentos, novas linhas de atuação e tenho percebido minha força e energia de transformação. São mudanças que percebo na apropriação de minha linguagem que anda se fortalecendo na medida que me aceito e percebo meus dons. Semana passada aceitei um convite para dançar a convite de três músicos de alto nível, o convite foi feito um dia antes da apresentação. Me apresentei ao lado de Bernardo Bettencourt (oud),Mahmoud (darbuka), André Luiz (Sitar), Seria uma performance improvisada com três músicos e instrumentos de culturas diferentes, dialogando comigo que faço uma dança autoral tendo como princípios éticos e matéria-prima o estilo bharatanatyam de dança clássica Indiana. E no começo já deixei claro que não tinha o selo de qualidade da India, não tinha guru, e que minha formação foi e é construída ao longo do tempo com artistas Indianos e brasileiros. Eu disse sim e ainda durante a apresentação usei um instrumento de percussão nos pés, dancei e toquei acompanhando os músicos. Eu quase não creditei, e na na verdade eu nem pensei em nada, só queria dançar, me colocar a serviço da arte, da união e da beleza. A arte reuniu quatro artistas que estavam fazendo seu ofício numa noite de inverno.Oferecemos nosso coração e vontade de ampliar a percepção e as fronteiras de quem sai de casa para fugir de suas rotinas e jantares na sombra de uma luz. O tempo que passa e eu sinto que estou numa mutação e a cada encontro comigo, me escuto, e sei que agora posso comemorar pequenos avanços, limites que estou aprendendo a estabelecer e principalmente viver a minha vida, arte, amores sem me preocupar com a aceitação dos outros,esta menina carente que mora dentro de mim está aprendendo a ser amada por mim mesma. Foi nesse momento também que minha arte me revelou para o meu marido, eu vi seus olhos orgulhosos no carro, quando ele me disse: você é uma artista! Então o certo é ir, mesmo com medo.

Comentários

  1. Minha Maricotinha você me encanta, aliás é impossível para um sensível pela arte não encartar-se com tanta nobreza!
    Foi fascinante esta última apresentação, sem ter se quer um minuto de ensaio, você desenvolver os temas tocados por este trio de renome e você conseguir com os guizos presos aos seus tornozelos fazer uma sonoridade de uma cadência como se tivesse ensaiado por todo o mês. Vi nas expressões daqueles que estavam ali te apreciando, pena que eles não sabiam o que eu sabia...!
    Mas uma vez me curvo a você, a sua arte, melhor dizendo, você é arte ambulante...!
    Parabéns minha Maticotinha, te amo!
    Alegria, alegria...

    Ivan Facchinetti

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  2. Gratidão querido, por me amar, me respeitar e honrar minha arte.
    Te amo!

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