terça-feira, 31 de janeiro de 2017

" O LIVRO DO TRAVESSEIRO"

Hoje o que me toca profundamente é a meditação.Exercitar o lugar dentro de mim onde as palavras e julgamentos silenciam. O mundo está num processo de conectividade. Eu sei que viver é se relacionar, mas não pode ser sempre de fora para dentro.É preciso haver um toque do mistério que somos nós que só é sentido no interior de cada um e sinto que é no corpo que acontece. Hoje vi uma demonstração de meditação e ficou muito claro que a simplicidade de escutar a respiração, tocar o coração e pedir cura, amor e riso é um caminho. Se perguntar com toda a honestidade qual o propósito de se estar habitando este corpo e quem somos nós neste planeta, são questões cruciais. Uma respiração consciente, ou alguma prática que permita acessar nosso ser interno, promove uma harmonia dentro de nós e nos revela nossa beleza e divindade. Segundo um relato que ouvi a pessoa que não se dá a oportunidade de vivenciar sua divindade perde a conexão com a vida e talvez nem sequer exista. Leva uma vida direcionada para obter o que se espera de todos. Trabalho, aparelhos eletrônicos, relações superficiais. Existe muita coisa que nos faz olhar a vida de um ângulo utilitário e não a vida como uma experiência. Estou lendo um livro redigido entre os anos (976-1001) de Sei Shônagon, intitulado O livro do travesseiro , são mais de trezentos textos sobre o cotidiano da ala privativa do palácio imperial no Japão e simultaneamente o livro nos revela o refinamento das relações entre as imperatrizes e suas damas e muito mais, estou no início do livro. Ela vai tecendo um fio de aprofundamento na observação da natureza e sua relação com o humano. Estou fascinada com a sua escrita poética sobre a natureza humana que é feita de ciclos que reside na percepção que a beleza se aprofunda com o tempo e que a fugacidade de uma flor a torna bela porque sabemos das quedas de suas pétalas e que o acabado tem menos virtudes do que o inacabado. Ela nos mostra com muita delicadeza o inexorável valor do irregular no geométrico, o instável em detrimento do equilibrado. A impressão que tenho é que sobrevivemos ao caos quando aceitamos o desequilíbrio e a finitude das coisas. A meditação pode ser um caminho para entrar em contato com uma força que nos permite sentir nosso corpo e nos faz equilibrar o pensar, o agir e o sentir para que nossa vida ganhe significado. Ter consistência e criar um movimento que nos traga vida e significado, requer trabalho interno. Assisti um vídeo de um guitarrista explicando que quando duas guitarras estão uma na frente da outra, quando você toca um acorde numa guitarra a outra responde,acontece uma comunicação oculta, um diálogo de ressonância. Assim somos nós, temos uma vida interna que precisa de uma escuta. Uma pessoa que nega o corpo perde uma parte do conhecimento de sua essência e esta comunicação aprofundada do que está dentro dialogando com o que está fora não acontece. A aventura de viver passa a começar a fazer sentido quando o mundo começa a enviar notícias de nós mesmos, porque nenhuma situação acontece sem que nós não tenhamos atraído para aprender alguma lição sobre o amor. Nosso maior desafio é viver integrado e consciente das nossas ações e do nosso medo de viver intensamente. Quando estamos fora da nossa casa corpo, todas as experiências acontecem para nos punir ou presentear. Quando saímos desta postura de que o que nos acontece tem uma relação com nosso aprendizado, saímos da cadeira do julgamento e aprendemos a ver o outro como um aprendiz também.Somos todos um, cada um no seu tempo e na sua percepção da realidade.

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