sábado, 21 de março de 2015

DANÇAR PARA CURAR NOSSAS DORES

Sentei num restaurante para almoçar e me deparei com uma placa na parede escrita" É proibido dançar". Eu virei bruxa, em plena Idade Média. Meu coração ficou pequeno.Parecia cena do filme Footloose, que narra a história de uma cidade americana que proibia a dança. Me deu vontade de fazer igual ao personagem do Kevin Bacon . Em pleno momento fundamentalista no mundo, onde expressar o que se pensa é perigoso, a intolerância está reinando. Não posso ficar em silêncio diante desta placa, num espaço público, frequentado por crianças. Eu sei que milhares de pessoas são privadas da música e da dança, por motivos religiosos e preconceitos. lugares onde a revolução do corpo não chegou. Mas aqui no Brasil? Como uma criança vai crescer saudável sem ser livre para dançar? Fiquei paralisada, sem comer, diante daquela placa, próxima à outra placa com a proibição do uso do cigarro. Não havia um espaço para eles? Somos bárbaros quando somos autênticos, e não agimos dentro de uma forma e de um padrão de pensamento e comportamento. Dançar faz brotar alegria, cura nossas dores, integra e deixa todo mundo igual, nos faz celebrar nossa existência, nos conecta aos nossos ritos ancestrais. O gesto precede a palavra. A roda foi inventada, o fogo e flautas,foram feitas com ossos de animais.Instrumentos de percussão, feitos com pele de animais, e também peles de animais eram usadas para simular caçadores em ritos dramáticos, simulando caçadas, danças -dramas,com xamãs intermediando o céu e a terra.Dançamos rituais de caça, a dança era totalmente ligada ao estômago, à sobrevivência da espécie humana. Talvez o nosso mundo não acabe, como muitos pensam ou pregam muitas religiões, mas corremos o risco de perdermos o que nos caracteriza como raça humana. Eu não gostaria de estar exagerando. Eu quero ser feliz com o meu corpo, e não entorpecida pela ilusão do consumo de uma vida vazia de sentido e profundidade. Entendo que o restaurante deve ter alguma razão para proibir a dança... não sei como a dança pode ameaçar um estabelecimento.

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