terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O TAL DO " APLAUSO DE PÉ "

Publicado em 02/02/2014 às 03h03
O TAL DO "APLAUSO DE PÉ"
publico fotos emi hoshi DSC 8152 editada Domingou   O tal do aplauso em péSó esperamos o fim para aplaudir em pé, como se deve. Ou não? - Foto: Emi Hoshi/Clix
Por BRUNA FERREIRA*
É certo que qualquer coisa que banaliza incomoda mesmo. Criticamos, queremos saber os motivos, entender os processos e prever as consequências. Na semana passada,o jornal Folha de S.Paulo levantou a questão que já andava causando burburinho nas rodas de bate-papo após os espetáculo teatrais: o tal do aplauso em pé.
Claro que todo mundo já ficou emocionado com uma obra única, uma atuação ímpar ou um exemplo de superação nos palcos, como quando a atriz Cissa Guimarães voltou ao tablado com o espetáculo Doidas e Santas, após a morte do filho Rafael Mascarenhas, em 20 de julho de 2010, ao ser atropelado dentro de um túnel no Rio de Janeiro.
Só que nós também sabemos que não é qualquer espetáculo que nos traz esse tipo de arrebatamento. E vamos, sim, com o coração aberto! Essa história de “falta de sensibilidade” do público, me parece mais história da carochinha ou, como minha avó dizia, conversa para boi dormir.
O fato é que nem todos os espetáculos merecem o tal do aplauso em pé. Só que a gente aplaude. Todos. Como um estourar de pipoca, vai levantando um aqui, outro acolá, e quando vemos estamos lá ovacionando o diretor, o elenco, nós mesmos — que nos comportamos direitinho e desligamos os celulares.
Eu levanto. O Miguel Arcanjo Prado, a sábia voz da consciência deste blog, que está curtindo merecidas férias, já usa melhor o aplauso. No último Festival de Curitiba em que estivemos juntos, vi este bravo colunista censurar com o olhar só de “cogitar” aplaudir uma apresentação ruim. Foi sofrível mesmo, ele tinha razão.
Acontece que eu fico com pena daquele senhor, daquela menina, ou daquele perdido que foi o primeiro a se levantar para o aplauso. Não sei qual é a motivação deles. Se eles realmente amaram o espetáculo, se eles têm parentes no palco, se eles se sentem na obrigação de aplaudir em pé ou só estão deslocados.
É só um mais desavisado levantar, que lá vou eu, convicta, animada, assobiando até... Não adianta, os párias são sempre a minha nação. Os excluídos do teatro, então.
No fundo, a gente está lá aplaudindo, pois sabe que fazer de teatro no Brasil é trabalho para cabra valente. Viva todo mundo! Viva!

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