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domingo, 28 de julho de 2013

DANÇA E ARTES VISUAIS

  A relação que estabeleço entre dança e artes visuais está relacionada a minha relação com as danças orientais, principalmente a dança clássica indiana.
Minha primeira observação foi a relação simbiótica entre dança, teatro, religião, arquitetura e artes visuais. O teatro-dança clássica indiana desconhece esta fragmentação.Todas as manifestações podem acontecer simultaneamente. A dança é o principal elemento em cena e, não a bailarina. Essa fusão de imagem
e movimento conduz a espetáculos de beleza muito profunda e impactante para quem assiste, independente de se entender os simbolos e signos narrados.
A atmosfera onírica e surreal leva a platéia a uma energia extra-cotidiana e atemporal. Eu, mergulhei em vários aspectos dessa profundidade porque quero,
em cena, ser presente, ser "mágica". Quero penetrar no universo do outro, do espectador, como se tivesse um espelho dentro de mim.
No entanto, no momento em que estou em busca de novos paradigmas e novas técnicas corporais, me pergunto: onde estão os nossos símbolos mais divinos? Não quero uma arte que vise apenas o "entretenimento". Entendo que precisamos da tradição, de voltar ao passado e aprender com ele.
Voltar no tempo e entender porque nossa espécie necessita de ritos, do divino, mesmo quando os negamos.
Quando afirmo que minha dança não é religião e, ao mesmo tempo é um canal de expressão da minha espiritualidade, estabeleço a ponte entre tradição
e inovação com mestres do passado e do presente. E, estudando o corpo, sei que não é um fim – é um meio.
Para não me perder, investigo, na tentativa de me organizar internamente.
A idéia desse blog é me comunicar da maneira mais honesta comigo mesma e com quem me lê neste momento.
Ao escrever sobre o poder da imagem, Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra e psico terapeuta suíço, afirma que
"a força do arquétipo reside na relação entre imagem e emoção" e que "a imagem sozinha equivale a uma descrição de pouca importância".
Mas, "quando a imagem é carregada de emoção, esta ganha Numinosidade" (energia psíquica).
A arte funciona como um caminho de encontro do humano e nos revela o "espírito do tempo".

sábado, 27 de julho de 2013

DANÇA E GEOMETRIA

A Geometria corporal expressiva, surgida em 1997 e parte da "dança terapia", é o termo que define basicamente o uso da geometria e da metafísica como recurso didático no ensino da dança.
Inicialmente, o método começou a ser experimentado, por um pequeno grupo de pesquisadoras, no ensino da Dança Oriental.
Em 10 anos, a metodologia provou ser útil, inclusive para outras modalidades de dança, tais como a Dança Havaiana, a Dança Indiana, o Estilo Livre, a Dança Contemporânea e a Dança Étnica Contemporânea do Estilo Tribal Brasileiro (dança de fusão entre Dança do Ventre, Dança Indiana, Flamenco e Danças Folclóricas Brasileiras).

Idéia e origem
O termo que define a nomenclatura, foi desenvolvido posteriormente à sua utilização, apenas para dar um nome àquela forma de ensino.
Os experimentos tiveram início pelo estudo da Gestalt e da Semiótica, numa "Leitura Samântica" do movimento como forma, e, posteriormente, mais estudos foram sendo agregados, de modo a acrescentar fundamentos à prática e estruturá-la no caminho da eficácia. Portanto, a idéia que originou esta estrutura metodológica, baseou-se em diversos estudos, entre eles:
A Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung;
A Psicologia Formativa de Stanley Keleman;
As couraças musculares de Reich;
A Geometria Filosófica de Robert Lawlor.
Segundo a Gestalt, o cérebro possui um circuito de reconhecimento de padrões. Isso significa que somos matematicamente programados para perceber as formas do mundo físico, o que quer dizer que a simbolização é uma função básica da mente (Cetta e Ward, 1994) - e por isso a experiência com a geometria em dança foi bem sucedida: a geometria é uma linguagem universal e biológica (Tuan, 1974), (Lawlor, 1996), (Jung, 1964).
Com base nestes estudos, na visão do método, o mundo é constituído por formas: assim como movimento tem forma, o rosto tem forma, a vida tem forma, de modo que, os diversos tipos de dança que existem, foram percebidas, e então concebidas, como linhas vivas, linhas em movimento, que em sua abordagem poética "conversam" através do corpo do bailarino(a).
Na Geometria corporal expressiva, os estilos de dança são resultados de diferentes tipologias (tipos de formas) de movimentos, que conferem uma plástica única a cada tipo de dança. O aprendizado da dança passa pela estrutura ideológica das formas: quadrado, círculo, triângulo, oito, curvas, retas e variações, não necessária e obrigatoriamente nesta ordem, utilizando gráficos geométricos que representem os eixos e planos corporais de acordo com cada tipo de dança.
A conceituação do termo chegou a ser considerada mística, e não puramente científica, por incluir a abordagem corporal dentro da abordagem filosófica da metafísica, apesar desta metodologia ser largamente aplicada com resultados práticos e não ter qualquer relação original fundamentada no misticismo.
Pedagogia
A pedagogia baseou-se em gráficos de geometria, representando movimentos corporais com formas e linhas geométricas, para auxiliar na leitura visual do percurso de um determinado movimento, e facilitar o desenvolvimento cinestésico da expressão do mesmo.
Tais gráficos são geralmente esquematizados a partir da forma da esfera (menos comum) e do cubo (mais utilizada). Esta, serve para representar o espaço tridimensional. O movimento-forma é então projetado em um determinado eixo (longitudinal, transversal e/ou sagital) e em um determinado plano (horizontal, vertical e distorções entre ambos), de modo que o "boneco", corpo do(a) bailarino(a), é posicionado no centro do cubo (ou da esfera) sobre o desenho. Ao compreender o esquema visual, obviamente com as devidas explicações do(a) facilitador(a), o cérebro automaticamente reúne as informações necessárias para executar o movimento que é o objeto de estudo, embora o corpo necessite de um tempo, relativamente curto ou médio, para responder ao exercício:
Em Dança do Ventre o método fará uso de gráficos que representem formas como oitos, círculos, linhas ondulatórias e linhas tremidas a serem representadas em movimentos torácicos, de braços e quadris;
Em Dança Havaina sua forma de utilização será idêntica, com o adendo do significado inerente dado à cada tipo de movimento, que faz alusão a elementos da natureza;


Em Dança Indiana, sendo uma dança cuja característica acentuada, é o uso dos movimentos de mãos (mudrás) para representar uma idéia, e as batidas de pés, a depender do estilo teremos:
Se for o Katak, utilizará linhas retas, pontuações e quadrados em profusão;
Se for o Odissi, utilizará linhas retas, pontuações e linhas orgânicas;
Se for o Estilo Bollywood, combinará elementos formais ocidentalizados, porém, sempre baseados na Dança Clássica Indiana (Katak, Odissi) que lhe deu origem;
Em Estilo Livre e em Dança Contemporânea o método fará uso de diversas configurações geométricas em gráficos, previamente programados, de acordo com a intenção do professor;
Em Dança Étnica Contemporânea, no Estilo Tribal Brasileiro, o método é aplicado conforme a interpretação visual da forma de cada estilo (Dança do Ventre, Dança Indiana citadas anteriormente), para depois realizar a fusão dos movimentos:
No Flamenco as curvas e os círculos serão valorizados em sua expressão dramática, com acentos fortemente marcados pelos pés;
Nas Danças Folclóricas Brasileiras os gráficos deverão ser previamente elaborados de acordo com o estilo em questão. O Maracatu, por exemplo, utiliza linhas orgânicas nos braços, pequenos passos e círculos, manifestados em acrobacias semelhantes ao frevo e giros.

Objetivos
Além de seu objetivo pedagógico, o método também tem sua função terapêutica, seja ele aplicado em qualquer estilo de dança.
Na sua prática, o corpo tem a oportunidade de contar a sua história, sobre o passado registrado em sua musculatura e órgãos internos, ou seja, se existir um processo de somatização de couraças musculares, a Geometria corporal expressiva, auxiliará em algumas destas dificuldades de expressão e de leitura corporal, resultando, inclusive, na maioria dos casos, em uma aprendizagem mais rápida, uma vez que a base de sua abordagem (a geometria) é universalmente compreendida - quando corretamente aplicada.
A anatomia humana, possuindo geometria no conceito de postura, é amplamente estudada em conjunto com a cinesiologia, pois a "corporificação" das experiências humanas, vem mostrar que toda aprendizagem somática exige correção postural. A Geometria corporal expressiva ajuda a corrigir a postura, aliviando a tensão muscular das regiões cervical, torácica e lombar.
Postura é um termo geralmente utilizado para avaliar o alinhamento das partes corporais, considerando sua posição em pé, sentada e deitada. Nem sempre a boa postura acompanha estas três posições. Pessoas anatomicamente diferentes terão posturas diferentes, e, devido às variações anatômicas, utilizarão o corpo de maneiras diferentes, mesmo que o movimento expressado seja o mesmo para ambas. Logo, a Geometria corporal expressiva não generaliza uma "postura correta" para biótipos diferentes – cada biótipo estabelece sua boa postura dentro de sua própria estrutura, adotando uma atitude que preservará sua natureza anatômica, aliviando lombalgias, dores cervicais e dores na cintura escapular.
A Geometria corporal expressiva também pode ser coadjuvante dos métodos de Feldenkrais, Laban, dos 5 Ritmos de Gabrielle Roth e da Bioenergética de Alexander Lowen.
O termo geometria corporal expressiva
O intuito pedagógico e terapêutico em sua utlização prática explicam a cultura do termo, mas a razão artística também complementa sua existência.
Se a geometria utilizada como ferramenta visual e cinestésica, é apresentada através de gráficos, cujas linhas e formas representam a intenção do movimento a ser executado, a metafísica assegura a interpretação da metáfora da forma desenhada pelo corpo. Logo, a expressão do movimento é melhor representada, se sua estrutura morfológica for bem compreendida, isto é, quando o movimento como forma é legível, sua interpretação pode ser mesurada. Por essa razão, o método também é chamado de "metaforma e movimento". Apenas uma outra denominação para mencionar sua intenção e acentuar o intuito terapêutico.
A musculatura corporal também codifica emoções e as simboliza em sua linguagem corporal. Logo:
Representar uma idéia em movimento é uma das funções da dança;
Emocionar e fazer um público sentir o que é transmitido através do corpo é uma arte;
Dominar a expressão corporal, controlar a postura e os movimentos, sentir os intuitos da música, são elementos de um mesmo processo:linhas em movimento no corpo são capazes de emocionar.





Exemplos práticos
Tendo o método sido originalmente aplicado à Dança Oriental, os exemplos que se seguem revolvem à mesma.


Formas arquetípicas-chave e suas estruturas ideológicas:
O círculo: transmite a idéia de unidade, perfeição e estabilidade evolutiva;
O oito: representa a idéia primordial do infinito ou do labirinto, no vai-e-volta sem fim, desenhado no corpo será a base da configuração da sensualidade e do lirismo;
A linha ondulatória: portadora de natural voluptuosidade, atua visualmente e fisicamente na liberação de tensões, aderindo à idéia de fluência e revela um suave convite à intimidade ou introspecção;
A linha do "shimmy": movimento em que o quadril realiza acentos laterais ou frontais, inclui duas estruturas paradoxais de movimento, como a firmeza e o relaxamento, revelando segurança e certeza.


A Educação Somática


Do quadril:
Significado metafísico: é o centro da criatividade e equilíbrio do corpo, volvendo aos instintos femininos e maternos;
Movimentos utilizados: shimmies (plural de shimmy - termo derivado do inglês que significa "tremeluzir"), oitos, redondos e ondulações.
Efeitos terapêuticos: maior controle da energia agressiva, elevação da segurança e auto-estima.



Do ventre:
Significado metafísico: ainda no centro de equilíbrio do corpo, cuja musculatura é ativa nas contrações do parto, abrigo dos órgãos de eliminação das toxinas, adquire significado para deixar ir o que não nos serve mais – como, por exemplo, fatos passados;
Movimentos utilizados: ondulações, contrações e tremidos;
Efeitos terapêuticos: definição da musculatura abdominal e cintura, equilíbrio na eliminação de fluidos intestinais, estímulo para a libido, suavização de dores advindas de cólicas menstruais e lombalgia.

DANÇA CONTEMPORÂNEA


 








   DANÇA CONTEMPORÂNEA





 A dança contemporânea surgiu na década de 1950, como uma forma de protesto ou rompimento com a cultura clássica. Depois de um período de intensas inovações e experimentações, que muitas vezes beiravam a total desconstrução da arte, finalmente - na década de 1980 - a dança contemporânea começou a se definir, desenvolvendo uma linguagem própria. Os movimentos rompem com os movimentos clássicos e os movimentos da dança moderna, modifica o espaço, usando não só o palco como local de referência.
A dança contemporânea é uma explosão de movimentos e criações, o bailarino escreve no tempo e no espaço conforme surgem e ressurgem ideias e emoções. Os temas refletem a sociedade e a cultura nas quais estão inseridos, uma sociedade em mudança, são diversificados, abertos e pressupõem o diálogo entre o dançarino e o público numa interação entre sujeitos comunicativos. O corpo é mais livre, pois é dotado de maior autonomia.
A dança contemporânea é uma circulação de energia: ora explosiva, ora recolhida. A respiração, a alternância da tensão e do relaxamento em Martha Graham, o desequilíbrio e o jogo do corpo com a gravidade em D.Humphrey; e  o diálogo do corpo e do espaço retornando às origens do movimento.
A dança contemporânea não possui uma técnica única.


Fontes consultadas:
www.centroartisticodedanca.com.br
www.edukbr.com.br
www.brasilescola.com
mundodadanca1.blogspot.com
portfoliodedanca.hdfree.com.br


sexta-feira, 26 de julho de 2013

O CORPO É UM ARQUIVO VIVO




“Se o homem descende, de fato, dos macacos, em algum momento da sua evolução ele esticou sua coluna e assumiu uma postura ereta. Essa mudança em seu corpo trouxe várias outras, como o crescimento do cérebro e o aparecimento dos gestos e da fala. A dança pode ser vista como resultado dessa sofisticação. Ela vem da necessidade de comunicar alguma coisa ou comunicar-se com algo. Dançamos por razões diversas: para expressar desejos, sentimentos, para contestar, seduzir ou mesmo para mostrar resistência. Nesse caso, o corpo, como um arquivo vivo, transforma-se numa espécie de depósito onde guardamos memórias da nossa identidade. Os ciganos são uma boa prova disso. Embora estejam espalhados pelo mundo, eles preservam elementos culturais — danças, músicas, figurinos. Poderíamos, nesse sentido, afirmar que, quando os ciganos dançam, estão restaurando o comportamento de seus ancestrais. Danças são memórias em ação. Elas também refletem valores: éticos, estéticos, morais, religiosos, sociais. Os bailes da Corte européia, por exemplo, transmitiam e revelavam toda a pompa daquele universo. Entre outras coisas, a dança dos nobres mostrava o padrão considerado elegante para as mulheres (um corpo delicado e longilíneo), a maneira como as relações aconteciam (os homens cortejavam as moças e não o contrário) e até o jeito como as pessoas deveriam gesticular. Quando um rei visitava outro, a dança era o primeiro cartão de visitas da corte anfitriã. O ser humano não consegue operar com eficácia numa determinada cultura sem entender seus códigos. Quanto mais complexa ela for, maior será a variedade desses códigos. A dança pode funcionar como um código específico e eficaz para transitar num contexto.
Giselle Guilhon, professora no curso de Licenciatura Plena em Dança na Universidade Federal do Pará

BARAKA: BARAKA : INTERCÂMBIO DE TÉCNICAS

BARAKA: BARAKA : INTERCÂMBIO DE TÉCNICAS: BARAKA O projeto de pesquisa e espetáculo BARAKA foi idealizado pela professora, pesquisadora, atriz e dançarina Mirabai. Seu trabalho de ...

BARAKA : INTERCÂMBIO DE TÉCNICAS

BARAKA
O projeto de pesquisa e espetáculo BARAKA foi idealizado pela professora,
pesquisadora, atriz e dançarina Mirabai. Seu trabalho de atriz é influenciado pelo
Oriente e, as técnicas corpóreas, na composição de seus pessonagens e na dança pessoal
.
O projeto/espetáculo BARAKA tem o incentivo do FAC (Fundo de Apoio
a Cultura) da Secretaria de Cultura/GDF e faz parte do programa de intercâmbio firmado
entre a atriz/dançarina Mirabai e a professora/dançarina Sri Radhe, de Curitiba,
Paraná.
O contato da pesquisadora/autora com o estilo de Dança Clássica Indiana
BHARATANATYAM, aliado a constantes viajens para aperfeiçoamento, promoveram
o diálogo entre a prática e a teoria e, fica claro, também, na escolha dos espetáculos
encenados. A associação da criação cênica interartística com o aprimoramento técnico,
juntamente com a pesquisa transcultural, conduziram a um conceito estético inovador.
BARAKA significa sopro, respirar junto, palavra que tem origem no Sufismo,
a presença do sagrado da vida. Neste espetáculo, inspirado em rituais de várias
culturas tradicionais, a presença feminina é fonte de inspiração. O ritual da pintura das
mãos antes do casamento indiano, a relação com os véus da mulher do Oriente médio
e a interação dos pés/quadris da mulher africana (onde cada parte do corpo dança),
ajudam a celebrar a presença da vida na sua fonte.
É o corpo da mulher celebrado numa espécie de geografia corpórea.
O espetáculo demonstra as fontes da energia criativa da artista em cena e
suas possibilidades extremas.
Cada parte do corpo (cabeça, olhos, pés e mãos) representa alternadamente
um papel de primeiro plano. A hierarquia nunca é fixa. Cada ato é executado
em sequências coreografadas, literalmente, com e para os olhos. Sucessivamente, cabeça,
tronco, pernas, pés, braços e mãos expressam, individualmente, o resultado da
investigação, observação e sistematização de um método de pesquisa, realizado por

uma brasileira - que se apropria de uma técnica estranha à sua - e reelabora um novo
vocabulário corporal.

DESDOBRAMENTO
DO PROJETO BARAKA
Doação do programa do espetáculo, expressando os princípios contidos
na técnica pesquisada, para escolas, empresas, bibliotecas e organizações não governamentais,
dentre outras instituições.
 Formação de multiplicadores através de workshops, palestras e oficinas
para professores, alunos, sindicatos e organizações não governamentais.
 O espetáculo BARAKA, além de sua função e contribuição para a
cultura, pretende ampliar seu alcance compartilhando o processo de pesquisa para a
sociedade.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

PORQUE DANÇAR?


PARA FICAR INTELIGENTE

Ivaldo Bertazzo, coreógrafo e diretor da Escola do Movimento
“O movimento é essencial para o corpo se manter organizado. Do contrário, ele desaba. E o movimento nada mais é do que a luta contra a gravidade. Funciona assim para qualquer bicho. Mas para os humanos é mais difícil, pois nossa locomoção bípede nos torna mais instáveis do que qualquer outro animal. O movimento também é importante porque serve como um estímulo para nosso sistema nervoso manter-se sempre à procura de seu centro de gravidade.

Então, imagine o que a dança faz por nós. Um bebê, que sequer começou a andar, já se balança quando ouve uma vibração. Nele há um desejo intrínseco de brincar com seu centro de gravidade e de desafiar o cérebro a encontrá-lo. Responder a um ritmo, portanto, é uma necessidade anterior a tudo. Para conseguir dançar, precisa ainda mais do que isso: é necessário administrar os movimentos do corpo. Só desse jeito se consegue enfrentar cadência e locomoção ao mesmo tempo. Quando isso acontece, é como se o corpo fosse mais rápido que o pensamento.

Por que sentimos prazer quando dançamos numa festa ou numa danceteria? Quando fazemos isso, estamos abrindo o reduzido leque de movimentos que fazemos no dia a dia. Ele é tão pequeno e cheio de objetividade que precisamos ampliá-lo. Nesses momentos, ainda estimulamos o sistema nervoso. Dançar também é isso: um exercício para ficar mais inteligente.”

O RÍTMO ESTÁ DENTRO DO HOMEM

Rodrigo Pederneiras, coreógrafo do Grupo Corpo
 “Como manifestação cultural, os motivos que nos levam a dançar sempre foram diversos: as sociedades dançam para comemorar ou para pedir uma boa colheita, para celebrar um nascimento ou homenagear um morto. Como arte, porém, acho que a dança pode mudar as pessoas. Quando percebemos o que podemos fazer com o corpo, olhamos para nossos limites com um horizonte maior. Também por ser poderosa como toda arte, a dança nos dá completude. Acredito que até mais do que outras formas de expressão. A dança é intrínseca ao ritmo, começa com a pulsação. E o pulso é intrínseco ao ser humano, vem de dentro do nosso corpo.”

MOVIMENTOS TÊM CONHECIMENTO

Elisabeth Zimmerman, professora de Psicologia do Desenvolvimento aplicada à Dança, na Unicamp
“Será que o corpo possui inteligência própria quando dança ou é completamente subordinando a um comando do nosso cérebro? Acredito que ele possui, sim, um conhecimento próprio. Carrega consigo uma memória mais antiga do que nós mesmos, registros que não estão nas nossas lembranças e vão além da história pessoal. É isso que faz com que saibamos agir mesmo quando não nos foi ensinado — assim acontece, por exemplo, em situações de defesa, agressão, reprodução, ou mesmo em processos criativos, como a dança.

Por que gostamos de dançar? O corpo é a casa onde moramos. E, quanto mais à vontade estamos nele, maior é o nosso bem-estar. Dançar é, metaforicamente, um estado similar ao que tínhamos quando éramos bebês e vivíamos quase exclusivamente como corpo. Assim, de certo modo, ao dançar recriamos aquela atmosfera, quando a relação com nossa mãe proporcionava um estado de plenitude. Essa sensação também acontece porque a dança possibilita a conversa entre o lado externo do corpo (tamanho, peso, postura, pele, etc.) e a nossa realidade interna, representada por nossas sensações, sentimentos, percepções e memórias. É por isso que, ao observarmos pessoas absorvidas pela ação de dançar, tudo parece estar conectado para elas.”

MOVIMENTO CORPORAL

Estudo do movimento corporal: o movimento do corpo ou parte dele num determinado tempo e espaço.
Percepção do tempo: caracteriza a velocidade do movimento corporal (ritmo e duração); contrastes (rápido, médio, lento), contratempo. Além dessas características do tempo entende-se a atenção ao tempo presente como fundamental para o estudo da dança. O corpo precisa estar aberto às mudanças decorrentes no tempo em diferentes momentos.
Exploração do espaço: interno e externo, público e privado, relacionando o entendimento de corpo e ambiente/contexto. Dentro do espaço estudamos as direções (cima, baixo, lado, frente, trás e diagonais), dimensões (pequeno, médio e grande), níveis (baixo, médio e alto), extensões (perto, médio e longe). As conexões que se estabelecem com o ambiente podem ser vistas como relação de compartilhamento e troca.

terça-feira, 23 de julho de 2013

CARL G. JUNG

"Quando alguma coisa escapa da nossa consciência, essa coisa não deixou de existir, do mesmo modo que um automóvel que desaparece na esquina não se desfez no ar.Apenas o perdemos de vista.Assim como podemos, mais tarde,ver novamente o carro, também reencontramos pensamentos temporariamente perdidos.Parte do inconsciente consiste, portanto, de uma profusão de pensamentos, imagens e impressões provisoriamente ocultos e que continua a influenciar nossas mentes conscientes.Um homem desatento ou "distraído" pode atravessar uma sala para buscar alguma coisa.Ele esquece o que buscava .Suas mãos tateiam pelos objetos de uma mesa; não se lembra do seu objeto inicial, mas ainda se deixa, inconscientemente , guiar por ele. Percebe então o que queria.Foi o seu insconsciente que o ajudou a se lembrar"
Carl G. Jung

sábado, 20 de julho de 2013

XXIII SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE DANÇA DE BRASÍLIA

XXIII Seminário Internacional de Dança de Brasília.
A convite da Coordenadora & Diretora Artística do Seminário Internacional
de Dança de Brasília, Gisèle Santoro, a Professora de Artes, Atriz,
Dançarina e Preparadora Corporal MIRABAI (Maria Vilarinho), apresentará
trecho do Espetáculo de Dança Baraka, de sua autoria,
que teve patrocínio do FAC (Fundo de Apoio a Cultura)/DF.
Apresentado com sucesso em Brasília, o Espetáculo de Dança Baraka
atualmente participa de festivais e mostra de dança em outras capitais do país
SERVIÇO:
XXIII Seminário Internacional de Dança de Brasília
Espetáculo de Dança Baraka (trecho)
Artista: MIRABAI
Data: 24/julho (próxima quarta-feira)
Horário: 17hs
Local: Praça Lucio Costa, Conjunto Nacional de Brasília
Entrada franca e livre para todos os públicos
Mais Informações:
projetoscriativosmaria@gmail.com
http://mirabai-baraka.blogspot.com/?spre

domingo, 14 de julho de 2013

BARAKA

  " A dança é um ato de prazer,de vida,e só deixa de ser prazerosa e viva no momento em que passa a ser ginástica,exercício, competição de força e de ego.Uma aula não pode excluir a emoção: é preciso incorporá-la. Então sou eu, com minha percepção, meus conhecimentos, vivências e emoções que vai acolher o lugar na sala, quem vai levantar o braço, quem vai rodopiar- não é minha perna que vai subir porque o professor mandou."
klauss Vianna

DANÇA : EU SOU UMA PERGUNTA




    A  frase ´" Eu sou uma pergunta" é da escritora Clarice Lispector (1920-1977)  muito adequada a qualquer artista que tem a pesquisa e a investigação como razão de viver  e  revelação de aspectos e novos olhares sobre a sua linguagem. No meu caso a dança. Meu universo permeado de" pequenas mortes" que garantem novos saltos diante do desconhecido.
   Há uma mentalidade predominante que concebe a técnica como um fim em si, quando na verdade ela é o caminho,me leva a  importância  da  vivência do processo de encontrar a dimensão da minha essência em cena, ter o corpo com as suas energias dilatadas,emoções reveladas.
   A minha inquietação e a busca por respostas foram determinantes para encontrar o meu caminho que aliás  tem a interrogação, o risco e o coração como elementos chaves.Nunca considerei aprender nada sem questionar na minha  vida de dançarina, aqueles professores e diretores arrogantes  que me queriam igual a um "miquinho amestrado" passaram e foram tarde.
   Demorei a valorizar a minha busca por ter encontrado professores que "matam" o potencial do artista,nós sempre afirmamos a importância do professor nas nossas vidas e falo com propriedade porque sou uma professora, mas ninguém fala desses seres disfarçados de arautos da verdade que além de impor conceitos e fórmulas prontas não admitem a pergunta , a dúvida.Tudo se resume em repetir.

O que determina o domínio da arte da dança nos nossos dias obedece a certas regras e convenções em função de um ideal estético.Precisamos aprofundar mais.
    Eu preciso da liberdade da busca, da impermanência, da descoberta de realizar um movimento com verdade e beleza.
    Nada vem do nada, a técnica que serve a dança clássica vem se desenvolvendo desde o final do século XV, data da criação do bailado acadêmico Italiano,até os nossos dias.Todas as possibilidades  ou quase todas as possibilidades dançantes do corpo foram pesquisadas e elaboradas e estudadas detalhadamente e longamente, cada técnica elaborada contém anos de busca, inquietação  para se criar um alfabeto de "linguagem dançante", que na minha opinião são importantes para estudar , voltar ao passado, no como foi feito, a estética como suporte para o conteúdo.
    Não posso falar da inovação no balé Clássico porque ainda é um dos meus objetos de estudo no momento e futuramente treinamento corporal , para servir de matéria-prima para o meu novo espetáculo de dança .
Meu objetivo aqui é enfatizar a relação de quem dança com a dança, para que ela não seja ginástica, ou levantar a perna até o infinito.
  " A dança é um ato de prazer,de vida,e só deixa de ser prazerosa e viva no momento em que passa a ser ginástica,exercício, competição de força e de ego.Uma aula não pode excluir a emoção: é preciso incorporá-la. Então sou eu, com minha percepção, meus conhecimentos, vivências e emoções que vai acolher o lugar na sala, quem vai levantar o braço, quem vai rodopiar- não é minha perna que vai subir porque o professor mandou."
Klauss Vianna



terça-feira, 9 de julho de 2013

DANÇA - EDUCANDO OS SENTIDOS






A pesquisa realizada por mim para o Espetáculo de Dança Baraka é a desmonstração de uma técnica
baseada em elementos da dança clássica indiana e continua causando forte impacto no público
que tem me prestigiado desde a estréia, em setembro/2011. A força das imagens reveladas
pelo meu corpo em cena e a plasticidade dos movimentos promovem diálogo profundo
com os expectadores, derrubando as fronteiras entre palco e platéia, relações de consumo
e entretenimento. É arte que resgata a força do ser humano.
Não há em cena nenhum artefato ou elemento da linguagem visual – como cenografia,
iluminação ou efeitos especiais, no caso, desnecessários. Há apenas a dançarina e a dança.

Na minha opinião, uma apresentação perfeita acontece quando a dança se sobrepõe à dançarina.
Gostaria de revelar um aspecto da minha pesquisa muito comentada por mim e pouco compreendida.
Durante algum tempo escrevi textos sobre meus estudos sobre dança clássica indiana.
Mas, quantas pessoas conhecem a dança clássica indiana? Pequena minoria.
E a criação de uma linguagem própria? E, a que “linguagem própria” me refiro?
O corpo continua sendo um ilustre desconhecido para as pessoas e, a dança, com o tempo,
foi passando por um processo de “elitização” e difusão de técnicas que só aumentam
o seu hermetismo. O resultado é a perda e do público não “iniciado”.

Pensei em criar um método para ensinar dança, onde a técnica e a vivência da dança,
com prazer e organicidade, fossem o veículo para sua compreensão e sentido.
Na tarefa de construir sentido nessa linguagem, comecei a pautar as aulas.

Sobre a minha experiência como professora de dança e teatro, uma das minhas fontes
de pesquisa é o efeito da dança na vida das pessoas. Dou aulas para alunos da rede pública
de Brasília, atuo como coreógrafa e preparadora corporal de pessoas de várias faixas etárias,
pertencentes a todas as classes sociais. Com o tempo percebi nos alunos a carência do contato
com o próprio corpo. Na avidez por ter acesso a esse conhecimento e o encantamento pela vida
que as minhas aulas estimulam, percebo que muitos alunos(as) reencontram o riso e o prazer.
Infelizmente, a escola proporciona pouca vivência com o corpo. Temos a educação fisica, que nem sempre
cria espaço para a expressão poética do ser. A escola formal que existe hoje praticamente suprimiu
o ensino da dança como linguagem. São raras as iniciativas e, quando existem são isoladas.

Recentemente o governo aprovou uma Lei que regulamenta o ensino da música nas escolas públicas
em Brasília. Mas, eu continuo perguntando: quando é que o corpo terá o status de matéria curricular?

Não me refiro ao estudo do corpo como objeto de estudo em várias disciplinas. Falo da experiência
do “contato real” do indivíduo com seu próprio o corpo, suas emoções, prazer e a vivência
que constrói o conhecimento holístico. Uma possibilidade de retomar a razão e a emoção.
O estudo do “todo”, já que “tudo” começa com o corpo.

Historiadores, antropólogos e profissionais de outras áreas do conhecimento já ensinaram
que “o gesto antecede a fala”, que “o corpo fala” e que 70% da nossa linguagem ou comunicação
começam com a nossa linguagem corporal. No cérebro humano, os hemisférios esquerdo
e direito, são os responsáveis e nos conduzem ao entendimento e percepção do mundo.
Temos de estimular os dois hemisférios constantemente, sempre.

O ocidente negou o corpo e até o considerou perigoso. Por isso, o momento é de devolver
a capacidade de integrar Corpo, Mente & Alma. Pensar e agir no mundo com emoção.
Precisamos – é necessário – retomar um modelo de alfabetização e ensino
que entenda, priorize e contemple o corpo como veículo de linguagem.
A pesquisa realizada por mim para o Espetáculo de Dança Baraka é a desmonstração de uma técnica
baseada em elementos da dança clássica indiana e continua causando forte impacto no público
que tem me prestigiado desde a estréia, em setembro/2011. A força das imagens reveladas
pelo meu corpo em cena e a plasticidade dos movimentos promovem diálogo profundo
com os expectadores, derrubando as fronteiras entre palco e platéia, relações de consumo
e entretenimento. É arte que resgata a força do ser humano.
Não há em cena nenhum artefato ou elemento da linguagem visual – como cenografia,
iluminação ou efeitos especiais, no caso, desnecessários. Há apenas a dançarina e a dança.

Na minha opinião, uma apresentação perfeita acontece quando a dança se sobrepõe à dançarina.
Gostaria de revelar um aspecto da minha pesquisa muito comentada por mim e pouco compreendida.
Durante algum tempo escrevi textos sobre meus estudos sobre dança clássica indiana.
Mas, quantas pessoas conhecem a dança clássica indiana? Pequena minoria.
E a criação de uma linguagem própria? E, a que “linguagem própria” me refiro?
O corpo continua sendo um ilustre desconhecido para as pessoas e, a dança, com o tempo,
foi passando por um processo de “elitização” e difusão de técnicas que só aumentam
o seu hermetismo. O resultado é a perda e do público não “iniciado”.

Pensei em criar um método para ensinar dança, onde a técnica e a vivência da dança,
com prazer e organicidade, fossem o veículo para sua compreensão e sentido.
Na tarefa de construir sentido nessa linguagem, comecei a pautar as aulas.

Sobre a minha experiência como professora de dança e teatro, uma das minhas fontes
de pesquisa é o efeito da dança na vida das pessoas. Dou aulas para alunos da rede pública
de Brasília, atuo como coreógrafa e preparadora corporal de pessoas de várias faixas etárias,
pertencentes a todas as classes sociais. Com o tempo percebi nos alunos a carência do contato
com o próprio corpo. Na avidez por ter acesso a esse conhecimento e o encantamento pela vida
que as minhas aulas estimulam, percebo que muitos alunos(as) reencontram o riso e o prazer.
Infelizmente, a escola proporciona pouca vivência com o corpo. Temos a educação fisica, que nem sempre
cria espaço para a expressão poética do ser. A escola formal que existe hoje praticamente suprimiu
o ensino da dança como linguagem. São raras as iniciativas e, quando existem são isoladas.

Recentemente o governo aprovou uma Lei que regulamenta o ensino da música nas escolas públicas
em Brasília. Mas, eu continuo perguntando: quando é que o corpo terá o status de matéria curricular?

Não me refiro ao estudo do corpo como objeto de estudo em várias disciplinas. Falo da experiência
do “contato real” do indivíduo com seu próprio o corpo, suas emoções, prazer e a vivência
que constrói o conhecimento holístico. Uma possibilidade de retomar a razão e a emoção.
O estudo do “todo”, já que “tudo” começa com o corpo.

Historiadores, antropólogos e profissionais de outras áreas do conhecimento já ensinaram
que “o gesto antecede a fala”, que “o corpo fala” e que 70% da nossa linguagem ou comunicação
começam com a nossa linguagem corporal. No cérebro humano, os hemisférios esquerdo
e direito, são os responsáveis e nos conduzem ao entendimento e percepção do mundo.
Temos de estimular os dois hemisférios constantemente, sempre.

O ocidente negou o corpo e até o considerou perigoso. Por isso, o momento é de devolver
a capacidade de integrar Corpo, Mente & Alma. Pensar e agir no mundo com emoção.
Precisamos – é necessário – retomar um modelo de alfabetização e ensino
que entenda, priorize e contemple o corpo como veículo de linguagem.

sábado, 6 de julho de 2013

A DANÇA - MAGIA E TÉCNICA

"A linguagem do poeta, a linguagem da arte, é , talvez uma das linguagens que poderia ser utilizada para ousarmos falar a respeito de Deus porque trata-se de uma linguagem que não nos confina, não conceitualiza,, não distribui rótulos, mas nos deixa livres e nos convida a fazer uma experiência, a empreender uma transformação."
Jean Ives Leloup



  A consciência do processo de criação pela experiência, ao penetrar no movimento interno, envolvendo-se total e organicamente com o corpo em todos os níveis – intelectual, físico ou intuitivo – promove a construção de uma arte que se comunica com seu tempo.
    A intuição é vital para a situação de aprendizagem e, infelizmente, é muito negligenciada.
    Não quero afirmar que o mágico e o onírico formam um artista. Na verdade, técnica e imaginação precisam caminhar juntas, como afirmamos em dança: “não baixa o espírito santo”.
    Antoine Artaud (1896/1948) – poeta, ator, escritor, dramaturgo, roteirista e diretor de teatro francês – uma das minhas principais fontes de pesquisa sobre a metafísica, para meu desespero, não nos explicitou o processo para se chegar a uma arte que nos convide a aguçar os sentidos e a experiência coletiva, onde não há separação entre público e platéia.
    A propósito: minha intenção é fazer o público sonhar. Que a relação espaço/tempo seja elevada a um patamar diferenciado. Prefiro a idéia de colocar a platéia para flutuar, dançar comigo, participar da experiência da dança, do movimento profundamente conectado, sem a dimensão da análise literal ou apelo da razão cartesiana.
    Não estou falando de uma dança burra, mas de uma dança que seja tão impregnada de verdade e beleza que “ultrapasse o entendimento”. O processo para se chegar a esse estado de presença em cena necessita de total disciplina e contato consigo mesmo. Na minha opinião, um trabalho que pretenda a espiritualidade exige renúncia e princípios éticos e disciplina..
    Temos muita arrogância na arte. Não quero somar nesse sentido: meu principal elemento motivador é criar uma dança sublime e onírica. Uma dança que exija disciplina, treinamento corporal e espiritual para, em cena, provocar reflexão e encantamento. E porque não  dúvida e questionamentos sobre a condição humana?
     A dança que questiona o próprio ato de dançar. Que questione a própria dança.
    Ninguém, eu inclusive detém o monopólio do belo. Um dos meus compromissos de pesquisa, é descobrir meus próprios símbolos, minha própria assinatura e devolver para a sociedade.
    Reverencio cada detalhe que aprendo com o estudo universal da dança. Reverencio todos os profissionais que me ensinaram um pouco deste conhecimento. O que busco tem essa marca de iniciação.
    Para mim, o palco é sagrado e a minha platéia primeira são os deuses da arte.
    Tenho essa questão tão clara dentro de mim, porque faço da dança a minha prece e a minha expressão de alma, meu Dharma ( missão). Me reinvento, me redescubro. Também retorno ao ponto zero.
    Novo Ciclo. Nova busca. Outra estética. Sem abrir mão do passado, da semente plantada.
    Pesquiso o simbolismo do corpo,olhar o corpo em vários planos, proporção áurea, treinamento em várias partes do corpo (olhos, mãos,pés,cabeça,) que compõem  infinitas possibilidades e posições que buscam o equilíbrio da mente  e a expressividade , organicidade,, precisão nos movimentos,graça, leveza,harmonia entre os contrários, tridimensionalidade,, equilíbrio,energização, mitologia,simbolismo do corpo,pensamento mágico,meditação e poesia corpórea.