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sexta-feira, 7 de julho de 2017

O SOM DA FÚRIA

Assisti um documentário sobre uma cantora norte Americana, chamada Nina Simone, fiquei impressionada com a verdade e sua integridade.Ela falava sobre ser enquadrada no "Jazz", e ela contestava veementemente, afirmando que a sua música era" música clássica Negra".Morreu amargurada, foi impossível convencer alguém do contrário. Ela dedicou anos de sua vida estudando piano para ingressar numa prestigiada instituição,e foi negado o seu ingresso por ser negra. Lutou pelos direitos civis, lutou muito, sua fúria, ficou marcada na sua arte. Quando a arte fazia parte do cotidiano, não havia o "culto ao artista", não havia a necessidade de rótulos. O mercado sempre viu a arte como um produto, e a necessidade de rotular para assegurar lucros, nada contra o dinheiro. Percebo que é difícil fazer arte sem patrocínio, a cada dia, talento não é ter um dom, afinal todo mundo tem. O que distingue um artista é a necessidade visceral de executar e concretizar uma ideia. Estamos em busca de fazer algo com profundidade e ao mesmo tempo existe a pressão da sobrevivência. Eu estou a cada dia me distanciando destas armadilhas e ao mesmo tempo preciso encontrar caminhos para financiar meus projetos, não consigo desistir deles, é como se fosse uma segunda pele.Eles ficam povoando meus pensamentos como fantasmas, imagens aparecem, sonhos com temas recorrentes, é complicado não fazer, ficamos neuróticos, incompletos. Portando pesquisar uma linguagem e realizar uma ideia é o que me faz sentir a vida." E não se trata de dançar e sim de me sentir viva. Continuo sendo complexa, e olhando para a minha sombra. Estou em constante processo de pesquisa, e não sei quando isso vai virar espetáculo, eu me recuso a ser algo que ainda não criei. Vou continuar sendo "um ponto fora da curva" até encontrar minha estética, minha maneira de conversar com o mundo.

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