quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

ALMA SEM FRONTEIRA

Preciso ouvir os chamados que ecoam dentro de mim, são vozes sussurrando,lugares onde eu não consigo penetrar ou explicar. São respostas misteriosas que querem ser dançadas, porque meu vocabulário ortográfico esgotou. Nina Simone disse uma vez que o artista precisa refletir o seu tempo, nem gosto mais desta palavra artista, ela pode ter tantas interpretações no nosso tempo. Mas eu falo daqueles que têm uma angústia e uma coisa de não se adaptar, estas vozes internas que me referi ficam dialogando o tempo todo. São forças misteriosas que te fazem sair do papel branco e fazer um pacto com Deus, talvez ate traduzir ou expressar o pensamento de Deus. Se Deus, ou o nome que cada um dá a esta força que nos faz levantar da cama apesar de todas as dificuldades, olhar diferente para uma rua, um jardim, uma melodia e depois tomar para si um desejo de falar sobre e através do corpo, sensações e mistérios que não estão nos livros, nem nas escolas, ou na academia. Muitas vezes a tradução da nossa voz está no deserto de nós mesmos, na nossa infância, nossos ancestrais e raízes. Escrevo também sobre outra fala, outra escuta, outra faixa do tempo, onde falar não encontra entendimento na razão e sim no sentir.É buscar sutileza no inefável, naquilo que não foi dito, mas está lá gritando para ser visto. No mundo ecoam gritos de gente faminta por falar o que não tem explicação, eu eu sei que existem muitas fomes no mundo contemporâneo, e muita gente está morrendo tragado pelos desejos. Neste emaranhado de" quereres e estares sempre a fim", ainda existem aqueles que desejam traduzir sonhos e desejos em poesia de movimentos, paisagem e melodia e até a tristeza em puro encantamento da alma na sombra. Eu espero que todo artista que está exprimido entre o que quer dizer e ao mesmo tempo está atropelado pela burocracia dos órgãos patrocinadores encontre seu caminho. E para quem ainda está torturado por ser criativo como se fosse uma sentença,porque sua voz não é ouvida ou entendida que é importante continuar produzindo. Não acredito nesta história de posteridade e não gosto de caminhar com a cabeça no futuro ou no passado. Vou dançar sempre, é o que me mantém viva. Estou começando a produção de um espetáculo e fiquei encantada com músicos que vêm do Suriname para brindar Brasília com música de primeira qualidade e tudo o que eles pediram foi passagem, estadia e alimentação e abriram mão do cachê. E claro que também precisamos pagar contas igual todo mundo, mas isso não nos impede de seguir realizando nossa missão. Bailarinas que compõem o espetáculo comigo, uma bailarina dos Estados Unidos e outra grande Bailarina do Paraná, todos nós unidos pelo desejo de ser dança, e tudo o que queremos é proporcionar este encontro de almas. Fazer acontecer um instante mágico acontecer entre público e platéia, mostrando mais uma vez que a arte quando é feita por gente verdadeira transcende silêncios e mostra uma sabedoria oculta, onde o tempo pára e tudo o que importa se faz presença. Estarmos juntos numa experiência em uma única manifestação. Por uma arte sem fronteiras, universal porque tenta nos revelar nossa humanidade. Eu desejo que a humanidade encontre sua voz, sua maneira mais bela de estar no mundo.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

DANÇAR A TERRA

Ontem dancei minha terra, foi uma descarga energética tão grande que passei mal depois do exercício e precisei parar para sentir o percurso da energia voltando dos pés para a cabeça e circulando dentro do meu corpo gerando pulsação e vida.Este aterramento é fundamental para entrar em contato com a alegria e a abundância. Se sentir abundante vai muito além de ter coisas. é um estado de espírito e presença e um dar e receber contínuo. O meu aprendizado é este:nunca me isolar, é importante manter sempre a sintonia. Pisar os pés no chão, liberar a energia acumulada que nos deixa com um peso que não é natural. Dança iniciática, cujo objetivo principal é sentir "verdadeiramente" o corpo vivo e o coração pulsar. Apenas o movimento natural da vida. Muitas pesquisas foram realizadas sobre os efeitos da dança e dos movimentos livres no corpo. O paradoxo é que sabemos que faz bem, no entanto, poucos querem sair da "zona de conforto". A Idade Média já passou e ainda precisamos comprovar a importância do profundo contato interior e que para isso é preciso ter experiência com o corpo, sentir prazer, dor, loucura, êxtase, felicidade. A todo instante, seja através de um gesto sincero, ouvindo uma música ou percebendo integralmente nossa própria presença. Dançar é para todos, não para uma minoria de privilegiados. Precisamos sentir nossos pés se deslocando para encontrar o nosso chão, nossa terra, o território do coração. Precisamos tocar outras mãos, perceber nosso corpo girando e cortando o espaço, girando sem parar até perdermos a noção do tempo. É muito simples, até necessário vez ou outra parar de racionalizar tudo. Sair do "controle" – do "comando" – para então ouvir o ritmo da vida nos levando para espaços desconhecidos e novos. É urgente sentir emoção, chorar, sorrir, rir e gargalhar quando o prazer nos deixar extasiados de amor e vontade de gritar. É fácil: é Sentir a própria energia. Conectar com o mais íntimo da alma. simplesmente "Ser" abundante consigo mesmo. Olhar nosso próprio labirinto para iluminar nossa caminhada. Quando danço me sinto assim, integrada ao "todo". Percebo que sou um "Ser" simples, integral, que faz parte da "multidão". Minha impressão é que, atualmente, esse culto exagerado à "celebridade" e a necessidade exagerada de tornar pública a intimidade para o mundo através de redes sociais, é o vazio provocado pela ausência de si mesmo. O indivíduo que está integrado "aparece" naturalmente, porque age no mundo e é protagonista de sua própria vida. Escrevo no meu blog sobre minha relação com a dança e como ela pode melhorar a vida de qualquer pessoa, inclusive daqueles (daquelas) que também são dançarinos/dançarinas profissionais. Fazemos parte de uma teia – e assim vamos tecendo nossas vidas e sonhos. Poesia deveria compor o cardápio da mesa ao amanhecer. Todos os dias. Portanto saia de casa, caminhe descalço, abrace árvores, medite sendo árvore, montanha, dance ao som do ritmo do tambor, ou alguma música que te faça gingar a pélvis,o quadril para ativar o chacra raiz ou chacra sacral, principalmente agradeça, honre e faça reverência à mãe terra e só assim o céu vem nos abraçar também, quando estamos em paz com nossas raízes e com nossas asas temos a oportunidade de gerar vida dentro de nós e tudo passa a fazer sentido e nos tornamos criadores junto com a criação.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A POLÍTICA DO CORPO

Além de dançarina e pesquisadora sou professora de Artes Cênicas e estou neste processo há muito tempo de ensinar tendo como perspectiva o corpo e a sua relação com o espaço e criação de memória e identidade. Defendo o ensino da metafísica e da conexão existencial com a vida como matéria além das disciplinas tradicionais. Complexo ver o desdém da formação do ser humano holístico em detrimento de uma educação que visa apenas a linha de produção e a mão de obra barata. Eu sei que parece um discurso velho, papo de comunista velha.Mas não sou destas e nem sou de fazer discurso. Acredito no meu trabalho e na força que ele exerce quando vejo um aluno descobrindo seus limites através do contato com o corpo. Defendo uma educação focada no pensar a si mesmo, considero fundamental. Defendo "o penso logo existo', mas sentir é fundamental para se ter uma existência com uma relação de pertencimento e protagonismo da própria história.Se o ensino continuar fragmentado como se pensar e se sentir fazendo parte? A experiência com o corpo produz a sensação e o "gerenciamento dos pensamentos e emoções". A escola pode ensinar este protagonismo, pode inclusive dar instrumentos para que a educação seja algo feito por todos e não por burocratas que querem manter as coisas como estão e no nosso caso até piores, por ganância principalmente.Não investir durante 20 anos em educação e saúde, a ausência de investimentos públicos vai amputar uma geração. Para mim é um genocídio cultural. Crianças e jovens serão privados, com exceção de algumas iniciativas isoladas,da experiência de sentir que o pensamento pode ser construído e não apenas imposto, sem o exercício da reflexão. Precisamos encontrar o o caminho sem perder a conexão com o corpo e não falo de ginástica e automação e sim técnicas corpóreas que tragam consciência e superação de limites. Interessante é a política do corpo arquivo e sua poética que estão dialogando com vários saberes e interfaces onde o corpo afeta e é afetado e a relação com a filosofia, literatura, artes visuais, a performance, meios midiáticos, estruturando novos paradigmas para se pensar o corpo e ter experiências com o corpo,na sala de aula e nas relações e conexões na cidade,no bairro, na rua e no mundo. No ensino fundamental esta discussão sequer teve a chance de chegar, pode até ser que tenha chegado em algum lugar, mas são projetos isolados sem conexão com o todo. Quando se ensina integrando corpo, mente e espírito as possibilidades ampliam as fronteiras do Ser para dar sentido e significado a quem aprende e a quem ensina.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

INTUIÇÃO

Tive o privilégio de assistir o Documentário Insaei, que me confirmou muito o que acredito. É sobre a importância da intuição e porque usar o hemisfério direito do cérebro é fundamental. Muitas vezes me dava uma inveja branca das pessoas que conseguem ser práticas e utilitárias em contradição com o meu mundo sutil, abstrato e subjetivo. Fiquei muda quando percebi que existem muitos cientistas pesquisando o papel da intuição na evolução do ser humano e como a grande quantidade de tecnologia está afastando o ser humano do aqui e agora.Me senti em casa. O documentário entrevistou cientistas, escolas no mundo que estão mudando este paradigma e entrevistou uma Xamã também e a grande artista Marina Abramovic. Segundo eles no mundo fragmentado com peças soltas fica muito difícil ver como se juntam as peças do todo.A sabedoria foi substituída pelo conhecimento e o conhecimento foi substituído pela informação e pedaços de dados e peças. Precisamos nos relacionar com o mundo em geral e manipula-lo ao mesmo tempo. A visão estreita a que não vê o todo começou a assumir o controle e acreditamos que é a única maneira de ver o mundo. A intuição permite que todo o cérebro flua, a intuição é frequentemente construída e baseada na experiência e é o lado direito do cérebro que é permitido todo esse lado criativo de seu cérebro para fluir,para que se possa pensar criativamente acerca do mundo.É necessária a experiência para se entender como ver as coisas e ser capaz de pegar uma serie de idéias relativamente dispares e juntá-las de forma coerente. É desta forma que surgem grandes idéias. Os grandes inovadores chegam a partir deste caminho para reinventar o mundo. Hoje temos muita informação e distração. A intuição é a tomada de consciência das coisas sutis que estão fora do foco de atenção. O que nos bloqueia por dentro. O barulho do mundo exterior está emudecendo o som do mundo interior.Precisamos repensar em como sentimos o mundo. A intuição precisa da experiência para criar a percepção do que é sutil e ampliar o sentimento de pertencimento e plenitude existencial. O documentário também faz uma homenagem a Wangari Maathai, Queniana que recebeu o prêmio Nobel da paz por ter plantado árvores e lutado pelo direitos da mulheres através de uma organização criada por ela a Green Belt Moviment. Achei muito rica a entrevista de um líder espiritual Africano, aqui ele responde sobre os direitos das mulheres, sua resposta é linda: Só haverá respeito para a condição feminina quando o ser humano respeitar a terra.O que estamos vivendo tem uma resposta profunda dentro de nossos ossos, e se nos afastássemos por um momento das distrações deste mundo, de todas as verdades escritas e chocantes associadas com o mundo externo, perceberíamos que há resposta sutis,sussurradas em nossos ouvidos internos, carregadas por canais intuitivos" Insaei mundo interior, significa " ver o interior" e insaei significa também " ver de dentro pra fora". " Ver de dentro para fora, ter um forte compasso interior".

DANÇA BARAKA

Defini alguns princípios e linhas de pesquisa para criação em dança, este projeto tem como finalidade preparar e dar ferramentas para qualquer pessoa que queira dançar: Criei exercícios para o aprendizado de conhecer o próprio corpo , definir e planejar as sequências coreográficas tendo os princípios contidos do teatro-dança Clássico da Índia. Muito importante estudar técnicas e pesquisar a sua dança pessoal para a criação de linguagem própria em cena e conhecer os elementos formais da dança, movimento corporal, espaço e tempo. Estudar dança e teatro como linguagens simultâneas e exercícios para acessar a organicidade do corpo. Nas aulas de dança, aprender a relacionar o teatro e expressão corporal. Representar um personagem em espetáculos teatrais usando expressão corporal e facial. Desenvolver pesquisas críticas sobre o corpo e seus movimentos e estudar a relação da dança com o teatro, artes visuais,arquitetura, a natureza e a relação com o todo. Desenvolver habilidades de comunicação e expressão Praticantes de dança que aprendem a ampliar o repertório de possibilidades corpóreas tendo como matéria-prima a relação oriente-ocidente. Estudo do movimento corporal: o movimento do corpo ou parte dele num determinado tempo e espaço. Percepção do tempo: caracteriza a velocidade do movimento corporal (ritmo e duração); contrastes (rápido, médio, lento), contratempo. Além dessas características do tempo entende-se a atenção ao tempo presente como fundamental para o estudo da dança. O corpo precisa estar aberto às mudanças decorrentes no tempo em diferentes momentos. Exploração do espaço: interno e externo, público e privado, relacionando o entendimento de corpo e ambiente/contexto. Dentro do espaço estudamos as direções (cima, baixo, lado, frente, trás e diagonais), dimensões (pequeno, médio e grande), níveis (baixo, médio e alto), extensões (perto, médio e longe). As conexões que se estabelecem com o ambiente podem ser vistas como relação de compartilhamento e troca. _ Maria Vilarinho é atriz ( FTD) Faculdade de artes Dulcina de Moraes, dançarina estudou o estilo Bharatanatyam com Patrícia Romano, Padre Joachim Andrade (India)- Joachim Andrade é formado em dança clássica no estilo Bharata Natyam pelo Gyan Ashram Institute of Performing Arts, de Mumbai, uma das mais prestigiosas escolas da Índia), Sri Rhade, Miriam Lamas Baiak,Juliana Bonaldo (PR). Estilo Kuttipud estudou com o mestre Sandeep Bodhanker e Ana Paiva e o estilo Odissi Rita Andrade( SP), Sistema Laban/Bartenieff. Elisa Abrão Prof@ Me( FMG). Como atriz trabalhou nos espetáculos ” A cidade” e escutae os risos e gemidos do nosso sono e como dançarina “ Dançando com os Deuses”, Quando os elefantes sonham com a dança” e o espetáculo de dança Baraka patrocinado pelo fac- Secretaria de Cultura do Distrito Federal que resultou num método de pesquisa e a criação de técnica pessoal.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

MEMÓRIA- IDENTIDADE E MÍDIAS DIGITAIS

Eu acredito, na pesquisa no intercâmbio de técnicas e nos processos de pesquisa, como uma fonte de possibilidades de criação de uma arte que possibilite recriar mitos e ressignificar simbolos. Um modelo transcultural abolindo fronteiras, onde tradição e inovação sejam tradutores de novos caminhos para se pensar nossa humanidade, a tradição do sagrado e de todos os ritos e mitos que nos revelam quem somos,para onde vamos e quem somos. Afirmo que a criação da memória e os processos de pesquisa que fazem uma interface da minha história, minha busca pessoal e a sistematização de uma técnica pessoal que me permita dançar a mim mesma. Dançar meu arquétipo pessoal, algo que está na fronteira do não dito, aquilo que está fora do meu alcance, o inominável. O que eu quero é criar novos conteúdos no meu corpo, gerar uma linguagem que me faça ter autonomia na minha vida e na minha arte. Quem carrega a bandeira da autenticidade é meio solitário. Fiquei sabendo de uma pesquisa onde 94% do que se produz na internet é compartilhado, 4% é feito de pessoas que tentam organizar o conteúdo e apenas 1% é criado por pessoas que realmente produzem conteúdos e fazem uma investigação aprofundada de algum tema contribuindo para o alargamento das fronteiras. Podem ser conteúdos ligados a entretenimento até assuntos profundos e pesquisa de relevância fomentando identificação, novos saberes e até grupos e organizações que podem agregar conhecimento e engajamento. Fiquei surpresa ao saber que faço parte mesmo com esta contribuição mínima dos meus textos no meu blog deste 1%, é bom saber que existem outros solitários como eu no mundo em busca de conexão. Eu falo de uma solidão da sensação de que o que penso e sinto precisa chegar no outro. Mensagens em garrafas não me interessam mais. Eu sei que integro uma rede de pesquisadores pensadores do movimento e da busca por uma arte verdadeira e sublime. Uma dança que faz pacto com a arte que tem compromisso com o pensamento e a capacidade do ser humano de elaborar um processo de criação em dança que resulte em reflexão e o aprofundamento da investigação da dançarina em pleno processo de dançar a si mesma para encontrar sua divindade, sem perder a relação com a tradição e inovação e do particular e do universal. Criadores de conteúdo no You tube os youtubers são chamados de creators. Os criadores de conteúdo ficam muito fortes quando encontram sua voz e encontram uma maneira de serem ouvidos, lidos ou vistos. A aventura de investigar alguma coisa não precisa ser solitária sempre vai existir alguém que vai se identificar com a sua maneira de ver o mundo e de se ver. Um dia quando eu estiver muito mais afinada com estas ferramentas tecnológicas e estiver com minha linguagem mais sistematizada terei o meu canal e serei uma youtuber, vou ampliar minha voz e a minha vontade de criar e pensar. Na verdade eu sinto que a experiência de dançar para uma platéia uma experiência sem comparação com nada vivido por mim, o palco é o lugar onde me sinto viva, mas não posso ignorar os meios de distribuição da minha arte, ainda estou na idade da pedra em termos de difusão dos meus projetos e sinto que ainda estou soltando fumaça da montanha para ser decodificada. MÍDIAS DIGITAIS Em geral, o termo refere-se a qualquer mídia que utiliza, como meio, um computador ou equipamento digital para criar, explorar, finalizar ou dar continuidade a um projeto que tem como suporte a internet, comunicação online ou offline, produções gráficas, videogames, conteúdos audiovisuais, etc. Se opõe também às mídias analógicas, usufruindo assim das vantagens técnicas dos meios ..digitais como uma maior agilidade na manipulação e criação de conteúdos. Além disso, o conteúdo pode ser reproduzido e reutilizado sem perda de qualidade, o que garante um fluxo de trabalho muito mais dinâmico e multimidiático, favorecendo assim a interdisciplinaridade ou a integração entre os diferentes meios, sendo essa uma característica marcante desse tipo de mídia e processo de trabalho. Atualmente, no entanto, mídias digitais não se limita apenas à oposição das mídias analógicas, mas como uma ramificação muito mais abrangente, criativa e ilimitada do uso de mídias, já que suas possibilidades não necessariamente são formatadas. Pelo contrário, a mídia digital explora os meios corretos para comunicar a mensagem da forma mais adequada e instigante.( Wikipédia)

sábado, 3 de dezembro de 2016

IMOBILIDADE NO MOVIMENTO E A CRIAÇÃO DE ENERGIA

Existe um princípio contido na arte corpórea oriental que pesquiso que é muito interessante, que é usar o máximo resultado com o menor uso de energia. Utilizar a sabedoria do corpo para se construir um equilíbrio de luxo, um equilíbrio no desequilíbrio. O ator-dançarino oriental possui um repertório orgânico para se orientar e uma linguagem corporal sistematizada e codificada. No ocidente temos que construí-la ao longo do processo de criação, mesmo tendo uma técnica. Numa técnica sistematizada posso citar como exemplo no ocidente o balé clássico, existe a forma primeiro, o corpo precisa assimilar e reproduzir aquela gestualidade, não existe improviso, ou gesto espontâneo. Técnicas sistematizadas no oriente como a dança clássica Indiana, o Kabuki, a dança de bali, do Camboja,a ópera de Pequim, O teatro Nô e Kyogen, são manifestações artísticas que exigem um treinamento corporal intenso e muita disciplina porque cada gesto é uma palavra e para dominar esta escrita do corpo o ator-dançarino precisa incorporar esta linguagem simbólica no corpo para transformar o seu corpo em elemento narrativo. Nas tradições orientais, no balé clássico e no sistema de mimo de Decroux, cada gesto do corpo é dramatizado para que se rompa com os automatismos do comportamento do cotidiano.Faz parte do treinamento do ator-dançarino oriental criar uma consciência da energia no corpo que faz com que ele seja capaz de reter a energia que continuamente ele produz e renova. A energia se manifesta por meio de uma imobilidade que está atravessada e carregada por uma tensão máxima: é uma qualidade especial de energia que não é, necessariamente, o resultado de um excesso de vitalidade ou do uso de movimentos que deslocam o corpo.Menos é mais.Um ator oriental ou ocidental pode se cansar muito mais praticamente quando não se move, isto exige reter a energia e provocar a pausa no movimento, é uma dança de oposições onde o ator-dançarino revela a sua vida, o que está escondido na resistência e na sua capacidade de aguentar firme e resistir. Interpretar a sua ausência.Nas tradições orientais, o verdadeiro mestre é aquele que está vivo na imobilidade. Nas artes marciais principalmente, a imobilidade é sinal de que a pessoa está pronta para a ação.No taoismo existe o seguinte conceito: " A tranquilidade que tranquiliza não é uma tranquilidade verdadeira: o ritmo universal só se manifesta quando há tranquilidade em movimento."

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

PLATÉIA SOLIDÁRIA

O encenador, ator, poeta e teórico Francês Antonin Artaud(1896-1948) disse: “O processo de criação aproxima-se sempre da angústia, que é um sentimento ligado ao desconhecido. Tem-se medo de algo; angustia-se de uma sensação apenas. É a cultura das sensações (do imaginário, do sensível), não da cultura erudita. Mas um teatro que vai do sensorial ao intuitivo. Não é um teatro físico, apenas.” O teatro da crueldade é o nome da proposta de Artaud. Por um teatro onde a platéia e o público participem do espetáculo de maneira simbiótica numa única manifestação. Ele já fazia em plena década de 20 uma crítica à cultura do espetáculo e a própria forma que a cultura ocidental entendia o teatro que para ele vai além do entretenimento, um teatro que não se limita num palco, que pode se transformar, um teatro pré-verbal, metafísico, ritualístico. Nunca pensei que a experiência que vou descrever através do VII festival de dança solidária de Brasília fosse tão pertinente ao teatro da crueldade, salvo que Artaud é muito mais complexo do que esta minha analogia, mas vejam que é apenas um recorte da nossa realidade que vai ser associada aos escritos dele. Portanto peço permissão. O festival de dança solidária realizado em Brasília tem como foco a expressão através da dança na terceira idade e pessoas com deficiência. O festival tem esta característica unir gerações, saberes e diferenças. Promover encontros com arte e beleza. Durante o festival observei o carinho da platéia e a ausência de crítica tão comum a qualquer plateia. Presenciei um diálogo amoroso onde não havia separação, todos dançavam juntos. Num certo momento, um grupo entra em cena e acontece um problema técnico e a música silencia e o grupo olhando para a platéia, aquela pausa. Eu vi naquele momento que todos queriam que o espetáculo continuasse e que não havia nada de errado naquela cena. Eu senti que a imperfeição fazia parte e era totalmente aceita e necessária.Não no sentido piegas, mas no sentido da vontade de ver em cena que todos nós somos incompletos e imperfeitos e que errar faz parte do caminho do aprendizado e só chega a um objetivo quem vai em frente apesar das limitações. Na hora fiquei gelada e imaginei muita coisa, mas aconteceu a imagem mais linda, a platéia ficou em silêncio respeitoso, alguns incentivando e deixando o grupo decidir se dançaria ou não. Quando elas decidiram dançar, foram ovacionadas porque a decisão de ficar e enfrentar o medo do fracasso ou de críticas é inerente à condição humana. Com grande satisfação aconteceu o improvável. Uma platéia que assistiu o espetáculo com os olhos do coração e com a alma aberta para ver beleza, sutileza e humanidade. Cada dança tinha sua peculiaridade e harmonia. E no final desta linda celebração, todos da platéia e dançarinos dançaram ao som de chiquinha Gonzaga" Ô abre alas". O ser humano é capaz de coisas incríveis quando se sente aceito e percebe que pode. Percebi que este festival de dança solidária também está reinventando outro tipo de público, que não é aquele que vai para ver virtuosismo técnica apurada e um show de iluminação e todos os elementos que compõem uma linguagem em dança e sim um público que não fica passivo, mas que se doa também, que até quer ver tudo isto afinal falamos de arte, mas busca também humanidade .

"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...