terça-feira, 18 de outubro de 2016

O CORPO É O LUGAR QUE HABITO

Esse corpo que habito, minha casa, minha morada. Encontrar a arquitetura do meu ser está relacionado a ter consciência do espaço que habito dentro e fora de mim. Muitas vezes caminhamos na vida sem descobrir nosso lugar no mundo. Não parece matéria fácil, porque não aprendemos na escola lições sobre identidade e pertencimento, porque estas questões passam por experiências vivenciadas no corpo. E o corpo a cada dia que passa perde espaço na escola.O máximo que se tem oferecido é a educação física, esporte, balé e outras modalidades ou estéticas da dança, lutas. Entendo e respeito todas. Mas o assunto aqui é aquela vivência mais profunda que te afeta e te faz buscar o sentido da vida. Como posso por exemplo saber que posso caminhar entre duas pessoas cuidando do espaço ocupado por mim e pelo outro? Por que não criamos uma escola de afetos? Como minha ação no mundo afeta o outro e me afeta? Através de conceitos e teorias pragmáticas é muito complicado, não penetra na nossa alma,só povoam nossos pensamentos. No meu conceito é através da experiência corpo/espaço/tempo. Existe um espaço onde as palavras precisam calar, para o corpo falar. A experiência de estar no mundo fica completa quando temos a capacidade de ouvir nosso corpo, para ocupar nosso lugar no mundo, através da nossa identidade. Existem muitos fluxos migratórios no mundo e no nosso pequeno espaço que habitamos, tempos que ser chacoalhados pela vida para mudar de espaço. A mudança pode ser suave quando caminhamos sabendo onde estamos e para onde queremos ir. A dança por exemplo minha experiência é na dança, só posso falar a partir desta experiência real, me trouxe a certeza de que quando estou dialogando com meus espaços internos tenho inteireza para mudar de direção quando a vida pede, sem me fragmentar ou me perder. Até na dor ou no caos, quando sentimos os pés no chão e a nossa respiração no nosso ritmo sentimos a mudança com leveza, porque já cuidamos da nossa casa interna, somos nós. Não existe vida sem atrito e fricção. Mas existem muitas maneiras de acalmar nosso mar intenso interno e externo. E ter consciência destas experiência, destas dificuldades através do corpo pode nos revelar um universo novo de possibilidades de habitar a si mesmo, encontrar a morada dentro de nós. Para encontrar nosso lugar no mundo com leveza reverenciando o espaço que estamos e escolhemos para viver aqui e agora. A gente só constróe um caminho quando está pronto para segui-lo.

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