quarta-feira, 26 de outubro de 2016

INVERSÃO DESEJADA

Acordei na madrugada ouvindo as batidas do meu coração. Batia forte. Numa madrugada silenciosa num mundo barulhento, eu era o meu silêncio e o único som que ouvi tinha som de vida. Estas experiências incríveis que só quem entrou numa jornada de conhecimento de si mesmo entende, porque são detalhes tão sutis que muitas vezes, não cabe contar em lugar nenhum. Até imagino o diálogo-:Gente eu acordei na madrugada com o meu coração batendo- Incógnita total, e daí? O mundo está pegando fogo e esta aí viajando. Mas eu acredito nas minhas pequenas conquistas, nos lugares que encontro no meu corpo e nas pequenas celebrações. Fico feliz quando termino o dia sem ter tido um único pensamento negativo. Fico feliz quando ligo o som na sala de minha casa e danço para mim. A cada dia sustento esta total falta de sentido na vida, celebrando ter atravessado algumas quedas sem cair no abismo total. Nesse dia que senti a pulsação do meu coração andei nas ruas e olhei as pessoas, seus corpos e vazios. Parei para ver um homem careca, tatuado da cabeça aos pés, com orelhas alargadas fazendo rodas imensas nos lóbulos de suas orelhas, tocando violão, tocando Raul! E do lado um homem chega carregando um gramofone e ao lado dele uma escultura viva de um homem espacial. Fiquei percebendo esta força que nos faz buscar a vida das maneira mais inusitadas possíveis. Acabei tomando um sorvete, andei flanando bastante até voltar à minha existência utilitária de planejar projetos e criar condições de colocar arte no meu cotidiano.Fazer o que preciso para continuar fazendo minha dança,pensando minha existência. Afinal, precisamos fazer o que nos faz melhorar nossa versão de nós mesmos e muitas vezes existir é insistir. Li em algum lugar que a vida é feita de mil nadas.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O CORPO É O LUGAR QUE HABITO

Esse corpo que habito, minha casa, minha morada. Encontrar a arquitetura do meu ser está relacionado a ter consciência do espaço que habito dentro e fora de mim. Muitas vezes caminhamos na vida sem descobrir nosso lugar no mundo. Não parece matéria fácil, porque não aprendemos na escola lições sobre identidade e pertencimento, porque estas questões passam por experiências vivenciadas no corpo. E o corpo a cada dia que passa perde espaço na escola.O máximo que se tem oferecido é a educação física, esporte, balé e outras modalidades ou estéticas da dança, lutas. Entendo e respeito todas. Mas o assunto aqui é aquela vivência mais profunda que te afeta e te faz buscar o sentido da vida. Como posso por exemplo saber que posso caminhar entre duas pessoas cuidando do espaço ocupado por mim e pelo outro? Por que não criamos uma escola de afetos? Como minha ação no mundo afeta o outro e me afeta? Através de conceitos e teorias pragmáticas é muito complicado, não penetra na nossa alma,só povoam nossos pensamentos. No meu conceito é através da experiência corpo/espaço/tempo. Existe um espaço onde as palavras precisam calar, para o corpo falar. A experiência de estar no mundo fica completa quando temos a capacidade de ouvir nosso corpo, para ocupar nosso lugar no mundo, através da nossa identidade. Existem muitos fluxos migratórios no mundo e no nosso pequeno espaço que habitamos, tempos que ser chacoalhados pela vida para mudar de espaço. A mudança pode ser suave quando caminhamos sabendo onde estamos e para onde queremos ir. A dança por exemplo minha experiência é na dança, só posso falar a partir desta experiência real, me trouxe a certeza de que quando estou dialogando com meus espaços internos tenho inteireza para mudar de direção quando a vida pede, sem me fragmentar ou me perder. Até na dor ou no caos, quando sentimos os pés no chão e a nossa respiração no nosso ritmo sentimos a mudança com leveza, porque já cuidamos da nossa casa interna, somos nós. Não existe vida sem atrito e fricção. Mas existem muitas maneiras de acalmar nosso mar intenso interno e externo. E ter consciência destas experiência, destas dificuldades através do corpo pode nos revelar um universo novo de possibilidades de habitar a si mesmo, encontrar a morada dentro de nós. Para encontrar nosso lugar no mundo com leveza reverenciando o espaço que estamos e escolhemos para viver aqui e agora. A gente só constróe um caminho quando está pronto para segui-lo.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

ESCUTAR O CORPO

Dançamos nossas dores. Eu que lutei durante anos comigo para não perder a razão a perdi. Entrei no vazio e dançar no vazio é se perder sem rede de proteção, é esquecer as raizes presas na planta do pé e voar sem asas. Primeiro entrei num exercício que necessitava mudanças rápidas de pensamento, mudanças de direção e de pensamento com foco, algo impossível para mim no modo rápido sem pausa, e o meu gatilho foi disparado.E em pleno desespero para conseguir pensar dentro da caixa enlouqueci . E quando entro nesse espaço tão represado por mim vivencio minha total falta de conexão com esse planeta, me sinto separada do todo. O destino é tão inefável que enlouquecida encontrei minha parceira na dança, era para dançar em duplas, que estava maluca também. Lembro da orientação do exercício vamos dançar a confiança. Mas como confiar em duas insanas de dor? Ela fechou os olhos para ser guiada por outra insana e no descuido cuidei.Ela percorreu uma sala cheia de pessoas com olhos fechados sendo guiados por outras pessoas que tinham como função cuidar umas das outras. E nós duas batendo em tudo e em todos sem freio nem medida, eu nem sabia mais quem guiava e nem quem estava guiando e até esqueci que estava com o dedo ferido e bati na parede várias vezes. Éramos duas loucas, cegas. E na falta de medida, nossa dor transbordou e adentrou a sala. Minha amiga virou um furacão, eu uma brisa contida. E diante da minha presença o choro dela começou incomensurável e a sala parou! E justamente eu. que estava gritando silenciosamente aos quatro ventos que segundo Willian Shakespeare ( (1564- 1616) o mundo não pára para nos consertar, encontrei na Biodança, um lugar onde o mundo faz uma pausa para o outro se consertar. Naquele instante eu nem precisava que o mundo parasse para mim, precisava de outro tipo de conversa comigo e não pedi nada, entrei no meu silêncio, no vácuo. No deserto escuro da minha alma eu chorei e aos poucos fui encontrando uma reserva de força que me fez brotar do nada, da minha presença e nesse profundo entendimento do meu mundo particular, ouvi a transformação do choro de minha amiga em riso. Continuei parada, sem conseguir sair de dentro de mim. Mas a alquimia foi acontecendo, as sombras foram iluminadas. Quando estávamos em roda, saiu de mim uma voz pedindo calor humano, e o grupo parou de novo para me embalar de calor, de essências, fui envolvida por braços e olhares ternos e risos e nossas presenças foram transformadas. Só fomos humanos mais nada. Isso é tudo que contém o que há de mais sagrado e difícil de se ter nesse mundo insano. que está perdendo sua transcendência Esta experiência foi muito forte e me revelou o que pode um corpo e como somos maiores e melhores quando permitimos que ele seja nosso caminho de ensinamento. E para comprovar a verdade desse relato, esta semana andando nas ruas de Brasília, olhei para o céu e um beija flor ficou parado no ar batendo suas asinhas só para mim. Naquele momento percebi o mundo parando para mim. Existe uma escuta do mundo para você, basta estar sintonizado. Finalizo com uma frase do criador da biodança Rolando Toro( 1924-2010): "A força que nos conduz é a mesma que acende o sol que anima os mares e faz florescer as cerejeiras. A força que nos move é a mesma que estremece as sementes com sua mensagem imemorial de vida. A dança gera o destino sob as mesmas leis que vinculam a flor à brisa. Sob o girassol de harmonia todos somos um". ROLANDO TORO "Desenvolvedor do Sistema Biodanza, que se pratica em toda Europa, América e em diversos pontos dos demais continentes. Nasceu em Concepción, Chile, em 19 de abril de 1924. Faleceu aos 86 anos no chile, em 16 de fevereiro de 2010. Professor Catedrático em Psicología da Arte e da Expressão, no Instituto de Estética da Pontificia Universidad Católica de Chile. Como docente do Centro de Antropología Médica, na Escola de Medicina da Universidad de Chile, realizou pesquisas sobre a expressão do inconsciente, e sobre os estados de expansão da consciência. Foi nomeado Professor Emérito da Universidad Abierta Interamericana de Buenos Aires, Argentina. Criador da Fundación Biocéntrica Internacional (I.B.F), entidade que coordena a atividade mundial da Biodanza. Além disso, era poeta e pintor. Publicou vários livros de poesía e de psicoterapia. Residiu no Chile, Argentina, Brasil e Itália. Seu trabalho continua difundido pela Europa e América. Entre suas contribuições mais recentes encontramos os conceitos de "Inconsciente Vital", o "Princípio Biocêntrico" e "Inconsciente Numinoso". Fonte escola de Biodanza de São Paulo Rolando Toro

"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...