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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

"'UM ESTRANHO ÍMPAR"

Sentir a própria pulsação e uma certa insanidade temporária. Estar integrada na totalidade. Ser sutil é acontecer no instante, existir no presente. Minha dança acontece nos detalhes, observo para construir sentido. Quando perco o sabor do ritmo da vida, perco o sagrado contido nas coisas e acabo caindo no vazio, fico paralisada no tempo. Dançar é estar em pleno gozo e em constante diálogo com a natureza e a dança cósmica do universo. O perigo de perder a sintonia com a vida é perder a poesia, é quando o vazio de uma existência entorpece os sentidos. Pior do que perder a capacidade de sonhar e sentir a beleza, é ser totalmente pragmática e utilitária. Dançar para quem ? faz sentido ainda propor arte com sentimento e alma? Experimentar a beleza e sentir a vida, deveria ser prioridade, numa sociedade conceitual ,baseada no discurso e na palavra, onde o mercado "organiza" tudo e não permite que a arte passe pelo caminho da transcendência, e da separação do si mesmo. Cada pessoa precisa encontrar e lutar por espaços afetivos, onde as leis do mercado não tenham penetração no sentido de " rotular" e embalar para vender, antes que a poesia se instale na poética de cada um. Não sou contra o mercado no sentido literal da palavra, todo artista precisa sobreviver, pagar os impostos, é difícil fazer poesia sem pão. Estou na contramão, quero me entender enquanto ser histórico, quero uma arte mais humana e permanente. Quero a dança que brota das minhas raízes e transforme através do diálogo e da força do inefável e do inominável. Ser um instrumento de beleza e colocar poesia no cotidiano de alguém. " E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar" Clarice Lispector

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