segunda-feira, 29 de agosto de 2016

SANGUE E PÓ

Lenine, compôs uma canção muito tocante sobre o quanto a vida acelera e ele prefere a valsa. Nesta simples analogia sinto a sabedoria do meu caminhar lento para sentir o chão e entrar em contato com a terra. Eu sei que muita gente detesta, mas eu adoro filmes de estética oriental. Principalmente os filmes Iranianos com planos longos, imagens quase paradas, poucas ações e tudo muito carregado de sentimento. Eu acredito nas ações que sejam carregadas de sentido onde o tempo é uma fenda que transcende o espaço.Eu percebo este momento de construção de presença quando me encontro com o público e começamos a dialogar através do silêncio da minha dança. Temos que ter vida interior só assim olhamos o inefável, cobrimos de sentido nossa existência. Uma vez vi um documentário com o registro de uma aula de interpretação de um diretor Francês. Nesta aula ele pedia para a atriz observar pessoas em jejum, pessoas saindo de uma igreja e olhasse o estado energético daquelas pessoas. Era este estado de energia e prontidão que ela tinha que criar em torno de si mesma. Uma vibração que transcende a superficialidade do cotidiano. Como a imagem daquele menino Sírio coberto com sangue e pó, resgatado do bombardeio na cidade de Aleppo. Muito significativo e profundo o silêncio de sua mão tocando os olhos e a inocência de não entender o porquê daquela violência, seu silêncio disse muito sobre a brutalidade humana e ao mesmo tempo nos trouxe silêncio, nos lembrou de nossa humanidade perdida em tantas redes sociais e eventos do cotidiano, ele nos fez parar um pouquinho, e olhar a existência de um jeito raro.É nesse sentindo que já existem movimentos contrários à comida rápida, filmes com propostas semelhantes, performances que nos levam a labirintos de universos simbólicos e oníricos que nos fazem sair dos automatismo para nos lembrar quem somos e o que estamos fazendo aqui. Eu acredito no movimento, no ritmo e na intensidade da vida e sei da importância da ação,do verbo e da loucura do caos, mas é muito bom quando encontramos ordem no caos, silêncio na vertigem. Muito rico quando encontramos uma dança que seja também aquela pausa que a nossa alma precisa.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

NATUREZA SEM RETOQUES

Esta série de fotos com esta sequência coreográfica foi realizada num mirante. Diante da natureza, sem filtros, uma amiga que não é fotógrafa profissional, Marilda Castro. Ela pegou o celular e me fotografou, sem música diante do olhar sublime da natureza. Depois de costurar muitas coisas dentro de mim, só me restava dançar o silêncio. Ultimamente minha arte está ávida por chegar a todos que querem sentir minha dança. Estou dançando em asilos, congressos de ongs, espaços alternativos e todos os espaços que possam ser coloridos de vida e movimento. No próximo sábado dançarei para as idosas de uma comunidade carente aqui de Brasília. Neste espaço eu danço e depois coloco todo mundo para dançar comigo. Vejo os olhos destas mulheres maltratadas pelo tempo e o brilho no olhar delas em reconhecimento pela troca, por aqueles momentos de prazer. Onde o cotidiano fica poético e a vida menos amarga. Fico comovida sempre que chego a este espaço onde sou recebida com tanto carinho, eu que nem sou grande coisa e me sinto útil, fazendo alguma coisa. Acho a ação mais importante do que ficar atrás de um computador me lamentando o tratamento complexo destinado à cultura no nosso país. Ontem uma amiga que chegou da Austrália me disse que se seu morasse na Austrália seria rica. Em contrapartida ela também me disse que é um país seco, sem caos, sem sentimento à flor da pele. E a vontade de ficar foi maior, porque preciso de calor humano. Eu sei que não devemos generalizar nada, estou falando das impressões dela. O sonho de todo artista é sobreviver de sua arte, no entanto estou aqui me escrevendo em festivais e começando do zero a cada projeto. A diferença é saber que faço questão de estar no mundo dentro da minha verdade. Sabendo que mesmo no silêncio meu corpo dança, mesmo nos lugares mais inusitados minha alma está acesa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

DANÇAR A TRANQUILIDADE NO CAOS

Dançar exige um desequilíbrio no equilíbrio. O treinamento em danças do oriente meu trouxe uma capacidade de olhar para o meu caos, criar movimentos que não são lineares. Como numa escultura em movimento, posso levar os meus braços em direção oposta à cabeça e deixar as pernas em várias direções, sem perder o equilíbrio. O movimento não linear proporciona uma grande conexão de sinapsis no cérebro e liga os músculos adormecidos. Quando o cérebro recebe diferentes estímulos criamos uma sensação de bem estar e elevamos nossos estados mentais. Através da fragmentação o corpo se organiza e encontra o seu centro. A configuração da vivência do espaço e as nuances do viver com o ato de dançar.Cada gesto se constróe e nos ajuda a construir a nossa gestualidade. Rudolf Laban (1879-1958) dançarino,coreógrafo, musicólogo, teatrólogo, considerado o maior teórico da dança do século XX , dava aulas em espaços abertos e relacionava a dança com cada elemento da natureza, criava através do compartilhamento de memórias. Participei e vivi esta experiência radical da relação do corpo e lugar, numa experiência transcendental de Xamanismo e Biodança. Mergulhei muito fundo em águas desconhecidas, onde tudo foi vivenciado através do corpo. Fiquei dentro dentro de mim num espaço que se desvelava numa experiência profunda de vivenciar Deus dentro de mim sem intermediários e ver de forma clara meu dom. Entrei em contato simbiótico com a dança e percebi que a única maneira de me manifestar nesse mundo é dançando, oferecendo beleza, curando através do encantamento. Este ensinamento que recebi é a base de cura para o planeta. Todos nós podemos curar o outro através do nosso dom. Somos seres dotados de um chamado da alma dentro de nós que é o que só nós podemos fazer, porque somos únicos.Ainda nesse trabalho de imersão, fomos convidados a dançar com a sabedoria dos animais e cada animal segundo a necessidade e busca espiritual de cada um que dançou com o seu animal. Para mim surgiram muitas borboletas. Confesso que na hora fiquei frustrada, porque queria um tigre, uma águia, um leão, animais fortes e veio borboleta que é delicada, frágil, bela, metamorfose e mutação. Como sempre vivi e criei no caos, foi complicado saber que sou impermanência, além de saber que a vida é mutação. Nosso facilitador xamã, nos deu uma aula sobre cada animal. E quando ele falou da borboleta fiquei feliz. Porque a borboleta é o retroprojetor da natureza, ela é lagarta, vira uma massa disforme para depois virar borboleta.Significa que ela simboliza a certeza da ordem no caos. Percebi imediatamente que danço a tranquilidade no caos, como me disse um grande amigo. E depois desta experiência de me apropriar do que sou e do que vim fazer aqui, participei de uma roda de mulheres noite adentro, com a lua a nos iluminar, cada uma dançando o seu animal de poder depois de uma mergulho na água, no fogo, na terra e no calor do tambor. Nos tornamos irmãs de alma. Ofertamos nossos corpos e nossa cura para o mundo. No dia seguinte muito cedo, dancei no mirante para a natureza, ao som do vento, sem medo de ser eu mesma. Ontem sonhei com uma borboleta gigante tentando me sufocar, lutei com ela e num determinado momento olhei para ela, eu encarei o seu olhar e naquele momento ela se despedaçou e eu pude ver suas pétalas quebradas voando pelo espaço etério. Eu sonhei sendo o próprio caos e de frente para ele encarei minha própria mutação, impermanência e loucura. Acordei sem medo de mudança. Amanheci certa de que meus caminhos como minha dança são sinuosos e que o inefável me acompanha e por isso nunca serei óbvia. Porque carrego dentro de mim o caos e a ordem. Como o Deus hindu Shiva nos ensina que muitas vezes precisamos destruir e deixar ir o que precisa, para encontrarmos a ordem. Shiva o Deus dançarino cósmico. O universo é uma dança.

DANÇAR A TRANQUILIDADE NO CAOS

Dançar exige um desequilíbrio no equilíbrio. O treinamento em danças do oriente meu trouxe uma capacidade de olhar para o meu caos, criar movimentos que não são lineares. Como numa escultura em movimento, posso levar os meus braços em direção oposta à cabeça e deixar as pernas em várias direções, sem perder o equilíbrio. O movimento não linear proporciona uma grande conexão de sinapsis no cérebro e liga os músculos adormecidos. Quando o cérebro recebe diferentes estímulos criamos uma sensação de bem estar e elevamos nos estados mentais. Através da fragmentação o corpo se organiza e encontra o seu centro. A configuração da vivência do espaço e as nuances do viver com o ato de dançar.Cada gesto se constroe e nos ajuda a construir a nossa gestualidade. Rudolf Laban (1879-1958) dançarino,coreógrafo, musicólogo, teatrólogo, considerado o maior teórico da dança do século XX , dava aulas em espaços abertos e relacionava a dança com cada elemento da natureza, criava através do compartilhamento de memórias. Participei e vivi esta experiência radical da relação do corpo e lugar, numa experiência transcendental de Xamanismo e Biodança. Mergulhei muito fundo em águas desconhecidas, onde tudo foi vivenciado através do corpo. Fiquei dentro dentro de mim num espaço que se desvelava numa experiência profunda de vivenciar Deus dentro de mim sem intermediários e ver de forma clara meu dom. Entrei em contato simbiótico com a dança e percebi que a única maneira de me manifestar nesse mundo é dançando, oferecendo beleza, curando através do encantamento. Este ensinamento que recebi é a base de cura para o planeta. Todos nós podemos curar o outro através do nosso dom. Somos seres dotados de um chamado da alma dentro de nós que é o que só nós podemos fazer, porque somos únicos.Ainda nesse trabalho de imersão, fomos convidados a dançar com a sabedoria dos animais e cada animal segundo a necessidade e busca espiritual de cada um que dançou com o seu animal. Para mim surgiram muitas borboletas. Confesso que na hora fiquei frustrada, porque queria um tigre, uma águia, um leão, animais fortes e veio borboleta que é delicada, frágil, bela, metamorfose e mutação. Como sempre vivi e criei no caos, foi complicado saber que sou impermanência, além de saber que a vida é mutação. Nosso facilitador xamã, nos deu uma aula sobre cada animal. E quando ele falou da borboleta fiquei feliz. Porque a borboleta é o retroprogetor da natureza, ela é lagarta, vira uma massa disforme para depois virar borboleta.Significa que ela simboliza a certeza da ordem no caos. percebi imediatamente que danço a tranquilidade no caos, como me disse um grande amigo. E depois desta experiência de me apropriar do que sou e do que vim fazer aqui.Participei de uma roda de mulheres noite adentro, com a lua a nos iluminar, cada uma dançando o seu animal de poder depois de uma mergulho na água, no fogo, na terra e no calor do tambor. Nos tornamos irmãs de alma. Ofertamos nossos corpos e nossa cura para o mundo. No dia seguinte muito cedo, dancei no mirante para a natureza, ao som do vento, sem medo de ser eu mesma. Ontem sonhei com uma borboleta gigante tentando me sufocar, lutei com ela e num determinado momento olhei para ela, eu encarei o seu olhar e naquele momento ela se despedaçou e eu pude ver suas pétalas quebradas voando pelo espaço etério. Eu sonhei sendo o próprio caos e de frente para ele encarei minha própria mutação, impermanência e loucura. Acordei sem medo de mudança. Amanheci certa de que meus caminhos como minha dança são sinuosos e que o inefável me acompanha e por isso nunca serei óbvia. Porque carrego dentro de mim o caos e a ordem. Como o Deus hindu Shiva nos ensina que muitas vezes precisamos destruir e deixar ir o que precisa, para encontrarmos a ordem. Shiva o Deus dançarino cósmico. O universo é uma dança.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

"SACUDIR AS CERTEZAS"

Encontrar na diversidade a identidade. Existe um lugar que é só nosso. Quando encontramos nosso lugar, permanecemos equilibrados em qualquer sistema estranho à nós. Dentro de minha pesquisa de gestualidade, comecei pela aula de Power Yoga e recentemente fui a uma aula de rítmos. Confesso que esperava uma percussão, músicas de tradição, samba, enfim muita melodia. Mas que nada a seleção de músicas que realmente tinham ritmo, mas não havia alma. Respeito de verdade esta iniciativa, mas não consigo ver a dança sendo vendida como ginástica. Eu venho de uma tradição na dança onde o movimento tem um porquê, e cada gesto é um convite para entrar no movimento com consciência e não fuga. Me senti torturada, a aula não acabava, apesar de ver que todos em minha volta gostavam e até vibravam com as músicas. Eu ainda era muito diferente do grupo. Estava de saia esvoaçante, cabelos soltos, descalça. E todas as alunas estavam de visual academia, tênis, calça leg, por aí. Realmente é muito bom sentir meu estranhamento sem me intimidar,saborear ser de outra tribo, ser diferente e ao mesmo tempo fazer parte. Ninguém me condenou ou descriminou. Isso foi bom. A razão de estarem dançando numa academia já é maravilhoso. O fato de não me encaixar, não significa que está errado. Mas uma coisa me chamou a atenção, o fato de que sempre que a música terminava todas desocupavam o espaço e ficavam no fundo da sala, eu ficava sozinha parada no meu lugar esperando a próxima música. Interessante como a força de dançar com consciência me trouxe a necessidade de buscar o meu espaço na vida. E mesmo quando não estou pertencendo me pertenço. Portanto dançar vai além de repetir passos de dança, vai além da estética. Dançar é transcender a si mesmo e sintonizar com o ritmo da vida. Não nasci para repetir, minha necessidade de criar é visceral, por isso criei um método para ensinar dança.É possível sim, criar dentro de uma dança codificada e sistematizada, mas como disse uma vez Clarice Lispector (1920-1977), " liberdade é pouco, o que eu quero não tem nome". Não suportei a ideia de me submeter a me engessar numa técnica, sem nem poder improvisar, ou deixar meu aluno sair de uma aula sem sentir um estante de leveza nessa vida. Quando um aluno meu cria uma dança pessoal, fico muito feliz. Dançar a si mesmo é o começo de seguir na vida com identidade recriando sua própria história, sem a necessidade de gurus e mestres. Lógico que devemos reverenciar as tradições e técnicas existentes o cardápio é variado. O perigo reside na repetição automática e cega. Eu posso criar,ser livre, ser eu mesma, mesmo num mundo uniformizado. Preciso me sentir viva. Crédito da imagem da Clarice- codex-libraria - do blog- eu-sem-poesia

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

ESCUTA DO CORPO

Estava afogada em pensamentos e com a alma sem cor, tinha acabado de escrever um projeto no programa cultural de uma certa instituição pública. Estava exausta com o trabalho que hoje qualquer artista precisa empreender para exalar, expressar e concretizar suas ideias. Ultimamente estou transitando muito nas duas primeiras opções, e esta burocracia aliada a minha sede de pesquisa e sistematização do meu projeto de pesquisa estavam me sufocando. Tudo para continuar dançando. Cansada de pensar em dança e embriagada de vontade. Coreografias sendo criadas diariamente dentro de minha cabeça, sonhos com o cartaz e o conceito do espetáculo, textos aparecem, livros, isso é de uma sincronicidade perfeita. Mas a imperfeição da espera, os nãos da vida exigem vontade. Estava a ponto de pirar com estas questões e os pensamentos começando a me deixar para baixo. Agi contra a gravidade. Porque dançar é uma luta constante com a gravidade. Decidi fazer algo diferente, fui a uma aula de power yoga. Primeiro achei esquisito porque não havia nenhuma atmosfera mística, nenhuma imagem da iconografia Hindu, nem musiquinha com cítara, incenso, nada! Percebi que não ia rolar lirismo. E começamos as práticas. Exercícios que exigiam muita resistência. Força nos músculos, equilíbrio e presença, além de muita concentração.Durante o treinamento fui começando a sentir novamente meu corpo e os pensamentos foram acalmando também. Cada exercício me fazia perceber novas formas de olhar meu corpo e novas ações que foram me desafiando e aumentando meu repertório de gestos. E assim fui saindo do automático e a graça e a leveza chegaram devagar.Enfim a alegria. Pensamentos leves, me senti suave e faceira e a vida também ficara maravilhosa. O corpo sabe o que precisa, basta confiarmos. E ainda saí com esta lição do meu treinamento de hoje.Precisamos criar resiliência, que é nossa capacidade de resistir, aguentar firme e se manter equilibrado quando tudo está difícil.Eu sei que para estar no mundo é preciso resistir e aprender a cair de pé, porque o mundo não espera, se quebrou algo dentro de nós, temos que seguir em frente mesmo com a asa quebrada. Que bom que mesmo com a asa quebrada, consegui permanecer resistindo à dor. E ao mesmo tempo que prazer que dá saber que me pertenço e que sou capaz de me entregar ao meu caos e consigo sair inteira, pronta para continuar fazendo o que mais amo. Todo mundo quer ganhar dinheiro fazendo o que gosta, mas para cheirar as flores é necessário muito trabalho. Muito triste ver artistas consagrados massacrados pela opinião pública alienada que não entende nada de lei de cultura, achando que estamos enchendo os bolsos de dinheiro do governo. Se as pessoas soubessem que um patrocínio é bom e ao mesmo tempo tem tanta burocracia e exigência que se o artista for ingênuo acaba ainda pagando dinheiro para o governo na prestação de contas. Atualmente percebi o quanto a supremacia da ignorância da população foi longe, a ponto de acreditar que é normal um governo interino quase acabar com o Ministério da Cultura e o macartismo brasileiro de perseguir o artista que além de sua arte, pensa e deseja expressar sua opinião e vontade de viver numa sociedade mais justa. Vi muito artista que admiro sendo pisoteado, isso feriu minha alma.Não temos o direito de julgar ninguém por pensar diferente de nós. E o artista não precisa declarar sua opinião, só se quiser.Nós podemos levar nossa mensagem através da nossa arte.Mas é muito fácil para o sistema ter o artista lacaio do dinheiro e sem compromisso com a reflexão. Acredito também que não é papel do artista salvar a humanidade, mas a arte pode contribuir e muito para o ser humano, se conhecer, se encantar e ter fé na nossa civilização. No meu caso é o que me indica o caminho de casa. A pergunta é como alguém pode extrair tanto ensinamento de uma simples aula de Power Yoga? Isso é fruto de muita busca por mim mesma e treinamento de dança. É muito claro para mim, que a integração da mente do corpo e do espírito podem trazer o entendimento de si mesmo e do sentido da vida.Só que isso é trabalho para uma vida inteira.

" UM ESTRANHO ÍMPAR

Sentir a própria pulsação e uma certa insanidade temporária. Estar integrada na totalidade. Ser sutil é acontecer no instante, existir no presente. Minha dança acontece nos detalhes, observo para construir sentido. Quando perco o sabor do ritmo da vida, perco o sagrado contido nas coisas e acabo caindo no vazio, fico paralisada no tempo. Dançar é estar em pleno gozo e em constante diálogo com a natureza e a dança cósmica do universo. O perigo de perder a sintonia com a vida é perder a poesia, é quando o vazio de uma existência entorpece os sentidos. Pior do que perder a capacidade de sonhar e sentir a beleza, é ser totalmente pragmática e utilitária. Dançar para quem ? faz sentido ainda propor arte com sentimento e alma? Experimentar a beleza e sentir a vida, deveria ser prioridade, numa sociedade conceitual ,baseada no discurso e na palavra, onde o mercado "organiza" tudo e não permite que a arte passe pelo caminho da transcendência, e da separação do si mesmo. Cada pessoa precisa encontrar e lutar por espaços afetivos, onde as leis do mercado não tenham penetração no sentido de " rotular" e embalar para vender, antes que a poesia se instale na poética de cada um. Não sou contra o mercado no sentido literal da palavra, todo artista precisa sobreviver, pagar os impostos, é difícil fazer poesia sem pão. Estou na contramão, quero me entender enquanto ser histórico, quero uma arte mais humana e permanente. Quero a dança que brota das minhas raízes e transforme através do diálogo e da força do inefável e do inominável. Ser um instrumento de beleza e colocar poesia no cotidiano de alguém.

"'UM ESTRANHO ÍMPAR"

Sentir a própria pulsação e uma certa insanidade temporária. Estar integrada na totalidade. Ser sutil é acontecer no instante, existir no presente. Minha dança acontece nos detalhes, observo para construir sentido. Quando perco o sabor do ritmo da vida, perco o sagrado contido nas coisas e acabo caindo no vazio, fico paralisada no tempo. Dançar é estar em pleno gozo e em constante diálogo com a natureza e a dança cósmica do universo. O perigo de perder a sintonia com a vida é perder a poesia, é quando o vazio de uma existência entorpece os sentidos. Pior do que perder a capacidade de sonhar e sentir a beleza, é ser totalmente pragmática e utilitária. Dançar para quem ? faz sentido ainda propor arte com sentimento e alma? Experimentar a beleza e sentir a vida, deveria ser prioridade, numa sociedade conceitual ,baseada no discurso e na palavra, onde o mercado "organiza" tudo e não permite que a arte passe pelo caminho da transcendência, e da separação do si mesmo. Cada pessoa precisa encontrar e lutar por espaços afetivos, onde as leis do mercado não tenham penetração no sentido de " rotular" e embalar para vender, antes que a poesia se instale na poética de cada um. Não sou contra o mercado no sentido literal da palavra, todo artista precisa sobreviver, pagar os impostos, é difícil fazer poesia sem pão. Estou na contramão, quero me entender enquanto ser histórico, quero uma arte mais humana e permanente. Quero a dança que brota das minhas raízes e transforme através do diálogo e da força do inefável e do inominável. Ser um instrumento de beleza e colocar poesia no cotidiano de alguém. " E se você me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar" Clarice Lispector

"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...