quarta-feira, 29 de junho de 2016

ANTÍGONA

Denise Stoklos, atriz criadora do método Teatro essencial, reconhecida internacionalmente com sua metodologia reconhecida e ensinada nas mais prestigiadas instituições do mundo,trouxe para Brasília três espetáculos incríveis. Tive a oportunidade de assisti-los.Foi e continua sendo uma oportunidade de riqueza de transbordamento de alma, que me alimentará por muito tempo. A arte quando é verdadeira e profunda se instala dentro da gente e faz morada de oásis para os nossos desertos. Das inúmeras reflexões que fiz até agora, tem uma que está gritando dentro de mim e precisa ser dita. Como hoje está ficando muito difícil encontrar escuta de qualidade, não gostaria de falar algo tão profundo num lugar infértil.Portanto, espero que você que vai pausar sua vida por alguns instantes para me visitar,que você possa ler como a delicadeza de uma folha caindo de uma árvore pela ação do vento, o que vou te contar. Denise me disse, e para todo mundo, que na Grécia antiga quando alguém ficava doente, o médico tratava do paciente escolhendo uma peça de teatro para curar sua alma, se o paciente precisasse entender a injustiça por exemplo, ele indicava Antígona que é uma peça que tratava de injustiça.Meu coração bateu forte, minha alma dançou por dentro. Porque eu acredito no poder da arte para curar e elevar nossa essência.Interessante que vou montar Antígona. Meu próximo projeto de dança é inspirada nesta tragédia grega do Sófocles. Apresentar um espetáculo de dança é sonhar publicamente e destilar sua alma após construir silêncio e presença dentro de mim mesma a duras penas. É refletir o tempo todo sobre a importância de dizer tudo o que sinto para um mundo anestesiado de sentimento, automatizado por opiniões formadas e deformadas. No palco temos a oportunidade de celebrar o encontro do humano diante de sua humanidade.O espelho de nossa incapacidade de ver o óbvio. É através da celebração da presença que nosso ser pode se encantar pela espécie humana e criar a capacidade de sonhar de se importar com o rumo que queremos seguir.

ANTÍGONA

Denise Stoklos, atriz criadora do método Teatro essencial, reconhecida internacionalmente com sua metodologia reconhecida e ensinada nas mais prestigiadas instituições do mundo,trouxe para Brasília três espetáculos incríveis. Tive a oportunidade de assisti-los.Foi e continua sendo uma oportunidade de riqueza de transbordamento de alma, que me alimentará por muito tempo. A arte quando é verdadeira e profunda se instala dentro da gente e faz morada de oásis para os nossos desertos. Das inúmeras reflexões que fiz até agora, tem uma que está gritando dentro de mim e precisa ser dita. Como hoje está ficando muito difícil encontrar escuta de qualidade, não gostaria de falar algo tão profundo num lugar infértil.Portanto, espero que você que vai pausar sua vida por alguns instantes para me visitar,que você possa ler como a delicadeza de uma folha caindo de uma árvore pela ação do vento, o que vou te contar. Denise me disse, e para todo mundo, que na Grécia antiga quando alguém ficava doente, o médico tratava do paciente escolhendo uma peça de teatro para curar sua alma, se o paciente precisasse entender a justiça por exemplo, ele indicava Antígona que é uma peça que tratava de injustiça.Meu coração bateu forte, minha alma dançou por dentro. Porque eu acredito no poder da arte para curar e elevar nossa essência.Interessante que vou montar Antígona. Meu próximo projeto de dança é inspirada nesta tragédia grega do Sófocles. Apresentar um espetáculo de dança é sonhar publicamente e destilar sua alma após construir silêncio e presença dentro de mim mesma a duras penas. É refletir o tempo todo sobre a importância de dizer tudo o que sinto para um mundo anestesiado de sentimento, automatizado por opiniões formadas e deformadas. No palco temos a oportunidade de celebrar o encontro do humano diante de sua humanidade.O espelho de nossa incapacidade de ver o óbvio. É através da presença que nosso ser por se encantar pela espécie humana e cria a capacidade de sonhar de se importar com o rumo que queremos seguir.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

O RESGATE DA GESTUALIDADE

A gestualidade pode ser ampliada e através dela, nosso estado de consciência é ampliado. Nossa cultura foi construída separando o corpo da mente e do espírito causando fragmentação.O pensamento como o suprassumo do humano em detrimento do sentir, criou o distanciamento do se fazer sentido. Felizmente a recuperação do gesto e do movimento verdadeiro e sublime ressignifica nossa ação no mundo. O movimento espontâneo deveria ser a matéria-prima da construção do pensar-sentir e ser. Como uma cultura que não valoriza a presença e o contato podem criar paz? Se ainda temos repressão nos nossos gestos e dançar livremente é uma atitude insana em certos lugares? Quando falamos em fragmentação não podemos deixar de falar do caráter utilitário de tudo e dos rótulos que enfrentamos, como se tudo precisasse ser mensurado para existir no supermercado da vida. Para falarmos de criação, imaginação, sentimentos e sonhos temos que empacotar em produtos e criar uma relação de consumo, troca e venda. Deveríamos dançar para desfrutar a vida, fazer teatro para se reinventar como humano, depois acertamos as contas com o destino e veremos onde esta aventura de crescer nos levará. O verdadeiro encantamento de sentir leveza e extrair alegria do próprio corpo que é sábio e tem memória.Não importa que movimento do seu corpo você vai escolher, desde que ele seja feito com consciência, e de dentro pra fora. Com certeza ele vai apontar caminhos, vai trazer sabedoria e bem estar e um dia teremos uma maneira diferente de nos relacionar com o mundo. A melhor definição de depressão, a doença de nossa civilização, veio de Denise Stoklos: Depressão é a inadequação de si mesmo. Estamos criando pessoas para produzirem, darem resultados, cumprirem regras e protocolos e as necessidades da alma acabam ficando em segundo plano. Fundamental é encontrar com a nossa alma, e é muito simples quando olhamos nosso corpo como nosso oráculo, nosso portal para elevar e silenciar nossos pensamentos. E no vazio preenchemos nossa alma de lirismo e dançamos a dança cósmica do universo

O RESGATE DA GESTUALIDADE

A gestualidade pode ser ampliada e através dela, nosso estado de consciência é ampliado. Nossa cultura foi construída separando o corpo da mente e do espírito causando fragmentação.O pensamento como o suprassumo do humano em detrimento do sentir, criou o distanciamento do se fazer sentido. Felizmente a recuperação do gesto e do movimento verdadeiro e sublime ressignifica nossa ação no mundo. O movimento espontâneo deveria ser a matéria-prima da construção do pensar-sentir e ser. Como uma cultura que não valoriza a presença e o contato podem criar paz? Se ainda temos repressão nos nossos gestos e dançar livremente é uma atitude insana em certos lugares? Quando falamos em fragmentação não podemos deixar de falar do caráter utilitário de tudo e dos rótulos que enfrentamos, como se tudo precisasse ser mensurado para existir no supermercado da vida. Para falarmos de criação, imaginação, sentimentos e sonhos temos que empacotar em produtos e criar uma relação de consumo, troca e venda.Dançar para desfrutar a vida, fazer teatro para se reinventar como humano, depois acertamos as contas com o destino e veremos onde esta aventura de crescer nos levará. O verdadeiro encantamento de sentir leveza e extrair alegria do próprio corpo que é sábio e tem memória.Não importa que movimento do seu corpo você vai escolher, desde que ele seja feito com consciência, e de dentro pra fora, com certeza vai apontar caminhos, vai trazer sabedoria e bem estar e um dia teremos uma maneira diferente de nos relacionar com o mundo. A melhor definição de depressão a doença de nossa civilização veio de Denise Stoklos: Depressão é a inadequação de si mesmo. Estamos criando pessoas para produzirem, darem resultados, cumpram regras e protocolos e as necessidades da alma acabam ficando em segundo plano. Fundamental é encontrar com a nossa alma, e é muito simples quando olhamos nosso corpo como nosso oráculo, nosso portal para elevar e silenciar nossos pensamentos. E no vazio preenchemos nossa alma de lirismo e dançamos a dança cósmica do universo

quarta-feira, 15 de junho de 2016

IMPERFEITOS ADORÁVEIS

A psiquiatra e médica Nise da Silveira disse que gente curada demais é muito chata. Refleti muito sobre esta afirmação. Eu queria muito numa fase da minha vida ser bem certinha. Acreditava que se fizesse tudo "certo", se é que existe um jeito certo de fazer alguma coisa, seria mais amada, mais feliz e encontraria meu lugar no mundo. Mas o tempo foi passando e fui percebendo que errada estava certa, e que meu esforço para ser perfeita em tudo para ser amada era uma troca injusta. Assisti um filme Francês chamado Marguerite sobre uma mulher muito rica nos anos 20, apaixonada por ópera que cantava muito desafinado. Ela tinha um círculo de pessoas que assistiam seus recitais desafinados e todos fingiam que gostavam, mordomos, o marido, todos encantados com a pureza daquela mulher livre e feliz, mas ouviam seu canto com muita dificuldade. Um dia ela resolve para desespero de todos, cantar num grande teatro com uma platéia isenta de bajulações. Sua vontade de de compartilhar beleza era muito grande, o objetivo dela não era ser famosa e aplaudida e sim tornar a música viva na alma das pessoas, como era para ela. Sua trajetória inspira porque o filme nos coloca naquela posição de enfrentamento e nos desperta a vontade de continuar mesmo sendo incompletos e imperfeitos. O filme é inspirado numa história real e apesar dela ter sido considerada a pior soprano do mundo nos encanta, por seguir fazendo o que acreditava. No filme até tem uma personagem que é uma cantora linda, que canta perfeitamente que tem ótimo caráter e ainda é pobre, tem tudo que seria de argumento para gostarmos dela. E no entanto o improvável acontece. Achei a perfeição dela sem graça e chata. Quanto tempo de minha vida busquei uma excelência fora do normal. Eu tenho meus medos assumidos, meus receios de errar e sempre que vou entrar em cena peço para morrer, parece que não irei sobreviver à experiência, de me lançar para o espaço vazio e quando mergulho acabo saindo viva. Ainda vai levar um tempo para me lançar no palco da vida, caminhar sem medo de errar, viver o instante com a certeza de que posso errar, sem imperfeita e mesmo assim serei amada.E que esse amor transborde dentro de mim e que chegue aquele momento onde não vai fazer diferença a opinião de ninguém, porque me assumo como eu sou, com minha sombra e minha luz. A beleza do humano consiste em seguir fazendo o que o coração pede, para continuar imperfeitamente feliz.

domingo, 5 de junho de 2016

POESIAS PARA A MÃE

Grandes almas conseguem transformar sofrimento e história de vida em poesia e beleza. A melhor maneira de estar no mundo com dignidade é honrar a própria história, se despir diante do amor. Revelar e retirar os véus. Quando reconheço uma alma com esta capacidade me curvo, faço reverência e agradeço por ser lembrada da beleza da espécie humana. E saí do teatro honrando Matheus Nachtergaele. Assisti sua peça. Ele nos recebe em cena e recebe o público cheio de barulho e vaidade, localizando o lugar para sentar. Diante de nós, um homem disposto a dividir conosco sua dor, expor seus nervos e visceras, erguendo o cálice da arte, cantando, com a coragem de quem vai enfrentar a morte e celebrar a sua dor, para abandoná-la de vez. Silenciosamente, começa nos contando que no dia do seu batismo,com três meses de vida sua mãe se suicida.Ele nunca superou perda tão dolorosa. Ganhou do pai as poesias da mãe na adolescência e guardou esse tesouro dentro da sua alma, na certeza de encontrar respostas um dia, assim interpretei, uma esperança de curar esta ausência. Em cena, o ator encena a alma de sua mãe. Que alma triste e solitária! Diante da vida e daquele bebê ávido de vida, está estampada na nossa cara, a radiografia daquela alma incompreendida na sua dor, apesar de estar cumprindo todos os protocolos que a sociedade e a família esperavam dela e ela esperava de si mesma, casar, ter filhos e ter uma função social. E muitas vezes o espelho quebra diante dos nossos olhos. Nossa imagem não está casada com com os cânones do que se convencionou chamar felicidade e chega um ponto que é difícil falar do inefável, falar da alma que não se enquadra em nenhum modelo de felicidade fabricado. São seres rotulados de depressivos e que têm a alma amortecida por remédios e palavras de "vai lavar um tanque", ou são tantas críticas e ignorância sobre o inconsciente que a alma se fecha e muitas vezes a morte é a única solução. Infelizmente muitas vezes não dá tempo do corpo encontrar a saída, um portal, um conforto dentro do que é um completo mistério. Matheus me mostrou em cena, como enlouqueceu e se cura a cada dia, lidando com o mistério deste acontecimento e como clamou por sua mãe no vazio de sua existência. E como compreender a morte premeditada de quem lhe deu a vida? Como seguir em frente? Tem uma cena mágica que Mateus senta ao lado do violonista, e sua silhueta lembra um útero. Para mim a arte é a mãe do Mateus. Através dela ele se encontrou e se construiu. E segue curando seu luto e nos dizendo que tudo tem jeito, se buscamos o caminho do amor e da beleza. Lembro do Kafka e a carta que escreveu ao pai, que nem sequer foi enviada, mas segue vibrando no astral, curando seres que como ele carregam um dor profunda da ausência de um pai. E assim fez Matheus, auxiliando o processo de muitos que choram a ausência da mãe, ou seja lá que ausência que pode até ser a ausência de si mesmo. Eu acredito que nossas dores estão a serviço de uma força maior. No final de sua jornada em cena, um ator no seu ofício, num corpo dilatado vaporizando emoções e energia nacarada nos embala, e o palco vira um grande útero.E ele nos convida a dançar valsa, junto com ele, entramos na cena da sua vida.Dançamos nossas faltas, vontades e desejos de superar nossas dores e celebrar nossa história.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

O CORPO É UM MANIFESTO

Pesquisei aspectos do universo feminino para compor o meu espetáculo de dança Baraka, busquei uma visão sem fronteiras e fui adentrando as contradições e princípios comuns que nos unem em diversas culturas. O resultado foi um aprendizado sobre como ser mulher é um desafio constante em qualquer cultura. Até para as mulheres em contextos sofisticados a dificuldade de ter sua alma respeitada é enorme. Uma civilização que até hoje usa o corpo da mulher como objeto, arma de guerra, faxina étnica, escudo humano. Lembro que nesse espetáculo, a abordagem sobre o amor costura cada cena e nos envolve numa atmosfera de lirismo e força. Começo falando de uma mulher que busca a sua presença, e o direito de estar em si mesma no seu valor.Em outra cena o assunto é o corpo e a relação com a sua fragmentação,danço partes separadas do corpo, só os pés, as mãos e cada gesto separado mostra uma alma pedindo para ser inteira na fragmentação, o corpo como um manifesto,um ritual de pertencimento. Todas as cenas são ritos baseados em mitos que declaram a força e urgência do feminino.O arquétipo que transcende qualquer definição e rótulo, sobre como deveríamos ser, ou nos comportar. Está em cena a mulher selvagem que ama com paixão, que chora suas dores, que luta para sobreviver e se costura por dentro sempre que está machucada. O projeto BARAKA é de 2008 e continua muito atual. Vejo a cultura do estupro muito forte e no caso do Brasil, está totalmente inserido em todas as camadas sociais, com a conivência da mídia e da publicidade que continua usando o corpo da mulher como mercadoria. Estamos assistindo a seres bárbaros em todo o mundo, vendendo como mercadorias para serem escravas sexuais,ou como propriedade de uso coletivo, meninas sendo sequestradas para esse fim, virgindades sendo leiloadas, infâncias roubadas dentro dos tradicionais lares. O fato é que não vamos parar de denunciar essa sangria, e a luta pelo direito de existir sempre vai prevalecer sobre a covardia. Fragilidade não é o nosso nome, que me perdoe Shakespeare. Nosso universo é cheio de mágica, de afeto, de vontade de cheirar flores do campo. E temos uma capacidade muito grande de levantar a cabeça, mesmo que o grito esteja sufocado, até ele sair inteiro acordando a floresta, a cidade e quem estiver surdo para entender. Eu termino com um grito, de um corpo vigoro que cheire a prazer.

"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...