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quinta-feira, 28 de abril de 2016

PENSAMENTO EM AÇÃO

Uma abordagem diferente sobre a criação em dança é incorporar princípios do teatro.Atualmente o diálogo entre dança e teatro está ainda em fase de elaboração.Como minha fonte de pesquisa é o oriente, essa dicotomia entre teatro e dança nunca aconteceu.Na dança clássica Indiana, para citar uma arte que conheço e passei por treinamento corporal, dança e teatro são linguagens simultâneas, que se relacionam de maneira simbiótica. O que me perturba é o oportunismo de pessoas que não pesquisam, colocam por exemplo uma cadeira no palco e acham que é dança-teatro. Não têm nem a decência de estudar Laban e a Pina Baush por exemplo.Muitas vezes vejo espetáculos com propostas boas, mas vazios de conteúdo, verdade e lucidez. Gostaria de elucidar sobre minha pesquisa pessoal, que é um dos objetivos do meu blog, falar sobre minhas inquietações e busca por uma arte que seja feita de sangue, suor e flores. Não quero criticar ninguém, nem dizer que sou melhor ou pior.Só acredito que arte é território para guerreiros que levam com muito comprometimento seu ofício, que transformam sofrimento na alma em alquimia e poesia.Todos nós sofremos, mas elevar o desatino do humano em arte, é para poucos, muitos se perdem no caminho, outros encontram esta sincronicidade de criar, concretizar e devolver ao público num átimo do tempo, sua alma, suas emoções, seu recorte da realidade. Minha arte é construída como uma dança de forma física, ações em movimento, devido a minha formação em teatro, ações sem psicologismos, uma qualidade de estar presente, flexível, disponível, no subconsciente do meu corpo. Encontro assim o gesto, uma sequência coreográfica, uma frase que emerge das memórias do meu corpo, da energia do corpo sutil, do treinamento do energético e da formação de um campo mórfico. A elaboração de uma dança que parte de um sistema de ações construídas de dentro pra fora, que brote do profundo contato com a vida que pulsa,isso é sagrado. Para o meu desespero esta palavra também está sendo oferecida em bandeja de prata para consumo, Zen uma arte milenar também.Espero que nossa sede por pode e dinheiro, não nos roube o numinoso contido no sagrado,no rito, e em todas as formas encontradas pela humanidade para continuar existindo fazendo sentido. Que os nossos símbolos mais caros não sejam usados de maneira leviana. Afinal "Simbolo", é derivada do grego antigo Symballein, que significa agregar.Seu uso figurado originou-se no costume de quebrar um bloco de argila, para marcar o término de um acordo.Cada parte do acordo ficaria com uma dos pedaços do acordo e assim, quando juntassem os pedaços novamente, cada um identificando umas das pessoas envolvidas,eles poderiam encaixar como um quebra-cabeças unindo as partes, transformando em unidade. Symbola eram chamadas as pessoas envolvidas. Um símbolo não representa apenas algo, mas também sugere "algo" que está faltando, uma parte invisível que é necessária para alcançar a conclusão ou totalidade. Consciente ou inconscientemente,o Símbolo carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior que a soma das partes, como nuances de significado que resultam em uma ideia maior, um espaço onde resignificamos a existência. A origem da mitologia e do simbolo,surgiram com a humanidade e a necessidade de se explicar, e compreender a realidade em torno de si, para se relacionar com os conceitos com profundidade deixando a vida menos árida. 'A arte de criar a sensação de que o tempo parou"

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