sexta-feira, 29 de abril de 2016

ZEITGEIST

Afirmo que minha dança não é religião e ao mesmo tempo é um canal de expressão da minha espiritualidade, estabeleço a ponte entre tradição e inovação, arte e sacralidade. Jung (1875-1961), psiquiatra e psicoterapeuta suíço,afirmou que "a força do arquétipo reside na relação entre imagem e emoção" e que "a imagem sozinha equivale a uma descrição de pouca importância". Mas, "quando a imagem é carregada de emoção, esta ganha Numinosidade" (energia psíquica). A arte funciona como um caminho de encontro do humano e nos revela o "espírito do tempo" ou zeitgeist, que é um termo alemão cuja tradução significa espírito da época, espírito do tempo ou sinal dos tempos. O Zeitgeist significa, em suma, o conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período de tempo. Estou me referindo a uma certa necessidade de busca um movimento de busca pelo outro real, no meu caso criando uma relação com os espaços urbanos, a relação da arquitetura simbólica com a atenção no corpo que habita este espaço.A relação da criação voltada principalmente para o espaço interno, onde os olhos e as mãos são construtores de afeto e de lirismo.Penso também no resgate do encontro,da troca de afeto, da solidariedade e da vontade de ser um canal da manisfestação do divino em cada um, e assim vamos criar uma sociedade baseada no amor. Abaixo um texto sobre zeitgeist extraído do blog Memorandum,para quem desejar aprofundar um pouco mais. Abaixo um texto sobre zeitgeist extraído do blog Memorandum O Zeitgeist "Podemos traduzir este termo alemão com a palavra "espírito"(ou índole) do tempo. Wolfgang Goethe – poeta e pensador alemão – definia Zeitgeist como um conjunto de opiniões que dominam um momento específico da história e que, sem que nós nos apercebamos – de modo inconsciente, determinam o pensamento de todos os que vivem num determinado contexto. Menos poeticamente, utilizando-nos de uma terminologia própria da antropologia, podemos falar em "cultura contemporânea" ou "cultura do nosso tempo". Tratam-se de conhecimentos, crenças, atitudes, de pessoas que vivem num tempo e num lugar específicos. Na língua alemã, o conceito de Zeitgeist é menos abstrato, mais ligado à realidade concreta e assume quase as feições de um agente protagonista da história. O Zeitgeist não apenas caracteriza e descreve, mas também determina e controla a conduta das sociedades humanas num tempo e num lugar específico. Trata-se de um conceito explicativo cujo valor para a história científica tem sido amplamente discutido. Foi o conceito preferido por Edwin G. Boring, o grande historiador da psicologia norte-americana. Segundo este modelo historiográfico, o Zeitgeist produz idéias (por exemplo, o conceito de gravitação na física mecânica), instituições (como editoras e periódicos), e movimentos científicos (como a Psicologia Experimental). O Zeitgeist é o fator responsável por todos os acontecimentos. Se o fundador da Psicofísica, G.T. Fechner não tivesse realmente existido como figura histórica, os tempos, o Zeitgeist, produziria um substituto dele, o qual desenvolveria o mesmo papel. Mesmo se Wilhem Wundt não tivesse existido, a Psicologia Experimental seria institucionalizada em outro lugar por outra pessoa. Poderíamos dizer que a idéia "pendia no aire": Os tempos estavam prontos para que a institucionalização da psicologia científica ocorresse. Os homens, inclusive os grandes homens, seriam agentes do Agente Máximo: o Zeitgeist. Não riam, por favor! Pois uma tal perspectiva, não é totalmente sem mérito. Está claro que todos, todos estamos mergulhados num ambiente lingüístico, sócio-econômico, cultural, político, específico. O Zeitgeist constitui-se numa metáfora eficaz para significar esta realidade. Simplifica e unifica o relato histórico. Infelizmente, porém, as metáforas são utilizadas no âmbito da poesia e não da ciência. O conceito de Zeitgeist sugere a existência de um demiurgo, de um demônio que manipula as cordas da história, gerando e aplicando forças. Na realidade, o Zeitgeist é uma construção hipotética, um modo elegante de interpretar a conduta dos indivíduos e dos grupos de indivíduos. No fundo, trata-se de um esquema interpretativo da história e como tal é útil na reconstrução e na compreensão dos eventos históricos. Não consegue porém explicar os eventos históricos, por exemplo não dá conta de explicar o estabelecimento do Laboratório de Psicologia Experimental em Leipzig em 1879. Trata-se de uma simplificação exagerada e excessiva do processo histórico. Todavia, a idéia de Zeitgeist é útil para lembrar-nos que os conhecimentos, as opiniões, os dogmas do momento histórico presente (por exemplo, o behaviorismo, ou outros "ismos"), formam uma parte e uma parte importante, de nossa existência. Compõem o conjunto dos estímulos aos quais os homens, inclusive os Grandes Homens, respondem. 2. Os Grandes Homens O Conceito de Zeitgeist sugere a existência de uma "alma coletiva". O conceito de "Grandes Homens" situa-se no pólo oposto. Segundo este modelo, os criadores da história seriam homens e mulheres excepcionais. 3. Abordagem psicanalítica ou da psicohistória Em última análise, toda a história é "psicohistória", considerada como o estudo do comportamento de homens e de grupos de homens. Neste caso, falamos de "psicohistória" num sentido geral, sem nos limitarmos à interpretação psicanalítica, freudiana da história. Infelizmente, a psicologia não foi capaz de oferecer aos historiadores um modelo de personalidade que seja útil para a reconstrução histórica. Com efeito, a psicologia científica enfatiza o estudo de leis gerais do comportamento, ao passo que a história está interessada no comportamento dos indivíduos. Recentemente, emergiu uma variedade de propostas de psicohistória, muitas vezes apresentadas como A psicohistória, baseadas na psicanálise. A psicanálise tem conotações que fizeram dela uma abordagem especialmente atraente para os historiadores. Pois ela tem raízes no estudo dos casos individuais e propõe um esquema interpretativo unificado de comportamento do cliente. O mesmo Freud pode ser considerado o primeiro historiador de orientação psicanalítica, na elaboração do texto Leonardo da Vinci: Um estudo da personalidade, publicado em 1947 em língua inglesa, e em língua alemã em 1910. A versão alemã tem um título mais modesto e instrutivo: Eine Kindheitserinnerung des Leonardo da Vinci, ou seja uma lembrança de Leonardo da Vinci. Existe um perigo real de que o relato psicanalítico se torne, conforme diz Hugh Trevor-Roper, (Reinventing Hitler, Sunday Times, London, 18 de fevereiro de 1973), um "conto de fadas clínico". Ao invés de basear-se nos fatos e proceder cautelosamente na interpretação da evidência até chegar às conclusões, os historiadores da escola psicanalítica recriam os fatos a partir de suas teorias. Freud fundamenta seu relato nas fantasias da infância de Da Vinci. A escassa informação existente é interpretada de modo demasiado gratuito. A psicanálise não proporciona um modelo satisfatório para a análise histórica, apesar da psicohistória representar uma perspectiva sedutora. 4. A perspectiva multifatorial Os eventos históricos assim como todos os eventos concernentes à conduta humana, são complexos. Este fato sugere a necessidade de utilizarmos uma metodologia pluralista. O modelo deve prever uma pluralidade de estratégias. O modelo dirige a atenção do historiador para variáveis que podem ser examinadas empiricamente e analisadas de modo satisfatório, e que se constituem numa base válida para a síntese histórica. Devem ser considerados seja o Ator, seja o Contexto do evento histórico". R.F. Berhoffer em seu livro A behavioral approach to historical analysis (Uma Abordagem Cultural para a Análise Histórica, New York: Free press, 1969), especifica que a tarefa primeira de uma análise histórica deve considerar a situação em que o ator se encontra, a sua interpretação acerca da situação e as suas atividades dentro da situação. Não podemos esquecer que os indivíduos atuam uns sobre os outros e deste modo geram atividades coletivas." (Final da parte II. Continua) Notas (1) Revisto por Paulo Roberto de Andrada Pacheco, mestrando em História das Idéias Psicológica, da FFCL/RP, Universidade de São Paulo. (volta) Nota sobre o autor Josef Brožek é Professor de Psicologia e Pesquisador aposentado da Lehigh University, Bethlehem nos Estados Unidos. Nascido em 1913, na cidade de Melnik, na Bohemia, naturalizou-se americano em 1945. É PhD pela Charles University, em Praga, na Tchecoslovaquia. Assumiu diversos cargos universitários na Europa e EUA, desde 1936, entre eles no M.I.T. (Massachusetts Institute of Technology), de 1980-1981. Autor de vários trabalhos, destacam-se os relativos a Comportamento na Desnutrição e História da Psicologia. É um dos pioneiros da História da Psicologia Moderna como área de pesquisa. Nota sobre a editora Marina Massimi é Livre Docente e trabalha junto ao Departamento de Psicologia e Educação na Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, Campus de Ribeirão Preto, Brasil. Especialista na área de História das Idéias Psicológicas na Cultura Luso-Brasileira. Contatos: mmarina@ffclrp.usp.br. Memorandum, Abr/2002 Belo Horizonte: UFMG; Ribeirão Preto: USP. http://www.fafich. ufmg.br/~memorandum/artigos02/brozek02.htm

quinta-feira, 28 de abril de 2016

PENSAMENTO EM AÇÃO

Uma abordagem diferente sobre a criação em dança é incorporar princípios do teatro.Atualmente o diálogo entre dança e teatro está ainda em fase de elaboração.Como minha fonte de pesquisa é o oriente, essa dicotomia entre teatro e dança nunca aconteceu.Na dança clássica Indiana, para citar uma arte que conheço e passei por treinamento corporal, dança e teatro são linguagens simultâneas, que se relacionam de maneira simbiótica. O que me perturba é o oportunismo de pessoas que não pesquisam, colocam por exemplo uma cadeira no palco e acham que é dança-teatro. Não têm nem a decência de estudar Laban e a Pina Baush por exemplo.Muitas vezes vejo espetáculos com propostas boas, mas vazios de conteúdo, verdade e lucidez. Gostaria de elucidar sobre minha pesquisa pessoal, que é um dos objetivos do meu blog, falar sobre minhas inquietações e busca por uma arte que seja feita de sangue, suor e flores. Não quero criticar ninguém, nem dizer que sou melhor ou pior.Só acredito que arte é território para guerreiros que levam com muito comprometimento seu ofício, que transformam sofrimento na alma em alquimia e poesia.Todos nós sofremos, mas elevar o desatino do humano em arte, é para poucos, muitos se perdem no caminho, outros encontram esta sincronicidade de criar, concretizar e devolver ao público num átimo do tempo, sua alma, suas emoções, seu recorte da realidade. Minha arte é construída como uma dança de forma física, ações em movimento, devido a minha formação em teatro, ações sem psicologismos, uma qualidade de estar presente, flexível, disponível, no subconsciente do meu corpo. Encontro assim o gesto, uma sequência coreográfica, uma frase que emerge das memórias do meu corpo, da energia do corpo sutil, do treinamento do energético e da formação de um campo mórfico. A elaboração de uma dança que parte de um sistema de ações construídas de dentro pra fora, que brote do profundo contato com a vida que pulsa,isso é sagrado. Para o meu desespero esta palavra também está sendo oferecida em bandeja de prata para consumo, Zen uma arte milenar também.Espero que nossa sede por pode e dinheiro, não nos roube o numinoso contido no sagrado,no rito, e em todas as formas encontradas pela humanidade para continuar existindo fazendo sentido. Que os nossos símbolos mais caros não sejam usados de maneira leviana. Afinal "Simbolo", é derivada do grego antigo Symballein, que significa agregar.Seu uso figurado originou-se no costume de quebrar um bloco de argila, para marcar o término de um acordo.Cada parte do acordo ficaria com uma dos pedaços do acordo e assim, quando juntassem os pedaços novamente, cada um identificando umas das pessoas envolvidas,eles poderiam encaixar como um quebra-cabeças unindo as partes, transformando em unidade. Symbola eram chamadas as pessoas envolvidas. Um símbolo não representa apenas algo, mas também sugere "algo" que está faltando, uma parte invisível que é necessária para alcançar a conclusão ou totalidade. Consciente ou inconscientemente,o Símbolo carrega o sentido de unir as coisas para criar algo maior que a soma das partes, como nuances de significado que resultam em uma ideia maior, um espaço onde resignificamos a existência. A origem da mitologia e do simbolo,surgiram com a humanidade e a necessidade de se explicar, e compreender a realidade em torno de si, para se relacionar com os conceitos com profundidade deixando a vida menos árida. 'A arte de criar a sensação de que o tempo parou"

sexta-feira, 22 de abril de 2016

" A LUCIDEZ PERIGOSA"

"Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? Assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém." Clarice Lispector LISPECTOR, C. A Descoberta do Mundo . 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984 Tantas coisas sendo costuradas dentro de mim. A minha velha colcha de retalhos que não se emenda nunca.Sou um tecido raro que sempre está faltando fragmentos de mim para compor o todo. Minha unidade é feita de pequenos detalhes, nuances, alimentadas pelo tempo. Não o tempo histórico linear, falo do tempo de Cronos, que é cíclico e volta repetido, disfarçado de mudanças, pela minha percepção. Só me resta cultivar o infinito em mim, mesmo sabendo que "o homem é um poema inacabado", quando me sinto nada e vazia.Esse eu ávido e carente por se fazer sentido insiste em ser costurado. Eu sou minha agulha, minha linha, minha cola,meu curativo,minha bússola, meu espelho,meu mapa, meu relógio, meu GPS e minha esquina onde estarei esperando por mim, com minha chave pronta para abrir todas as portas e janelas. Posso sentir o vento e sentir alívio por reencontrar minha colcha de retalhos que pode até estar sem unidade, ou inacabada, mas percebo estrutura e cores, para eu me deitar de vez em quando e repousar em mim. E nesse encontro comigo, faço parte de mim,sou inteira, mesmo sem proporção ou forma, mas sou como uma linha fluida, sem ponto de interrogação. Sou infinita.

DANÇAS SAGRADAS DO MUNDO

O projeto danças sagradas do mundo, tem como foco resgatar o movimento feito com intensidade e verdade, através da experiência com danças pertencentes à varias culturas do oriente e ocidente,onde a presença do sagrado feminino está presente.Teremos aulas de maquiagem e trabalhos voltados para o autoconhecimento, e também aulas para melhorar a presença, ter olhos expressivos e gestos marcantes. Mirabai- Maria Vilarinho Cardoso, é formada em artes cênicas, dançarina, produtora e pesquisadora do estilo de dança clássica Indiana Bharatanatyam, Butoh, Sufi, teatro Nô e Kioôgen e todas as formas de expressões do sagrado tendo o corpo como templo. projetoscriativosmaria@gmail.com mirabai-baraka.blogspot.com Data - 07 de maio Local Edifício Citta - Rua 13 norte Bloco D lote 01 - Apt.1606 Horas - 10:00 às 12:00

O SAGRADO NA DANÇA

Quando eu danço penso em ações, movimentos que formam sequências coreográficas com significado, o sagrado está contido na profunda conexão comigo mesma e a presença no instante. Sou toda e plena em cada gesto. Quando a dança é regida por presença e profundidade ela promove um efeito hipnótico na platéia. Chega a um ponto onde ela deixa de existir, todos dançam um balé cósmico.Não há dançarina, apenas a dança.A separação entre dançarina e público inexiste e todos fazem parte do mesmo rito. A minha experiência com o sagrado na arte, vem da minha relação com o oriente e depois, quando entrei em contato com minhas raízes, verifiquei que através dos ensinamentos encantatórios de minha avó, suas histórias mágicas e a sua sacralidade estampada no seu cotidiano.Minhas raízes me levaram a este caminho, uma jornada em direção à dança,onde o palco é um altar e o contato com o outro minha cura. Preciso deixar claro que não existe misticismo, fé, fumacinha que faça alguém atingir este estágio de entrega e magnetismo. Tudo é uma questão de treinamento, estudo e pesquisa, não baixa nada. Toda a força do aqui e agora não nos é "dado de bandeja", não estou falando aqui de dom,talento, de gênios que já têm um carisma, mas isso é para poucos. Não adianta caprichar na produção e no figurino e numa técnica repetitiva, criar um nome incrível, se não houver verdade, será apenas uma dança vazia, oca de vontade, superficial. No entanto poucos conseguem se enveredar pela arte sem pesquisa e aprofundamento e criar algo profundo.O que vejo e tenho muito cuidado é para não deixar minha vaidade me impedir de me doar. Sempre que começo um projeto penso se realmente vai fazer diferença,se vai acrescentar beleza e poesia e reflexão. A arte existe para dar notícias da nossa humanidade para o mundo, é revelar que o seu humano é cheio de possibilidades, que o cotidiano pode ser mágico, quando olhamos com outros olhos.Todo ato feito com amor é sagrado

segunda-feira, 18 de abril de 2016

ARTE E PERCEPÇÃO

Precisamos romper o muro da intolerância, e resgatar um tempo onde havia a crença no poder das ideias ,com o objetivo de se construir um mundo melhor e justo, onde a imaginação tomaria o poder, onde a história não negaria a vida.No reino das ideias, vamos abrir debates, sínteses e antíteses, gerando reflexão e respostas para a condição humana. Ontem assisti ao espetáculo Para dar um fim ao juízo de Deus, do encenador, ator, dramaturgo Francês, Antonin Artaud, do Diretor José Celso Martínez, Teatro Oficina. Através do seu espetáculo, fui transportada para o universo da totalidade, onde o ser humano pode escolher ser pequeno, sórdido, ou infinito, carregando dentro de si a possibilidade de aprender a olhar. A crise pode ser de percepção.Saí do teatro me sentindo viva, e sabendo que existem muitos que estão percebendo com muita tristeza, esse nosso momento.Lembrei da mitologia grega, quando Apolo desejou ardentemente, enlouquecido de amor e desejo pela ninfa Dafni, ela foge, ele consegue alcançar Dafni e quando ele vai possuí-la, ela chora e pede ajuda e Peneu, seu pai, que vendo o sofrimento da filha,naquele exato momento a transforma numa árvore.Apolo transtornado chora e a partir daquele momento os ramos do Loureiro sempre acompanharão suas vitórias e nos jogos olímpicos constituíam parte do prêmio. A questão aqui é, o que é o sucesso? O que realmente é a vitória?

terça-feira, 12 de abril de 2016

DANÇAR O SUBLIME NO ESSENCIAL

“Cada parte ferida de um corpo é a pista para uma causa maior e profunda, um sinal a ser lido e decodificado. Diz-se que as catedrais são livros de pedra. Nós somos livros de carne. Vivemos o que somos” Segundo a escritora Marta Medeiros, ser leve é a nova revolução.Vivemos uma crise de excesso de nós mesmos.Tomei emprestado, para falar sobre o efeito da dança em mim.Quando quero esquecer a minha importância e o peso que o excesso de contradições e conflitos me deixam pesada, me transformo no meu acontecimento dançando. Vou para um lugar onde nada importa, o banal é sublime, encontro beleza, nas ações do meu corpo, onde o pensamento não tem voz.Posso me sentir sem medo de julgamento ou patrulhas do corretamente modo certo de ser. Estou comigo. O corpo é um templo e cada parte dele pode ser usada e treinada para a sua melhor expressão.A grandeza do treinamento corporal reside na habilidade de harmonizar a dimensão física , intelectual, emocional e espiritual da vida, concedendo ao intérprete o poder de trocar e comunicar-se em vários níveis e atingir estados de consciência. A dança enquanto arte composta que sintetiza a melodia e o rítmo, a pintura,e a escultura, a poesia e o teatro,harmoniza a alma. Sem dança ou qualquer atividade que eleve a condição humana a vida fica árida e sem transcendência. Equilibrar no desequilíbrio, encontrar conforto no desconforto, transformar sua energia, entender as lições do corpo.A dançarina é simultaneamente o musico tocando com o seu corpo e o escultor, dando forma e estruturando o espaço em formas graciosas e poderosas. Desenvolver através da dança a riqueza de possibilidades corpóreas, para que a vivência do simples, do singelo e do encantamento devolva ao corpo a sua poética .Dançar com os olhos, com as mãos, com os pés, com a energia do próprio movimento individual, equilibrar de forma geométrica , andar com graça e leveza, e força. treinamento corporal para cada parte do corpo, dançar cada fragmento do corpo e sentir ao mesmo tempo integrar corpo-mente-alma, onde a dança é meditação. A dançarina é uma pesquisadora , cuja dança torna-se uma oferenda,uma experiência transcendêntal e transformadora,uma prece em êxtase que celebra a beleza, a busca pelo mistério da vida.

domingo, 10 de abril de 2016

TREINAMENTO: UMA CAMINHADA Á CONSTRUÇÃO DO ESPETÁCULO TEATRAL

"Ao longo da história do teatro, especificamente entre os séculos XIX e XX, a idéia de treinamento foi incorporada a grupos de teatro, como uma possibilidade de formação do ator. O treinamento passou então a ser visto como um instrumento para que os atores pudessem pôr à prova as dúvidas sobre o seu trabalho e o acontecimento teatral em si. Questões estas que estão sempre intimamente ligadas às condições artísticas, sociais, culturais, políticas, de sua época. Então, as noções de treinamentos e suas práticas, assim como a criação e realização dos espetáculos teatrais, sofrem modificações a partir de relações estreitas com os fenômenos sócios-culturais. Desde Stanislavski, que registrou um método de trabalho do ator a partir de suas próprias experiências como diretor e ator, passando por Grotowski, que definiu seu trabalho pela cultura de grupo, até Eugenio Barba e seu "teatro antropológico", além de muitos outros importantes homens de teatro, se investiga variadas abordagens de treinamento teatral. Estes diretores, prestaram assim, uma grande contribuição à tradição teatral. Bem como, possibilitaram o surgimento de dúvidas, que são quase sempre, o questionamento das regras naturais criadas por cada processo. Assim, é permitido que as novas gerações de atores façam uso do constante refletir e elaborar de novas investigações nesta área, na tentativa de compreender seu processo próprio, o meio em que está inserido e sua síntese no fazer teatral. O surgimento de questionamentos em relação aos procedimentos de treinamento e criação de espetáculos, que podem ir desde a escolha de exercícios, a perguntas como: por que? Pra que? Ou ainda, a tentativa de compreender a relação entre o ocidente e o oriente, enfim qualquer dúvida, não são situações inéditas.Muitos atores depararam-se, e deparam-se ao longo de suas histórias, com dificuldades de aliar o estado físico ao desenvolvimento do processo de criatividade (pois o próprio treinamento às vezes é tomado como algo sisudo e sério por demais, afastando o ator do aspecto lúdico), que culminará na personagem do espetáculo, fazendo-a presente tanto fisicamente quanto nos aspectos mais íntimos que esta personagem oferece. Assim sendo, torna-se necessário um olhar outro sobre o aspecto do treinamento do ator. É importante que se vislumbre um trabalho onde se possa integrar processos de treino, de produção de material criativo e de aparatos técnicos para o espetáculo teatral.De maneira tal, que a ausência de qualquer um desses aspectos possa ser considerada uma lacuna, uma inquietação, e não um caminho para estabelecer-se em zona de conforto, onde se demanda um esforço para se criar uma teoria “às vezes” absurda para dar conta de sustentar uma lacuna que merece estudo e investigação. Neste marco não seria possível escutar afirmações tais como: "posso deixar de fazer teatro, mas não posso deixar de treinar". O estudo deste contexto parece revelar a existência de uma tendência de procedimentos de formação de atores submetidos a um processo que reproduz modelos hegemônicos sem muita reflexão. Desta forma se estaria criando uma mentalidade que se acomoda com facilidades a modelos que merecem uma maior experimentação e questionamento. Ainda observo que o treinamento para o ator precisa estar além dos limites do trabalho fechado de sala. Há a necessidade de fazer espetáculos e toma-los como parte do exercício do ator assim como uma série de outras questões, (como por exemplo ler dramaturgia, estudar sociologia, filosofia ...), que podem ser inseridas na totalidade da formação do ator. Treinamento e espetáculos são duas práticas de natureza diferente porém devem caminhar juntas para que o treinamento se constitua em um elemento que colabore com o material espetacular, de tal forma que este possa vir a ser a síntese de todo o processo. É preciso manter o foco do fazer teatral para que a idéia e o plano de fazer teatro não se desloque para outro campo, esse foco pode evitar qualquer mescla com conceito de“seita”e torna possível definir um conceito teatral. O aceitar as diferenças, assim como novas formas e questionamentos de trabalho –como o treinamento associado à prática espetacular – denotam uma possibilidade de um crescimento para atores, grupos de teatro, investigadores teatrais e para o fazer teatral em si. Através de um processo construtivo, partindo da prática pessoal como defendia Grotowski e da união de treinamento, material espetacular e outros materiais criativos como defende a realidade teatral de Stanislavski, proporcionando um resultado em que não só o ator saia ganhando, mas principalmente o público. Se faz necessário então, uma tentativa de delimitar um conceito de treinamento do ator que propicie uma articulação voltada à formação integral e dinâmica do ator.Estruturar o treinamento a partir da premissa de que este não se restringe ao trabalho físico desenvolvido em sala.Compreender o exercício de se fazer espetáculos como parte do treinamento do ator.Verificar “in loco” a existência de treinamento e material criativo como dois pólos que se unem para dar vida e estrutura ao material espetacular, percebendo a importância de tornar a técnica invisível perante os olhos do público. Para se fazer concretizar essa tentativa a pergunta chave que se faz é: Como viabilizar o treinamento de forma que ator possa através deste apropriar-se do seu ato criativo? Em suma é necessário discutir como fazer do treinamento um espaço que se abre para dinamizar o trabalho do ator sobre si mesmo e não para fechar-se sobre si mesmo.Refletindo sobre o espaço de formação dos atores numa perspectiva grupal, tentando compreender qual conceito instalado sobre treinamento que pontos de discussão podem ser levantados para dinamização e transformação deste." Por VALÉRIA MARIA DE OLIVEIRA Atriz e Mestranda em Teatro pela Universidade Estadual de Santa Catarina UDESC e Professora da Universidade do Vale do Itajaí – UNIVALI Referências bibliográficas BARBA, E. A canoa de papel: tratado de antropologia teatral. São Paulo: Hucitec, 1994. _____. Além das ilhas flutuantes. São Paulo: Hucitec, 1991. CARLSON, M. Teorias do teatro: estudo histórico-crítico, dos gregos à atualidade. São Paulo: UNESP, 1997. GROTOWSKI, J. Em busca de um teatro pobre. 4.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1992. ROUBINE, J. A linguagem da encenação teatral. 2.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1998. STANISLAVSKI, C. A preparação do ator. 14.ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A LINGUAGEM OCULTA DO SILÊNCIO

Existem infinitas possibilidades de entendimento do silêncio contido nas coisas,situações e fatos.Se vivemos convivendo com nossos próprios barulhos,como perceber e entender o não dito? Minha matéria prima é a dança muito sutil,e exige consciência de si e do espaço em que meu corpo ocupa. Numa época que prima pela intolerância e julgamento, vejo um transbordamento de palavras, e pouca suavidade e percepção do outro.Perceber vai além das palavras.Ultimamente estou seguindo o conselho do escritor Rubens Alves,(1933-2014)desenvolver a escutatória. Entendo que o caminho que escolhi foi o corpo, ele é o meu professor, através dele acesso memória, entendimento e silêncios. Estou aguardando o documetário sobre o Miles Davis,(1926-1991) que é justamente sobre o período de cinco anos, que ele optou pelo silêncio. Um grande artista que no auge do seu brilhantismo optou por ficar em silêncio, e o documentário narra esse período. O pouco que sei é que ele foi um trompetista único e usou muito bem o Silêncio em seus solos. Marina Abramovic, artista Sérvia( 1946)na sua performance "A artista está presente", permaneceu 700 horas em silêncio. A proposta era convidar a platéia a sentar numa cadeira diante dela e permanecer totalmente entregue àquele momento, sem a interferência da tecnologia, que está roubando o nosso tempo e a presença.Marina usa o seu corpo para criar sua arte e conversar com o mundo.O silêncio fala.

BLADE RUNNER

Ontem vi uma senhora grávida no último lugar num caixa de auto-atendimento, eu estava numa posição privilegiada na fila e estava lend...