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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

VI FESTIVAL DE DANÇA SOLIDÁRIA BRASÍLIA

O que descrevo como corpo orgânico, é a relação construída de viver e está associado a sentir o corpo. Uma mente integrada com o corpo, consegue sair dos automáticos movimentos de mecanização e congelamento das emoções. Ter um corpo vivo e integrado ao todo exige trabalho interno e externo. Não estou me referindo a malhar, que é importante, mas a toda uma postura de buscar a leitura do mundo interior. Está comprovado que nosso corpo adoece quando somatiza emoções, tem memória. No entanto tudo isso ainda é um tabu. O que é um corpo orgânico? É quando o corpo está integrado ao mundo e às suas sensações, cria experiência ou vivência, entra em outro espaço do tempo. Chega a desfrutar o Numinoso, aquilo que transcende a nossa racionalização, o inefável, aquilo que pertence ao reino do sagrado, transcendental, sentir sua própria presença no mundo. O corpo orgânico é o todo integrado, formando uma unidade. Esta organização interna só acontece quando começamos a vivenciar no corpo, quando a atividade corporal é traduzida em sabedoria sobre nós e a vida . Para Espinosa (1632-1677) filósofo moderno, o mundo, ou a natureza, é constituído de um todo infinitamente complexo onde, em cada criatura, ou coisa, se expressa um certo grau de força, uma força que está em constante interação com todas as outras forças circundantes. É um todo onde tudo é um, mas ao mesmo tempo infinitamente diferenciado, em perpétuo movimento, nas relações constantes de composição e decomposição. É também um mundo onde não há modelos morais ou tons acima, mas a questão é um pouco sobre como e de que forma, as diferentes forças interagem umas com as outras, como se fortalecem ou enfraquecem uma a outra, como elas parecem criativas ou destrutivas. A interação entre as forças é o que está no centro: em outras palavras, tudo se resume à questão de como as forças, nós todos, os seres humanos e tudo o mais combinado, como nós afetamos uns aos outros, constantemente, de forma consciente, inconsciente, intencionalmente ou sem querer e, nesse afeto, conjuntamente e constantemente a existência assume ou vem a tomar novas formas, cria identidades, eleva-se a novas constelações. Não se preocupe em “colar” uma técnica no corpo para poder dançar, você só faz a diferença quando encontra a sua linguagem secreta. E assim, você começa a se comunicar, se conectar. Tudo pode ser dança.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

ORIENTE-OCIDENTE ESPAÇOS E SENTIDOS NO MOVIMENTO

Proponho um modelo de aula, onde o foco é a experiência com o corpo.Afirmar potência e expandir-se. A técnica como veículo e não o fim. Exercícios pertencentes ao oriente e ocidente. Importante como artista, ter o processo como o caminho para a minha jornada interior. Da mesma forma que penso nas minhas aulas de dança, o contato profundo comigo. Não se trata de terapia, nem de religião. O foco é o aspecto sublime da dança, que muitas vezes não emerge em quem quer aprender a dançar. A dança vai além de coreografias complexas e muito menos, nos deixar com sentimento de inferioridade. Criei um ambiente sem competição, não importa onde sua perna pode chegar, nem quantas piruetas consegue dar.O aspecto não heroico da dança me interessa. Tomei emprestado da dança clássica Indiana,a atenção nos detalhes para se dançar o corpo todo, pés, mãos, olhos, a relação do corpo simbólico e sagrado, e a complexidade da assimetria dos movimentos aliados a combinação matemática. Importante também, o legado ancestral, com enfoque nas possibilidades construídas ao longo do estudo do processo de pesquisa de vários encenadores e coreógrafos como Stanislawiski, Pina Baush, Jerzy Grotowiski, Antonin Artaud, Eugenio Barba e várias experiências experimentadas no meu próprio processo, somadas ao constante interccâmbio com artistas de várias partes do mundo.Cheguei ao meu formato, meu jeito de ensinar dança, com tudo o que sinto, sendo eu mesma. Vivenciar o silêncio e a pausa. Construir no corpo seguindo sua voz. O corpo fala, mas não ouvimos.Sugiro que construam um jardim secreto, para manisfestar ternura e encantamento. Muitas vezes bater os pés numa aula e dançar combinações de ritmos, batidas do coração da terra, podem fazer alguém pulsar junto com a vida. Uma aula sobre nossos sentidos, no toque dos poros na pele,não se trata de neurônios, e sim de intuição, delicadeza, força, introspecção. Dar razão ao corpo. Encontrar sentido no corpo é cuidar de si e sintonizar a potência oculta,para poder manisfestar uma dança singular. Se a referência para pensar o mundo não é mais o corpo, o mundo passa a ser idealizado. A dobra do tempo é feita para estar no passado ou no futuro.Perdemos a beleza de fruir o instante, desfrutar o aqui e agora. No mundo moderno é muito fácil ver sua alma sendo esmagada, é uma invasão promíscua, atravessando o sujeito por todos os lados, portanto é urgente alimentar o espirito com poesia corpórea. " Só posso acreditar num Deus que possa dançar" fotos: Além de minha fotos, publico fotos de artistas que me inspiram: Kasuo Ono, Isadora Duncan, Marina Abramovic

"UM INSTANTE DE BELEZA É UMA ALEGRIA PARA SEMPRE"

Depoimento do professor/doutor Reinaldo Guedes Machado,
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) sobre MIRABAI.
 
“Não faz muito tempo. Maria (MIRABAI) foi minha aluna na disciplina de Teoria das Artes no curso de pós-gradução da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília. A turma era hetereogênea: alguns alunos arquitetos, um licenciado em educação artística, um bacharel em História e ela. 
Visando aproveitar os diferentes saberes ali reunidos solicitei como trabalho escolar que cada qual elaborasse uma apresentação baseada em suas vivências anteriores no campo artístico. Maria (MIRABAI) dançou, na pequena praça em frente ao centro acadêmico, lugar de trânsito dos que se dirigem para a próxima aula, onde permanecem os que descansam, namoram ou discutem a política estudantil em toscos e velhos sofás. 
Pouco a pouco, a faculdade agitada e ruidosa naqueles momentos de intervalo entre aulas, silenciou. 
Paradoxalmente, como se fora som, o silêncio, foi-se propagando pelas salas vizinhas e atraindo alunos, professores e servidores que se acomodavam como podiam para apreciar a beleza que acontecia inesperada num lugar inadequado! Que sabíamos nós, meus alunos, colegas e eu, da dança indiana para apreciar a arte que se realizava naquele momento? No entanto, ainda que incapazes de uma apreciação judiciosa, todos fomos envolvidos pela verdade profunda que emanava das mãos, dos olhos, do movimento do corpo da dançarina. A opacidade pesada da matéria dava passagem ao espírito que a conduzia e nos reunia num espaço e num tempo além da contingência concreta do cotidiano. Isso aconteceu e eu me lembro, para confimar John Keats: Um instante de beleza é uma alegria para sempre. (Endymion, em tradução livre)”.




Baraka

DANÇA & TRANSCENDÊNCIA

" Onde encontrei vida, encontrei vontade e potência" Estudo a configuração da relação corpo e espaço . A relação e as nuances, como dialogar as categorias do viver como ato de dançar, onde cada gesto é recriado e me ajuda a estar presente, para ampliar a minha capacidade de interpretar o mundo, tendo arte como mediadora das minhas relações. Busco a minha estética, minha expressividade, romper com meus padrões, investigar a minha natureza. Tento profundamente me fazer sentido, só posso entregar para o outro a mim mesma, utilizar signos que possam demonstrar a a realidade da vida, mistérios. Minha dança precisa ter aura, precisa de uma atmosfera barroca, humana, a soma da imperfeição com a urgência de acertar. Olhar para as minhas raízes e honrar a minha ancestralidade, dando passos para emergir do meu processo de pesquisa, o meu transbordamento. Dançar minha presença sobre as minhas raízes, isso é transcendência. superar a mim mesma, todos os dias e dançar todas as minhas sombras e iluminá-las. A sabedoria é um grande exercício de si pensar e ao mesmo tempo saborear cada conquista, cada aspecto do si mesmo. Eu danço o que não sei explicar, muitas vezes, a dança me explica. No meu caso, a dança não vem antes do pensamento. O meu processo de criação é caótico porque o meu ponto de partida é o abstrato, para depois elaborar um conceito, a sistematização do movimento, até chegar numa sequência coreográfica. Preciso vivenciar profundamente o que sinto e expresso com o meu corpo, para exalar verdade, inspirar humanidade e tocar o outro com a minha humanidade. Somente desta forma, plateia dança comigo na mesma atmosfera e sente o sabor da dança.