sexta-feira, 11 de setembro de 2015

O SAGRADO NA DANÇA

Eu sempre fui considerada estranha, exótica, por ser considerada muito dispersa, fora do ar.Ao mesmo tempo, sempre fui muito concentrada nas coisas da alma.Apaixonada por paisagens e toda a sorte de mecanismos para viajar pra dentro. A experiência na criação de uma arte que produza atmosfera e presença, me transformou numa dançarina em estado de meditação constante. O sincretismo religioso que me levou a buscar Deus em variados contextos. Minha dança é a minha prece. Busco esta estética no ato de dançar, para que o meu mundo interno que dança, alcance a alma das pessoas. Não quero platéia, quero seres humanos que sintam a experiência da dança, sendo vivenciada no " aqui e agora". Olhar seria apenas o primeiro passo, para morar dentro de alguém, nem que seja por alguns estantes.Permanecer no imaginário de alguém, ter o meu mundo misturado,aprofundado num rito, um banquete degustado por todos, tendo como iguaria a dança. No entanto é preciso ficar claro que dançar exige técnica, estudo e precisão.Não existe fumacinha, meditação, reza que faça uma pessoa dançar. Acredito que temos a capacidade de entrar em vivência profunda dançando, sem nunca ter entrado numa escola de dança, tudo é possível. Mas é o treinamento físico,o contato com o corpo numa determinada linguagem que aproxima o corpo de sua verdade. A técnica não é um fim, é um meio, um veículo, para acessar estados de consciência para se integrar corpo, mente e alma. Quando estou sozinha no palco, posso desfrutar da mágica de ser eu mesma, me doar totalmente sem medo e reserva, presente, viva. Fotos: Elisabete Alves

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