quarta-feira, 30 de setembro de 2015

DANÇA E ARTES VISUAIS

A relação que estabeleço entre dança e artes visuais está relacionada a minha relação com as danças orientais, principalmente a dança clássica indiana. Minha primeira observação foi a relação simbiótica entre dança, teatro, religião, arquitetura e artes visuais. O teatro-dança clássica indiana desconhece esta fragmentação.Todas as manifestações podem acontecer simultaneamente. A dança é o principal elemento em cena e, não a bailarina. Essa fusão de imagem e movimento conduz a espetáculos de beleza muito profunda e impactante para quem assiste, independente de se entender os simbolos e signos narrados. A atmosfera onírica e surreal leva a platéia a uma energia extra-cotidiana e atemporal. Eu, mergulhei em vários aspectos dessa profundidade porque quero, em cena, ser presente, ser "mágica". Quero penetrar no universo do outro, do espectador, como se tivesse um espelho dentro de mim. No entanto, no momento em que estou em busca de novos paradigmas e novas técnicas corporais, me pergunto: onde estão os nossos símbolos mais divinos? Não quero uma arte que vise apenas o "entretenimento". Entendo que precisamos da tradição, de voltar ao passado e aprender com ele. Voltar no tempo e entender porque nossa espécie necessita de ritos, do divino, mesmo quando os negamos. Quando afirmo que minha dança não é religião e, ao mesmo tempo é um canal de expressão da minha espiritualidade, estabeleço a ponte entre tradição e inovação com mestres do passado e do presente. E, estudando o corpo, sei que não é um fim – é um meio. Para não me perder, investigo, na tentativa de me organizar internamente. A idéia desse blog é me comunicar da maneira mais honesta comigo mesma e com quem me lê neste momento. Ao escrever sobre o poder da imagem, Carl Gustav Jung (1875-1961), psiquiatra e psico terapeuta suíço, afirma que "a força do arquétipo reside na relação entre imagem e emoção" e que "a imagem sozinha equivale a uma descrição de pouca importância". Mas, "quando a imagem é carregada de emoção, esta ganha luminosidade" (energia psíquica). A arte funciona como um caminho de encontro do humano e nos revela o "espírito do tempo".

CORPO CERIMONIAL

Aprender a entrar em contato consigo mesmo num mundo conectado a tudo e a todos é um grande desafio.Complicado é encontrar a conexão profunda por dentro. O movimento interno é fruto de uma vontade de sentir a vida e adquirir presença. Respirar o outro dentro de nós. A proposta de pelo menos fazer uma pausa, para marcar um encontro com nossa alma, nossa essência, nosso mistério, nosso sagrado. Meditar, respirar,dançar,caminhar, ou apenas parar para observar.Ser silêncio no meio do barulho. Sentir o movimento para se construir qualidade no movimento. Criar presença é caminhar com o olhar para dentro, sem perder o diálogo com o mundo que nos cerca e penetrar no reino das sensações. Sentir a nossa presença no mundo. E a vida passa a ser fruto da criação e da impermanência. Não temos o controle de nada. Hoje comecei a perceber que o que parece simples para alguns é remédio sublime para muitos.Todos nós precisamos de beleza e encantamento. E a melhor maneira de encontrar beleza é começar a entrar contato com os nossos potenciais, nossa beleza escondida atrás da sombra. E o corpo é um grande mestre, escutar suas lições é um grande passo para mergulhar no grande mistério que somos nós. Se jogamos fora o medo, viver começa a ter sabor, cheiro, cor, textura,nuances. E quando menos esperamos, viver passa a ter sentido.A história do pensamento humano é a história do contra-criação. É exatamente a história de um mundo em que você não tem o poder de criar, o poder de inventar. Tudo é um processo de representação. Segundo Nietzsche(1844-1900), a vida consegue definitivamente se curar, consegue definitivamente encontrar a sua liberdade, a partir do instante em que ela puder criar e inventar. A vida como criadora, a vida como inventora

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

O TEMPO ESCULPIDO NO CORPO

O que descrevo como corpo orgânico, é a relação construída de viver e está associado a sentir o corpo. Uma mente integrada com o corpo e a mente, consegue sair dos automotivos movimentos de mecanização e congelamento das emoções.Ter um corpo vivo e integrado ao todo, exige trabalho interno e externo. Não estou me referindo a malhar, que é importante,mas toda uma postura de buscar a leitura do mundo interno. Está comprovado que nosso corpo adoece quando somatiza emoções, tem memória. No entanto tudo isso ainda é um tabu. O que um corpo orgânico? É quando o corpo está integrado ao mundo e às suas sensações,cria experiência ou vivência, entra em outro espaço do tempo.Chega a desfrutar o Numinoso. O corpo orgânico é o todo integrado, que é unidade. Esta organização interna só acontece quando começamos a vivenciar no corpo. Quando a atividade corporal seja traduzida em auto-conhecimento e sabedoria sobre nós.“Para Espinosa, o mundo, ou a natureza, é constituído de um todo infinitamente complexo onde, em cada criatura, ou coisa, se expressa um certo grau de força, uma força que está em constante interação com todas as outras forças circundantes. É um todo onde tudo é um, mas ao mesmo tempo infinitamente diferenciados, em perpétuo movimento, nas relações constantes de composição e decomposição. É também um mundo onde não há modelos morais ou tons acima, mas a questão é um pouco sobre como e de que forma, as diferentes forças interagem uma com as outras, como se fortalecem ou enfraquecem uma a outra, como elas parecem criativas ou destrutivas. A interação entre as forças é o que está no centro: em outras palavras, tudo se resume à questão de como as forças – Nós todos, os seres humanos e tudo o mais combinado: como nós afetamos uns aos outros, constantemente, de forma consciente, inconsciente, intencionalmente, ou sem querer e, nesse afeto, conjuntamente e constantemente a existência assume ou vem a tomar novas formas, cria identidades, eleva-se a novas constelações.” Não se preocupe em colar uma técnica no corpo para poder dançar, você só faz a diferença quando encontra a sua linguagem secreta. E assim, você começa a se comunicar, se conectar.Tudo pode ser dança.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

REFUGIADOS OU A ARTE DE ABOLIR FRONTEIRAS

A Globalização dirimiu as fronteiras do dinheiro, mas aprofundou a distância entre ricos e pobres. Na contemporaneidade é impossível pensar o mundo sem olhar a diversidade e identidade. No século XVI os barcos e as grandes navegações carregavam o preço do desconhecido, novas terras para serem desbravadas, e enfim exploradas saqueadas.Havia a escravidão, a exploração. Atualmente com toda a tecnologia existente, as embarcações hoje estão carregadas de gente, imigrantes fugindo da guerra, de governos insanos e economias devastadas. O fato é que estamos no mesmo barco. A Europa nunca vai dormir tranquila, o preço da indiferença já está sendo cobrado.Um mundo sem fronteiras deveria ser uma realidade. Enquanto a Hungria cria cercas e criminaliza a imigração, a Finlândia pensa em aumentar os impostos dos ricos para acolher refugiados. A primeira vez que entrei em contato com essa realidade foi através da exposição Êxodos do fotógrafo Sebastião Salgado, vi muito sofrimento e olhares perdidos. Recentemente, fiquei chocada, com a foto de uma criança Síria, morta na praia, com a polícia maltratando os refugiados, crianças, inocentes, velhos, famílias que só pedem para sobreviver e criar seus filhos com dignidade. lembro também daquela menina refugiada do Afeganistão, de olhar fulminante, verdes, foto célebre do fotógrafo Steve Mccurri, que precisou costurar os rolos na sua roupa disfarçado de habitante local. Trinta anos depois ele a fotografou novamente, mesmo com o impacto da fotografia, ela continuou anônima. Eu poderia citar inúmeros artistas de diferentes épocas, para ilustrar o quanto a arte tem esse papel de refletir o que de belo e perverso há no ser humano. Acredito que a arte se reinventou bastante quando rompeu fronteiras e estabeleceu o diálogo da tradição com a inovação. As vanguardas do inicio do século XIX, Por exemplo, Antonin Artaud( 1848-1948 diretor, dramaturgo, ator Frânces que ao entrar em contato com a dança Balinesa, inovou no teatro,Gerzy Grotowiski( 1933-1999) e o teatro pobre, incorporando mantras e o conceito do ator santo, influência do teatro oriental, a coreógrafa e dançarina Pina Bausch ( 1940- 2009) criadora da "dança-teatro contemporânea, propondo a integração destas linguagens, o termo já era usado em 1910, por membros da dança expressionista distanciando a linguagem do balé Clássico,ela herdou influências de Rudolf Van Laban ( 1879-1958), que fez pesquisas quando viajou para a ásia,posterior a ele estão Mary Wigmam( 1886-1973) e Kurt Jooss(1901-1979), em essência é buscar o elemento humano,uma arte que aprofunde a relação com o público, se somos todos " analfabetos emocionais", cruzar fronteiras e importar símbolos, signos e técnicas de uma cultura estranha à nossa, pode ser o caminho trilhado pela arte para romper as fronteiras que nos afastam. A arte pode integrar e reinventar o humano.Quem sabe a economia mundial, um dia, não vai olhar o ser humano em sua grandiosidade em detrimento dos lucros? Foto -Steve Mccurri A seguir um texto sobre A MESA VERDE do coreografo Kurt Jooss, que até hoje é muito atual, uma metáfora da hipocrisia das conferências de paz e dos horrores da guerra. o texto abaixo foi escrito por Vasco Tomás - do blog- Verbiário Volátil A dança como denúncia da inoperância política: o exemplo de A Mesa verde de Kurt Jooss "O coreógrafo alemão Kurt Jooss ( 1901-) impôs na cena internacional a dança livre de tendência expressionista, produzindo várias versões dos Ballets Russos. A sua obra prima continua a ser, ainda hoje, o espetáculo de dança A Mesa Verde, apresentada em Paris em 1932, o qual é uma parábola de denúncia da hipocrisia das conferências de paz e dos horrores da guerra. No início do bailado, em volta de uma mesa verde, senhores ajaezados de modo grotesco (com perucas na cabeça e com fatos de cerimónia) discutem o destino da humanidade. Não havendo acordo, puxam das pistolas e recomeça a guerra. Numa sequência de quadros em que os horrores da guerra se fazem sentir sobre os soldados e as populações, uma figura gigantesca, com o esqueleto desenhado nas suas vestes, executa a dança da Morte. Após o que, mais uma vez, se retomavam as negociações de paz, nos mesmos moldes e com o mesmo desfecho. Nova tragédia estava à vista. O bailado de Jooss assume, para nós hoje, um significado particular que interessa meditar. Ele foi premonitório, no momento em que surgiu (1932), do desastre que estava em marcha: o nazismo estava em ascensão galopante, que o levaria ao poder no ano seguinte, e a Alemanha estava assolada por uma crise econômica e social crescente, na sequência da crise financeira de 1929-32. A guerra era uma possibilidade que se tornou uma realidade irreparável. Continua a lembrar-nos de que as soluções políticas, só por si, não imunizam contra as guerras. Temos que buscar os meios - e têmo-los - que previnam esse mal maior, sempre à espreita".

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

IMANI TRIBE FEST

Seminário de Música e Dança Mostra e Show Nos dias 12 e 13 de setembro o IMANI TRIBE FEST reunirá grandes nomes da dança e música de brasília. O Seminário contará com oficinas, proporcionando aos participantes uma imersão de mais de 10 horas de estudos, aprendizado e aprimoramento nessas áreas. No dia 12 de setembro serão realizados Mostra de Dança Novos Talentos e em seguida o Show que contará com a participação da renomada banda de música oriental e fusões Kervansarai, músicos convidados e grandes nomes da dança de Brasília. Durante a mostra e o show, será realizada exposição de artesanato e gastronomia, expositores entrem em contato pelo e-mail inscricaoimani@hotmail.com. Confira a programação das Oficinas e Show: Laboratório de Música - MÚSICA ÁRABE: MELODIAS E RITMOS - Oficina I Bernardo Bittencourt (Para bailarinas, músicos e apreciadores) - MÚSICA ÁRABE: MICROTONALISMO E LINGUAGEM ORIENTAL Bernardo Bittencourt (Exclusivo para músicos) Investimento: Oficina I - R$ 100,00 Oficina II - R$ 120,00 Passaporte para as duas oficinas - R$ 180,00 Endereço: Academia de Música de Brasília - SCLN 201, Bl A, Sl 101/115 (3327-0951) Laboratório de Dança - AMERICAN TRIBAL STYLE® (ATS®) Módulos I e II Raisa Latorraca (participação da professora Amanda Zayek) - DOMÍNIO CORPORAL E REPERTÓRIO ATRAVÉS DO IMPROVISO Amanda Rosa - O TEATRO NA DANÇA - FUSÃO ANCESTRAL Nara Faria - FLUÊNCIA DE MOVIMENTOS - TÉCNICAS DO BALLET E DANÇA CONTEMPORÂNEA Iago Gabriel - TRIBAL FUSION: DOS MOVIMENTOS SINUOSOS AOS ISOLADOS - CONDICIONAMENTO E ESTUDO COREOGRÁFICO Raisa Latorraca e Bety Vinil - BARAKA ORIENTE-OCIDENTE CORPO EXPRESSIVO Baseado na Dança Clássica Indiana Mirabai Investimento: Oficinas Avulsas - R$ 70,00 2 Oficinas - R$ 120,00. 3 Oficinas - R$180,00. Acima de 4 oficinas - R$55,00 cada. Passaporte para todas oficinas R$300,00 Endereço: Backstage Dance Center - SCRN 710/711, Bl D, Lj 41 (3202-1255) Programação Shows Imani Tribe Fest (12 de setembro) * MOSTRA NOVOS TALENTOS - 17h Inscrições pelo email: inscricaoimani@hotmail.com * Show Imani Tribe Fest - Bailarinos convidados - 19h30 * Show Kervansarai - 21h (Participação de Bailarinos e Músicos convidados) *Exposição de artesanato e gastronomia - 16h30 às 22h Ingressos antecipados: Backstage Dance Center e Academia De Musica De Brasília Endereço: "Falcon's Nest" SHIS QI 29, CJ. 7, CASA 15 Confiram as participações especiais no Show do Kervansarai, próximo sábado, no Imani Tribe Fest! Raphael Cortés Amanda Rosa Amanda Zayek Nara Faria Blaisson Farid Gabi Ribeiro Maria Vilarinho Cardoso Facchinetti Paulo Nagô Derbake Para maiores informações: inscricaoimani@hotmail.com (61) 8142-0412 Realização: Imani Ateliê Apoio: Backstage Dance Center Academia De Musica De Brasília Saravah Produções

O SAGRADO NA DANÇA

Eu sempre fui considerada estranha, exótica, por ser considerada muito dispersa, fora do ar.Ao mesmo tempo, sempre fui muito concentrada nas coisas da alma.Apaixonada por paisagens e toda a sorte de mecanismos para viajar pra dentro. A experiência na criação de uma arte que produza atmosfera e presença, me transformou numa dançarina em estado de meditação constante. O sincretismo religioso que me levou a buscar Deus em variados contextos. Minha dança é a minha prece. Busco esta estética no ato de dançar, para que o meu mundo interno que dança, alcance a alma das pessoas. Não quero platéia, quero seres humanos que sintam a experiência da dança, sendo vivenciada no " aqui e agora". Olhar seria apenas o primeiro passo, para morar dentro de alguém, nem que seja por alguns estantes.Permanecer no imaginário de alguém, ter o meu mundo misturado,aprofundado num rito, um banquete degustado por todos, tendo como iguaria a dança. No entanto é preciso ficar claro que dançar exige técnica, estudo e precisão.Não existe fumacinha, meditação, reza que faça uma pessoa dançar. Acredito que temos a capacidade de entrar em vivência profunda dançando, sem nunca ter entrado numa escola de dança, tudo é possível. Mas é o treinamento físico,o contato com o corpo numa determinada linguagem que aproxima o corpo de sua verdade. A técnica não é um fim, é um meio, um veículo, para acessar estados de consciência para se integrar corpo, mente e alma. Quando estou sozinha no palco, posso desfrutar da mágica de ser eu mesma, me doar totalmente sem medo e reserva, presente, viva. Fotos: Elisabete Alves

sábado, 5 de setembro de 2015

DANÇA SEM FRONTEIRAS

O festival dança à mostra, é um importante festival de dança de Brasília. É um grande instrumento de fomento a   O Festival dança à mostra, é um importante festival de dança de Brasília. É um grande instrumento de fomento a grupos de dança de diferentes linguagens e estéticas diferentes, sem perder a qualidade. O formato do festival permite promover o intercâmbio dos grupos participantes e ampliar as fronteiras da dança.  O público que reside no entorno de Brasília, que muitas vezes, só doam sua força de trabalho, um vínculo empregatício, podem através de ações pensadas por exemplos como os Bailarinos Janson Damasceno e Sheyla Resende Silva, abrir a porta do mundo da dança, para muitos que nunca tiveram a oportunidade de sonhar, para aqueles que sonham, mas não têm acesso e para todas as almas sensíveis, que só precisam muitas vezes de olhar, ver e perceber a grandiosidade da espécie humana através do movimento.   Agradeço pela oportunidade de levar meu pequeno universo dançante, para o movimento da dança em Brasília, através do Dança a mostra . Construindo um só corpo, feito de desejo, paixão e vontade de ser dança.

BLADE RUNNER

Ontem vi uma senhora grávida no último lugar num caixa de auto-atendimento, eu estava numa posição privilegiada na fila e estava lend...