domingo, 9 de agosto de 2015

SEGREDOS DA ALMA FEMININA

Assisti o filme do cineasta Pedro Almodóvar, A flor do meu segredo. O filme é uma radiografia da solidão da alma feminina que sangra incompreendida no mundo.Eu sei que as conquistas e desventuras do feminino continuam com as suas bandeiras erguidas pelo mundo. O filme aborda um aspecto profundo. Reside em espaços que não são compreendidos e muitas vezes anulados. No filme esta solidão é representada por uma escritora de filmes românticos, que resolve sair de sua casa, decidida a pedir ajuda para tira as botas. Os pés, ela está buscando suas raízes, sem saber.Algo aparentemente corriqueiro, mas desencadeia a busca pela sua alma perdida, mergulhada em relações vazias e ausentes de vida, que ela tenta compensar na bebida e numa relacionamento tóxico. O relacionamento acaba, ela decide escrever histórias reais, e quando mergulha no vazio, encontra as suas forças voltando para a sua aldeia com a sua mãe. Um diálogo muito interessante com a sua mãe é revelado a flor do seu segredo; quando nos sentimos vacas sem sino, ou seja perdidas e sem rumo, é a hora de voltar para a origem, para onde nasceu.A força feminina pode ser resgatada no reconhecimento das mulheres que lutaram para nos facilitar a caminhada até aqui. Nossa força está em honrar nossos ancestrais. A cena mais bonita do filme é quando a protagonista do filme está na aldeia com as mulheres daquele vilarejo, fazendo um trabalho artesanal juntas, e num instante mágico, as mulheres começam a cantar. O canto foi o acalanto para a sua alma, e a indicação do caminho de volta, para ela refazer sua própria melodia e voltar com a força necessária para ser dona da sua vida. Muitas vezes voltar a estas raízes é perigoso,podemos desenterrar fantasmas, ossos que precisamos manter enterrados.Mas abrir a porta do porão é o caminho para reunir forças aliadas na vida e não virar refém de pessoas, relacionamentos ruins, para não ficar sozinha,ou falsos mestres, disfarçados de líderes espirituais.Quando não estou em contato com o meu corpo, ou fico fico batendo o pés, ou fazendo reverência em homenagem a elas, com a respiração nos pés, peço forças a linhagem que veio antes de mim, através de minha mãe, minha avó, bisavó... Busco Também, encontrar minha alma feminina nas obras da Frida Kahlo( 1907-1954), pintora mexicana, nos livros da escritora Sivya Plath (1932-1954), muitas mulheres, mas fico por aqui, não poderia terminar de citar mulheres anônimas ou não, que buscaram se explicar nessa vida.Susan Sontag escreveu no seu diário:" Eu abraço a minha solidão como uma dádiva; vou me tornar bonita por meio dela".

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