sexta-feira, 7 de agosto de 2015

POESIA CORPÓREA

Fiz uma performance de dança sobre a opressão. O meu corpo comprimido,fechado e com os punhos cerrados, com a cabeça encostada no chão. Dancei no solo, plano baixo. Dancei a opressão e deixei o meu corpo falar. Os movimentos complexos brigavam com o chão, com as transferências de peso.Meu corpo acessou memórias desconhecidas e num certo momento, meu corpo entrou numa vivência muito profunda me trancando no porão, estava presa dentro de mim, e não sabia como penetrar mais fundo e emergir viva. O corpo é um mistério e uma dádiva.Demorei muito tempo para sair da prisão criada por mim.Fico pensando na minha natureza aprisionada, por não acreditar que ainda tem espaço nesse mundo para a pureza e o mistério. Numa época em que tudo pode ser dito e explicado por todos,me reservo o direito de continuar sendo uma desconhecida de mim mesma, estrangeira.O contato comigo só acontece no estado supremo da dança.É na dança que meu espaço espaço interno libera extasiado,memórias de uma vida selvagem que abandonei por ter levado muitos tombos.Aprendi a calcular a queda, mas não aprendi a levar uma existência calculada.Isso fere o meu caminho de busca por transformação e leveza.Levei anos fazendo Biodança,terapias alternativas, para me sentir viva e humana na vida. Levar para a vida o que sinto quando danço.A maravilha de me abrir não vingou.Sim, o mundo é perverso também. A china invadiu o pacífico Tibet. Ainda estou impactada com esse exercício de dançar a liberdade, só não sei se é possível expandir minha luz, e me proteger de energias perigosas.Preciso aprender.Eu me alimento da riqueza do meu mundo interior, mas no momento percebo que estou reservando espaços onde me sinto protegida, para voar e ser eu mesma.Criar força para elevar consciência diante do infinito desejo de ser uma pessoa melhor.Arte não salva ninguém, mas pode ser uma grande ferramenta para sonhar e transformar a realidade de alguém.Como viver sem sonhos? Eu continuo acreditando que as respostas vêm do meu corpo. " O que aconteceria se,em vez de apenas construir nossa vida, nós nos entregássemos à loucura, ou á sabedoria de dançá-la?"

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