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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

DO TRÁGICO AO CÔMICO

Jung(1903-1955) disse uma vez que Deus adquiria mais consciência à medida que os seres humanos adquiriam mais conciência. Precisamos ter raízes, acessar a terra, através das pernas e dos pés, para obter ritmo. Se estamos muito no mundo dos pensamentos, com a mente atormentada, o ideal é sentir o corpo. Funciona bater os pés no chão, correr por exemplo, é um ótimo remédio para quem tem depressão. Aliás qualquer trabalho corporal ajuda muito no tratamento, associado à terapia e antidepressivos.Complicado é encontrar o mecanismo que acione o desejo de movimentar o corpo. Complicado para quem sofre de depressão é encontrar sentido na vida. Gostar de viver é uma tarefa árdua. No entanto quando o corpo consegue sair da prisão,a vida fica leve . Não vejo situação mais adjecta que mandar um depressivo sair do seu estado por conta própria, como se ele tivesse escolhido ficar com a sua vida parada. Eu sei que com muito esforço, muita gente consegue a cura, ou o caminho das pedras para viver bem.E assim, encarando o próprio processo, como busca para "abrir as portas da percepção",encontrar a paz. O caminho é árduo e complexo, porque é uma doença invisível, não a vemos no corpo físico. Mas podemos percebê-la na imobilidade, na falta de energia,na baixa estima e no peso da voz, na imobilidade, na não vida, solidão, deserto. Se você conhece alguém nesse estado, saiba que existem muitas maneiras de ser solidário,na minha modesta opinião, compreender, ouvir, propor algum movimento, abraçar,convidar para dançar, só ficar perto. se importar de verdade. Aos poucos o movimento recria a vida e a cabeça fica leve. Olhamos nossas raízes, com nossas pernas e pés.Passamos a buscar a base, o que nos sustenta e nos deixa de pé. Atraves do quadril,a tendência é ganhar um novo equilíbrio,ter base para agir na vida. O ideal é integrar o pensar (cabeça), o sentir (coração) e o agir (quadril). Enfim, é trabalho duro sobre si mesmo. No teatro Nô japones, a caminhada é feita dobrando os joelhos para frente, os joelhos flexionam, os pés fazen pressão pelo chão e deslizam,em vez de levantarem para dar um passo normal.Desta forma, o ator revela a sua vida.Justamente na relação do equilíbrio do movimento suave e forte. Ele também(o ator) usa o máximo de energia, para se obter um resultado mínimo.Desta forma, ele encontra no incômodo, na resistência das forças opostas,sua capacidade de aguentar firme, resistir. A vida é um fluxo contínuo. E o humor é fundamental, lembrei de uma definição de comédia que adoro, do filósofo Sócrates:O cômico é uma pequena desarmonia,de pequenas proporções,com possíveis consequências desastrosas. O movimento, a respiração, nos leva para nossa casa, o corpo, para que a criança interna dê cambalhotas e volte a sorrir.

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