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quinta-feira, 20 de agosto de 2015

ARQUITETURA DO SER

hoje conversei com uma pessoa totalmente sem energia, fiquei muito impaciente,ao observá-la e ao mesmo tempo, fiquei com uma imensa vontade de falar para este ser humano, diminuído pela vida, que temos o direito de sentir leveza,força, delicadeza e sentimento de pertencer ao universo.Todas as possibilidades do mundo, sem sair de dentro de casa, para depois tomar impulso e sair para a rua. Esta pessoa era uma ausência na presença, até o abraço dela era amorfo, sem tônus.Usei este exemplo, com todo o meu respeito por esta pessoa, para refletir sobre a complexidade do simples.Sobre pessoas que passam a vida construindo projetos futuros para malhar, fazer yoga, virar vegetariana, ganhar dinheiro, viajar, ser musa do fitness, e outra infinidade de promessas para sentir a vida, simplesmente ser gente. Quando muitas vezes estamos estagnados, construindo modelos mentais, cheios de barreiras para começar a ser feliz com o que se tem.Não Muitas vezes precisamos ser iniciados na depressão, para buscar o sentido da vida.Ninguém escolhe ser deprimido.Todo mundo quer ser feliz.Não é à toa que nas redes sociais todos querem demonstrar felicidade, que nem sempre corresponde à realidade. Eu gostaria de falar de algo bem simples.Hoje estava com os pensamentos turvos, porque estou me preparando para uma série de apresentações de dança, e a minha mente começa a pensar abstrato, vejo dança nas árvores, no caminhar das pessoas nas ruas, nas nuvens, sou a própria subjetividade, num mundo concreto, que me exige disciplina e foco constante. Caminhei dentro do bosque, sem destino, flanando. Incrível que apenas esta ação me deixou harmonizada. A vida é feita destes pequenos momentos que podemos escolher para dar um mergulho na desordem interna e sair inteira. Importante quando a ousadia chega a ampliar o gesto em direção à dança, ou qualquer treinamento corporal consciente.O movimento é a porta de acesso a nossa energia vital. O corpo morto em vida é muito amorfo, A grande questão é: Como falar de energia, para pessoas que ainda estão numa camada muito grossa em relação às emoções e a conexão com a vida? Tudo é energia, somos feitos de pequenos detalhes que somam ao todo. Estar presente na vida, é o caminho para transformar através de ferramentas, o corpo num aliado. Não existe nem mesmo a necessidade de aprender a dançar,ela já está dentro de cada um. Podemos fazer do cotidiano um balé. O simples fato de pisar os pés no chão com força, quando nos sentimos invisíveis faz muita diferença. Treinar no espelho as expressões faciais, abrir a boca, movimentar os olhos.Todo o corpo pode ser treinado para ser expressivo e vivo. A beleza física é muito valorizada, no entanto uma pessoa que se descobre, e percebe os sinais do corpo, exala uma beleza natural, uma energia que envolve a todos, a harmonia construída através do diálogo constante consigo mesma. A sensação de leveza de respirar e soltar os braços simulando alçar vôo, vale mais do que cremes caros para não deixar a testa franzida. E temos muitas conexões neuronais que são elaboradas quando o movimento de qualidade é acrescentado ao cotidiano. Nem vejo necessidade de ser massacrado numa sala de dança,para aprender passos de dança.No entanto a sensação de confusão mental ao aprender algo novo, a experimentação da deserdem e do caos, provoca mudanças. Tira a pessoa do chão, o espaço interno e externo, começa a ser visto de forma diferente. O caminhar passa a ter menos peso, o mundo fica mais leve. Portanto, encontrar um caminho pessoal, para sentir o corpo, conversar com ele, e ressuscitar para a vida. Ontem, sonhei com uma criança me vendendo algo que não lembro bem o que era, eu perguntei se podia pagar com dinheiro imaginário, e ela respondeu: sim!

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