quinta-feira, 23 de julho de 2015

0 JARDIM DA ALMA

"O deserto é uma metáfora da árida paisagem psicológica, onde a criatividade e a geratividade estão ausentes, onde nada floresce e a vida é sem sentido e emocionalmente monótona." para materializar uma idéia, vou me costurando através de vários caminhos, e mutas vezes com um antagonismo atroz da idéia principal. Literatura para dissecar o universo de idéias para serem transformadas em gesto, movimento. Necessito do cinema e não é qualquer filme . psicologia, investigo meus sonhos e anoto.A arquitetura tem papel importante na construção coreográfica, na relação do espaço com o corpo e o tempo.A fotografia é muito importante na construção da minha gestualidade.   Todos os atalhos para me perder no caminho, virar de cabeça pra baixo e me distanciar. O papel branco, o momento que simplesmente não sabemos onde nosso período de investigação vai dar.Mais do que qualquer resultado objetivo, de conhecimento ou comportamento, conduz ás fronteiras do desconhecido. Apenas abre.E por ela abrir a significados e sentidos na vivência, para espaços conscientes, convida ao acolhimento do não conhecido, não pensado, não vivido.Chegamos onde não entendemos.Vivemos o "entre". Por mais angustiante que seja, entrar nesse universo novo,mesmo trilhando um processo temeroso, rumo ao "não sei onde vai dar a estrada", vale a pena concretizar uma idéia, projeto.Eu considero fundamental sair do reino dss certezas, das fórmulas prontas, negando as dúvidas, e o não saber.Quando não arriscamos, mergulhados numa falsa segurança, somos impedidos de sentir a emergência do novo. A travessia da criação é bloqueada, e a alma fica no deserto.A dança poderia ser a irrigação dos jardins da alma,antidoto contra a desertificação.Somos trezentos, como dizia Mario de Andrade. "A minha casa vive aberta, abre todas as portas do coração".

terça-feira, 21 de julho de 2015

CORPOS ESCRITOS

"Onde encontrei vida, encontrei verdade e potência." Esta frase do Nietzsche filósofo Alemão (1844-1900), me acompanha. Gostaria de ver a arte como mediação entre as coisas, no pensamento pré-Socrático,a vida como transformação constante, o devir.Nosso modelo de pensamento nasce com Platão e Sócrates.O pensamento torna-se superior ao corpo,suprimindo a pluralidade.E como consequência a negação do corpo. Felizmente estamos retomando o fio do tecido da vida, na contemporaneidade. Diversidade e identidade são possibilidades fundamentais para se achar o nosso lugar no mundo. O corpo como o centro do mundo." O universo numa casca de noz", a estética do sabor, do fruir. O corpo fonte de prazer, dores, cheiros, enfim, sensações. Na dança Indiana tem o conceito de rasa, que significa suco, ,essencia, seiva.A dançarina é considerada uma gourmet,que prepara com o seu corpo uma iguaria, seus sentimentos são os temperos.E quando ela apresenta a sua dança iguaria,o banquete é ofertado ao público. E quando o público sente o seu sabor, entra em deleite estético . Não existe separação entre dançarina e público. Todos podem desfrutar a dança, fazendo parte do rito, da cerimônia, diante do altar da dança. Emoção sempre, vestida de mim. Quero que minha dança transforme o banal em sublime, porque sou uma pesquisadora do cotidiano. "Se escrevo o que sinto é porque assim diminuo a febre de sentir" Independentemente da sua história, existe um instante sublime no seu corpo,esse instante é o movimento. Instante de ler as mensagens do seu corpo, entender que o corpo tem memória para construir a si mesma. A verdade do corpo, nasce com a experiência. É o homem que segundo Nietzsche, se supera e se reinventa no presente.

terça-feira, 7 de julho de 2015

O SOM DA FÚRIA

Assisti um documentário sobre uma cantora norte Americana, chamada Nina Simone, fiquei impressionada com a verdade e sua integridade.Ela falava sobre ser enquadrada no "Jazz", e ela contestava veementemente, afirmando que a sua música era" música clássica Negra".Morreu amargurada, foi impossível convencer alguém do contrário. Ela dedicou anos de sua vida estudando piano para ingressar numa prestigiada instituição,e foi negado o seu ingresso por ser negra. Lutou pelos direitos civis, lutou muito, sua fúria, ficou marcada na sua arte. Quando a arte fazia parte do cotidiano, não havia o "culto ao artista", não havia a necessidade de rótulos. O mercado sempre viu a arte como um produto, e a necessidade de rotular para assegurar lucros, nada contra o dinheiro. Percebo que é difícil fazer arte sem patrocínio, a cada dia, talento não é ter um dom, afinal todo mundo tem. O que distingue um artista é a necessidade visceral de executar e concretizar uma ideia. Estamos em busca de fazer algo com profundidade e ao mesmo tempo existe a pressão da sobrevivência. Eu estou a cada dia me distanciando destas armadilhas e ao mesmo tempo preciso encontrar caminhos para financiar meus projetos, não consigo desistir deles, é como se fosse uma segunda pele.Eles ficam povoando meus pensamentos como fantasmas, imagens aparecem, sonhos com temas recorrentes, é complicado não fazer, ficamos neuróticos, incompletos. Portando pesquisar uma linguagem e realizar uma ideia é o que me faz sentir a vida." E não se trata de dançar e sim de me sentir viva. Continuo sendo complexa, e olhando para a minha sombra. Estou em constante processo de pesquisa, e não sei quando isso vai virar espetáculo, eu me recuso a ser algo que ainda não criei. Vou continuar sendo "um ponto fora da curva" até encontrar minha estética, minha maneira de conversar com o mundo.

"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...