quarta-feira, 17 de junho de 2015

"A CAVERNA DOS SONHOS ESQUECIDOS"

Eu danço para resgatar memórias e contruir conhecimento. Adotei como centro da minha pesquisa pessoal na arte de viver, o corpo como referência para pensar o mundo. Um legado dos povos tradicionais do Paleolítico era a permeabilidade, a impermanência de tudo, uma árvore poderia falar, um homem poderia ser transformado em animal e vice-versa,não existia barreira.Segundo os paleontólogos, eles inventaram o futuro, com a invenção da figuração de animais, coisas gravadas nas cavernas,seriam uma forma de comunicação, com os seres humanos do futuro, para evocar o passado, para transmitir informações. Sendo assim, o que parece primitivo é moderno. O gesto precedeu a fala,e a dança fazia parte dos ritos. No antigo Egito a dança era a dramatização do mito de Osires, na Grécia antiga a dança era presente no cotidiano, cada Deus tinha seu próprio rito.A bailarina americana Isadora Duncan (1877-1927), se inspirou na Grécia, para encontrar sua dança livre, revolucionando a dança do século XX, ignorando todas as técnicas do balé clássico, foi a primeira a tirar as sapatilhas e ousar dançar descalça, usando apenas uma túnica e os cabelos soltos, com o cenário simples, uma cortina. Estou escrevendo sobre uma investigação antiga,que faz muito sentido para mim.Fiz uso da Ayahuasca o chá do santo daime, fiz maratonas de Biodança e xamanismo. Entendo a dança como uma celebração à vida, desde os primórdios. Dançar é um exercício de pertencimento à espécie humana, é recriar memórias e resgatar o nosso corpo da prisão do nosso eu, abrir espaço para estar presente. Homo sapiens será que sabemos? A caverna dos sonhos esquecidos é um filme de Werner Herzog,serviu de inspiração para escrever o texto.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

QUE O CORAÇÃO NÃO SE OCULTE

George Orwell, romancista,ensaista e jornalista ( 1903-1950), no seu livro 1984, escreveu sobre "a polícia do pensamento", uma história sobre o nefasto totalitarismo e o controle do indivíduo.O Big Brother da ficção,foi superado pelo grande irmão da realidade.Achei interessante o que ele denominou como duplipensamento, uma palavra definida como a capacidade de manter idéias opostas simultaneamente, ou a capacidade de abrigar ao mesmo tempo na cabeça duas crenças contraditórias. Faço uma analogia em relação ao pensamento da filósofa Viviane Mosé que nos fala do pensamento em duplas, segundo ela,a sociedade ainda acredita que precisa defender uma crença, idéia ou criticá-la, esquecendo que precisamos ver muitas coisas como realidade. Simbolizar é descobrir outros sentidos,ir além do conhecido, atravessar fronteiras, é fazer ligações, unir fragmentos,expandir personalidades. Há nesta dinâmica um convite a um curioso escutar e ver as coisas de modo diferente. Não de explicá-las, ou mesmo compreendê-las, mas de não negar o desconhecido e, talvez, surpreender-se com o que parece. talvez o germe da criação.. Nosso modelo de pensamento nasce com Sócrates e Platão. No pensamento pré-socrático a arte intermediava as relações, a idéia de verdade absoluta não era clara, a vida era vista como transformação constante, tudo muda o tempo todo, nada é fixo.A vida com cheiros, sabores, corpo e arte.Precisamos resgatar a afirmação da vida. Da tradição hindu aprendemos que a dança é uma forma de ancestral de magia . Através dela o dançarino , se transforma, expande-se, chega à vivência do divino. Shiva Nataraja, é o senhor da dança, aquele que personifica e manifesta a força e os poderes de dissolução, evolução e preservação do universo. É o dançarino cósmico que, no seu girar incessantente, faz mover a energia eterna:criação-expansão, destruição e criação.

sábado, 6 de junho de 2015

FUNDAÇÃO PINA BAUSCH ABRE SELEÇÃO PARA PROGRAMA DE BOLSISTAS

Fundação Pina Bausch abre seleção para programa de bolsistas Publicado em 03/06/2015, Às 19:02 Pina Bausch. Foto: Internet A Fundação Pina Bausch, na Alemanha, está com as inscrições abertas, até 1º de outubro, para o intercâmbio de bolsistas do Programa para Dançarinos e Coreógrafos. Esta é a primeira vez que a escola, criada por Salomon Bausch após a morte de sua mãe, abre processo de seleção.Cada bolsista deve ter um projeto de no mínimo três e no máximo seis meses. O selecionado receberá uma bolsa mensal no valor de 2.500 euros, além de ter cobertas as despesas de viagem.Para participar, o bailarino tem que ser graduado em Dança ou ter pelo menos dois anos de experiência profissional em um grupo de renome. No caso de um coreógrafo, o prerequisito Criação independente de pelo menos uma produção com apresentação pública nos últimos três anos.Os selecionados serão anunciados em meados dezembro e irão participar de uma semana introdutória em Wuppertal, na Alemanha, de 27 a 31 janeiro de 2016. Após a conclusão da bolsa, os participantes apresentam os seus resultados em uma palestra.As inscrições são feitas através do site oficial da Fundação Pina Bausch.  Postado por Mateus Araújo

terça-feira, 2 de junho de 2015

ORGANICIDADE

  Se " tornar mais humano que o humano"  adquirir uma segunda natureza refinada que permite olhar para dentro de mim e para o mundo. O desafio de sempre ao finalizar um projeto recomeçar do zero.Ampliar as fronteiras e desafios de investigar o inefável, o "inominável", renomear partes de mim e os diferentes diálogos que vou traçando com as diferentes linguagens a serem investigadas.Muito importante para mim é a liberdade da busca, não me prender a modelos ou fórmulas fáceis.Construir uma linguagem e permanecer acreditando que o lirismo e a poesia devem  fazer parte do cotidiano e não apenas por instantes. A modernidade nos exige um poder de síntese e de foco muito grande.Temos muita informação e pouca sabedoria. Cultivar o simples e o que é essencialmente primordial para chegarmos a alguma resposta. A arte pode abrir portas para o sentido da busca, ou pode ser a própria busca em sí. Estou  novamente em busca  da relação com o particular e o universal, " falar da minha aldeia", para me explicar no mundo. O blog Baraka é fruto desta tentativa de auto-explicação através da procura por minha linguagem pessoal, Meu processo de pesquisa, tem como principal a proposta de me dançar no espaço. É sempre uma viajem de dentro pra fora, a técnica como veículo, estruturada por uma arquitetura simbólica do corpo e da alma. Sou uma viajante do tempo onde presente ,passado e futuro fazem parte da mesma substância porque eu busco a atemporalidade, aquela qualidade de presença que transforma qualquer instante em superação e ternura. "Precisamos estar dispostos a nos livrar da vida que planejamos, para podermos viver a vida que nos espera. A pele velha tem que cair para que uma nova possa nascer." 

BLADE RUNNER

Ontem vi uma senhora grávida no último lugar num caixa de auto-atendimento, eu estava numa posição privilegiada na fila e estava lend...