terça-feira, 19 de maio de 2015

ORIENTE-OCIDENTE-CORPO EXPRESSIVO

Devemos ao sábio Barata o Natya Shastra, o tratado das artes, incluindo a dança.Esta dança é uma arte completa. Poesia corpórea nos movimentos das mãos, do rosto, da percussão dos pés.Gestualidade simbólica que inclue o traje , os intrumentos, a escultura, a arquitetura templária, a música,a poesia e a metafísica. Dança e teatro são linguagens simultâneas, em uma única manisfestação. No Ocidente a renovação artística européia no século XIX tem ligação íntima com o encontro das culturas Ocidental-Oriental.Para citar alguns exemplos o teatro épico de Bertold Breht buscou inspiração nas tradições Orientais.Um dos conceitos de Brecht o efeito do distanciamento é baseado em reflexões sobre a ópera de Pequim.O teatro da crueldade de Antonin Artaud começou a surgir influenciado pela dança de Bali, na busca de um sentido poético essencial que aproxima o teatro à dimensão metafísica da vida. Outro grande encenador, Jerzy Grotowiski, partindo das idéias Artaudianas formulou o "teatro pobre", que coloca o ator no centro do processo criativo, onde a arte é um veículo, introduziu no treinamento corporal dos atores mantras e técnicas corpóreas baseadas no treinamento dos atores Orientais. E finalmente Eugênio Barba dá continuidade às idéias de Grotowiski .Ele parte para diversas parte do mundo, inclusive o Oriente em busca de conhecer suas tradições vivas e de onde parte a técnica para se acessar a organicidade do ator-dançarino para mais tarde sistematizar uma das maiores contribuições para o teatro Ocidental no teatro contemporâneo, a atropologia teatral .Sua pesquisa foi baseada na investigação do Kathakali, Odissi, ( estilos de dança clássica Indiana), dança Balinesa, Kabuki e até a capoeira , a tradição do obutoh( dança Japonesa) tendo sempre como foco o intercâmbio de técnicas , a sistematização da organicidade do ator-dançarino. Vale destacar Tasumi igigata e Kzuo Ono ( atores-dançarinos de butoh), que em diferentes períodos , aliam elementos de expressionismo Alemão e de outras vanguardas européias , esta trasnculturalidade, ou este diálogo de signos contribuiu para alargar as fronteiras da arte . Ariane Mnouchkine afirmou uma vez em uma entrevista que o teatro é Oriental, não podemos ser tão absolutos mas o teatro-dança Oriental e este diálogo foram fundamentais para se reiventar a arte inerente à cada cultura, por exemplo rever as noções de tempo e espaço , os gestos codificados e sistematizados, o registro, simbolismo e gestos dançados,a presença do ator-dançarino, a multisensorialidade o relativismo em relação ao cartesianismo, em que a experiência e a expressão se reúnem para dar sentido à condição humana, ignorando fronteiras , para facilitar a percepção do conhecimento e do entendimento do outro, através das diferenças. Módulo 1 -ORIENTE Namaskar- Saudação e oferenda Aramandhi- Posição básica Dança das oposições- movimento de forças contrapostas, cada movimento no sistema codificado dos movimentos do ator se baseia no princípio pelo qual cada movimento deve começar na direção oposta ao qual se dirige.( ópera de pequim, dança clássica Indiana,no Teatro Kabuki e Nô japonês, etc) Presença do ator - Energia- Lasya e tandava- Uso da energia que se relaciona com a apresentação do estilo. Hastas- Gestos das mãos Adavus Unidade de base rítmica dentro de um tempo específico-Combinação de passos de dança e de gestos para serem usados em Nritta -Expressão, melodia e rítmo em cada movimento. ( Natta- adavu e Tatta -adavu )- Trabalho de pernas- Solukattu -Sílabas rítmicas Rítmo- Sequencias de movimentos e três velocidades de tempo ABHINAYA é o elemento expressivo presente em todas as formas clássicas de dança indiana. É através dele que o ator-bailarino conta estórias com seu corpo, através de expressões faciais e gestos de mãos codificados. Neste caso o foco estará no desenvolvimento da habilidade de contar estórias, valendo-se da técnica do Abhinaya. Dança e teatro como linguagens simultâneas- Nritta -dança pura e abstrata e Nrtya- dança que representa-( teatro) MÓDULO 2-OCIDENTE Treinamento centrado especificamente nos olhos, de modo que o bailarino tome consciência da colocação e da expressão do seu olhar. Exercícios de desenvolvimento da flexibilidade das mãos , dos dedos e dos pulsos , para possibilitar ao dançarino o domínio minucioso da colocação das mãos no espaço. - Trabalho das diferentes batidas ( ou golpes) dos pés ( em meia-ponta e com a planta ), em torno de diferentes ciclos rítmicos ( 3, 4, 5 e 7 tempos). - Trabalho de flexibilidade e fortalecimento dos pés, tornozelos , ancas e costas - Trabalho de colocação do corpo. - Trabalho de deslocamento e de controle do centro de gravidade. - Trabalho de isolamento, dissociação, assimetria ,movimentos não lineares , desconstrução e coordenação corporal - Trabalho de "ports de bras" baseado em linhas geométricas perfeitas ( círculo, meio circulo, vertical. horizontal, e diagonal 45 graus), acompanhado de posturas de mãos, deslocações e saltos, utilizando diferentes orientações no espaço. -Trabalho de equilíbrio e estudo de posturas como a célebre " postura de Shiva Nataraja- Rei dos bailarinos" em conformidade com as regras de arquitetura da iconografia dos templos hindus. Trabalho de isolamento e dissociação rítmica dos pés. - Estudo da relação dança & natureza - Coreografias - Coreografias baseadas no cotidiano, arquitetura , formas das árvores - Expressões faciais

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