sexta-feira, 10 de abril de 2015

A DANÇA ESTÁ PRESENTE

"E depois de uma tarde de" quem sou eu" e de acordar a uma hora da madrugada em desespero... Eis que as três horas da madrugada eu me acordei e me encontrei simplesmente isso:Eu me encontrei calma, alegre plenitude sem fulminação simplesmente isso eu sou eu e você é você é lindo, é vasto vai durar. Eu sei mais ou menos o que vou fazer em seguida, mas por enquanto olha pra mim e me ama. Não tu olhas pra ti e te amas É o que é certo." Clarice Lispector Ontem na aula de Biodança, fizemos um trabalho com os braços em duplas. Um da dupla movimentava os braços do parceiro, que tinha apenas que se deixar levar, soltar os braços, "entregar" para o outro cuidar. Se entregar para o outro é um grande gesto de amor. Apesar da maravilha que é ser cuidado, poucos conseguem.Nosso corpo quer, mas a nossa necessidade de controlar tudo não deixa. Precisamos de muito treinamento na vida para deixar o universo nos cuidar.Não é sobre inércia e morte que escrevo, aliás, dançar é ir contra a gravidade. O corpo sempre nos ensina, mas será que queremos aprender com ele? Soltar o corpo e deixá-lo flutuar aos cuidados do outro? Os braços estão associados ao fazer, ao trabalho, buscar o mundo. Buscar é importante, dar pausas para ser cuidado,também.Receber colo da vida é essencial, para não cairmos nos automatismos e na visão equivocada de que não precisamos de ninguém. Acredito que o corpo pode ser a liberdade ou a prisão. Quando danço me sinto livre, forte, delicada e criança. Sei que o movimento de se entregar é complexo e exige muito treinamento do corpo e da alma.Estamos contra a maré, quando decidimos viver de verdade.E não controlados por mídia e remédios. Nosso corpo nos dá em cada ciclo da vida, o prazer que buscamos fora de nós.O dinheiro compra muita coisa, mas a nossa paz interior é trabalho constante consigo mesmo. Olhar para dentro e para fora. Aí ter dinheiro é uma maravilha, porque será usado para a felicidade nossa e do mundo. Observar os detalhes, a vida seguindo o seu fluxo natural, cheio de curvas, retas, depressões, e muita luz no fim do túnel. O segredo é que nós é que vamos acender a nossa luz. Vamos ligar a música e deixar o nosso corpo flutuar, ou bater os pés, socar o ar, deitar no chão e sentir o coração bater, ouvir a respiração, esticar e encolher. Enfim existem muitas maneiras de entrar em contato com o corpo, até jogando pedrinhas no mar. Estar em sintonia com a vida.

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