terça-feira, 31 de março de 2015

ORIENTE-OCIDENTE - ESPAÇO E SENTIDOS NO MOVIMENTO

Fechar os olhos para fora, e abrir os olhos para dentro. Proponho um modelo de aula, onde o foco é a experiência com o corpo.Afirmar potência e expandir-se. A técnica como veículo e não o fim. Exercícios pertencentes ao oriente e ocidente. Importante como artista, ter o processo como o caminho para a minha jornada interior. Da mesma forma que penso nas minhas aulas de dança, o contato profundo comigo. Não se trata de terapia, nem de religião. O foco é o aspecto sublime da dança, que muitas vezes não emerge em quem quer aprender a dançar. A dança vai além de coreografias complexas e muito menos, nos deixar com sentimento de inferioridade. Criei um ambiente sem competição, não importa onde sua perna pode chegar, nem quantas piruetas consegue dar.O aspecto não heroico da dança me interessa. Tomei emprestado da dança clássica Indiana,a atenção nos detalhes para se dançar o corpo todo, pés, mãos, olhos, a relação do corpo simbólico e sagrado, e a complexidade da assimetria dos movimentos aliados a combinação matemática. Importante também, o legado ancestral, com enfoque nas possibilidades construídas ao longo do estudo do processo de pesquisa de vários encenadores e coreógrafos como Stanislawiski, Pina Baush, Jerzy Grotowiski, Antonin Artaud, Eugenio Barba e várias experiências experimentadas no meu próprio processo, somadas ao constante interccâmbio com artistas de várias partes do mundo.Cheguei ao meu formato, meu jeito de ensinar dança, com tudo o que sinto, sendo eu mesma. Vivenciar o silêncio e a pausa. Construir no corpo seguindo sua voz. O corpo fala, mas não ouvimos.Sugiro que construam um jardim secreto, para manisfestar ternura e encantamento. Muitas vezes bater os pés numa aula e dançar combinações de ritmos, batidas do coração da terra, podem fazer alguém pulsar junto com a vida. Uma aula sobre nossos sentidos, no toque dos poros na pele,não se trata de neurônios, e sim de intuição, delicadeza, força, introspecção. Dar razão ao corpo. Encontrar sentido no corpo é cuidar de si e sintonizar a potência oculta,para poder manisfestar uma dança singular. Se a referência para pensar o mundo não é mais o corpo, o mundo passa a ser idealizado. A dobra do tempo é feita para estar no passado ou no futuro.Perdemos a beleza de fruir o instante, desfrutar o aqui e agora. No mundo moderno é muito fácil ver sua alma sendo esmagada, é uma invasão promíscua, atravessando o sujeito por todos os lados, portanto é urgente alimentar o espirito com poesia corpórea. " Só posso acreditar num Deus que possa dançar" fotos: Além de minha fotos, publico fotos de artistas que me inspiram: Kasuo Ono, Isadora Duncan, Marina Abramovic

sábado, 21 de março de 2015

DANÇAR PARA CURAR NOSSAS DORES

Sentei num restaurante para almoçar e me deparei com uma placa na parede escrita" É proibido dançar". Eu virei bruxa, em plena Idade Média. Meu coração ficou pequeno.Parecia cena do filme Footloose, que narra a história de uma cidade americana que proibia a dança. Me deu vontade de fazer igual ao personagem do Kevin Bacon . Em pleno momento fundamentalista no mundo, onde expressar o que se pensa é perigoso, a intolerância está reinando. Não posso ficar em silêncio diante desta placa, num espaço público, frequentado por crianças. Eu sei que milhares de pessoas são privadas da música e da dança, por motivos religiosos e preconceitos. lugares onde a revolução do corpo não chegou. Mas aqui no Brasil? Como uma criança vai crescer saudável sem ser livre para dançar? Fiquei paralisada, sem comer, diante daquela placa, próxima à outra placa com a proibição do uso do cigarro. Não havia um espaço para eles? Somos bárbaros quando somos autênticos, e não agimos dentro de uma forma e de um padrão de pensamento e comportamento. Dançar faz brotar alegria, cura nossas dores, integra e deixa todo mundo igual, nos faz celebrar nossa existência, nos conecta aos nossos ritos ancestrais. O gesto precede a palavra. A roda foi inventada, o fogo e flautas,foram feitas com ossos de animais.Instrumentos de percussão, feitos com pele de animais, e também peles de animais eram usadas para simular caçadores em ritos dramáticos, simulando caçadas, danças -dramas,com xamãs intermediando o céu e a terra.Dançamos rituais de caça, a dança era totalmente ligada ao estômago, à sobrevivência da espécie humana. Talvez o nosso mundo não acabe, como muitos pensam ou pregam muitas religiões, mas corremos o risco de perdermos o que nos caracteriza como raça humana. Eu não gostaria de estar exagerando. Eu quero ser feliz com o meu corpo, e não entorpecida pela ilusão do consumo de uma vida vazia de sentido e profundidade. Entendo que o restaurante deve ter alguma razão para proibir a dança... não sei como a dança pode ameaçar um estabelecimento.

quarta-feira, 11 de março de 2015

RECEITA PARA DANÇAR O FEMININO

Para ter ritmo, pulsar com a vida, mesmo quando estamos de cabeça pra baixo. Primeiro lugar, ter contato profundo consigo mesma.Encontrar o seu jardim secreto, sua zona de repouso e organização interna. Para perceber o seu espaço e ter a coragem e a sede de potência para mudar e assumir riscos. Para sentir beleza quando tudo em nós parece que está desbotando. Sentir o fluxo e ter fluidez, como a água, movimentar a energia e ter autonomia para decidir sintonizar com a alegria. Perceber a força do movimento para alterar uma crença ou um comportamento que não nos agrada.Podemos,socar, bater, ser leve, pular, flutuar. Trazer o fogo para dentro de si, criar paixão, tesão, sensualidade sem ser vulgar, através do movimento sinuoso e ao injetar energia aos gestos dançados. Encontrar a verdadeira raiz através do bater dos pés ou encaixar o quadril percebendo a respiração. Criar raízes e viver o aqui e agora. Construir presença, sem esquecer que somos o universo e fruto do legado dos nossos ancestrais. Ser leve, ao movimentar o corpo sem medo, abrir os braços e soltar o ser, como o vento, com giros, saltos, encontrando a energia da criança que habita em nós. A permissão para ficarmos loucas, sagradas como as árvores, que sentem suas dores com altivez e morrem de pé. A beleza do feminino consiste no universo mágico e onírico, que só nós mesmas poderemos revelar.Cada mulher precisa se desvendar, ir além dos "cinquenta tons de cinza". Precisamos ouvir o nosso chamado para a cura das nossas sombras. Sentir medo é inerente à condição humana.Ele pode ser um aliado ou um fator desencadeador de anestesia diante do mundo. Governos que se dizem democráticos, principalmente os autoritários e teocracias utilizam o medo para controlar e justificar arbitrariedades. O medo pode ser sinalizador sobre perigos reais e imaginários.Uma vez enlouqueci com uma crise depressiva e quando me curei fui ao médico,eu queria um remédio para o meu medo de cair no abismo de novo.O medico ficou espantado e me pediu para viver primeiro, porque ninguém merece uma vida de anulação, por sentir medo do que não aconteceu. Fiz um pacto comigo e mergulhei na minha complexidade,para me recriar constantemente, caos e ordem o tempo todo. O que fazer? Pertenço a esse campo mágico, com o desejo desesperado de ser eu mesma. Preste atenção nos seus sonhos. Tenha um diário. Eu tenho vários. observar no corpo as sensações e se possível expressar. O movimento cura. "Penso logo existo", conceito atribuído ao filósofo,matemático e francês, René Descartes (1596-1650), não funciona comigo. Preciso pensar, sentir e agir. Viver é buscar estar de forma integrada. Tudo passa a fazer sentido, quando me sinto inteira, pertencendo.Quando me sinto qualificada e amada. Eu afirmo que é uma questão de buscar em mim, porque se buscamos o tempo todo a confirmação de que somos incríveis nos outros, estamos perdidas. O mundo pode ser um terra de cegos, e muitas vezes somos invisíveis. A terra virou um lugar onde todo mundo busca absurdamente "ser alguém", nem que seja através da criação de uma vida editada nas redes sociais. Integridade é estar plena e presente.s por dentro e por fora.

segunda-feira, 2 de março de 2015

DANÇA E NATUREZA

Mesmo que você não perceba, sua mente e seu corpo percebem e reagem a qualquer manifestação exterior. Até aí, nada de novo. Mas, na corrida tresloucada que rege nossas vidas, a percepção do espaço que nos rodeia quase sempre nos passa despercebida. Se o óbvio não é percebido, como poderemos notar verdadeiramente as sutilezas? Como viver a plenitude dos momentos, a beleza da natureza e das pessoas? A nossa própria beleza? Como ser mais natural e equilibrado? Nada místico nem compreensível só para alguns “iluminados” ou “iniciados”. Não, nada disso. Me refiro aos detalhes do nosso cotidiano, que “olhamos” mas não “vemos” nem “vivemos”. O foco de nossa atenção está direcionado quase sempre para o trabalho, as tarefas diárias, a “obrigação”. Implacável, a mídia nos apresenta os fatos ao vivo. A qualquer hora, dia e noite, vemos e sabemos sobre tudo. O bem e o mal. A “roda da vida” gira sem parar. O homem do século XXI, isolado, mas globalizado em frente ao computador, sufocado pelo lixo e poluição das metrópoles congestionadas, contraria cada vez mais a natureza, o óbvio. Semeia, colhe hoje e colherá amanhã o inimaginável. Caminhamos todos para o caos, como bois para o abate? Torna-se urgente entender o óbvio. Compreender os “sinais” mais simples da natureza é imperioso. Nossos corpos e mentes precisam (re) descobrir a harmonia que existe em nós mesmos. POESIA CORPÓREA – Essa é minha principal busca na vida e, em cena, o convite que faço a todos por meio da investigação dos princípios do Bharatanatyam, estilo de dança clássica indiana. Vamos perceber – garanto que não é difícil – a relação da metafísica dos gestos com a natureza. Vivenciemos a beleza dos Hastas (gestos das mãos) que significam flores e animais. Gestos codificados e sistematizados há milênios, que simbolizam a natureza humana e dos deuses. O convite se estende à pesquisa sobre os elementos da natureza e a construção simbólica de uma gestualidade integrada ao divino de cada um. O exercício de não ser “embalsamado” pelo vulgar, dançar o Apolíneo e o Dionisíaco. Integrar o espírito, ser todo, completo, único e verdadeiro. É possível e prazeroso criar o próprio método de análise – e praticar – uma coreografia corpórea baseada nas árvores, paisagens, elementos da natureza (água, terra, fogo, ar) ou nas estações do ano – os ciclos. É saudável elaborar um vocabulário simbólico para o corpo. Talvez, negar o óbvio. Podemos e devemos estimular – vivenciar – nossa energia individual, corporificando-a e conservando-a qualquer que seja a intenção. O entendimento do todo explica o uso de determinada gestualidade ou dança. A energia é pessoal, vista sob determinada perspectiva e concretizada por ritmo próprio. Geometria sagrada e proporção áurea na dança: danças menos lineares. Tridimensionalidade, reconstrução de fluxos e refluxos. Deslocamentos energéticos baseados em padrões da natureza. As propriedades matemáticas das espirais. A importância do assimétrico. Uma oportunidade de equilíbrio que podemos oferecer a nós mesmos é a criação de uma dança pessoal, onde cada um de nós possa manifestar seu próprio vocabulário gestual e simbólico. Sua própria dramaturgia e verdade na dança da vida. A natureza é um grande palco. Entre na dança!

"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...