domingo, 1 de fevereiro de 2015

PAPERCRAFT E O CORPO TRIDIMENSIONAL

"Ando à procura de espaço para o desenho da vida. Em números me embaraço e perco sempre a medida. Se penso encontrar saída,em vez de abrir um compasso, protejo-me num abraço e gero uma despedida. Se volto sobre o meu passo,é já distância perdida. Meu coração, coisa de aço,começa a achar um cansaço esta procura de espaço para o desenho da vida. Já por exausta e descrida não me animo a um breve traço:- saudosa do que não faço,- do que faço, arrependida." Cecília Meireles Antologia Poética. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira É preciso perceber o silêncio entre as pausas, ver o invisível. O lugar onde as sensações podem ser percebidas e vivenciadas com toda provocação, contradição e fúria da vida. " Ter vontade de potência.", O espaço onde existo com o corpo todo e o meu aprendizado pode sair das gavetas,para alimentar os meus pedaços de memórias. Entender é dominar e controlar.E se estou no espaço do estranhamento,ou seja,quando o habitual se torna extraordinário, ganho vida, movimento. Se os espaços são criados com medidas e números, sigo construindo minha geometria interna abstrata. Partindo do princípio de que sou uma artista que utiliza várias plataformas para criar. Uma proposta que Investigo é a tridimensionalidade do corpo. Resolvi,semana passada, fazer um curso promovido pela Caixa Econômica federal, intitulado papercraft, ministrada pelo artista Daniel Carlo. Até aí eu só sabia que era alguma forma de utilizar o papel e arte digital em 3D. Comecei o curso e meu marido é arquiteto e na sua maneira prática, foi logo me perguntando como eu iria aplicar esse conhecimento na minha dança.Respondi certa da minha ignorância do efeito da minha ação, diante do desconhecido que busquei. Cheguei na sala, e o professor foi nos mostrando o que era a técnica, que consiste em uma arte de cortar, dobrar,e colar,sendo possível criar qualquer objeto tridimensional, feitos com papel, e o auxílio da arte digital 3D. O professor mostrou o que a turma produziria.Eu entrei em pânico. No dia seguinte, muita gente desistiu, por variados motivos.Eu segui em frente. De repente, fui transportada para aquele universo preciso, sem possibilidade de erro. (senão compromete o processo de encaixe das peças) matemático, hermético.Chega ao ponto de se cortar uma linha ao meio. Todos nós,com algumas exceções,fomos dividindo nossos medos, contradições, vitórias no silêncio e no barulho.Cúmplices, desbravando juntos. Meu processo foi lento e cheio de erros e sai do fluxo do grupo, destoei.Fiz a primeira peça e senti a necessidade de refazer o meu próprio caminho, encontrar minhas respostas e solucionar minhas dúvidas, utilizando uma lógica pessoal.Eu, Maria com uma mente abstrata e dispersa, estou falando em lógica!! Aí, começou a minha operação tartaruga. O grupo finalizando a segunda fase e eu na primeira. Eu sei que no último dia, parti para uma escultura enorme de uma mulher,agora em grupo.E foi extraordinário vivenciar estar fragmentada e integrada ao mesmo tempo. Não aprendi ainda a técnica, é muito complexa, mas vou fazer o segundo para aprofundar. Durante o curso, no intervalo entre o segundo dia e o terceiro, fiz uma sessão de fotos, com o tema: CORPO TRIDIMENSIONAL,e foi surpresa minha, ao perceber que o meu corpo havia ampliado possibilidades não lineares novas. Depois, vou postá-las aqui. Com muita facilidade, a memória do meu corpo, gravou e me devolveu gestos em forma de movimento tridimensional. . Claro que eu traduzi experiência de anos de treinamento corporal,foi o que permitiu me ler com muita facilidade. É possível, para qualquer um, arriscar, ter coragem e determinação para ver o mundo com os próprios olhos e pintá-lo com suas próprias cores.

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