sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

"O RESTO É SILÊNCIO"

O artista na minha opinião vem ao mundo para encontrar a sua essência. Toda obra criativa revela a identidade de quem a fez.A assinatura do artista acontece quando a sua forma é única. No entanto, além do cruzamento do talento, sorte e originalidade não somos livres. Hoje somos patrulhados pela "policia das ideias. O pensamento livre vitimou muitos artistas e pensadores em toda a história. Expressar o Pensamento,pode ser uma sentença de morte. Atualmente só me sinto livre dançando, mas fico um pouco reticente por ter um espetáculo intitulado, Baraka , Palavra que tem a sua origem no Sufismo e ter me apresentado usando um véo. A intenção era pura, suscitar beleza e lirismo.E ainda por cima, proponho o intercâmbio de técnicas corporaes de várias culturas, a Indiana por exemplo. Danço o sagrado e busco inspiração no que vejo de belo no oriente e ocidente. Não intendo porque estamos tão divididos. Porque a humanidade não encontrou ainda outra maneira de discordar sem ofender e matar. Eu acredito na bondade do ser humano e no papel da arte. Eu sei que vivemos o 1984( Livro do George Orwell).No livro ele narra o ano 1984,ele conta a trajetória de Winston Smith, refém de um mundo feito de opressão absoluta, onde pensar era considerado crime gravíssimo. Percebo que está muito difícil encontrar a verdade, amortecida por tantas opiniões, uma verdadeira babel. Eu gosto do segredo, mesmo num mundo que rompeu a fronteira entre o privado e o público. Muitas vezes não quero "aparecer", divulgar nada. Virou rotina, em qualquer lugar com amigos pedir para não disponibilizar os meu momentos de alegria, intimidade e ternura no facebook. Até na reunião de natal familiar, apareceu a minha voz,clamando para não divulgar. Uma planta cresce através da semente no fundo da terra, crescemos dentro do útero da nossa mãe. Preciso do silêncio, da inocência perdida, de não saber alguma coisa e da descoberta atônita. Não penso em me isolar, adoro mostrar o meu trabalho e escrever nesse blog. Todo o mundo tem o direito de estar conectado ao mundo. Preciso crescer secretamente,clarear os meus mistérios. O que me assusta é perder a minha sacralidade de me perder sem ser encontrada, rotulada e analisada. Será que como dizia Raul Seixas, temos que ser" carimbados, rotulados,registrados, avaliados, se quisermos voar?" O que fazer para ser artista e tomar cuidado para não ficar amestrado com as leis de incentivo do governo, para não esvaziar o conteúdo e a profundidade de nossa mensagem? Para mim é sendo verdadeira, honesta comigo mesma.Fico pensando, quando os artistas estão mais preocupados com seguidores e curtidas e visualizações do que com a sua mensagem. Para mim arte não é para mudar ou doutrinar o mundo, mas o que seria de mim sem os Beatles, Elvis Presley,Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano Veloso,´Pina Baush, Miles Davis, Billie Holiday, Simone de Beavoir, Artaud,Elis Regina, Stanislawiski, Godard, Felline,Ninjinski, a trilogia do poderoso Chefão do Copolla. ( Não tem como acabar, a lista é infinita.) Também sou do processo, aprendo muito vendo o caminho criativo dos artistas que me inspiraram e me ajudaram a ser como sou. O dilema é ser livre e ao mesmo tempo está sintonizada com "o porquê, do para quê e para quem fazemos o que fazemos" Mas não condeno nada, eu defendo o direito de cada um expressar o que sente. Eu que sou assim, com esse vício de pensar e pesquisar o que faço e no efeito que vou provocar. Se não tenho nada a dizer, a dançar, que contribua de alguma forma para melhorar a vida, a alma de alguém, prefiro o silêncio. Meu avô sempre me dizia " De pensar morreu o burro". Será? será? " O RESTO É SILÊNCIO"

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