sábado, 24 de janeiro de 2015

JOSEPHINE KING - SELFISH BITCH FEMALE ARTIST

Josephine King – Selfish bitch female artist é um documentário produzido em 2013 pelos cineastas Carmem Maia e Gustavo Rosa de Moura e retrata a artista inglesa que dá nome ao filme. Josephine é bipolar, descobriu-se doente aos 30 anos. Aos 40 começou a transferir para o papel as emoções derivadas do viver. Suas figuras são sintomáticas, refletem suas dores molduradas por frases e palavras que a motivaram no momento da criação. O filme é a construção de uma tentativa de encontros. Josephine, através de sua pintura vai de encontro consigo mesma em uma série de autoretratos expressivos e de cores berrantes, enquanto que os cineastas vão de encontro com as pinturas através de Josephine. Em algumas cenas, Josephine veste as roupas que usou para se pintar e representa ao vivo o retrato da tela. A psicanálise defende a arte como ferramenta e meio de relação com o mundo. Ela exterioriza suas frustrações e passa para um outro plano as suas dores, aliviando-as. Transfere-as no plano da consciência para o plano visual. Constrói-se uma simbologia com tons e significados que criam uma forma visual, gerando uma satisfação ao transformar as dores em algo belo. O filme percorre algumas experiências de Josephine afim de tentar trazer uma compreensão da sua obra. Se uma obra de arte, definida pelas ciências sociais (sociologia, psicologia e filosofia) é resultado da interação do ser com o mundo e a sociedade, buscar a biografia é um caminho de compreender e até se contaminar com as produções. Josephine tem uma ideologia feminista mas não como proposito para as suas pinturas. A artista faz um panorama sobre ser artista e principalmente sobre ser mulher. Diz que por mais que algumas pessoas a aprovem, a mulher moderna e independente sempre será vista como uma vadia egoísta (selfish bitch), subtítulo que deu nome à sua exposição, onde teve todas as pinturas vendidas. No desfecho do filme, a cineasta levanta a reflexão sobre Josephine ser ou não artista, e se suas pinturas podem ser consideradas arte. A empatia com as pinturas de Josephine é grande, tanto de apreciadores de arte quanto pessoas com conhecimento superficial sobre o assunto. A grande questão é de como suas imagens tocam as pessoas, tanto as emocionam quanto as incomodam. Pinta um ser dolorido em seus retratos, mas um mundo que chega a ser lúdico, com personagens infantilizados e as vezes até cômicos. A narrativa é construída com cuidado e imparcialidade, mostrando no final as relações de um artista com o meio industrial em que a arte acaba culminando. É um duplo sempre bem-vindo, a sétima arte reproduzindo a terceira arte. Aline Barros Assista ao trailer. http://mirafilmes.net/destaques/josephine-king/

domingo, 18 de janeiro de 2015

V FESTIVAL DE DANÇA SOLIDÁRIA BRASÍLIA

Comecei a dar aulas de dança, com enfoque em técnicas baseadas no estilo de dança Bharatanatyam, com o objetivo de aprimorar o meu treinamento pessoal e abrir espaço para intercâmbio, e ampliar as fronteiras de possibilidades e o cuidado e bem estar do corpo. Fui percebendo que o grupo que tinha maior interesse nesta forma de arte era feito de mulheres mais experientes e que passavam da faixa dos 40 anos. Neste universo de técnicas,fui incorporando as aulas, meditação,teatro, e técnicas de diversas culturas, criando assim uma dança para o corpo,a alma e o espírito Em 2007 conheci um grupo fantástico de mulheres, todas acima dos 50 anos, que queriam com toda a força e paixão aprofundar as técnicas desta arte milenar. Com o tempo fui me envolvendo com o universo destas mulheres e as suas batalhas, para ultrapassar o peso da idade e tudo o que envolve envelhecer.A minha surpresa foi grande ao perceber que todas escolheram o caminho do prazer através da dança.Eu que queria ensinar aprendi muito. Eu era tratada como uma uma mestra,com todo sentido que esta função tem, eu me sentia homenageada todos os dias, cada palavra minha, cada gesto ensinado era recebido com reverência. Em 2010 por sugestão de uma aluna Helena Muniz pensamos no espetáculo de dança Solidária de Brasília, com o objetivo de unir arte, solidariedade. e agradecer as nossas vidas. Em 2010 aconteceu a nossa primeira edição do Espetáculo de dança solidária de Brasília. O objetivo é unir arte e solidariedade, a dança como um elo que nos confirma todos os dia que beleza,amor, compaixão não tem idade, nem limite. Realizamos a primeira edição, foi um sucesso de público e de arrecadação de alimentos. O terceiro espetáculo de dança solidária Brasília chega com novidades! Novas companhias e parceiros para melhorar e crescer sempre. Chegamos à nossa quinta Edição, realizada no Complexo cultural da República, e ampliamos o conceito do festival para fomentar ainda mais a diversidade e inclusão através da dança, característica do festival. Apresentaram companhias profissionais, grupos com portadores de necessidades especiais, além dos grupos pertencentes à melhor idade. Foi movimento muito especial, todos os participantes dançaram sem cobrar cachê, e os profissionais envolvidos no projeto, trabalharam voluntariamente. Estas pequenas ações, que têm o poder de promover encontro, beleza e confiança no ser humano, celebrando as diferenças. Eu trabalho o ano inteiro nesse festival com a minha sócia Maria Helena e não ganhamos dinheiro para realizá-lo. O prazer de ser dança por alguns momentos é incalculável. Ser dança, porque é preciso muita paixão para realizar cultura, num mundo tão carente de lirismo e doçura. Precisamos de ações que qualifiquem o ser humano. É a única maneira de amenizar a sensação de não pertencimento que contamina o mundo.Pessoas que não encontram a identidade e têm uma sensação de isolamento e invisibilidade. A dança, só falando de algo que conheço, nos devolve a vontade de fazer parte do todo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O CORPO E SUAS EMOÇÕES

"As emoções manifestam-se no nosso corpo. A linguagem corporal ajuda-nos a perceber o que se passa com as pessoas num dado momento, desde de emoções como a agonia à felicidade. Num estudo recente da Universidade de Princeton, os investigadores tentaram perceber se podemos compreender melhor as emoções de outra pessoa através da expressão facial, ou se pelo contrário a linguagem corporal fornece informação mais fidedigna do que se passa emocionalmente com o outro. Segundo estes investigadores, quando as emoções atingem uma determinada intensidade, perde-se a complexidade das expressões faciais. Como exemplo, referem o volume de uma aparelhagem, que quando colocada no máximo, o som acaba por ficar distorcido. A ambiguidade das emoções na expressão facial é muita, e por vezes não permite identificar as emoções. Para termos uma leitura mais concreta precisamos de identificar as outras pistas, nomeadamente o corpo. Esta pesquisa demonstrou que os movimentos faciais, a uma determinada altura, são secundários ao corpo. É no corpo, que obtemos a informação válida quando se experienciam emoções mais intensas. Como é que chegaram a esta conclusão? Foram feitas quatro experiências onde, por exemplo, mostraram fotografias onde o corpo expressava uma emoção e a expressão facial espelhava a emoção oposta. Nesta experiência específica, as pessoas que participaram, acabaram por ser mais influenciadas pela linguagem corporal do que pela expressão facial. A expressão facial, segundos estes investigadores, não tem um status especial, e não podemos assumir que o que nos comunica é a emoção mais exacta. A expressividade do corpo é tão rica, reflecte o que se passa connosco em determinadas situações e ajuda-nos a identificar como nos encontramos e o que passa." Ana Beirão

A MEMÓRIA DO CORPO

"Nós vos pedimos com insistência:Nunca digam - Isso é natural -diante dos acontecimentos de cada dia.Numa época em que reina a confusão,em que escorre o sangue,em que se ordena a desordem,em que o arbítrio tem força de lei,em que a humanidade se desumaniza....Não digam nunca - Isso é natural! -Para que nada passe a ser imutável. Eu peço com insistência Não diga nunca - Isso é natural -Sob o familiar,Descubra o insólito,Sob o cotidiano, desvele o inexplicável. Que tudo o que é considerado habitual Provoque inquietação, Na regra, descubra o abuso, E sempre que o abuso for encontrado, Encontre o remédio". Bertold Brecht Observando nuvens, mergulhei no mistério da imensidão da perplexidade diante do comum. Perceber a grandeza de observar a beleza contida no cotidiano e torná-lo sublime. Na dança busco uma energia extracotidiana. A coragem de reinventar o movimento comum e o resgate de uma gestualidade que era comum, mas que se reinventa.Resgatar o gesto é a supremacia sobre o banal. A civilização super valorizou o pensamento em detrimento do corpo. Reservamos para o carnaval e festas isoladas o prazer de soltar o movimento e dançar livremente. Não dançamos nas praças, nas ruas. Foram criadas muitas tecnicas para acessar a dança. E temos o rigor,onde se impõe muita disciplina e pouco prazer. Tudo o que sei da dança, foi conquistado com disciplina e muita dor, para caber na forma. Com o tempo, joguei a tecnica para o espaço. A técnica é um veículo e não o fim. Integrar técnica e alma, seria o ideal. A questão é quando você não se enquadra em rótulo nenhum, quando o que você dança não tem nome. No momento, danço a mim mesma. O nome de minha dança é Maria, meu estilo é resultado da estória do meu corpo. O corpo tem memória e o mapa geográfico, presente em cada movimento, expressado por meio de treinamentos que colaram no meu corpo e no meu ser. Não faço pirotecnia em cena, não levanto a perna, dando cinco piruetas, fazendo um mortal e caindo num cambré. Busco a dimensão " não heróica da dança. A vivência que me proporciona, a organicidade,e o movimento que brota da minha busca espiritual e autoconhecimento. Os efeitos da respiração, energia, sinergia, meditação, o treinamento em cada parte do corpo. Aprendi a relação das emoções com corpo e a doença. Se bato os pés posso ficar menos dispersa, e criar raízes. Se prestar atenção ao respirar, jogando pernas e braços para baixo, posso criar raízes, criar foco, ou apenas ficar calma, diante de situações difícies. Posso jogar os braços para cima e para baixo pulando gritando, isso libera a raiva. Posso sentar em silêncio, colocar uma música suave e prestar atenção no meu mundo interno, esta pequena ação, eleva e fico em paz. E se pensar numa cor, mudo a minha frequência. Existe também o simbolismo do corpo e inúmeras possibilidades de construir sentido na vida. A dança que estou construindo é um convite para a liberdade.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

"O RESTO É SILÊNCIO"

O artista na minha opinião vem ao mundo para encontrar a sua essência. Toda obra criativa revela a identidade de quem a fez.A assinatura do artista acontece quando a sua forma é única. No entanto, além do cruzamento do talento, sorte e originalidade não somos livres. Hoje somos patrulhados pela "policia das ideias. O pensamento livre vitimou muitos artistas e pensadores em toda a história. Expressar o Pensamento,pode ser uma sentença de morte. Atualmente só me sinto livre dançando, mas fico um pouco reticente por ter um espetáculo intitulado, Baraka , Palavra que tem a sua origem no Sufismo e ter me apresentado usando um véo. A intenção era pura, suscitar beleza e lirismo.E ainda por cima, proponho o intercâmbio de técnicas corporaes de várias culturas, a Indiana por exemplo. Danço o sagrado e busco inspiração no que vejo de belo no oriente e ocidente. Não intendo porque estamos tão divididos. Porque a humanidade não encontrou ainda outra maneira de discordar sem ofender e matar. Eu acredito na bondade do ser humano e no papel da arte. Eu sei que vivemos o 1984( Livro do George Orwell).No livro ele narra o ano 1984,ele conta a trajetória de Winston Smith, refém de um mundo feito de opressão absoluta, onde pensar era considerado crime gravíssimo. Percebo que está muito difícil encontrar a verdade, amortecida por tantas opiniões, uma verdadeira babel. Eu gosto do segredo, mesmo num mundo que rompeu a fronteira entre o privado e o público. Muitas vezes não quero "aparecer", divulgar nada. Virou rotina, em qualquer lugar com amigos pedir para não disponibilizar os meu momentos de alegria, intimidade e ternura no facebook. Até na reunião de natal familiar, apareceu a minha voz,clamando para não divulgar. Uma planta cresce através da semente no fundo da terra, crescemos dentro do útero da nossa mãe. Preciso do silêncio, da inocência perdida, de não saber alguma coisa e da descoberta atônita. Não penso em me isolar, adoro mostrar o meu trabalho e escrever nesse blog. Todo o mundo tem o direito de estar conectado ao mundo. Preciso crescer secretamente,clarear os meus mistérios. O que me assusta é perder a minha sacralidade de me perder sem ser encontrada, rotulada e analisada. Será que como dizia Raul Seixas, temos que ser" carimbados, rotulados,registrados, avaliados, se quisermos voar?" O que fazer para ser artista e tomar cuidado para não ficar amestrado com as leis de incentivo do governo, para não esvaziar o conteúdo e a profundidade de nossa mensagem? Para mim é sendo verdadeira, honesta comigo mesma.Fico pensando, quando os artistas estão mais preocupados com seguidores e curtidas e visualizações do que com a sua mensagem. Para mim arte não é para mudar ou doutrinar o mundo, mas o que seria de mim sem os Beatles, Elvis Presley,Chico Buarque, Tom Jobim, Caetano Veloso,´Pina Baush, Miles Davis, Billie Holiday, Simone de Beavoir, Artaud,Elis Regina, Stanislawiski, Godard, Felline,Ninjinski, a trilogia do poderoso Chefão do Copolla. ( Não tem como acabar, a lista é infinita.) Também sou do processo, aprendo muito vendo o caminho criativo dos artistas que me inspiraram e me ajudaram a ser como sou. O dilema é ser livre e ao mesmo tempo está sintonizada com "o porquê, do para quê e para quem fazemos o que fazemos" Mas não condeno nada, eu defendo o direito de cada um expressar o que sente. Eu que sou assim, com esse vício de pensar e pesquisar o que faço e no efeito que vou provocar. Se não tenho nada a dizer, a dançar, que contribua de alguma forma para melhorar a vida, a alma de alguém, prefiro o silêncio. Meu avô sempre me dizia " De pensar morreu o burro". Será? será? " O RESTO É SILÊNCIO"

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

PESO E LEVEZA

Li um texto recentemente do escultor Americano Richard Serra ( 1967-2015), sobre uma interessante experiência que viveu aos 4 anos de idade. No seu relato, a iniciativa do seu pai de levá-lo para ver a trajetória de um navio zarpar, mudou, transformou, moldou a sua maneira de ver o mundo e influenciou a arte que produz. A descrição do navio que primeiro afunda, para depois submergir.O que era pesado ficara leve diante dos seu olhos. Pensei na trajetória do corpo quando dança. O diálogo com o peso, a leveza e outros estados é enorme. Dançar com a gravidade. Dançar é ter a consciência de que estamos a cada momento transformando o peso em leveza, leveza em rigidez em doçura, somos todos os estados da matéria. É possivel ser sólida, gasosa e líquida. Um movimento pode ser iniciado sem vitalidade e em seguida ser transformado em vitalidade e força. Pode ser o contrário também, dançado ao avesso, o complexo inominável e assimétrico. Dentro e fora impulsos são exigidos e através de muita disciplina e treinamento, uma dança livre, orgânica e verdadeira emerge. A dança nos permite vivenciar esta transição no corpo e na alma. Pode ser que a vida seja também um exercício de Alquimia constante, com pequenas mortes e milagres, acontecendo durante o nosso cotidiano. Transformar o que é ruim em aprendizado e o que é bom em celebração. Ter rítmo, ter visão espacial e sintonia com a linguagem do corpo e os seus sinais. Aprender as lições para nos fortalecer como um navio que afunda para submergir.

"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...