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terça-feira, 9 de setembro de 2014

CAMINHAR

Participei de uma aula de Biodança,(Segundo pesquisas, a Biodança é um sistema afetivo e desenvolvimento humano fundamentado em intensas experiências no “aqui e agora” criadas por meios dos movimentos de dança com músicas específicas, compatíveis em encontros não-verbais, focados em olhares e toques físicos. Essa sistemática foi criada na década de 60 pelo antropólogo e psicólogo chileno Rolando Toro Araneda( 1924-2010) e está presente em diversos países da América Latina, Europa, Canadá, Japão e África do Sul até os dias atuais). Aula com a facilitadora Neusa Ribacionka. A proposta da aula era para dar atenção às pernas.Experimentamos maneiras diferenciadas durante o caminhar, utilizando vários planos altos, médios e baixos, dialogando com o espaço.Vivenciamos também sensações, através da nossa imaginação, por exemplo caminhar na praia com a água batendo no joelho, na areia quente, na grama, andar na selva, criar movimentos de oposição, obstáculos durante a realização da trajetória.Eu imaginei galhos, folhas, abismos, animais predadores impedindo o meu caminhar.Quando finalizei a sequência coreográfica, observei que não havia parado nenhuma vez. Percebi que muitas vezes interrompia o meu movimento nos primeiros obstáculos, nos primeiros desafios, para depois repetir novamente. tantas vezes refiz esse exercício que o movimento com o tempo ganhou fluidez e a sequência passou a ser contínua, sem interrupções e os obstáculos foram totalmente incorporados à minha gestualidade. O corpo ensina muito sobre como estamos dialogando com a vida.Inúmeras vezes fiz exercício de caminhar e só agora me olhei de forma diferente. Não sou mais a mesma, posso caminhar apesar dos obstáculos criados por mim ou pelas circunstâncias do instante vivido. Finalizamos a aula caminhando como reis e rainhas e abençoando nossos pés. Muitas pessoas escolhem caminhar por terras sagradas, montanhas, florestas para se encontrar ou se perder. Eu acredito no processo de caminhar para dentro de si mesmo, para encontrar luz, amor, verdade e o entendimento da própria caminhada. Dar significado à nossa presença no mundo. O meu mestre é o meu corpo. Lembrei de Heráclito,(aprox. 535 a.C. - 475 a.C.) filósofo pré-socrático, que no século VI A.C. dizia que não entramos duas vezes no mesmo rio. Não entramos duas vezes no mesmo rio,nem o rio é o mesmo,muito menos nós.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

PESO E LEVEZA

Planejar formas, espaços e proporções no meu corpo. A questão é como resolver o conflito entre sair do limite e ir para um lugar seguro. Dançar todos os dias, nem que seja em pensamento, a riqueza de me sentir viva e agradecendo a Deus. Estou em plena mutação. O projeto Baraka era uma imersão no universo simbólico do corpo e da expressão do sagrado, baseada em técnicas do estilo de dança Clássica Indiana Bharatanatyam. O resultado desta pesquisa foi a montagem do espetáculo BARAKA, com programa contendo técnicas pesquisadas. O meu novo projeto é a continuidade do meu processo de pesquisa .Pretendo ampliar o intercâmbio de técnicas com um bailarino de balé clássico e o diálogo com a escultura e a arquitetura. No estilo Bharatanatyam,o meu treinamento corporal exigia usar a gravidade a meu favor. Não sei se todos os bailarinos de dança Clássica indiana pensam assim, mas foi a maneira que encontrei para dar sentido àquela elaborada técnica que me exigia compreender um corpo equilibrado no desequilíbrio, numa forma tridimensional, sem espaço para improvisação, e o movimento linear. Dança que predominava o elemento terra, e a grande beleza nos detalhes. O treinamento utiliza todas as partes do corpo fragmentado para dançar o corpo por inteiro. Não pretendia dominar a técnica e ser uma bailarina de dança clássica Indiana, o meu objetivo é ter uma base técnica para criar a minha técnica pessoal. Ter o domínio do meu processo de pesquisa e a criação dos meus espetáculos. Nesta nova proposta ainda estou pesquisando o movimento leve, o elemento ar como base.Acrescentar delicadeza na força, linhas expressivas, plasticidade nos movimentos, estudo a trajetoria dos meus movimentos, livres, ousados, sem couraça, de dentro pra fora.Enfim me danço no espaço. Eu sei que quando começar o intercâmbio com o bailarino e as outras linguagens, vou reconstruir o meu norte, criar novas regras e levar o meu corpo para outras paisagens, novas intervenções, novos paradigmas.Sou feita de interrogações. preciso entender a minha insatisfação e a necessidade de continuar buscando a minha verdade em cena. Hoje minhas mestras são as árvores. Ando pela cidade, observando árvores, e criando coreografias a partir delas.Observo também a minha sensação e a relação com os espaços,curvas, retas e as espirais contidas nos edifícios,e quando sinto e observo leveza e menos rigidez neles, parece que dançam sobre o asfalto.Observo o balé das nuvens do céu de Brasília e as formas. Estou experimentando novamente a sensação de não saber o caminho, de voltar a me transformar em vários estados da matéria. Posso ser sólida, líquida e gasosa. No momento me sinto vaporizada diante da seca de Brasília. Quero que me leiam pela emoção, sem legenda. Escolhi o corpo como matéria prima de crescimento. Posso transformar peso em leveza, desafiar a gravidade e o tempo. "Acho que loucura é perfeição. É como enxergar. Ver é a pura loucura do corpo."