O PARTICULAR E O UNIVERSAL

(...) Mímica de gestos espirituais que escandem, podam, fixam, afastam e subdividem sentimentos, estados de alma, idéias metafísicas. Esse teatro de quintessência onde as coisas realizam estranhas meias voltas antes de voltar a abstração. (Antoine Marie Joseph Artaud , conhecido como Antonin Artaud (Marselha , 4 de setembro de 1896 — Paris em 4 de março de 1948) O meu objetivo como dançarina- pesquisadora é incorporar diferentes maneiras de contruir gestos, movimentos através do contato com outras culturas,estéticas e pensamentos, para a criação de minha corporeidade,criada através das interfaces oriente-ocidente. Expressar a minha identidade em cena, partindo do ponto de vista que o meu caminho na dança integra,teatro,filosofia,arquitetura, artes visuais. Fruto de minhas inquietações e vontade de criar um movimento que seja verdadeiro e profundo. Não estou afirmando que uma criação artística necessita de muita informação e pesquisa de diferentes contextos, cada artista cria e desenvolve a sua estética e visão do mundo. Escrevo sobre o meu processo criativo, que muitas vezes é caótico e sem conexão entre sí, as" partes" fazem parte de uma misteriosa construção e associação que vou editando sistematicamente. Me considero complexa ao lidar com muitas idéias e ao mesmo tempo encontro comigo. Eu imagino que a dança, mesmo sendo efêmera, pode ser eterna no inconsciente de quem assiste. Eu busco com a minha técnica representar a minha ausência. Ser dança. Procuro de diferentes maneiras encontrar dentro de mim, soluções para as minhas inquietações, busco alargar as minhas referências mudando as minhas certezas. Estou sempre recomeçando e no limite. Danço por necessidade para garantir a minha sobrevivência emocional. Sonhar sempre para trazer o cotidiano e saborear a vida. Acabo um projeto e apesar do aprendizado que a experiência acrescenta, me vejo novamente inquieta, preciso falar sem palavras,desafiar o meu corpo a encontrar com o desconhecido. O processo de criação, pesquisa e montagem, a relação que se constroe com cada profissional e suas contribuições, a riqueza da troca de experiências, sonhos, frustrações e vontades enriquecem o meu espírito. Como dizia Jersy Grotowski, fundador do teatro laboratório de Wroclaw (Polônia) (1933-1999)" A arte é um veículo" Começar do zero, a "síndrome do papel branco", penetrar o vazio. Ainda tenho muitas versões de mim mesma para transformar em dança.

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