quinta-feira, 17 de abril de 2014

DANÇAR O INEFÁVEL

Penso sobre outros encenadores que buscaram
 e pesquisam vários mundos para reinventar o teatro, a dança e a arte em geral. A necessidade de intercambiar signos,rever a maestria do tempo e do espaço, romper com o estabelecido para devolver ao ser humano a capacidade de sonhar.
Escrevo sobre arte porque é a minha matéria-prima é o lugar onde estabeleço o diálogo com as minha porção secreta e misteriosa,.
  A contradição que achei muito bem escrita num livro sobre o teatro  foi a comparação  a uma vela que se consome a si mesma no próprio ato de criar a luz. 
  Diante da vida que é cheia de ilusão e desilusão para a nossa sobrevivência emocional, arte é um canal que nos convida a entrar em contato com o efêmero, o inefável e nos preenche por alguns instantes do vazio de uma existência que nos permite pouco tempo para observar o nosso mundo interior e a contemplação.
 Muita informação e o excesso de automatismo nos rouba a alma, a qualidade de presença e o viver aqui e agora. 
      Viver a experiência do rito de observar um corpo contar uma história , de revisitar memórias   envelhecidas e esquecidas pelo tempo, porque o tempo da arte é a eternidade, ela é feita da tentativa do ser humano de ser eterno e a busca da pergunta sem resposta "Existirmos a que será que se destina?"
Todas as  civilizações e culturas encontraram a sua maneira de construir o" fazer sentido" de permanecer acreditando na força do humano. O artista tem a coragem de buscar o inexpugnável, de convidar a sua existência para a tentativa de olhar para o cotidiano e acrescentar  poesia, mesmo quando ele próprio não se acredita.
Artistas são movidos pela necessidade de transcender a si mesmo e  levar o "fogo" para existências que estão "mergulhadas na sombra" e no esquecimento.
Movidos pela necessidade, repito, artistas são movidos pela necessidade de transcender sua existência e levar o "fogo" para existências que estão "mergulhadas na sombra".
 Desafio sublime, maior do que assistir de camarote  a humanidade consumir o tempo sem encontrar o significado de amar e integrar o todo.
 O ARTISTA sonha e sangra publicamente. Não somos feitos de polietileno e sim de carne e osso.
 




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