domingo, 27 de abril de 2014

DANÇAR

Estudo atualmente as possibilidades do corpo para criar uma dança
sutil para todos, independente da idade, classe social e nível de escolaridade.

Dança iniciática, cujo objetivo principal é sentir "verdadeiramente" o corpo

vivo e o coração pulsar. Apenas o movimento natural da vida.

Muitas pesquisas foram realizadas sobre os efeitos da dança e dos movimentos livres.

O paradoxo é que sabemos que faz bem, no entanto, poucos querem sair da "zona de conforto".

A Idade Média já passou e ainda precisamos comprovar a importância do profundo contato interior.

A todo instante, seja através de um gesto sincero, ouvindo uma música ou percebendo

integralmente nossa própria presença.

Dançar é para todos, não para uma minoria de privilegiados. Precisamos sentir

nossos pés se deslocando para encontrar o nosso chão, nossa terra, o território do coração.

Precisamos tocar outras mãos, perceber nosso corpo girando e cortando o espaço,

girando sem parar até perdermos a noção do tempo. É muito simples, até necessário

vez ou outra parar de racionalizar tudo. Sair do "controle" – do "comando" – para então

ouvir o ritmo da vida nos levando para espaços desconhecidos e novos.

É urgente sentir emoção, chorar, sorrir, rir e gargalhar quando o prazer nos deixar

extasiados de amor e vontade de gritar. É fácil: é simplesmente "Ser".

Sentir a própria energia. Conectar com o mais íntimo da alma.

Olhar nosso próprio labirinto para iluminar nossa caminhada.

Quando danço me sinto assim, integrada ao "todo".

Percebo que sou um "Ser" simples, integral, que faz parte da "multidão".

Minha impressão é que, atualmente, esse culto exagerado à "celebridade" e a necessidade

exagerada de tornar pública a intimidade para o mundo através de redes sociais,

é o vazio provocado pela ausência de si mesmo. O indivíduo que está integrado "aparece"

naturalmente, porque age no mundo e é protagonista de sua própria vida.

Escrevo no meu blog sobre minha relação com a dança e como ela pode melhorar

a vida de qualquer pessoa, inclusive daqueles (daquelas) que também

são dançarinos/dançarinas profissionais.

Fazemos parte de uma teia – e assim vamos tecendo nossas vidas e sonhos.

Poesia deveria compor o cardápio da mesa ao amanhecer. Todos os dias.

terça-feira, 22 de abril de 2014

MIRABAI/ BARAKA/ MOVIMENTO D-FESTIVAL DE DANÇA DE BRASILIA

MIRABAI/MOVIMENTO D-FESTIVAL DE DANÇA DE BRASILIA

26 DE ABRIL
TEATRO PAULO GRACINDO- SESC - GAMA
20: HORAS



 Pensar o verbo e não o substantivo, a ação como foco, no movimento integrado.
   Antonin Artaud, ( 1898, 1948) ator,poeta e encenador Francês, depois de assistir a dança Balinesa ficou totalmente impactado com a riqueza imagética, ritualística e onírica  que emergia dos dançarinos.No livro o Teatro e o seu duplo ele escreve sobre o teatro da Crueldade,  e sobre a ditadura do texto ou o textocentrismo.

   Entre os elementos teatrais mais combatidos estão a visão do teatro como entretenimento; a caracterização psicológica dos personagens; a valorização exagerada do enredo; e o predomínio da dramaturgia em relação à encenação. Propõe ainda: um teatro físico, centrado na experiência corpórea dos atores e, por conseguinte, também do público; a interação entre atores e espectadores; o fim da divisão entre palco e plateia, com a encenação ocupando todo o espaço; um espaço teatral não tradicional (espaços adaptados, galpões, igrejas, hospitais ou quaisquer outros lugares que a encenação demande); e, sobretudo, o teatro visto como experiência ritualística, destinada à cura das angústias e à reintegração do homem à sua totalidade física e espiritual.
   A experiência da dança como experiência transcendental, atemporal,sem tempo e espaço.Dançar como se fosse a última vez para despertar a urgência da vida, do encantamento de pertencer à espécie humana.



quinta-feira, 17 de abril de 2014

DANÇAR O INEFÁVEL

Penso sobre outros encenadores que buscaram
 e pesquisam vários mundos para reinventar o teatro, a dança e a arte em geral. A necessidade de intercambiar signos,rever a maestria do tempo e do espaço, romper com o estabelecido para devolver ao ser humano a capacidade de sonhar.
Escrevo sobre arte porque é a minha matéria-prima é o lugar onde estabeleço o diálogo com as minha porção secreta e misteriosa,.
  A contradição que achei muito bem escrita num livro sobre o teatro  foi a comparação  a uma vela que se consome a si mesma no próprio ato de criar a luz. 
  Diante da vida que é cheia de ilusão e desilusão para a nossa sobrevivência emocional, arte é um canal que nos convida a entrar em contato com o efêmero, o inefável e nos preenche por alguns instantes do vazio de uma existência que nos permite pouco tempo para observar o nosso mundo interior e a contemplação.
 Muita informação e o excesso de automatismo nos rouba a alma, a qualidade de presença e o viver aqui e agora. 
      Viver a experiência do rito de observar um corpo contar uma história , de revisitar memórias   envelhecidas e esquecidas pelo tempo, porque o tempo da arte é a eternidade, ela é feita da tentativa do ser humano de ser eterno e a busca da pergunta sem resposta "Existirmos a que será que se destina?"
Todas as  civilizações e culturas encontraram a sua maneira de construir o" fazer sentido" de permanecer acreditando na força do humano. O artista tem a coragem de buscar o inexpugnável, de convidar a sua existência para a tentativa de olhar para o cotidiano e acrescentar  poesia, mesmo quando ele próprio não se acredita.
Artistas são movidos pela necessidade de transcender a si mesmo e  levar o "fogo" para existências que estão "mergulhadas na sombra" e no esquecimento.
Movidos pela necessidade, repito, artistas são movidos pela necessidade de transcender sua existência e levar o "fogo" para existências que estão "mergulhadas na sombra".
 Desafio sublime, maior do que assistir de camarote  a humanidade consumir o tempo sem encontrar o significado de amar e integrar o todo.
 O ARTISTA sonha e sangra publicamente. Não somos feitos de polietileno e sim de carne e osso.
 




BLADE RUNNER

Ontem vi uma senhora grávida no último lugar num caixa de auto-atendimento, eu estava numa posição privilegiada na fila e estava lend...