quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

DANÇAR O COTIDIANO

Fui convidada para um aniversário.
Crianças brincando, muitos risos e amorosidade.
Comida, bebida e muita alegria. No momento que me foi sugerido
dançar para a aniversariante, não hesitei. Tirei a sandália dos pés e,
sem maquiagem, música ou preparação, dancei na sala para todos.
Silêncio total. A sala, que transbordava ruídos de felicidade,
parou em silêncio para me ver.
Absurdamente, sem aviso prévio, todos mergulharam naquele instante.
Só havia a presença da verdade. A única coisa que poderia oferecer,
diante da beleza e amorosidade que recebi, ofereci: minha dança!
A vida acontecendo diante dos meus olhos.
Arte e vida na poesia do cotidiano.
No final da apresentação uma senhora muito gentil me abraçou
e disse que a minha apresentação a tocou profundamente.
E me confidenciou: "foi tão lindo que, feliz, chorei!".
A vida deveria ser sempre assim. Poesia no pão nosso de cada dia,
No cotidiano, na sala de jantar, separar os móveis e dançar com o marido
e os filhos. Sentir prazer na comida com tempero de sentimentos
de nobreza e encantamento por nutrir o outro.
O perfume da flor exalando do jarro na mesa da cozinha.
Um raio de sol entrando pela janela anunciando mais um dia.

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