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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

SEMIÓTICA DA DANÇA

SEMIÓTICA DA DANÇA

Uma característica do teatro e da dança que pesquiso, é o foco na ação
que emerge de um determinado símbolo para narrar uma história.  

Sou uma artista que pensa o movimento e não me enquadro em modelos
ou técnicas "prontas". Uma técnica "pronta" é ponto de partida e não o fim. 
Minha investigação parte das ideias de uma dançarina que interpreta com ênfase
o significado de cada movimento para realizar, por meio da dança, uma narrativa.

Quando a dança tem significado ela tem o poder de se comunicar, verdadeiramente
e com sentimento, tornando-se portanto uma linguagem universal.
Escrevo há muito tempo no meu blog sobre o registro do movimento presente no corpo
do(a) dançarino(a) oriental. Sobre as danças produzidas no oriente e a enorme dramaticidade que elas transmitem, me permito afirmar que elas (as danças orientais)
carregam uma longa tradição e gestualidade, codificadas e sistematizadas por milênios.

No ocidente, também temos uma longa tradição no balé clássico que eu respeito
muito reconheço sua importância. O fato é que, o balé clássico também é uma dança sistematizada e codificada com signos e gestualidade e, mesmo com uma suposta neutralidade do(a) bailarino(a), em detrimento da forma perfeita, o balé clássico
também narra uma história com repertório tradicional.

Muitos reclamam que não entendem a dança oriental porque não compreendem

o vocabulário – os itens, e por isso necessitariam de um estudo prévio.
Mas, no balé clássico, não seria a mesma coisa? Por se tratar de uma dança
que surgiu na Europa? Precisamente em celebrações públicas, italianas e francesas,
nos séculos XV, XVI e XVII? Acontece que o balé clássico é uma das expressões artísticas de dança das mais complexas que existem. Seus movimentos não se limitam somente ao chão: exploram também o espaço em saltos surpreendentemente belos. O preparo exigido para cada execução requer muita disciplina. É uma arte doce e forte.

Quem entende a dança contemporânea com os seus hermetismos e influências de técnicas? Apesar de todo o nosso empenho para, como artistas, nos fazermos entender em cena?
Ou a nossa cultura ficou muito conceitual? Nós bailarinos(as) ou dançarinos(as), lutamos todos os dias numa sala de treinamento para comunicar a verdade da alma em cena.
E como professores de dança, ainda temos que lidar com a falta de investimento em cultura no país e com a dificuldade para o acesso do público à dança e seus códigos.
Claro que dentro deste cenário existem pesquisadores, bailarinos(as),
dançarinos(as), teóricos, técnicos e até patrocinadores determinados a criar espaços
para o diálogo, formação de publico e alfabetização simbólica do legado da dança. 

No momento estudo e me preparo para uma nova montagem de espetáculo, que posso adiantar, é sobre Brasília, a cidade, sua arquitetura e a relação destes elementos
com o espaço e o corpo humano. Procuro, desta forma, traduzir por meio 
de um espetáculo de dança e teatro, a história e a identidade da capital brasileira.

SEMIÓTICA 
"(gr semeiotiké) sf 1 V semiologia (acepção 2). 2 Doutrina filosófica geral dos sinais e símbolos, especialmente das funções destes, tanto nas línguas naturais quanto nas artificialmente construídas; compreende três ramos: sintaxe, semântica e pragmática."
(In Dicionário Michaelis).




 



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