sábado, 7 de dezembro de 2013

"O corpo Fala". E muito!


O CORPO COMO VEÍCULO DE LINGUAGEM

A  pesquisa realizada por mim no ESPETÁCULO DE DANÇA
& TEATRO BARAKA é a desmonstração de uma técnica baseada em elementos da dança clássica indiana, que continua causando forte impacto no público que tem me prestigiado desde a estréia, em setembro/2011. A força das imagens reveladas pelo meu corpo em cena e a plasticidade dos movimentos provocam diálogo profundo com os expectadores, derrubando as fronteiras entre palco e platéia, relações
de consumo e entretenimento.
A arte que resgata a força do ser humano.
Não há em cena nenhum artefato ou elemento da linguagem visual – como cenografia, iluminação ou efeitos especiais.
Há apenas a dançarina e a dança.

Na minha opinião, uma apresentação perfeita acontece quando
a dança aparece, e não a dançarina. Gostaria de revelar um aspecto da minha pesquisa muito comentado por mim e pouco compreendido. Durante algum tempo escrevi textos sobre
meus estudos a respeito da dança clássica indiana.
Mas, quantas pessoas conhecem a dança clássica indiana?
Uma minoria. E a criação de uma linguagem própria? A que “linguagem própria” me refiro?
O corpo continua sendo um ilustre desconhecido para as pessoas e, a dança, com o tempo,
foi passando por um processo de “elitização” e difusão de técnicas que só aumentaram
o seu hermetismo. O resultado é a perda do público não “iniciado”.

Pensei em criar um método para ensinar dança, onde a técnica e a vivência da dança
fossem estudadas com prazer e organicidade. O veículo para sua compreensão e sentido.
Na tarefa de construir essa linguagem, comecei a pautar as aulas.

Sobre a minha experiência como professora de dança e teatro, uma das minhas fontes
de pesquisa é o efeito da dança na vida das pessoas. Dou aulas para alunos da rede pública
de Brasília, atuo como  coreógrafa e preparadora corporal de pessoas de várias faixas etárias,
pertencentes a todas as classes sociais. Com o tempo, percebi nos alunos(as) a carência do contato
com o próprio corpo. Na avidez por ter acesso a esse conhecimento e o encantamento pela vida
que as minhas aulas estimulam, percebo que muitos alunos(as) reencontram o riso e o prazer.
A escola proporciona pouca vivência com o corpo. Temos a educação física, que nem sempre
cria espaço para a expressão poética do ser.  A escola formal que existe hoje, praticamente suprimiu
o ensino da dança como linguagem. São raras as iniciativas – e isoladas.

Recentemente o governo aprovou uma Lei que regulamenta o ensino da música nas escolas públicas
em Brasília. Mas eu continuo perguntando “quando é que o corpo terá o status de matéria curricular”?
Não me refiro ao estudo do corpo como objeto de pesquisa em várias disciplinas.
Falo da experiência do “contato real” do indivíduo com seu próprio o corpo, suas emoções, prazer
e a vivência que constrói o conhecimento holístico. Uma possibilidade de retomar a razão
e a emoção. O estudo do “todo”, já que “tudo” começa com o corpo.

Historiadores, antropólogos e profissionais de outras áreas do conhecimento humano já ensinaram
que “o gesto antecede a fala”, que “o corpo fala” e que 70% da nossa linguagem ou comunicação,
começam com a nossa linguagem corporal. No cérebro humano, os hemisférios esquerdo
e direito são os responsáveis e nos conduzem ao entendimento e percepção do mundo.

O ocidente negou o corpo e até o considerou "perigoso". O momento é de devolver
a capacidade de integrar Corpo, Mente & Alma. Pensar e agir no mundo com emoção.
Precisamos – é necessário – retomar um modelo de alfabetização e ensino que entenda,
priorize e contemple o corpo como veículo de linguagem. Quando isso será possível?

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