domingo, 29 de setembro de 2013

Atriz e bailarina Amélie Ségarra dançando com facas presa a sapatilhas

"Quando “Cisne Negro” chegou aos cinemas, pudemos ver uma nova faceta do ballet pela ótica da personagem Nina, interpretada com maestria por Natalie Portman. A jovem encarnava o medo e a fragilidade que se exigia ao papel de cisne branco, mas também precisava encarnar o oposto: a sensualidade e o perigo do cisne negro. A dualidade entre as características dos cisnes revela a dificuldade técnica em se assumir papéis muito díspares. Mais ainda: traz à tona os limites que, por vezes, o artista ultrapassa para atingir a perfeição.
Sabemos que o ballet exige não somente disciplina, mas sacrifício. A figura da bailarina muitas vezes foi envolta pelo ideário da jovem delicada e pura, com gestos e passos calculados e inocentes. Mas o que o filme “Cisne Negro” prova é que os bastidores e a escalada da bailarina até o momento em que o indescritível acontece – a perfeição dos passos – podem ser mais doentios e insanos do que imaginamos. Só vemos tule, brilho e elegância. A arte pode envolver sacrifícios. E a bailarina é a figura que encarna esse desafio com o próprio corpo.
Após essas considerações, pensemos no significado do vídeo abaixo. Ele foi feito pelo artista basco Javier Pérez. O vídeo nomeado En Puntas traz a bailarina Amélie Ségarra numa situação, no mínimo, perturbadora: ela se equilibra surpreendentemente na ponta de facas afiadas, em cima de um piano. Antes de continuar a leitura desse texto, veja primeiro o vídeo que tem, no máximo, 3 minutos. Vale experimentar por si mesmo.
Exclamações definiriam melhor a impressão que essa performance deixa no espectador. É difícil não se sobressaltar diante da tensão interminável do vídeo. Ela já começa ao ouvirmos a música delicada que sai de uma caixinha de música, segurada por uma única pessoa numa plateia quase fantasmagórica de tão vazia. A bailarina calça as sapatilhas atreladas às facas e se ergue por uma corda.
Aos poucos, já nos vemos inteiramente envolvidos, encarando os pés da bailarina, temerosos. O risco que a faca traça no piano arrepia. Porém, os gritos agudos da bailarina deixam marcas mais intensas do que aqueles riscos. Não dá para distinguir se os gritos são mera ficção e parte do espetáculo ou se ela sente dor e medo de cair. Uma pergunta que ficará sem resposta é quantos ensaios a bailarina teve para, finalmente, ficar na ponta das facas. Ou se ela se arriscou numa única tentativa.
Aos poucos, os passos que antes eram extremamente pesados se tornam mais leves e seguros, mas ainda definidos pela dor e pelo grito. O curioso é ver que a bailarina, por vezes, parece brincar com a nossa tensão, ampliando os riscos no piano a fim de esperar pela nossa reação. Ela não ouve, não vê ninguém. Não há crítica na plateia. A brincadeira se dá entre ela e o próprio corpo, mas nós, espectadores, somos quase a consciência da bailarina, que gosta de provar para si mesma (e para nós) o que ela pode fazer diante desse desafio.
A bailarina finaliza a performance sem aplausos. O que isso nos leva a pensar? A apresentação não deixa de ser uma bela metáfora de todos os anos de ensaio e aperfeiçoamento da artista. A plateia tem acesso ao produto final. Na verdade, o que não vemos são esses passos titubeantes no início de carreira e nem a dor intensa que as sapatilhas provocam sempre. Logo, as sapatilhas – e as facas, nessa apresentação – tornam-se parte do corpo da bailarina. Elas são a expressão de seu sacrifício e de sua arte.
O vídeo mexe com nossos sentidos. Ele quebra com a perspectiva que temos do ballet como uma expressão delicada do corpo. Ele é brusco, violento também. Colocar a bailarina numa situação-limite não chega a estar desvinculado de cada ensaio que é ultrapassado por ela durante a sua vida. Obviamente, as dores sentidas com as sapatilhas deixam marcas como os riscos no piano. E são acompanhados pelos gritos que, incrivelmente, continuam a soar na mente do espectador após o final da performance. Talvez sejamos a verdadeira plateia da bailarina. O aplauso seria vazio para tamanha entrega. O silêncio nos deixa atônitos e marca o último passo da perfeição."

Sobre o autor

 ,20 anos, graduanda em Filosofia na USP. Escritora e cinéfila em formação, acha que qualquer dia desses vai se afogar na pilha de livros que precisa ler. Tem muito amor por sua biblioteca particular composta pelo primeiro livro que leu na vida, um infantil sobre Picasso, aos 7 anos, até as obras de Filosofia e Estética, que certamente vai reler até ficar velhinha. Bem lá no fundo acredita que Woody Allen vigiou seus sonhos e, assim, resolveu escrever o roteiro de Meia-Noite em Paris. Mantém o blog: http://marinafranconeti.wordpress.com/

Atriz e bailarina Amélie Ségarra dançando com facas presa a sapatilhas

domingo, 22 de setembro de 2013

ROLF WERNER GELEWSKI

ROLF WERNER GELEWSKI (1930 - 1988)

Dançarino e coreógrafo alemão naturalizado brasileiro, fundador da CASA Sri Aurobindo.

Desenvolveu um rico acervo de propostas educacionais, o qual integra harmoniosamente sua experiência vivencial e pedagógica na área de expressão artística aos ensinamentos de Sri Aurobindo e d'A Mãe, e constitui um meio efetivo para auto-percepção, auto-educação e educação de outros.

Nasceu em Berlim, Alemanha, em 7 de abril de 1930. Experiência marcante de infância e adolescência: a Segunda Guerra Mundial. Após a guerra ocupa-se intensamente com música, pintura e poesia, até encontrar a dança. Decide-se então pela última como caminho de vida, estudando dança criativa com Mary Wigman, Marianne Vogelsang e na Escola Federal de Dança, em Berlim. Entre 1953 e 1960 é dançarino solista do Teatro Metropolitano e professor. Desde o começo de seus estudos, cria suas próprias danças, sempre apresentando-se em recitais solísticos.

Em 1960 muda-se para o Brasil, a convite da Universidade Federal da Bahia, para estruturar o Curso de Dança daquela Universidade, onde foi professor até 1975. Nesse período ocupa também os cargos de Diretor da Escola de Dança, Dirigente e Coreógrafo do Grupo de Dança Contemporânea e Chefe do Departamento de Integração e Educação Artística. Publica pela UFBa vários trabalhos didáticos para o ensino de Dança. Desde 1960 realiza recitais solísticos no Brasil, assim como apresentações no exterior. Em 1970 e 1971 trabalha como professor convidado em algumas universidades norte-americanas.

De 1967 a 1971, a convite do Goethe Institut, faz várias tournées pela Índia e pelas Filipinas. Em 1968 dá-se então seu primeiro contato direto com o Sri Aurobindo Ashram, comunidade espiritual na Índia do Sul, onde conheceu A Mãe. Este contato causou um impacto profundo em seu ser, resultando numa mudança decisiva e progressiva de sua vida. A partir de então, retorna algumas vezes ao Ashram, onde residiu durante um período.

Em março de 1971, começou a viver em comunidade com um grupo de jovens em Salvador, e é desta comunidade que nasce, em setembro do mesmo ano, uma sociedade, a "CASA Sri Aurobindo", tendo Rolf como Presidente e ocupando a comunidade o lugar central na realização dos propósitos da CASA.

Em 1975 Rolf deixa a Universidade e passa a dedicar-se exclusivamente ao trabalho da CASA Sri Aurobindo. Sua vida torna-se a vida da CASA.

Desde 1973, Rolf escreveu e publicou pela CASA trabalhos que enfocam, particularmente, a educação, a conscientização e desenvolvimento do corpo, e a prática da interiorização e concentração. Suas atividades foram a direção da CASA, a edição da revista mensal "Ananda" e de outras publicações, entre elas as primeiras traduções das obras de Sri Aurobindo e de sua congenial companheira espiritual, A Mãe, em língua portuguesa.

Também encarregou-se do programa de expansão da Casa, realizando com o apoio constante dos colaboradores recitais solísticos de dança, cursos de concentração e interiorização, além de palestras e seminários sobre temas variados. A partir desse trabalho, foram sendo formados Núcleos de colaboradores livres em diversas cidades de muitos Estados do Brasil.

Na busca de seus objetivos essenciais, Rolf criou diversas propostas de trabalho envolvendo as diversas partes do ser (físico, vital, estético-emocional, mental-cultural e espiritual) baseadas na filosofia e Yoga de Sri Aurobindo. Estas propostas são, hoje, a base do trabalho prático da CASA, que, como Rolf, apóia-se inteiramente nos ensinamentos de Sri Aurobindo e d’A Mãe.

Neste trabalho ao longo dos anos, Rolf desenvolveu um movimento muito próprio de percepção visual a partir de fotos e gravuras em combinação com reflexões de natureza mais profunda, e lançou propostas para um treinamento e sutilização de nossas faculdades mentais e sensoriais, através do manuseio construtivo-criativo de materiais concretos.

O objetivo que se almeja alcançar é: colocar-se à serviço da Verdade e ajudar para que um número crescente de indivíduos se conscientizem da necessidade de uma nova, mais profunda e mais total visão do mundo e da vida, abrindo-se ao mesmo tempo aos ricos potenciais em si mesmos e Àquilo que, desconhecido, para sempre ultrapassa tudo o que existe.

Rolf faleceu em um acidente automobilístico em 8 de janeiro de 1988, aos 58 anos,
em Feira de Santana - BA.





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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Bauhaus

“A arquitetura é a meta de toda a atividade criadora. Completá-la e embelezá-la foi, antigamente, a principal tarefa das artes plásticas... Não há diferença fundamental”.
entre o artesão e o artista... Mas todo artista deve necessariamente possuir competência técnica. Aí reside sua verdadeira fonte de inspiração criadora... Formaremos uma escola sem separação de gêneros que criam barreiras entre o artesão e o artista. Conceberemos uma arquitetura nova, a arquitetura do futuro, em que a pintura, a escultura e a arquitetura formarão um só conjunto.”.

Essa citação consta no primeiro manifesto da Bauhaus, escrito em 1919 por Walter Gropius, mostram as idéias básicas da escola e o movimento que
ela causou na Alemanha, entre 1919 e 1933. A Bauhaus reuniu vários criadores de vanguarda muito importantes, que criaram idéias que iriam prevalecer em todo o mundo durante o século XX.

O CORPO- ENTRE A COREOGRAFIA E A HABITAÇÃO


"De uma forma geral pode-se dizer que a questão essencial da arquitetura contemporânea é a sua relação com o evento; não a relação com o espaço ou o tempo de forma isolada, mas sim a relação com o evento enquanto acontecimento que não se repete, dotado de uma singularidade espaço-temporal. Assim, a questão que tem preocupado os arquitetos que praticam uma arquitetura investigativa é exatamente o jogo entre a determinação e a indeterminação de seus projetos e dos lugares deles resultantes. Em outras palavras qual o grau de liberdade dado ao habitante, usuário de espaços que prescrevem usos e modos de comportamento. E a grande aposta é o uso da indeterminação como abertura para a possibilidade de criação. Esta parece ser também uma questão essencial para a dança contemporânea – a relação entre a pré-determinação coreográfica dos movimentos e a liberdade de invenção no ato da dança, ou seja, qual o grau de liberdade entre o coreógrafo e o bailarino. A consideração dessa tensão entre um planejamento prévio e a invenção no ato do evento, na verdade, aponta para a consideração do tempo como algo irreversível (a flecha do tempo, como nos recorda Ilya Prigogine), que impossibilita a repetição idêntica de um mesmo evento, e por isso mesmo traz em si a possibilidade da criação.
No que concerne à Arquitetura, a questão se esclarece quando entendemos uma mudança de abordagem feita pelos arquitetos contemporâneos, que deslocam a arquitetura do âmbito dos objetos para o âmbito das relações, ou seja, deixam de ver a arquitetura como a edificação pura e simples (o objeto em sua materialidade) e passam a abordá-la como o conjunto de interações que acontece entre os habitantes, mediados pela edificação. Na verdade, se olharmos desde o seu surgimento e as suas mais antigas manifestações, assistimos a uma crescente desmaterialização da arquitetura: das pirâmides egípcias que eram pura massa às catedrais góticas permeadas de luz; dos volumes transparentes e interpenetrantes da arquitetura moderna aos espaços fluidos e imateriais das arquiteturas do ciberespaço. Essa evolução, de fato, mostra um distanciamento cada vez maior do caráter objetual da arquitetura e a ênfase sobre aquilo que parece ser o fundamento da arquitetura, o seu caráter de vazio que articula eticamente as pessoas. Assim, a Arquitetura assume-se cada vez mais como um vazio relacional, onde a injunções do habitante enquanto um sujeito desejante passam a ser prioritárias.
Essa desmaterialização do objeto arquitetônico ocorrido ao longo dos tempos parece acompanhar um progressivo distanciamento entre o corpo e a edificação, apontado por Anthony Vidler em seu livro The architectural uncanny. Na antiguidade o edifício buscava uma analogia ao corpo em termos de proporção e simetria – as catedrais simbolizavam o corpo de Cristo. Posteriormente o edifício passa a expressar sentimentos mais abstratos baseados nas sensações corporais. Já no século vinte o edifício não guarda mais nenhuma relação metafórica direta com o corpo humano, mas sim com um animismo mais abrangente, no qual a edificação é vista como um organismo, que cresce, respira, se transforma e envelhece.
Ma se por um lado a associação entre o corpo e a edificação sofre um distanciamento, se considerarmos a arquitetura não mais como a edificação, mas sim como o vazio relacional onde se dá o encontro entre os habitantes, veremos que o corpo passa a ter um papel de crescente importância. Diante da irreversibilidade do tempo o corpo se transforma em peça chave da arquitetura como o agente que articula o tempo e o espaço no evento, dentro de uma relação cada vez maior com a indeterminação. Se no início do século XX Le Corbusier, um dos expoentes da arquitetura moderna, propunha o passeio arquitetural como uma grande inovação, no qual o habitante desvelaria a arquitetura ao percorrê-la, vemos hoje arquiteturas onde o corpo não só desvela o espaço, mas na verdade altera as qualidades do próprio espaço quando nele se movimenta. Aqui o corpo não é mais apenas referência analógica para a construção da edificação, e nem é apenas o elemento que descobre a arquitetura, aqui o corpo com seu movimento passa efetivamente a construir a arquitetura, certamente uma arquitetura que se faz e se refaz na relação com o habitante.
É curioso notar que ao longo da história da arquitetura praticamente todas as referências ao corpo dizem respeito ao corpo masculino, e talvez pudéssemos arriscar que esta referência é menos à idéia do corpo que à idéia do falo, daí a excessiva ênfase no caráter objetual da arquitetura. Uma verdadeira consideração do corpo vai gerar uma arquitetura de caráter mais feminino, uma arquitetura da interioridade e da recepção. Mas o que dizer de uma arquitetura da indeterminação, de uma arquitetura que se faz e se desfaz, que busca o trânsito entre uma forma e outra? Aaron Betsky, não sem polêmica, propõe que essas novas abordagens sejam relacionadas ao que ele chama de corpo queer, em que estas distinções entre o masculino e o feminino ganham outras nuances e possibilidades de intercâmbio."
José dos Santos Cabral Filho

BARAKA:MIRABAI.m4v

domingo, 1 de setembro de 2013

DANÇA E SÍMBOLO

“Cada parte ferida de um corpo é a pista para uma
causa maior e profunda, um sinal a ser lido e
decodificado. Diz-se que as catedrais são livros de
pedra. Nós somos livros de carne. Vivemos o que
somos”.
Evaristo Eduardo de Miranda

   

  O corpo é um templo e cada parte dele pode ser usada e treinada para a sua melhor expressão.
 A grandeza do treinamento corporal reside na habilidade de harmonizar a dimensão física , intelectual, emocional e espiritual da vida, concedendo ao intérprete o poder de trocar e comunicar  em vários níveis
A dança enquanto arte composta sintetiza a melodia e o rítmo, a pintura,e a escultura, a poesia e o teatro.
 A dançarina é simultaneamente o musico tocando com o seu corpo e o escultor, dando forma e estruturando o espaço em formas graciosas e poderosas.
 Desenvolver através da dança a riqueza de possibilidades corpóreas, para que a vivência do simples, do singelo e do encantamento devolva ao  corpo a sua  poética .
Dançar com os olhos, com as mãos, com os pés, com a energia do próprio movimento individual, equilibrar de forma geométrica , andar com graça e leveza, e força.
treinamento corporal para cada parte do corpo, dançar cada fragmento  e ao mesmo tempo  integrar corpo-mente-alma,  onde a dança  vira  meditação e não  há mais  dançarina  só a dança.
A dançarina é uma pesquisadora , cuja dança torna-se uma  oferenda,  uma experiência transcendêntal e transformadora,uma prece em êxtase que celebra a beleza, a busca pelo mistério da vida.
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"TEMPOS MODERNOS"

Sou voluntária de uma ONG que tem como missão ajudar e promover conforto emocional e saúde mental a pacientes com depressão e pessoas...