quinta-feira, 25 de julho de 2013

PORQUE DANÇAR?


PARA FICAR INTELIGENTE

Ivaldo Bertazzo, coreógrafo e diretor da Escola do Movimento
“O movimento é essencial para o corpo se manter organizado. Do contrário, ele desaba. E o movimento nada mais é do que a luta contra a gravidade. Funciona assim para qualquer bicho. Mas para os humanos é mais difícil, pois nossa locomoção bípede nos torna mais instáveis do que qualquer outro animal. O movimento também é importante porque serve como um estímulo para nosso sistema nervoso manter-se sempre à procura de seu centro de gravidade.

Então, imagine o que a dança faz por nós. Um bebê, que sequer começou a andar, já se balança quando ouve uma vibração. Nele há um desejo intrínseco de brincar com seu centro de gravidade e de desafiar o cérebro a encontrá-lo. Responder a um ritmo, portanto, é uma necessidade anterior a tudo. Para conseguir dançar, precisa ainda mais do que isso: é necessário administrar os movimentos do corpo. Só desse jeito se consegue enfrentar cadência e locomoção ao mesmo tempo. Quando isso acontece, é como se o corpo fosse mais rápido que o pensamento.

Por que sentimos prazer quando dançamos numa festa ou numa danceteria? Quando fazemos isso, estamos abrindo o reduzido leque de movimentos que fazemos no dia a dia. Ele é tão pequeno e cheio de objetividade que precisamos ampliá-lo. Nesses momentos, ainda estimulamos o sistema nervoso. Dançar também é isso: um exercício para ficar mais inteligente.”

O RÍTMO ESTÁ DENTRO DO HOMEM

Rodrigo Pederneiras, coreógrafo do Grupo Corpo
 “Como manifestação cultural, os motivos que nos levam a dançar sempre foram diversos: as sociedades dançam para comemorar ou para pedir uma boa colheita, para celebrar um nascimento ou homenagear um morto. Como arte, porém, acho que a dança pode mudar as pessoas. Quando percebemos o que podemos fazer com o corpo, olhamos para nossos limites com um horizonte maior. Também por ser poderosa como toda arte, a dança nos dá completude. Acredito que até mais do que outras formas de expressão. A dança é intrínseca ao ritmo, começa com a pulsação. E o pulso é intrínseco ao ser humano, vem de dentro do nosso corpo.”

MOVIMENTOS TÊM CONHECIMENTO

Elisabeth Zimmerman, professora de Psicologia do Desenvolvimento aplicada à Dança, na Unicamp
“Será que o corpo possui inteligência própria quando dança ou é completamente subordinando a um comando do nosso cérebro? Acredito que ele possui, sim, um conhecimento próprio. Carrega consigo uma memória mais antiga do que nós mesmos, registros que não estão nas nossas lembranças e vão além da história pessoal. É isso que faz com que saibamos agir mesmo quando não nos foi ensinado — assim acontece, por exemplo, em situações de defesa, agressão, reprodução, ou mesmo em processos criativos, como a dança.

Por que gostamos de dançar? O corpo é a casa onde moramos. E, quanto mais à vontade estamos nele, maior é o nosso bem-estar. Dançar é, metaforicamente, um estado similar ao que tínhamos quando éramos bebês e vivíamos quase exclusivamente como corpo. Assim, de certo modo, ao dançar recriamos aquela atmosfera, quando a relação com nossa mãe proporcionava um estado de plenitude. Essa sensação também acontece porque a dança possibilita a conversa entre o lado externo do corpo (tamanho, peso, postura, pele, etc.) e a nossa realidade interna, representada por nossas sensações, sentimentos, percepções e memórias. É por isso que, ao observarmos pessoas absorvidas pela ação de dançar, tudo parece estar conectado para elas.”

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DANÇAR

Estudo atualmente as possibilidades do corpo para criar uma dança sutil para todos, independente da idade, classe social e nível de escola...