domingo, 14 de julho de 2013

DANÇA : EU SOU UMA PERGUNTA




    A  frase ´" Eu sou uma pergunta" é da escritora Clarice Lispector (1920-1977)  muito adequada a qualquer artista que tem a pesquisa e a investigação como razão de viver  e  revelação de aspectos e novos olhares sobre a sua linguagem. No meu caso a dança. Meu universo permeado de" pequenas mortes" que garantem novos saltos diante do desconhecido.
   Há uma mentalidade predominante que concebe a técnica como um fim em si, quando na verdade ela é o caminho,me leva a  importância  da  vivência do processo de encontrar a dimensão da minha essência em cena, ter o corpo com as suas energias dilatadas,emoções reveladas.
   A minha inquietação e a busca por respostas foram determinantes para encontrar o meu caminho que aliás  tem a interrogação, o risco e o coração como elementos chaves.Nunca considerei aprender nada sem questionar na minha  vida de dançarina, aqueles professores e diretores arrogantes  que me queriam igual a um "miquinho amestrado" passaram e foram tarde.
   Demorei a valorizar a minha busca por ter encontrado professores que "matam" o potencial do artista,nós sempre afirmamos a importância do professor nas nossas vidas e falo com propriedade porque sou uma professora, mas ninguém fala desses seres disfarçados de arautos da verdade que além de impor conceitos e fórmulas prontas não admitem a pergunta , a dúvida.Tudo se resume em repetir.

O que determina o domínio da arte da dança nos nossos dias obedece a certas regras e convenções em função de um ideal estético.Precisamos aprofundar mais.
    Eu preciso da liberdade da busca, da impermanência, da descoberta de realizar um movimento com verdade e beleza.
    Nada vem do nada, a técnica que serve a dança clássica vem se desenvolvendo desde o final do século XV, data da criação do bailado acadêmico Italiano,até os nossos dias.Todas as possibilidades  ou quase todas as possibilidades dançantes do corpo foram pesquisadas e elaboradas e estudadas detalhadamente e longamente, cada técnica elaborada contém anos de busca, inquietação  para se criar um alfabeto de "linguagem dançante", que na minha opinião são importantes para estudar , voltar ao passado, no como foi feito, a estética como suporte para o conteúdo.
    Não posso falar da inovação no balé Clássico porque ainda é um dos meus objetos de estudo no momento e futuramente treinamento corporal , para servir de matéria-prima para o meu novo espetáculo de dança .
Meu objetivo aqui é enfatizar a relação de quem dança com a dança, para que ela não seja ginástica, ou levantar a perna até o infinito.
  " A dança é um ato de prazer,de vida,e só deixa de ser prazerosa e viva no momento em que passa a ser ginástica,exercício, competição de força e de ego.Uma aula não pode excluir a emoção: é preciso incorporá-la. Então sou eu, com minha percepção, meus conhecimentos, vivências e emoções que vai acolher o lugar na sala, quem vai levantar o braço, quem vai rodopiar- não é minha perna que vai subir porque o professor mandou."
Klauss Vianna



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