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quarta-feira, 26 de junho de 2013

CORPO E REVOLUÇÃO

  Sempre que vejo um determinado grupo protestando em qualquer parte do mundo penso sobre a origem da raiva.
  Observava perplexa pessoas queimando vivas, pessoas explodindo seus próprios corpos,e matando por alguma causa.
   No Brasil fiquei muito interessada no debate por ter tomado dois rumos, as pautas de reivindicações e o vandalismo. Sobre as ideias defendidas todas nobres.
  A questão do  vandalismo, penso sempre no ser humano, na verdade expressa naquele corpo, sem julgamentos ou condenações.
  Eu entendo um ser humano como alguém que tem uma história, memória,emoções, coração e medo, apesar de nada justificar a violência.
.    Não quero defender uma ação nefasta dentro de um grupo que apenas deseja um futuro melhor, só quero destacar que pessoas que têm condições básicas, para ter qualidade de vida, podem ter menos raiva da vida e de todos.
    Defendo uma civilização que valoriza o ser humano  o projeto existencial de cada um e o sentimento de pertencimento. A política do pão e circo precisa acabar, a televisão não pode ser o  coliseu que transforma em espetáculo a raiva alheia.  O que  vejo são corpos rígidos e desesperados,  que estão pedindo socorro, sofrimento ao vivo e a cores na nossa tela em alta definição.
    Eu espero que a revolução seja no ser humano, no seu corpo, na sua alma.
   Eu desejo que trabalho, educação, saúde, moradia e transporte sejam prioridades para que cidadãos possam sentar numa grande praça (ágora) como os Gregos faziam ( desta vez sem escravos) e que possam pensar a nossa existência,  nossa ação no mundo.
       Sentir raiva não é ruim, a questão é como expressar com consciência. Nós humanos não sabemos lidar com os nossos sentimentos e ponto. Apesar de tanta pesquisa feita para entender o nosso subcosnciente e as pesquisas sobre a corporificação no corpo das emoções, o ser humano ainda precisa se conhecer, perceber o outro, compreender e aceitar as diferenças. A  população precisa ter acesso a ferramentas para sentir o copo, participar da vida dentro de sí mesma. Ampliar as possibilidades de viver no seu corpo e parar de apertar tanto botão, vivenciar o seu tempo na terra com plenitude.




Rudolf Von Laban

Rudolf  Von Laban( 1789-1958), nasceu na Hungria, bailarino   autor,criou vários centros de pesquisa do movimento integrado , natural e expotâneo (1789-) estudou arquitetura e começou a pesquisar a relação do movimento humano e o espaço.Sua pesquisa fundamental  era  entender as pesquisas sobre o movimento expressivo, composição, frases coreográficas, registro do movimento.

Descrevo dinâmicas pesquisadas por  Laban para qualquer pessoa fazer sua própria revolução que pode ser feita em praças, escolas, fábricas e até sozinha com a porta do quarto trancada.



O primeiro deles é o de socar, ou arremeter: você soca com as mãos, com a cabeça, com as pernas, os pés, com o corpo todo. Isso nos proporciona uma catarse, em que jogamos para fora muitos lixos que temos no corpo. Nesse exercício, use músicas fortes.

A segunda dinâmica consiste em movimentos  leves, como se o corpo estivesse chicoteando ligeiro, de modo bem flexível, bem solto,  podem ser também com as mãos, com os pés, com o corpo todo. Use músicas rápidas.

O terceiro movimento é o de pressionar, que pode ser também empurrar, de maneira firme, direta, sustentada, imaginando que se está tirando algo de você. Use uma música agitada.

O quarto movimento é o de flutuar. Flutuar como se estivesse voando, bem flexível, solto, leve. Use músicas calmas, tranqüilas.

O quinto movimento são os toques ligeiros, também chamados de pontuar, lembrando os movimentos da dança break, em que se pontua com as mãos, com o corpo, em toques bem súbitos. Use músicas alegres.

O sexto movimento consiste em cortar o ar como se fosse uma lança, bem flexível. Use músicas clássicas.

O sétimo movimento é o de retorcer para dentro, de modo contínuo, firme, retorcendo-se cada vez mais. Use músicas suaves.

O oitavo movimento é o deslizar solto, livre, com os braços abertos.

São portanto oito dinâmicas: socar, lambadas leves, pressionar, flutuar, retorcer, toques ligeiros, cortar o ar e deslizar. Use músicas celebrativas.

Todos os movimentos, dentro de sua dança educativa, devem ser para o alto, na horizontal e baixo, para a esquerda e para a direita. Podem ser profundos, curtos, na frente, atrás e no centro. Podem também ser com os pés, a pelve, o rosto, os olhos, ou seja, você pode dividir seu corpo por partes e mexê-las cada uma por vez. Um CD especial que pode ser utilizado em suas práticas é o do filme Tarzan, da Disney.

Essa dinâmica de Laban — a dança para o dançarino — é só para você reeducar o corpo, fazendo-o sentir prazer.

Esse é o corpo que você recebeu nesta viagem pelo planeta Terra. Escolha amá-lo ou odiá-lo, ter ou não ter prazer.

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