A ALMA E A DANÇA

Sócrates: - Erixímaco, esse serzinho dá o que pensar... Reúne em si, assume uma
majestade que estava confusa em todos nós, e que habitava imperceptivelmente os
atores deste festim... Um simples andar, e aqui está a deusa; e nós, quase deuses! É
como se ela pagasse o espaço com belos atos bem iguais, e forjasse como
calcanhar as sonoras efígies do movimento. Parece enumerar e contar moedas de
ouro puro, aquilo que gastamos distraidamente bem vulgares níqueis de passos ,
quando vamos em a algum lugar.
Erixímaco:- Caro Sócrates, ela nos ensina o que fazemos, mostrando claramente as
nossas almas o que nossos corpos obscuramente realizam. (...)
Sócrates: - Está inteira em seus olhos fechados, w sozinha com sua alma, no seio
de alguma intima atenção... Ela se sente transformar em algum acontecimento.
Erixímaco:-Ela se transforma toda em dança, e se consagra toda ao movimento
total! (...) então menina como te sentes agora? (...) De ondes voltas?
Athiktê: Asilo, asilo, ó meu asilo, Turbilhão! – Eu estava em ti, ó movimento, e
fora de todas as coisas... (VALÉRY, 1996, p. 33, 36, 39 e 68).“A Alma e a Dança”, de
 “A Alma e a Dança”, de
Paul Valéry, em que seus protagonistas se encontram diante da dança da dançarina Atikté:

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